quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Incomodada eu?





O gato da vizinha incomoda a outra vizinha. O meu cachorro incomoda a vizinha de baixo. As músicas que um gosta, o outro detesta. As festas que o vizinho dá não deixam o outro dormir. O piano que o fulano toca, agrada um e perturba o outro. É assim a lei da convivência. Um eterno agradar e desagradar. 
Já vi gente se mudando de apartamento porque não suportava mais as festas do vizinho que varavam a noite. Cansou de conversar, de explicar que acordava cedo. Não encontrou no outro nenhuma abertura para o bom-senso. Foi-se. 
Segundo o site www.quemdisse.com.br, a clássica frase “Os incomodados que se retirem” é um provérbio português. Que me desculpem os irmãos lusitanos mas acho-a um abuso. É pensando assim, que os incomodados devem se retirar, que chegamos onde chegamos. Todos nós queremos obedecer as regras, desde que elas estejam de acordo com os nossos interesses. Concordamos com tudo, ou melhor, com quase tudo; no quase reside a nossa perversão. É no quase que habitam nossos desejos que chamamos de bobos; o gato, a música, o som alto, a fila que furamos, o lixo na rua, a internet do vizinho. São tão bobos e pequenos que ninguém vai perceber. E um dia nos damos conta que esse "ninguém vai perceber” se tornou cultura popular. E consequentemente, amparados neste mesmo quase, agem os políticos, os laranjas, os funcionários “encostados" sem doença alguma, os herdeiros de benefícios eternos, os chefes de estado. 
Estamos todos incomodados e incomodando alguém. Sendo assim, fica o dito pelo não dito e está tudo bem. E assim crescem nossos filhos, assistindo a este cenário ridículo que mostramos com nossos próprios exemplos todos os dias. Incomodar o vizinho, incomodar o fluxo do trânsito, incomodar a receita do país e consequentemente seu desenvolvimento… e depois dormir tranquilo confiando no provérbio português. 
Tenho visto os incomodados reagindo. O que é muito bom. Só espero que se incomodem também com os incômodos que causam. O que precisamos mesmo é trocar o provérbio e  estampar nas redes sociais, nos outdoors e principalmente na conduta de cada um de nós é que “o certo é certo ainda que ninguém esteja fazendo e o errado é errado ainda que todos estejam praticando”. Quem sabe assim, não criamos um amanhã mais digno para os nossos filhos? 


Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem da Internet


Olá pessoal,

ninguém vive sozinho. Dependemos do ecossistema e somos parte dele. Enquanto ainda estivermos agindo na defensiva dos nossos pequenos delitos, grandes delitos acontecem bem diante dos nossos olhos e não podemos fazer nada! Pensemos nisso!!!!

Na imagem, Donald, o meu incomodado favorito!

Grande abraço


Leila Rodrigues

2 comentários:

  1. Ah, amei ler aqui, sim, o provérbio português é usado sempre, nossa, faço de tudo para nunca incomodar, respeito as leis, ensinei aos meus filhos que ensinam aos filhos deles, estão sendo muito incomodados, minha filha vai ter de mudar de casa, não aguenta mais, mas digo, não adianta, todos os lugares estão cheios de mal educados!
    Enfim... Vamos indo até ver como ficará!
    Abraços querida amiga Leila!

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  2. Falava sobre isso com um amigo: - valores como dignidade, ética, verdade, respeito, limites de procedimentos... e tantos outros sumiram do nosso dia a dia! Que geração estamos formando com nossos exemplos?
    Abraço.

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