quarta-feira, 22 de junho de 2016

Tudo junto e misturado



Dizem que é rodeio, que é festa do peão, do agricultor e do produtor rural. Mas de rural mesmo tem pouco. Senti falta do gado, dos cavalos bem cuidados e dos concursos de animais. Soube que aconteceu porém eu não acompanhei. Vi lindos e variados chapéus que ornavam os rapazes de jeans super-justos e fivelas grandes. E também vi belas montarias. Um espetáculo à parte.
As mulheres esqueceram a roça e usaram de tudo. Plumas, peles e paetês; tudo no mesmo lugar. Justos, curtos, decotados e bordados que nada deixavam a desejar. Look verão, alto-verão, outono e inverno na mesma noite e no mesmo lugar. Tudo junto e misturado. O importante era festejar. 
Alguns foram para ver. Muitos foram para ser vistos e todos foram para se divertir. 
E como os gostos hoje são bem ecléticos era preciso agradar a todos. E agradaram! O trio-elétrico entreteve quem não gostasse do sertanejo. A boite tinha funk, pop e aquelas músicas de poucas palavras que a moçada gosta de dançar. Então, gregos e troianos acharam seu lugar e se divertiram. 
E se o assunto é música podemos dizer que tivemos grandes  produções. Para tristeza das mais velhas, as novinhas são sensacionais. Aquele 1%  é vagabundo e  os outros 99% estão loucos para chegarem lá. A vaca foi para o brejo mesmo! E para deixar todo mundo feliz "ainda ontem choramos de saudade" das antigas e boas canções sertanejas. 
O fato é que o tempo passa e um dia percebemos que "os donos do pedaço" já não somos nós. São eles, nossos filhos, sobrinhos e demais colegas  da mesma idade. As meninas de cabelos longos e os rapazes de barba cerrada. Não importa se nós achamos a música sem conteúdo ou a mania de selfie um disparate. Agora o tempo é deles e são eles que ditam as tendências e as verdades breves. Eles elegem o que é bom ou ruim  e os padrões que regem as escolhas de hoje muito provavelmente não tem nada dos padrões que escolhemos lá atrás. Para nós país, sempre fica a pergunta: “Será que já ensinamos tudo que precisava  ser ensinado?”  Provavelmente não. Mas chega um momento em que  a vida se encarrega de ensinar tudo aquilo que precisamos aprender. Foi assim conosco e será assim com eles. É preciso aceitar que, daqui para frente eles seguirão com suas próprias asas. Resta-nos assistir com a sabedoria de quem já passou por isso e sabe que logo ali na frente, os desafios serão bem maiores que o tamanho da fivela. 

Leila Rodrigues

Imagem da Internet: http://www.divinaexpo.com.br/#!fotos

Publicado no Jornal Agora Divinópolis em 21/07/2016








Olá pessoal,

Tem 20 anos que eu moro em Divinópolis e é a primeira vez que fui à Divina Expô. Obrigada aos amigos que me incentivaram a ir. Foi uma grande festa e eu me diverti de verdade. 
Ficam as lições… como em cada canto desta vida.

Grande abraço e que venha 2017

Leila Rodrigues


sexta-feira, 17 de junho de 2016

Cabeça feminina




Procurou na bolsa, não estava lá. Apalpou os bolsos. Também não estava. Parou, olhou para um lado, para o outro, entrou na primeira loja. Não queria comprar nada, nem sequer prestou atenção no que vendia ali. Pediu licença e colocou a bolsa no balcão. Foi tirando coisa por coisa. Saiu celular, saiu um outro celular, carregador, capinha extra de celular, batom, óculos de sol, limpador de celular e carteira. Sim ela tinha uma carteira! Tirou outra bolsa (menor de carregar as aspirinas, mais um antialérgico (poderia precisar), colírio, remédio para prisão de ventre e um relaxante muscular). Nada de achar! Continuou tirando as coisas da bolsa. Saiu mais uma bolsinha, agora com caneta, lapiseira, borracha e um bloquinho de anotações que nunca foi usado. Detalhe, ela não estuda há anos! O balcão ficou pequeno, pediu uma sacola e colocou tudo que já havia tirado dentro da sacola.
Continuou a saga. As chaves, Chave de casa, chave do escritório, chave da casa da mãe (é que ela está velhinha, posso precisar entrar lá a qualquer momento), chave do carro e chave do cofre do patrão. A esta altura a balconista já estava entrando em pânico, tentando ajudar e ao mesmo tempo se livrar dela que havia tomado todo seu balcão. Quis ser educada, trouxe uma água, ofereceu cadeira. Nada de achar.
Ligou em casa. A empregada demorou 15 minutos para atender.  - Procura na gaveta do meu criado. Atrás do sofá. Entre a poltrona e a minha cama. Na geladeira. Na gaveta das calcinhas. Nada.
Desesperada começou a suar frio. A pressão ameaçou baixar. Aceitou um café. Rezou. Ligou para a melhor amiga. 
- Como é que pode? Um investimento tão alto. Ainda nem acabei de pagar as prestações e já perdi. Já imaginou quando meu marido souber? Vai me matar! Amiga, torce por mim que o meu dia acabou. Vou voltar para casa, tomar um calmante e dormir. Desisti da academia, do médico que eu tinha hoje, de visitar a tia Luzia no hospital... Hoje eu não quero mais nada!
Colocou de volta todos os pertences da bolsa, agradeceu a atendente. 
- Muito obrigada amiga! Você me acolheu em uma hora muito difícil da minha vida. Valeu a torcida.
Ajeitou a roupa no corpo, limpou as lágrimas para sair e levou a mão na cabeça para ajeitar os cabelos. 
- Oh! Achei! Meu “Raiban” amado! Seu safado, estava aqui na minha cabeça este tempo todo! Paguei caro para você vir dos "States" e você faz isso comigo?

Leila Rodrigues

Imagem da internet
Publicado no Jornal Agora Divinópolis


Olá pessoal,

não importa se você é o homem ou mulher. Não importa a idade que você tenha, um dia a sua memória vai te trair. É fato! É parte do processo hormonal. E aí é ferro que fica ligado, luz acessa, porta sem trancar… enfim. Sãos os sinais do tempo. Os letais. Percebo que nós mulheres conseguimos confundir ainda mais as coisas, principalmente por essa nossa mania de querer fazer várias coisas ao mesmo tempo. Um dia embola tudo e não sai nada direito. É o preço que pagamos pelas nossas urgências.
Este texto é para todos nós, homens e mulheres que já experimentamos este momento cruel com nossas memórias. Que a gente consiga foco, que a gente consiga organizar as ideias, mas sobretudo, que consigamos achar graça em nós mesmos. Afinal, rir ainda é um bom remédio.

Grande abraço


Leila Rodrigues

domingo, 12 de junho de 2016

Sinopse



Se eu te contar que moro em Bangladesch talvez tudo acabe por aqui mesmo. Não é verdade, mas seria bem mais fácil. Pagaríamos a conta, ainda sorridentes e ao cruzar a esquina deixaríamos este momento para trás. Eu não teria que pensar se amanhã você iria me ligar ou não. Eu não teria que me preocupar em comprar um vestido preto para te impressionar, porque os homens adoram vestidos pretos e eu não tenho nenhum. Simplesmente ficaríamos aqui por mais algum tempo e sem a pretensão de te agradar, eu te contaria como foi a minha viagem a Cuba, mesmo sem saber se você tem algum interesse em Cuba.
Mas e se eu te contar que aliso os meus cabelos, que tenho mania de dormir com o dedo no ouvido e que gosto de acordar de madrugada para escrever, você vai sorrir e achar tudo isso uma graça, porque tudo no começo tem graça, até a coisa mais sem graça do mundo. 
Embora o seu sorriso me seja tão convidativo a continuar a conversa, ainda não decidi se te conto ou não. Não sei se mudo o rumo dessa história a partir da página um, ou se permito que ela se escreva do jeito que tem que ser. Talvez seja melhor contar de uma vez e assim não precisarei parar o meu tratamento noturno com creme de abacate no rosto. E nas férias, não vou precisar procurar lugares românticos com chalés e lareira. Menos trabalho.
Só vou te ouvir mais um pouco, por que gostei quando você falou que tem o CD novo do Caetano. Você nunca foi a Cuba, mas conhece a história melhor que eu que fiquei dois anos lá! Ai meu Deus! Por favor, pare logo de me dar atenção, senão eu não vou conseguir te contar os meus defeitos e amanhã toda vez que o telefone tocar eu vou querer que seja você! 
Aqui estou eu fazendo a sinopse de um livro antes mesmo dele ser escrito. Repara não, são os tombos da vida que fizeram isso comigo.
Será que vou ter que começar a chorar aqui agora no meio do bar e dizer que sou depressiva, desde os meus 13 anos, porque aí você para de ser lindo, para de ser educado e vai embora de uma vez?  
Pior de tudo é que mesmo que eu pense isso a minha boca está me traindo! Ela não consegue dizer quase nada a não ser sorrir. 
Você nem imagina, mas o meu cartão de crédito está estourado, preciso urgentemente trocar os dois pneus do meu carro e amanhã eu pego o plantão às 07:00 da manhã. Mas não sei por que fiquei feliz em saber que estivemos no mesmo show do Roger Waters, embora um nem soubesse da existência do outro. 
Que coisa mais louca isso! Se eu deveria sair correndo a vontade passou e o tempo também. Olha só, tem mais de três horas que estamos aqui conversando e eu nem vi o tempo passar. Nossa, o bar já está fechando! E eu estou indo embora com a sensação de que eu me esqueci de te contar alguma coisa! 

Leila Rodrigues


 Olá pessoal


Começar de novo não é tarefa fácil. Acompanho alguns amigos e sei o quanto isso exige coragem e um desprendimento gigantesco. É preciso colocar o passado em seu devido lugar e deixar o coração aberto para que o novo aconteça. Para voces, meus amigos guerreiros que eu tanto admiro, o meu carinho e o meu abraço. Vocês são a prova viva de que a felicidade é possível.

E que o amor “acometa" a cada um de vocês.

Grande abraço

Leila Rodrigues



terça-feira, 7 de junho de 2016

O amor nosso de cada dia



O amor nosso de cada dia

Promete que se eu falar de amor você não vai rir de mim? Não vai dizer que isso é coisa de adolescente? Nunca fui ligada a datas, mas hoje me deu vontade de falar de amor. Prometo não ser utópica, nem falar de eternidade. Não confundo amor com paixão. Hoje eu sei separá-los muito bem.  Eu já passei da fase de escrever frases no fim do caderno contornadas de coração. Hoje nem tenho mais caderno e meus desenhos de coração não seriam mais tão redondos quanto aqueles. 
É fato que não me sobra espaço na mente para lembrar de enfeitar a sua xícara no café da manhã com flores ou para simplesmente te dar um beijo demorado depois do almoço corrido de uma quarta-feira qualquer. Porém, decidi que não quero falar de amor depois que você se for. Não quero chorar pelos cantos declarando ao acaso os poemas que deixei de dizer para você. Não quero buscar você nas flores ou no canto dos pássaros sem antes buscar a sua carne e o seu osso nos dias comuns.  Não quero provar da saudade como prato principal, porque eu mesma não saboreei a ceia da tua presença.
Não que o romance tenha morrido, ele ainda vive, apenas intimidou-se. O romance mora no olhar que cruzamos e dispensa palavras, na mão que encontramos debaixo da mesa, no beijo no elevador, no momento em que você tenta, desajeitadamente, acalmar meus cabelos esvoaçantes. 
O amor que quero falar é este que faz com que eu queira que o tempo passe logo para te contar como foi interessante a aula de economia. É quando não consigo planejar uma viagem sem colocar você ou quando fico orgulhosa dos nossos filhos se parecerem tanto com você.
Dizem que o cotidiano é o devastador do amor. Que de tão comum, vamos decorando o outro e aí o romance se esvai. Eu acredito nisso, mas insisto em  fazer o jogo inverso. Quero que o cotidiano se alimente de nós dois, de tal forma que é ele quem vai ficar viciado em nós! 
Então falar de amor será falar a nossa língua, nosso código, nossas besteiras diárias. Apenas isso. 
Que a poesia de Fernando Pessoa se incorpore em nossas vidas e dizer seja desnecessário para nós dois.

Leila Rodrigues

Imagem da Internet


Olá pessoal,

Atendendo ao pedidos dos amigos, vou repostar alguns textos que selecionei.
Falar de amor é algo muito difícil. O amor é peculiar. O amor é de cada um. O amor no começo é um, no dia-a-dia é outro e no final é outro completamente diferente. Hoje estou falando do amor cotidiano, do amor que acorda cedo e não tem tempo para declarar-se. Do amor rodeado de filhos, livros e afazeres. Apesar das tantas ocupações ele existe e está presente em cada instante. E foi exatamente isso que eu quis dizer no texto acima.
Também não poderia deixar de agradecer a todos que estão compartilhando os textos nas suas redes sociais e multiplicando o número de leitores do palavras. Muito obrigada a cada um de vocês. É assim que o Palavras está crescendo. Naturalmente. Como deve ser.

Grande abraço 



Leila Rodrigues

domingo, 5 de junho de 2016

Culpa da modernidade




_ Morreu! 
_ Não. Mas ouvi dizer que está muito mal. Coitada! 
_ Será que é alguma doença grave ou velhice mesmo?
_ Como assim velhice? Se a mãe dela ainda é viva?
_ É mesmo! Não tinha me atentado para este detalhe. Certamente deve ter adoecido.
_ Pouco provável! Cheia de doutores na família. Se bem que a doença é inerente…
_ Dizem que é depressão.
_ Eu acredito.
_ Não suportou a evolução. 
_ Foi demais para seu coração enfraquecido.
_Tudo começou com o orkut. Depois vieram o facebook e por último o watsap. Ela não tinha como aguentar isso.
_ É muito vc, tb, tbm, cm, pq, s, n.
_ Sem contar os kkkkkkkk. Esse ai acabou com ela.
_ Eu soube mesmo que a pressão subiu e ela foi parar no hpt. Desculpe, no hospital.
_ Estes foram apenas alguns dos agravantes. Ela não se conformou mesmo foi com o estrangeirismo. Este sim lhe custou um câncer.
_ Me lembro. Mouse, sandwich, deletar, software, design, chech-in
_ E “for sale” em tudo que é loja. Coitada!
_ As vezes ela se queixava comigo que estava morrendo aos poucos.
_ Foram muitas teses e doutorados tentando recuperá-la, mas o movimento inverso foi mais forte.
_Todos nós sabíamos o quanto tudo isso a abalava mas ninguém interviu a seu favor.
_ Não é interviu sua imbecil! É interveio.
_ Lá vem você me corrigir! Está parecendo com ela!
_ Mas o verbo intervir deriva do verbo vir e não do verbo ver. E a conjugação de verbos compostos deve seguir a conjugação do verbo simples.
_ Agora você comeu a coitada!
_ Escuta aqui sua idiota, eu não precisei comer a Gramática para conhecer a língua portuguesa! _ _ Eu apenas não parei de aplicar o que eu aprendi.
_ Então vamos mudar de assunto senão vai virar briga. Vai visitar a pobrezinha?
_ Só se você for comigo.
_ E se eu falar errado? E se ela me corrigir?
_ Fica caladinho…
_ Mas Dona Gramática adora conversar.
_ Eu digo que você está com dor de dente. Tudo culpa da modernidade.



Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora e no JC Arcos
Imagem da Internet



Olá pessoal,

Tive alguns problemas com o blog, por isso não tivemos postagens nas três ultimas semanas. Agora já está tudo bem. Peço desculpas aos que já estão acostumados a visitar o palavras. Infelizmente ainda sofremos com invasão de nossos sites. 
Sobre o texto de hoje, imaginei nossos heróis batendo um papo. Cora Coralina, Cecilia Meireles, Drummond, Veríssimo e tantos outros defensores da nossa gramática. 
Obrigada pelo carinho de sempre.
Grande abraço

Leila Rodrigues




domingo, 22 de maio de 2016

Mãe de meninos



Sei que hoje existem mecanismos que permitem que o casal escolha o sexo do bebê. Eu sou das antigas, não escolhi. Meus meninos chegaram e pronto. Eu os recebi e os amei assim, meninos. E quem tem meninos vai entender bem a minha fala.
Ser mãe de meninos é algo inexplicavelmente bom. É conviver com um universo diferente, prático, rápido e sem muitas firulas. Quem tem a possibilidade de crescer com meninos, como eu, pode dizer que tem graduação em praticidade.
Eu fui criada no meio de meninos e hoje tenho a honra de viver com meus três meninos. Meu marido e meus filhos. Criar um menino é preparar um homem. E viver no meio deles é viver uma filmagem de Indiana Jones em tempo real. É almoçar de segunda a sexta assistindo a algum programa de esporte, ou a todos, ou àquele que estiver falando do time favorito deles. E aprender que quando o time perde, melhor não tocar no assunto, discutir neste momento é piorar a situação.
Ser mãe de meninos é entender que eles realmente nunca vão dobrar uma roupa com perfeição. A não ser que sejam profissionais da moda, isso é realmente irrelevante para eles. Aliás, para eles roupa deveria ser algo descartável. Ser mãe de menino é compreender que o silêncio quer dizer silêncio e não falta de colo ou de perguntas que nos levem a algum problema. Simples assim. Ser mãe de menino é entender que a tampa do vaso é um entrave e que condicionador de cabelos para eles é tudo igual. Como são iguais todos os tons de rosa, de azul ou de cinza.
Ser mãe de menino é morrer de ciúmes de cada mulher que se aproxime deles e que tenha alguma, a mínima que seja chance de ser a mulher da vida deles. É achar todas as meninas espertas demais para os nossos “pequenos”, mesmo que de pequenos eles não tenham mais nada.
Ser mãe de menino é incorporar no vocabulário os nomes dos games, dos jogadores de futebol, da marca do boné ou do computador mais novo. E descobrir que tudo isso faz de mim uma pessoa mais prática, mais forte e indiscutivelmente mais mulher.
Ser mãe de menino é entender que saltar, pular e lutar fazem parte do cotidiano deles. E que mesmo que eles rolem no chão, eles não vão se matar. É entrar na brincadeira, ser a prisioneira e deixar o mocinho te salvar. E quando bater aquela falta de um colo, sentir a mão quentinha deles no nosso ombro e ouvi-los dizer timidamente que tudo vai ficar bem.

Leila Rodrigues
                             
Olá pessoal,

Sou realmente uma pessoa rodeada de meninos. Nasci no meio deles, cresci com eles, me casei com um, tenho dois filhos e trabalho com um monte de rapazes. Incrível como isso muda a gente. A primeira vez que percebi foi em uma loja com duas amigas onde eu gastei 5 minutos para escolher uma roupa e elas me olharam espantadíssimas!!! Daí para frente eu comecei a observar e hoje convivo e aceito todo seu aprendizado de bom grado. Na foto eu e meus meninos, meus amores.

Grande abraço


Leila Rodrigues 

domingo, 8 de maio de 2016

Pequena Mulher



A casa dela é simples. Tem santos nas paredes e plantas em vasilhas de plástico coloridas que deixariam qualquer arquiteta incomodada, mas tudo combina. Combina com ela, combina com o seu jeito simples de ser. Ela varre a calçada toda manhã e enquanto isso conversa com todos que passam pela rua. Arruma emprego para um, serve um café para o outro e um par de sapato para o sujeito que passou de chinelo. É assim seu coração. Sem medidas e sem barreiras. É capaz de atravessar a cidade para pedir emprego para o vizinho e não está nem um pouco preocupada se a sua pele precisa de filtro solar. Tem outras preocupações mais nobres. Ela escreve bilhetinhos para os seus santos pedindo por cada um da família. Às vezes acho que ela vive mais perto de Deus do que nós.
Naquele dia ela me esperava no portão. Banho tomado, cheiro de sabonete e aquele vestido florido que eu dei no Natal de 2008 e que ficou ralinho de tanto lavar. Sorriu para mim e disse que o café estava me esperando. Tinha biscoito frito, café da hora e o cheiro inconfundível da cozinha dela no ar. 
Fiquei olhando para ela e observando os seus olhinhos brilharem enquanto falava comigo. De um jeito divertido ela contava as noticias da casa, do bairro e da cidade. O pé de graviola que está cheio de fruta, o bairro novo que abriu e o gengibre que agora está bom para apanhar. Coisas tão simples que vindo dela se tornam notícias de verdade. Impossível não se empolgar. Ela perguntava de tudo e de todos. Queria saber de mim, saber dos netos, saber de tudo. Entre uma pergunta e outra ainda dizia que eu estava bonita demais. Meu Deus, quem mais nesta vida me ama deste jeito? Onde eu vou encontrar alguém que fique tão feliz com a minha presença como esta pequena mulher? Ela não é meu cliente, não é meu fornecedor, nem está interessada em likes na rede social, ele quer a mim e isso basta. Em nenhum outro coração eu vou ocupar um lugar tão especial como este que ela me dá. 
Mãe, nada é mais mágico que o momento em que estamos juntas, usufruindo da presença uma da outra. O mundo é cheio de encantos, sem dúvida porém a sua companhia supera todas as outras opções. 
O nome dela é Dona Neusa e tudo que eu quero é um dia ter um coração parecido com o seu.

Leila Rodrigues

Publicado na Revista Xeque Mate - maio 2016 e no JC Arcos

Foto: Eu e ela - Dona Neusa - clicadas por Juliano Costa

Olá pessoal,

falar de mãe é algo tão difícil que por por mais que tentemos explicar o tamanho da sua grandeza, quando terminamos, sentimos que ainda faltam palavras. Hoje falei da minha mãezinha, Dona Neusa. Uma pessoa simples de verdade. Uma leoa quando o assunto é defender sua cria. Mas imagino  de que se eu trocasse o nome da Dona Neusa pelo de qualquer outra mãe os adjetivos continuariam tão adequados quanto. É a maternidade! É o coração desmedido de ser mãe. Hoje é o dia delas! Das nossas rainhas. E eu desejo que você, sendo filho ou sendo mãe, tenha um dia irradiado deste amor inexplicável e sem medidas.

Grande abraço

Leila Rodrigues






terça-feira, 3 de maio de 2016

Em quantos?



Enquanto um conta vantagens, a outra conta quantos faltam, o outro conta quantos vieram e aquele outro conta as moedas para comprar o pão. É conta que não acaba mais. E quem paga a conta é quem ficou para trás. Enquanto um fala a verdade o outro não fala nada e aquele outro fala dos outros. Que falazada!
Enquanto um dá um passo para frente, outros tantos dão dois passos para trás e assim ninguém chega a lugar nenhum. Enquanto um canta, o outro desencanta e nenhum dos dois entende de melodia. Há quem goste!
Enquanto uma faz qualquer loucura para emagrecer, a outra paga caro para engordar. E nenhuma das duas conhece ainda a beleza de ser. Ganhou quem inventou de modificar! Êta mercado danado que sempre arruma um jeito e um lugar para se ganhar!
Enquanto um trabalha, outros se abastecem daquilo que deu muito trabalho para executar.  Enquanto um constrói o outro desvia, enquanto um faz a ponte, outros fazem a cancela e continuamos todos desunidos, desconstruídos de nossas bases. Enquanto um ensina, o outro recrimina e um terceiro assassina. Aprender para quê se vai durar tão pouco? Já morreram a gramática e a inocência. Seria agora a vez da esperança? Eu espero que não!
Enquanto um espera, o outro se desespera e sai fazendo tudo errado. Eu tenho esperança de que um dia tudo se acerte. 
Enquanto um é mocinho, o outro é bandido e na manhã seguinte eles trocam de lugar. E agora? Quem poderá nos defender? 
Enquanto um chega o outro sai e a porta é sempre a mesma. Quem vai ou quem fica são apenas dois lados da mesma moeda. Hoje estou deste lado aqui, amanhã posso estar do lado de lá. Depende apenas do contexto, da necessidade ou de quem está contando a história. E cada um tem certeza de que está sempre do lado certo. Estas são as duas cegueiras do mundo. A certeza e o lado. 
Enquanto um tenta provar que sim, do outro lado alguém se defende, por quê não? Enquanto isso o tempo passa para todos e a vida enche de “poréns”. Desnecessários. 
Enquanto um executa, o outro planeja, o outro orienta e um outro lá de longe acredita e investe. É assim que deveria ser. É assim que deveríamos seguir. Mas para quem não sabe onde quer chegar qualquer lugar serve. Onde vamos parar?

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem: Game Age Off Empires - Série de jogos eletrônicos de estratégia para computador (retirada da internet)

Olá pessoal,

Tenho visto amizades de muitos anos sendo desfeitas devido à divergência de opiniões. Me pergunto até onde vai o direito de impor a escolha do outro e vice-versa. Cada um de nós carrega uma história, uma trajetória e um DNA. Não há como querer que o outro atenda às minhas expectativas!!
Ah se somássemos nossas competências e diminuíssemos nossos interesses singulares!!! O quão longe poderíamos ir???

Grande abraço

Leila Rodrigues




segunda-feira, 25 de abril de 2016

O vestido






Alguém pode dizer que é apenas um vestido. Mas ela defenderá dizendo que é mais que isso. É um vestido que foi além do seu propósito de vestir. Um vestido que trouxe história e fez história. Algo para se contar.
Ela andava cansada, muito cansada. Da luta, dos dias, do peso da responsabilidade. No meio da correria, um vestido se fez necessário para uma ocasião especial. Não pensou duas vezes, escolheu aquele que tinha confiança e encomendou o vestido. Confiava nele, no seu gosto apurado, na sua competência e na qualidade do seu trabalho. Entregou a tarefa nas mãos dele e seguiu em frente com sua vida atribulada. Não tinha tempo para “viajar" neste tipo de coisa. Até que gostava de moda, mas na fila de prioridades, muitas outras coisas tomavam a dianteira.
Até que chegou o dia de conhecer  a “encomenda”. Talvez tenha o sido o tom do azul vivo que coloriu a sua alma cinza. Ou talvez as rosas delicadamente bordadas em pedraria contornadas com um matiz impecável que a tenha feito se sentir no meio de um jardim. As nesgas do godê bem cortado, a cintura, o decote na medida certa ou seria a textura da seda? Ah deve ter sido tudo isso junto! O fato é que, quando ela subiu no tablado, amparada pelas costureiras, ela que nesta vida sempre amparou e cuidou dos outros, se olhou no espelho e chorou. Não eram simples lágrimas. Não era dor nem mágoa. Seu tempo de princesa havia se passado na névoa dos dias de luta. Não debutou,  não fez parte daquela roda de moças da sociedade que desfilaram no clube. Também não  casou na igreja e não usou coroa e véu. Ainda assim quis o destino que um dia ela caísse nas mãos de alguém que a vestiu de princesa. Sim, de princesa, como aquelas que um dia povoaram os seus sonhos de menina. 
E então ela vestiu! E com seu vestido azul bordado, ela se fez princesa por um dia. Sorriu deliberadamente enquanto rodopiou com seu vestido azul sobre a brisa leve de um entardecer tranquilo. Exatamente como uma princesa deve ser. 

Leila Rodrigues

Publicado na Revista Xeque Mate - Edição de fevereiro 2016


Olá pessoal,

Este texto é uma pequena homenagem ao meu grande amigo Pierre Vasconcelos. Um amigo de muitos anos que um dia resolveu fazer dos seus sonhos a sua profissão e se tornou este profissional apaixonado pelo que faz!
Pierre e sua equipe me deram a honra de ser sua cliente. E de viver todas as emoções que mencionei no texto. Em um tempo de correria, onde tudo é apressado e preciso, uma pausa e um vestido bordado a mão. Ah meu Deus, eu não mereço tanto!!!! Obrigada Pierre pela generosidade, pela amizade e por entender e interpretar tão bem meus desejos. Obrigada também à Jeniffer e Fernando por me permitirem fazer parte deste momento mágico da vida de vocês. Foi tudo lindo!

Grande abraço

Leila Rodrigues


Pierre Vasconcelos fazendo o que ele mais gosta... realizando sonhos.




Os noivos, Jeniffer e Fernando. Lindos!

domingo, 10 de abril de 2016

Por Luiza


Era para ser um domingo como outro qualquer, mas um convite inusitado me fez mudar a minha rotina e atravessar o centro da cidade às 06:30 da manhã daquele domingo. Luiza nasceria bem cedinho e eu fui convidada a assistir o parto. Eu já havia assistido outros partos, mas este é um convite que nunca recuso. É um privilégio participar desse momento mágico que é a chegada de um novo ser neste nosso mundo.
Família reunida, mamãe e papai aflitos e ao mesmo tempo felizes, despedidas  e selfies antes dos pais atravessarem para o lado proibido, a sala de cirurgia. Era o quarto bebê da família. Um ato de coragem e amor dos pais para os padrões do nosso país que não quer saber de família "grande". E pensar que antes as famílias tinham oito, dez filhos!
Ela chegou como chegam os bebês, chorando. E nós que disputávamos o espaço da minúscula salinha de "assistir parto" choramos de emoção com sua chegada. Mas eu, surpreendendo a mim mesma, chorei mais que o costumado choro de emoção.
Chorei de alegria por ter participado de um momento mágico como esse. Chorei quando vi naquele pequenino ser um livro em branco que começava a ser escrito. Enquanto eu observava Luiza ter seus primeiros contatos com este nosso mundo, recostei no sofá e deixei as minhas lágrimas rolarem soltas pelo meu rosto. Todos estavam ocupados demais com a pequena Luiza e eu podia curtir todos os sentimentos daquele momento do meu jeito. Era um choro bom! Um choro pela vida.
Chorei os filhos que não tive coragem de ter porque o trabalho e o resultado foram mais importantes naquele determinado momento da minha história. Chorei a saudade dos meus filhos pequenos necessitando dos meus cuidados. Chorei a fragilidade e a grandeza daquele bebê ainda tão recente e capaz de despertar em mim sentimentos guardados por tantos anos.
O pai de Luiza a trouxe para bem perto de nós e pude observar seu rostinho delicado pronto para viver mais uma história de amor.
Voltei para casa pensando e desejando as melhores e mais puras energias para aquela pequena. Inspirada em Luiza cheguei à conclusão de que eu não posso começar um livro novo, mas posso virar a página e escrever um novo capítulo. Sempre haverá algo a renascer dentro de nós!

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem gentilmente cedida pela mãe de Luiza - Rita Viana

Olá pessoal,

essa doçura de bebê da foto é Luiza. A razão desta crônica. Não há nada mais apaziguador para os nossos corações apressados que ver um bebê dormir. É tão profundo e ao mesmo tempo tão leve que nos remete automaticamente à paz.   Que possamos sempre enxergar nos bebês a esperança de uma geração melhor que consequentemente construirá um mundo melhor.

Grande abraço, obrigada pela visita


Leila Rodrigues

sábado, 2 de abril de 2016

Lá vem ela


Lá vem ela descendo o morro, em cima do salto, começar tudo de novo. Lá vem ela causando discussões e interrogações por onde passa. Ela já chorou, já se descabelou e já armou o maior barraco. Depois dormiu e acordou pronta para começar tudo de novo. É! Ela vai começar do zero novamente. E ai de quem atravessar o seu caminho! Sim ela vai amar de novo, vai querer jogar tudo para o alto e vai chorar depois. Ninguém muda a natureza dos felinos, e ela é um deles. 
Lá vem ela com seus cabelos um dia curtos, no outro louros e no dia seguinte lisos como uma índia Guarani. É assim que ela aguenta as lutas. Ela se desfaz, se refaz e se satisfaz. As vezes acho que medo não existe no seu dicionário, depois descubro que ela vai com medo mesmo. Apenas enrola o medo no lenço colorido que envolve o seu pescoço e segue em frente.  Lá vem ela toda estilizada, com a bolsa que pegou da tia e transformou em nova. Ela tem esse poder. Transforma qualquer sapato em um numero que lhe sirva, transforma qualquer roupa em look e qualquer acessório em atração fatal. Ela é assim! Imprevisível. Única. 
Um dia um novo amor, no outro um novo emprego, uma nova casa, um novo amigo e o velho olhar esperto para tudo que a rodeia. Não pense que você a tem! Ela não é de ninguém! Ela não segue regras, nem as que ela mesma tenta impor. Ela não tem paradeiro nem destino certo. Ela é do mundo e eu sou alguém que vai passar a vida vendo-a perambular por aí.
Atrás da louca existe uma mulher séria e meiga. Alguém que a vida não poupou e que pagou caro pelas escolhas que fez. Alguém que escolheu viver sozinha, que escolheu seguir a sua própria cartilha com as referências que melhor lhe convieram.Se toda história tem o enredo certo, a dela certamente seria uma grande novela. Tudo seu é mais intenso, é mais bravo, mais forte, capaz de superar toda e qualquer expectativa. 
Ela tem pressa de ser feliz e escolheu tentar. Aquele coração cigano não vai se conformar tão cedo com uma vida comum. Ela vai sair por aí procurando a felicidade em algum canto de uma “have" lotada de gente. Um dia ela vai enxergar que a felicidade, esta que ela tanto bate a cabeça procurando, mora bem dentro do seu coração rebelde.
E eu continuarei aqui, na expectativa dos acontecimentos, amando-a e aprendendo com ela alguma coisa que nem ela sabe que me ensina. A vida é assim, um grande aprendizado!


Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos.
Imagem da internet - Juliette Binoche vive Rebecca no filme Mil vezes boa noite (2013)

Olá pessoal,

depois de alguns dias fora aqui estou de volta com meus textos. Temos tido dias tensos e intensos ultimamente. E nesses dias tensos e intensos tenho visto muitas pessoas começando de novo. Muitos deles não por opção, mas porque a situação lhes impõe que recomecem. É preciso ir, ainda que nem se saiba para onde! E foi pensando nisso que escrevi o texto acima. A todos os que estão recomeçando alguma coisa que consigam renovar suas energias e descobrir em cada canto um novo encanto.

Grande abraço


Leila Rodrigues

sábado, 12 de março de 2016

Pátria amada



Pergunto onde estão seus pais? Aqueles que te encontraram um dia, virgem como a Donzela de Cervantes, envolto de matas, índios e bichos? Pergunto quem foi que te educou ó criança grande? E volto a perguntar com o coração doído, onde estão seus pais? 
Um país órfão é o que somos! Órfãos de pais que nos eduquem de verdade, que parem com essa parafernália desenfreada onde tudo é permitido e ao mesmo tempo escuso e despercebido. Um pai que mande calar os discursos inflamados de falsidade, que ponha de castigo quem prometeu e não cumpriu, que mande embora quem não é digno de ser chamado de filho, que mande prender quem roubou e que sobretudo o faça por amor aos seus filhos. 
Onde estão os nossos pais? O meu anda cansado da luta, da vida, das tentativas e das despedidas. E o seu Brasil? Eu sei que neste momento você chora a falta de um pai. Um pai que assuma o seu amor antes dos seus interesses. 
E por não ouvir nenhuma resposta pergunto então onde estão os seus filhos ó mãe gentil? Aqueles que seguindo a lei natural deveriam cuidar de seus pais no momento de necessidade, de enfermidade ou quiçá do avanço da idade. Ainda és tão jovem pátria querida, mas sinto que precisas urgentemente de cuidado e atenção.
Em teu seio tantas filhos e tão poucos com capacidade para cuidar de ti! Um país carente de pais e carente de filhos! Carente de líderes! Instituições à deriva por falta de líderes, outras falindo em função de lideranças sem escrúpulo e cidadãos comuns  perdidos à escolha do menos pior. Não sabemos mais em quem confiar, não sabemos por onde começar. E assistimos calados o resto do mundo nos reconhecer como um país podre. 
Pátria amada e idolatrada, há que surgir em algum lugar de teus verdes campos, filhos dispostos a cuidar de ti. Filhos que queiram representar os demais com ética, dignidade e respeito. Filhos que queiram exercer uma liderança digna e competente. Eu sei que o temos. Só não sei precisar onde estão. Acordem irmãos meus que nós, os que prezam pela justiça, pelo trabalho digno e pelo crescimento do país estamos aqui, ávidos para te dar a mão e juntos fazermos um Brasil melhor.  
Você não está só! 

Leila Rodrigues

Imagem da Internet

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos

Olá pessoal,

Não vim aqui falar deste ou daquele partido, nem tampouco deste ou daquele fulano. Vim falar da vergonha que se instaurou no nosso país como um todo no que tange à política e lideranças. Nas cidades, nas instituições, nos estados e no país é vergonhoso e sem escrúpulo o que estamos assistindo calados. Verbas que nunca chegam ao seu destino, compromissos que nunca são cumpridos e o Brasileiro, esse sujeito boa fé, acoado e calado aceitando tudo. É preciso mudar! É preciso reagirmos para mudar alguma coisa. Se para você está tudo bem, para mim não. É a primeira vez que coloco uma posição particular no blog. Não tenho a intenção de evangelizar ninguém, estou apenas exercendo o meu direito de cidadã de expressar a minha indignação.
E que nada disso destrua o que construímos sem a interferência de nenhuma posição política, a nossa amizade.

Grande abraço


 Leila Rodrigues