domingo, 15 de julho de 2018

Uma jovem de 80 anos


Uma jovem de 80 anos

O clima fica diferente. Nas ruas, há um movimento. Cartazes, comentários, convites. Há um bom motivo para festejar! 
Todos são convidados. Sem restrição. Para os religiosos tem novena da Santa Padroeira - Nossa Senhora do Carmo. Para os mais novos, tem jogos, shows e baladas. Para os tradicionais tem o desfile. Se ontem fomos nós com nossas mini-saias de prega e o tênis Bamba, hoje são nossos filhos e nossos netos com suas selfies. Olha fanfarra do Estadual deixando a festa ainda mais linda! Os meninos da APAE, a pipoca, o picolé, as pessoas na rua à espera das homenagens. E para os que se foram, tem a satisfação de aparecer para encontrar a família e os amigos. Basta dar uma volta para encontrar com aqueles, que um dia fizeram parte da nossa vida. Um abraço aqui, uma lembrança ali... e em instantes a roda de conhecidos se forma. Ah isso não tem preço!!! Vale a pena vir em Arcos no dia do desfile, simplesmente para matar a saudade. Saudade do muro do fórum, do bar do Idolves, do Tio Patinhas e principalmente daquele furdunço de gente aglomerada na praça no dia da cidade. Mudam-se as musicas, os bares e o jeito de se divertir. Mas há que se conservar o amor à esta cidade querida, que tão bem acolhe a quem quer que chegue. 
Ah, já faz tanto tempo que cheguei aqui em Arcos, que é natural para mim dizer que sou daqui, mesmo não sendo. Sempre que chega esta época, é gostoso viajar no tempo e lembrar de quando chegamos, ou de quando começamos a nos entender como gente (para quem nasceu aqui). Quais eram nossas expectativas? O que esperávamos da nossa Arcos? Nossos sonhos, nossos amores, nossa juventude ávida por um baile no clube. Cada um de nós descobriu como pôde um jeito de ser feliz. Muitos construíram seus sonhos aqui mesmo, outros tantos se foram.  A vida se encarregou de dar o destino certo para cada um. E ainda que hoje eu não more aqui, o meu amor pela cidade estará presente na minha vida e nas minhas atitudes. É a nossa Arcos soprando mais uma vela da sua história. Ela chegou aos 80 anos. Tão jovem! Com tanto futuro pela frente, ainda há muito o que conquistar! E nós estaremos aqui; entra ano, sai ano, assistindo às mudanças do tempo acontecer com as pessoas, com a cidade e com cada um de nós! Evoluir sim, envelhecer jamais! 

Leila Rodrigues

Publicado no JC Arcos em 15 de julho de 2018


Olá pessoal,

Hoje todas as honras e todas as boas  energias são para Arcos, esta cidade que eu amo e que tenho orgulho de dizer que é a minha casa. Parabéns Arcos! Que você continue crescendo e se desenvolvendo cada vez mais. Que pessoas competentes e honestas estejam à frente de bons projetos e que nós tenhamos sempre bons motivos para voltar. 
A todos que fazem desta cidade, este lugar tão especial, meu abraço e o meu carinho.


Leila Rodrigues

domingo, 8 de julho de 2018

Meus discos e livros e nada mais



Sempre fui apaixonada por livros. Sou daquelas que tem uma lista de livros para ler constantemente. Gosto de comprar, de manusear, de sentir o cheiro, de organizar na estante e principalmente de ler. Também tive minha fase de discos, que um dia foi substituída pelo CD, depois pelo MP3 e agora pela assinatura digital de um aplicativo de música, onde eu crio a minha própria biblioteca (playlist) para ouvir a hora que eu quiser, onde eu estiver, na ordem que eu preferir. Não sei se rio ou choro com tudo isso. Meus discos, impecavelmente bem guardados, repousam tranquilos à espera de um destino digno. 
Quando penso que os livros vão acabar, que tem uma geração que está chegando aí, que não vai mais saber escrever e que, para esta geração, os livros são entediantes e pouco criativos, eu fico apática.  Não quero ir contra a evolução, nem pretendo fazer apologia ao passado. Porém preconizo, com total consciência, que se restabeleçam as raízes, as tradições e sobretudo a história. 
Ainda que isto muito me entristeça, que morram os livros; desde que seus conteúdos sejam salvos em algum lugar sagrado da tecnologia. Como já dizia Ché Guevara, “um povo sem história é um povo sem futuro” e está fadado a cometer os mesmos erros. 
A história de um povo, de uma empresa, de uma família, de uma cidade ou de uma nação, precisa ser reestabelecida, registrada, contada e respeitada. Este é o primeiro passo na árdua tarefa de reeducar uma nação que perdeu seus valores. A ética só terá chances de ser recuperada, se começarmos dentro de nossas casas, contando aos nossos filhos nossas próprias histórias de desafio e superação. Mostrar aos nossos filhos que vencemos pela ética e o respeito ao próximo, ainda que tenham sido pequenas vitórias, será como plantar uma semente do bem. Semente que mais tarde, bem distante dos nossos olhos, mostrará seus frutos. E consequentemente nas próximas gerações. Eu ainda acredito que a base da educação está nas atitudes de quem educa, de quem lidera, de quem decide o futuro de outrem. 
Vejo pais preocupados, trabalhando no limite da exaustão para deixarem os filhos acobertados de bens e completamente descobertos de valores e afetos. Ingênua eu de achar que a transformação se dera apenas na estante da minha casa! 
Sob a voz impecável de Eliz Regina, eu que sonhei um dia  deixar de herança, “meus discos e livros e nada mais”; chego à triste conclusão que, “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”! E viva Lulu Santos! E Eliz Regina na playlist! 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem: http://meusdiscoselivrosetudoomais.blogspot.com/2010/10/dedicatorias-de-livros.html

Olá pessoal,

as pessoas sempre me perguntam quando é que vai sair o meu livro. O ano passado ele quase saiu, mas por questões pessoais, adiei o projeto. Já está tudo engatilhado, faltando mesmo, só coragem para começar. Não vou esconder que esta geração tecnológica me assusta  e me desanima um pouco em relação ao livro. Mas eu acredito que, sedentos de conteúdo, todos nós um dia estaremos. Em algum momento da vida, todo ser humano tem necessidade de ouvir. Ouvir palavras que não sejam as nossas, ouvir alguma coisa que nos “chacoalhe” por dentro, ou que nos divirta e nos tire do lugar comum.
Por enquanto vamos seguindo com as crônicas que agora saem na edição de quarta do Jornal Agora Divinópolis e aos domingos no JC Arcos.

Grande abraço

Leila Rodrigues

  

domingo, 1 de julho de 2018

Lá vem ela


Lá vem ela, a segunda-feira. Quer você queira, quer não. Ela não quer saber se você está motivado para ir trabalhar, se o trânsito estará bom, se as suas contas estão pagas ou se você está endividado. A segunda-feira também não está interessada no seu caso de amor com o seu carro novo, nem na farra que foi a sua noite passada. Ninguém vai aparecer na segunda-feira de manhã para te perguntar se você está disposto a ir trabalhar. Na verdade a segunda-feira não está nem aí para nós. Ela apenas chega. 
O ônibus passa, a sirene apita, o imposto vence e todo mundo corre para dar conta de tudo, dentro daquele tempo exato que tem que ser. O relógio universal do tempo faz com que tudo aconteça. E se bobearmos, perdemos a hora, perdemos o prazo, perdemos a oportunidade, perdemos a chance de fazer. Simples assim. 
Somos todos soldadinhos treinados para não perdermos. O trem, a hora, o compromisso. Somos treinados para nadar insistentemente, ainda que tenhamos a certeza de que vamos morrer na praia. É preciso ir! E a vida não pergunta se queremos ou se podemos. Você vai ter que ir e pronto!  
Seja qual for a sua motivação ou desilusão, vá assim mesmo. E nós vamos!  Assim como vamos pagar as contas, pegar o filho na escola, fazer a maldita academia (por obrigação), comprar o leite que ficou faltando ou ligar para o encanador vir arrumar o banheiro. Viver é isso! Cumprir compromissos que nem sabemos que fizemos! 
É tudo tão automático, tão parte do sistema que quando nos damos conta, já passou. E assim, no automático, atravessamos a vida até ontem e aguardamos a semana seguinte, o próximo mês, o próximo ano. 
E se, em meio a este automático da vida, não colocarmos o propósito de ser feliz com tudo isso, não seremos felizes com nada. Funciona assim, ou você é feliz escalando a montanha, ou o topo não terá a menor graça. 
É preciso ter como a felicidade como premissa e não como um fim!  Só assim, através de um propósito de felicidade incondicional, pegar o filho na escola, ligar para o encanador ou passar no mercadinho de verdura terá sentido. É possível! É possível fazer do cotidiano um prazer. E quando você conseguir fazer isso, tudo valerá a pena. 
A felicidade ancorada naquele dia lindo, ensolarado, em que tudo terá dado  certo e o comercial de margarina, finalmente acontecerá na sua vida é uma grande ilusão. Não dá  para agendar o dia de ser feliz! Ou ele é agora, por nada, sem nenhum motivo aparente, ou ele não será nunca. Lá vem ela, a segunda-feira. Você ainda tem chance! 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos

Olá pessoal,

Ela vem aí, a sua, a minha, a nossa segunda-feira. Que seja boa! Que seja melhor que a última! Que seja de recomeço para quem precisa recomeçar e que seja de conclusões para quem precisa concluir. Que possamos chegar ao fim do dia com saúde e disposição para começarmos tudo de novo no dia seguinte.
Grande abraço


Leila Rodrigues

domingo, 24 de junho de 2018

Bem longe


Bem longe 

Um dia bati as minhas pequenas asas e voei. Acordei em outras janelas. Foi um tempo de saudade, de lágrimas e de dificuldade. Contudo foi, sem dúvida, o tempo em que eu mais cresci! 
Eu sentia saudade da minha avó, da briga com meus irmãos por batata frita, da minha rua e em especial da minha mãe. É! Eu estava longe de casa! E quando estamos longe, até dos cenários temos saudade. 
Quando estamos longe, todo tempo é comprido, toda memória é saudade e em cada canto enxergamos traços daqueles que habitam o nosso coração. Sentia falta da volta pra casa depois do trabalho e de explicar para as pessoas que eu era a filha do Deco. Ali onde eu estava, ser filha do Deco ou de ninguém não fazia a menor diferença. 
A distância nos amadurece sem pedir licença, hoje eu sei. A distância fez com que todas as preocupações da minha mãe ecoassem na minha cabeça de tal forma, que era impossível não obedecer a tudo que eu havia aprendido com ela. Eu estava longe, bem longe. Naquela cidade imensa, cheia de gente desconhecida. Eu poderia ter feito qualquer coisa. Não tinha ninguém me olhando, não tinha ninguém para “contar lá em casa” o que eu tivesse feito. E ainda assim, eu optei por fazer o que havia aprendido. Eram as minhas raízes falando mais alto que as ofertas da vida! Foi neste momento, o de fazer escolhas sozinha, que eu experimentei a arte de amadurecer. Não foi fácil,  mas foi assim que me tornei protagonista da minha própria história. Caso contrário, eu seria até hoje, uma espectadora de mim mesma!

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos


Olá pessoal,

esta é uma parte da minha história. Uma parte importante, o início de tudo. Não é fácil ir do interior para a cidade grande, mas o aprendizado é gigantesco. Tudo valeu a pena! Faria tudo de novo!
Respondendo à pergunta que muitos fizeram, as postagens diminuíram, porque estou trabalhando no livro, portanto, guardando algumas surpresas para tal. 

Grande abraço


Leila Rodrigues



sábado, 26 de maio de 2018

Força motriz


Meu pai foi motorista de caminhão. Trabalhei  em uma concessionária de caminhões e depois tive a honra de implantar sistemas em uma grande transportadora. Por tudo isso, caminhões fazem parte da minha vida. Sou daquelas que tem o modelo preferido, que gosto de acompanhar a evolução deles e que ainda pretendo fazer uma viagem a bordo de uma carreta um dia.
Ver a estrada sem eles pareceu sexta-feira da paixão. Ficou um vazio. Um vazio na estrada, um vazio nas prateleiras, um vazio na boca de todos nós. Calamos. Emudecemos ao perceber que aqueles que, ignorantemente consideramos o “incômodo do trânsito”, conseguiram parar um país. Conseguiram o que muitos tentaram com pouco efeito. E ataram os pés e as mãos de muitos brasileiros.
Dizem que se o boi soubesse a força que tem, ele não puxava carroça. Eles, os caminhoneiros descobriram a força que têm! E descobriram que, juntos, podem parar um país. Você já tinha parado para pensar que o remédio da sua pressão, a maçã que você come todo dia, a compra que você fez na internet, o que move o seu carro e os aviões que cruzam o céu, dependem todos daquele “incômodo do trânsito”? E nós que achávamos que só a tecnologia tinha importância em nossas vidas! 
Existe uma turma grande que acorda cedo, que dorme fora de casa, que não leva o filho para a escola e que literalmente carrega este país nas costas. Em um país de estradas vergonhosas e de segurança duvidosa, eles seguem em frente, entregando a nossa sobrevivência. É melhor respeitá-los! Eles hoje sabem a força que têm! 


Leila Rodrigues

Publicado no JC Arcos em 26/05/2018

Olá pessoal,

Tem muita gente contra e muita gente a favor. É direito de cada um ter a sua opinião a respeito. Estamos todos sendo afetados. Então, de uma forma ou de outra, estamos envolvidos, estamos no olho do furacão. Agora é torcer para que a nossa dignidade seja reestabelecida!

Grande abraço

Leila Rodrigues




domingo, 20 de maio de 2018

Meia volta volver


Ela caminhava apressada a poucos metros à minha frente. Carregava algumas sacolas.  Parecia uma pessoa  determinada e segura.  E de repente, sem nenhuma seta, nenhum aviso, virou para traz e fez o caminho inverso. Não tive como não perceber, assustei e rimos juntas quando vi que era uma conhecida. Ela sorriu e disse tranquilamente, “faz parte, não é mesmo?”
Continuei meu trajeto pensativa. O que será que esqueceu? Onde estaria indo e desistiu? 
Fomos criados para não desistirmos jamais,  para não desanimarmos, para praticarmos a resiliência. Contudo, resiliência não pode ser confundida com insistência. Mesmo porque, nem tudo que começamos vai dar certo ou vai durar eternamente! Algumas coisas tem prazo de validade sim e este prazo precisa ser respeitado! 
Parar, encerrar,  desistir, não significam, necessariamente, que não foi bom ou que não houve aprendizado. Desistir pode ser libertador!
Admiro quem tem a coragem de praticar o famoso “meia volta volver”. Aqueles que têm a bravura de tomar a iniciativa e acabar com o que sufoca, o que angustia, o que já deixou de dar satisfação faz tempo. Geralmente são eles, os corajosos de plantão, os que são julgados como fracos ou como os ruins da história. Mas também são eles, as pessoas mais leves e mais preparadas para novas experiências. Eles não têm vergonha de dizer que caíram, que tentaram, que faliram ou que começaram de novo. Isso é parte da vida deles como também é parte o recomeço, a conquista e a vitória. 
Não importa quanto você já caminhou, não importa quão tortuosos foram seus caminhos. Importa a sua temeridade em tomar as rédeas do seu destino. Mudar de vida, mudar de rota ou de rumo depende de cada um de nós. 
Vejo jovens angustiados por terem que atender expectativas dos pais e não às suas próprias. Vejo pessoas entristecidas, fazendo trabalhos medianos  sem coragem para atuarem naquilo que têm paixão. Vejo casais que estão juntos mas não estão sequer próximos. Apenas estão ali, mantendo algo que não existe mais. Tudo porque vivemos em uma cultura onde desistir é sinônimo de derrota. 
Mediocridade! Derrota é não tentar! Derrota é se acomodar! Derrota é se contentar com a vida sem emoção! Isso sim é se fazer um derrotado! 
Não te faz bem, não te acrescenta, não te engrandece, não te dá alegria nem prazer, então junte seus soldadinhos e saia da brincadeira. Meia volta volver também é vida que segue! É assim na infância e assim deve ser para a vida inteira. Afinal, viver há de ser uma gostosa brincadeira! 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem da Internet

Olá pessoal,

Esta semana recebi um feedback do Jornal Agora que me deixou muito feliz. Escrevo há 7 anos para o Agora e sou grata a este veículo e aos leitores que sempre me procuram. Minhas crônicas agora sairão na edição de sábado. Obrigada Flávio (Jornal Agora) e aos leitores por prestigiarem  meu trabalho.
Sobre a postagem de hoje, eu realmente admiro pessoas que sabem dar meia volta, volta inteira, um passo para trás, enfim, admiro quem não tem medo de mudar de rumo!
Meia volta, volver” é um comando militar que significa mudar de sentido numa volta de 180° sem retirar o pé do chão. Tudo a ver com o que falamos.
Sigamos pois, com a coragem necessária para mudarmos o rumo da nossa história sempre que preciso for.
Grande abraço


Leila Rodrigues

domingo, 6 de maio de 2018

Eu comigo e eu mesma


A semana havia sido intensa. Muito mais do que eu achava que poderia suportar. Tudo me exigiu. Tudo me requereu esforço, decisão, pensamento e dedicação. Enquanto todos os meus papeis brigavam para não ter que contracenar. Ninguém me perguntou se eu poderia, se eu gostaria, se eu queria estar ali. A vida é assim mesmo. Não nos pergunta se queremos. Nos joga precipício abaixo para ver no que vai dar. É parte do processo!
Passado o meu furacão particular, como passam todas as nossas tormentas solitárias, hoje eu acordei com a certeza de que precisava de um pouco mais de mim. Por mais que eu tivesse pessoas maravilhosas ao meu lado, naquele momento eu queria a minha própria companhia.
Então eu encostei a general que vive em mim no canto da minha sala de estar e saí para o meu dia, disposta a fazer deste, um dia de mim.
Hoje eu me dei licença para não pensar em trabalho, em casa, em filho, em marido, em cliente, em fornecedor, em negócio ou em qualquer coisa que demande meu raciocínio lógico. 
Hoje foi dia de ouvir a minha playlist  e cantar junto com Belchior, Mariza Monte, Nazi, Cassia Eller, Roberto Carlos  e todos aqueles que um dia cantaram alguma coisa que tocou meu coração. 
Hoje foi dia de reler meus velhos livros e descobrir um novo sentido para aquela velha frase que eu marquei há anos e nunca mais voltei a ler.
Hoje eu fiz questão de preparar um café só para mim e ser a minha melhor companhia. Hoje foi dia de pegar sozinha alguma coisa no maleiro mesmo que isto tenha me custado  um estalo na coluna. Hoje eu precisei ficar só com a minha cachorra para perceber o quanto ela respeita meus silêncios. Mais que muita gente! 
Hoje eu escolhi não sentir saudade e curtir cada minuto comigo com a certeza de estar em boa companhia. Hoje foi dia de encurtar a distância entre eu e meus valores, meu coração e meus sentimentos mais profundos. Hoje o silêncio me contou mais de mim do que todas as horas que eu falei para alguém. E o nada que eu fiz preencheu todos os espaços que a minha mente precisava para se recompor. Nada me faltou, nada me excedeu, as coisas apenas se encaixaram num espaço mínimo entre eu e os meus valores. Tranquilamente assim. E todas as canções foram cantadas, todos os sabores foram sentidos na mais perfeita simplicidade de ser. 
Pode até parecer solidão. Mas é só eu cuidando do meu relacionamento comigo. Prometo voltar amanhã, cheia de espaço para você! 

Leila Rodrigues

Imagem da internet, editada com a frase da autora 
Publicado no JC Arcos

Olá pessoal,

Quem já fez um “deserto”, sabe a relevância do encontro consigo. Posso dizer que isso se torna uma necessidade, de tão importante. Encontrar-se, antes de qualquer outro encontro. Essa é a arte! Esse é o alimento que a mente precisa.
Afinal de contas, se viver é esta luta constante e insana que temos experimentado, que pelo menos entre o “eu e eu mesmo” que existe em cada um de nós, haja paz!
Grande abraço Paz e bem!


Leila Rodrigues

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Por mais entardeceres tranquilos


Pode ser que ela tenha vindo a este planeta para ser uma grande estrela do cinema. Ou quem sabe uma cantora pop com milhões de fãs. É amada, desejada e invejada por muitos. E quando todos se vão, ela sonha com um entardecer tranquilo que possa renovar as suas forças. 
Pode ser que ela tenha vindo para procriar. Teve muitos filhos, uma família linda e seu dom é educar e cuidar da sua prole. É amada pelos seus e isto basta. E quando todos se vão, ela sonha com um entardecer tranquilo que possa renovar as suas forças. 
Pode ser que ela tenha vindo para ser uma grande guerreira. E enfrentado leões na jaula ou soldados no Golfo.  Quem sabe a sua guerra tenha sido por uma causa, um ideal. Ela desbrava terrenos e luta incansavelmente até o fim. É amada por alguns, odiada por outros e invejada talvez. E quando todos se vão, ela sonha com um entardecer tranquilo que possa renovar as suas forças. 
Pode ser que ela tenha vindo a esta existência para fazer a diferença no mundo dos negócios. Ela enxergou longe, opinou, participou ativamente e mostrou a que veio. É invejada por muitos. E quando todos se vão, ela sonha com um entardecer tranquilo que possa renovar as suas forças. 
Pode ser que ela tenha vindo a esta terra para sobreviver. E morando em condições desumanas ela anda léguas em busca de uma lata d'Água que possa saciar os seus. Falta-lhe os dentes. Sobra-lhe a dor. É amada pelos poucos que a rodeiam e talvez nunca tenho sido desejada de fato. Mas quando todos se vão, ela também sonha com um entardecer tranquilo que possa renovar as suas forças. 
Pode ser que ela tenha vindo a esta existência para dar prazer. Um amor bandido, um amor proibido, um amor escondido, um amor incansável, um amor inimaginável. E tudo que ela faz na vida é lutar para manter a chama do prazer acesa. Se é amada eu não sei. Desejada, com certeza! E quando todos se vão, ela sonha com um entardecer tranquilo que possa renovar as suas forças. 
Não importa onde ela vive, não importa a sua cor, a sua raça ou a sua idade. Na hora de parir, na hora de amar, na hora de lutar até o limite de suas resistências, na hora de defender suas crias e suas causas somos todas iguais. Não importa qual tenha sido o dom que ela recebeu ao nascer, quando todos se vão, todas sonhamos com um entardecer tranquilo que possa renovar as nossas forças. 

Leila Rodrigues

Imagem da internet
Publicado na Revista Xeque Mate edição 03/2018


Olá pessoal,

Depois que abracei a Menopausa como minha causa, todos os dias converso com mulheres a respeito. São mulheres de todas as classes, regiões do Brasil, profissões e estilo de vida. Só vejo mudar os endereços, porque as dores e as angústias são muito parecidas. Elas foram a minha inspiração para esta crônica. 
Que estejamos juntas e unidas cada dia mais. Que a dor da outra, nos incomode também; a ponto de termos uma única causa, dignidade e respeito para conosco!

Grande abraço 



Leila Rodrigues 

sábado, 28 de abril de 2018

Quando 2+2 não são 4


Na vida aprendemos que para tudo existe uma lógica, uma linha de raciocinado que, se seguida à risca, vai dar certo. 
Se você quer chegar a algum lugar, adquirir alguma coisa, dar um passo importante na sua carreira, enfim, segue a cartilha que vai dar tudo certo. Planeja, executa, corrige e age  que você chega lá. Cuide da técnica, siga o método e pronto.  Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta. Será? 
Acontece que, nem sempre 2+2 será 4! E aí não há muito o que fazer. Não adianta você programar seu casamento, comprar a casa, mobiliar, pagar a festa, convidar os padrinhos, se você não ama a noiva! Aí, 2 + 2 nunca será 4! Não tem PDCA que funcione! A técnica sem paixão não tem brilho. 
Às vezes a coisa não é para ser mesmo!! Neste caso, para de se enganar e trata logo de mudar de caminho. Não há como crescer na carreira se você não gosta do que você faz. Não há como chegar àquele cargo se você só o quer para se exibir, não há como adquirir tal bem se você lesou outras pessoas para consegui-lo. O universo conhece nossas intenções melhor que nós mesmos. E ele só corrobora quando há verdade nos propósitos. Tem coisas que nem a gente planejando, seguindo a cartilha, observando e ajustando, vão acabar bem! 
É só fazer a conta, 2 + 2 não é 4 quando um tem que sofrer para o outro ser feliz! 2+2 também não é 4, quando um cede e o outro exige. 2+2 não será 4 quando os objetivos não forem os mesmos. Essa conta não fecha nunca.
Trabalhar em equipe, viver um relacionamento, se envolver em um projeto ou causa, são coisas que dependem de todos para dar certo. E só dará certo, disso eu não tenho dúvidas, se quem estiver do lado de lá, estiver de verdade junto conosco. Caso contrário, melhor parar por aqui. O menor prejuízo é o primeiro. 
Se não ama, não assume compromisso. Se não vai participar, não comece a brincadeira. Se não sabe dividir, nem traga seus soldadinhos. 
2 + 2 não é 4, não é 5 e não será nada quando as partes estão divididas entre si. Isso é matemática, é física, é neurociência e paixão ao mesmo tempo. Nem tudo que começamos vai dar certo nesta vida. A vida é cheia de tentativas vãs e cheia de inícios que não vão chegar ao fim proposto. O que não podemos é insistir com o que não deveria ter começado. Tempo e energia são coisas preciosas demais para gastarmos com o que já está fadado ao fim. Faça suas contas!  Noves fora as intempéries, o resto tem que fechar! 

Leila Rodrigues


Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem da Internet

Olá pessoal,

A vida é uma matemática só. Fazemos conta o tempo todo. Fazemos conta do tempo, se vai dar tempo ou não, se temos que apertar o passo ou o que fazer em tão pouco tempo. Também fazemos conta das nossas finanças, aquela nossa contabilidade particular. Isso tudo fazemos muito bem. Difícil é quando não observamos o porquê de certas contas não fecharem. É aí que as coisas complicam!
Muitas de nossas contas não são exatas e é preciso sensibilidade para compreendê-las. 
Boas contas para vocês e obrigada pelo carinho de sempre aqui no Palavras.
Grande abraço


Leila Rodrigues

terça-feira, 17 de abril de 2018

Doutora da Vida



Naquele dia questionei a mim mesma e agora questiono você; o que é cumprir uma grande missão? O que é ser uma pessoa nobre? Certamente alguém vai dizer que é construir um grande império ou talvez conquistar grandes títulos. Medalhas, fama, fãs. Na contramão de todos esses méritos contabilizáveis, ela conseguiu ser nobre sem perder a sua essência. E cumpriu sua missão com tal maestria, que fez morada no nosso coração. Cidah Viana, a nossa Doutora da alegria. 
Ela tinha um jeito único de arrancar um sorriso de mim. De mim e de qualquer pessoa que ela encontrasse pela frente. Ela sabia olhar nos olhos. E quanto o fazia, era difícil não se deixar levar pela sua leveza contagiante. Ela fazia com que tudo ficasse engraçado. E mesmo nas situações mais difíceis, sempre dava um jeito de resolver sorrindo. Era inteligente, muito inteligente. E na mesma proporção era uma mulher simples. Simples no jeito de ser, mas principalmente simples na hora de por em prática o que para muitos, seria muito difícil. Sabia atuar. Mais que isso, sabia agir. E agindo daqui e dali levou o Doutores Palhaços a patamares nunca antes imaginados. Foram mais de 1000 pessoas treinadas para um trabalho belíssimo, que hoje está espalhado pelo país afora. E não dá para contar o número de pessoas que ela aliviou a dor e proporcionou momentos de alegria. 
E ela não parou por aí. Foi a Diva do nosso teatro, que entre uma gargalhada e outra, trouxe de volta a autoestima de muitas mulheres da sua plateia. Ela foi a Doutora Sara Tudo. E como doutora, cuidou, protegeu, lutou, buscou, pediu, correu, agiu, agiu e agiu em prol do seu legado. A atriz, a escritora, a diva, a mãe, a mulher, a cigana, a palhaça, a doutora da vida! A doutora que viveu intensamente seus papéis. 
Certa vez conversávamos sobre o papel da mulher na sociedade e eu havia perguntado como ela conseguia fazer tantas coisas ao mesmo tempo. Ela me disse de forma muito tranquila, “eu não faço muitas coisas, eu faço só o que eu gosto”. E soltou uma risada gostosa. Era assim a Cidah Viana. Leve como uma pluma, forte como uma rocha, engraçada como um verdadeiro palhaço. 
Cidah Viana, por você celebramos a vida e a alegria de viver. De você levamos o eterno sorriso e a certeza de que, para ser grande  é preciso primeiro ser simples. Os filhos palhaços que você deixou se despedem cantando, no picadeiro da vida, com a certeza de que a nossa Doutora Sara Tudo, vai continuar curando em outra dimensão. 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis em 17 de abril de 2018
Imagem da internet 

Olá pessoal

Muito difícil falar da Cidah Viana. Falo isso porque ela foi muito mais que estas poucas palavras que eu escrevi. Cida Viana deixa um legado, deixa uma história gostosa de se ouvir, deixa sua risada, deixa um gosto de missão cumprida!
Vá em paz amiga querida! 

Aos parentes e amigos de Cidah Viana, meu abraço fraterno.

E a você caro leitor aqui do Palavras, obrigada mais uma vez. 


Leila Rodrigues

domingo, 15 de abril de 2018

Esteja pronto


Apesar de eu ser uma pessoa bem disposta, não sou daquelas pessoas “prontas” para tudo. Para algumas coisas ainda preciso de um “preparo”. Dormir fora de casa sem que eu tenha saído para isso, por exemplo, é um problema para mim. Geralmente não durmo bem; estranho a cama, o travesseiro, o barulho da rua, enfim, esta é uma surpresa que não me faz bem. 
Contudo, quer queiramos ou não, a vida sempre vai nos apresentar surpresas. E se elas virão, melhor estarmos preparados. 
É claro que ninguém está preparado para as coisas ruins. Não adianta; por mais evoluído que sejamos, perder alguém querido, ter um diagnóstico desfavorável de uma doença ou sofrer um acidente são “surpresas da vida” que nunca vão nos encontrar preparados. 
Mas podemos nos preparar para as coisas boas. A sorte, por exemplo, ela adora encontrar as pessoas trabalhando, estudando ou buscando algum aprimoramento. É exatamente aí que a sorte se instala e tudo começa a dar certo.
Já as oportunidades, adoram encontrar pessoas atentas. Aquelas capazes de olhar do outro lado da porta, aquelas curiosas, interessadas e sobretudo dispostas a fazer o que a grande maioria não quer nem chegar perto. 
O amor. Ah o amor adora encontrar pessoas genuinamente de bem com a vida. Essas pessoas são realmente apaixonantes. Elas fazem com que a vida fique melhor, daí a razão do amor querer viver com elas. 
Mas para tudo isso é preciso estar pronto. A prontidão é a porta que nos leva a novos patamares. A sorte vai passar, as oportunidades vão passar e a felicidade também. 
É preciso estar pronto para a vida. Ela pode te escolher a qualquer momento. E aí? Você está pronto para ir à padaria? Pronto para ouvir o outro, pronto para enxergar além das portas, pronto para arregaçar as mangas e agir? 
Então esteja pronto! Esteja pronto para crescer, esteja pronto para aprender, esteja pronto para acordar cedo, esteja pronto para envelhecer. Esteja pronto para um sorriso, esteja pronto para não saber, esteja pronto para a caminhada por mais íngrime que seja o caminho à sua frente e esteja pronto para compreender. 
E se não estivermos  prontos de fato, que estejamos de prontidão. Prontos para ir, prontos para olhar para os lados, prontos para enfrentar o desafio. 
É preciso estar pronto para dar aquele salto que a vida oferece para cada um. Um dia ele chega e temos que ir. 
E antes que você se torne um eterno reclamão da sorte eu te digo, vá! O velho ditado, “outras oportunidades virão”, é muito bonito quando movido de atitudes que corroboram com o sucesso. Fora isso é apenas um consolo. 
E se por acaso a sorte chegar e não te achar completamente pronto,  apronte-se e vá! Vá com o que você tiver. Junte coragem e medo e pronto você estará! 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem da internet: Connie Nielsen como Hipólita no filme Mulher Maravilha

Olá pessoal,

O palavras ficou alguns dias “parado”, mas já estou de volta. São as surpresas da vida que, às vezes, nos forçam a parar. E como eu disse acima, nem sempre estamos prontos. 
Gostaria de agradecer publicamente aos meus leitores, em especial aos leitores do Jornal Agora que me ligaram e se preocuparam comigo. O artigo saiu da segunda página e foi para o final, só isso. Continuo lá, continuo com vocês pessoal. Obrigada

Grande abraço

Leila Rodrigues



sexta-feira, 23 de março de 2018

Menopausa X carreira


Qual o impacto da menopausa na sua carreira?

De todas as perguntas que me fazem, esta certamente é a que mais se repete. Não é raro as pessoas quererem saber como é que eu dei conta de passar pela minha menopausa (que não foi muito tranquila) e ainda continuar como CEO? 

As estatísticas mostram que aumenta cada vez mais o número de mulheres que assumem cargos de diretoria e gestão. E a grande maioria dessas mulheres está nesta faixa entre 40 e 50 anos de idade. 

O que eu posso dizer da minha experiência é que, quanto mais a queda dos meus hormônios me afetava fisicamente, mais eu tinha a cabeça cheia de ideias e projetos. Eu, além de não ter parado, eu aumentei meus projetos, haja vista a própria menopausa que se tornou uma causa para mim. 

Contudo acho importante colocar aqui alguns aspectos que considero fundamentais nesta jornada.

1 - Aceite o fato de que você está no climatério (período que antecede à sua última menstruação). Receba a sua menopausa. Perceba-a. Se perceba com ela, observe suas ações e reações. 

2 - Delegue. Se você não aprendeu a delegar até aqui, vai ter que aprender à força. Delegue! Não se atreva a carregar tudo nas costas. Só delegando você terá mais tempo para cuidar de você e consequentemente da sua menopausa.

3 - Dê asas à sua imaginação. Se por um lado seus hormônios estão te sacudindo, certamente por outro lado, novas e interessantes ideias estarão aflorando. Não é raro ouvirmos falar de mulheres que se reinventaram na maturidade. Quando você dá crédito às suas ideias, agora mais maduras e mais consistentes, podem surgir novos negócios, novas oportunidades, novas conquistas.
E por fim, não se entregue às consequências da menopausa. Dê a ela toda sua atenção e cuidado, mas jamais deixe que ela tome os espaço da sua vida. Somos muito mais que ela! 

O trabalho nos dignifica! O trabalho nos fortalece! O trabalho traz à tona a guerreira que existe em cada uma de nós! 

Leila Rodrigues

Imagem da internet


Olá pessoal,

E aqui estou eu, falando de novo sobre ela, a menopausa. É bom lembrar, antes de tudo, que este assunto não é só para as mulheres. Senhores homens, se você tem mãe, avó, tia, esposa, namorada, amiga ou parceira, em algum momento da sua vida você vai se deparar com uma mulher na menopausa. E você pode contribuir muito com essa mulher! Aguarde que mais adiante falaremos a respeito. 
Hoje resolvi postar esta pergunta, porque ela realmente tem sido recorrente quando vou falar de menopausa. 
Espero ter ajudado de alguma forma. 
No mais, grande abraço e um vento fresco que possa renovar as energias de cada um de vocês!


Leila Rodrigues