domingo, 20 de maio de 2018

Meia volta volver


Ela caminhava apressada a poucos metros à minha frente. Carregava algumas sacolas.  Parecia uma pessoa  determinada e segura.  E de repente, sem nenhuma seta, nenhum aviso, virou para traz e fez o caminho inverso. Não tive como não perceber, assustei e rimos juntas quando vi que era uma conhecida. Ela sorriu e disse tranquilamente, “faz parte, não é mesmo?”
Continuei meu trajeto pensativa. O que será que esqueceu? Onde estaria indo e desistiu? 
Fomos criados para não desistirmos jamais,  para não desanimarmos, para praticarmos a resiliência. Contudo, resiliência não pode ser confundida com insistência. Mesmo porque, nem tudo que começamos vai dar certo ou vai durar eternamente! Algumas coisas tem prazo de validade sim e este prazo precisa ser respeitado! 
Parar, encerrar,  desistir, não significam, necessariamente, que não foi bom ou que não houve aprendizado. Desistir pode ser libertador!
Admiro quem tem a coragem de praticar o famoso “meia volta volver”. Aqueles que têm a bravura de tomar a iniciativa e acabar com o que sufoca, o que angustia, o que já deixou de dar satisfação faz tempo. Geralmente são eles, os corajosos de plantão, os que são julgados como fracos ou como os ruins da história. Mas também são eles, as pessoas mais leves e mais preparadas para novas experiências. Eles não têm vergonha de dizer que caíram, que tentaram, que faliram ou que começaram de novo. Isso é parte da vida deles como também é parte o recomeço, a conquista e a vitória. 
Não importa quanto você já caminhou, não importa quão tortuosos foram seus caminhos. Importa a sua temeridade em tomar as rédeas do seu destino. Mudar de vida, mudar de rota ou de rumo depende de cada um de nós. 
Vejo jovens angustiados por terem que atender expectativas dos pais e não às suas próprias. Vejo pessoas entristecidas, fazendo trabalhos medianos  sem coragem para atuarem naquilo que têm paixão. Vejo casais que estão juntos mas não estão sequer próximos. Apenas estão ali, mantendo algo que não existe mais. Tudo porque vivemos em uma cultura onde desistir é sinônimo de derrota. 
Mediocridade! Derrota é não tentar! Derrota é se acomodar! Derrota é se contentar com a vida sem emoção! Isso sim é se fazer um derrotado! 
Não te faz bem, não te acrescenta, não te engrandece, não te dá alegria nem prazer, então junte seus soldadinhos e saia da brincadeira. Meia volta volver também é vida que segue! É assim na infância e assim deve ser para a vida inteira. Afinal, viver há de ser uma gostosa brincadeira! 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem da Internet

Olá pessoal,

Esta semana recebi um feedback do Jornal Agora que me deixou muito feliz. Escrevo há 7 anos para o Agora e sou grata a este veículo e aos leitores que sempre me procuram. Minhas crônicas agora sairão na edição de sábado. Obrigada Flávio (Jornal Agora) e aos leitores por prestigiarem  meu trabalho.
Sobre a postagem de hoje, eu realmente admiro pessoas que sabem dar meia volta, volta inteira, um passo para trás, enfim, admiro quem não tem medo de mudar de rumo!
Meia volta, volver” é um comando militar que significa mudar de sentido numa volta de 180° sem retirar o pé do chão. Tudo a ver com o que falamos.
Sigamos pois, com a coragem necessária para mudarmos o rumo da nossa história sempre que preciso for.
Grande abraço


Leila Rodrigues

domingo, 6 de maio de 2018

Eu comigo e eu mesma


A semana havia sido intensa. Muito mais do que eu achava que poderia suportar. Tudo me exigiu. Tudo me requereu esforço, decisão, pensamento e dedicação. Enquanto todos os meus papeis brigavam para não ter que contracenar. Ninguém me perguntou se eu poderia, se eu gostaria, se eu queria estar ali. A vida é assim mesmo. Não nos pergunta se queremos. Nos joga precipício abaixo para ver no que vai dar. É parte do processo!
Passado o meu furacão particular, como passam todas as nossas tormentas solitárias, hoje eu acordei com a certeza de que precisava de um pouco mais de mim. Por mais que eu tivesse pessoas maravilhosas ao meu lado, naquele momento eu queria a minha própria companhia.
Então eu encostei a general que vive em mim no canto da minha sala de estar e saí para o meu dia, disposta a fazer deste, um dia de mim.
Hoje eu me dei licença para não pensar em trabalho, em casa, em filho, em marido, em cliente, em fornecedor, em negócio ou em qualquer coisa que demande meu raciocínio lógico. 
Hoje foi dia de ouvir a minha playlist  e cantar junto com Belchior, Mariza Monte, Nazi, Cassia Eller, Roberto Carlos  e todos aqueles que um dia cantaram alguma coisa que tocou meu coração. 
Hoje foi dia de reler meus velhos livros e descobrir um novo sentido para aquela velha frase que eu marquei há anos e nunca mais voltei a ler.
Hoje eu fiz questão de preparar um café só para mim e ser a minha melhor companhia. Hoje foi dia de pegar sozinha alguma coisa no maleiro mesmo que isto tenha me custado  um estalo na coluna. Hoje eu precisei ficar só com a minha cachorra para perceber o quanto ela respeita meus silêncios. Mais que muita gente! 
Hoje eu escolhi não sentir saudade e curtir cada minuto comigo com a certeza de estar em boa companhia. Hoje foi dia de encurtar a distância entre eu e meus valores, meu coração e meus sentimentos mais profundos. Hoje o silêncio me contou mais de mim do que todas as horas que eu falei para alguém. E o nada que eu fiz preencheu todos os espaços que a minha mente precisava para se recompor. Nada me faltou, nada me excedeu, as coisas apenas se encaixaram num espaço mínimo entre eu e os meus valores. Tranquilamente assim. E todas as canções foram cantadas, todos os sabores foram sentidos na mais perfeita simplicidade de ser. 
Pode até parecer solidão. Mas é só eu cuidando do meu relacionamento comigo. Prometo voltar amanhã, cheia de espaço para você! 

Leila Rodrigues

Imagem da internet, editada com a frase da autora 
Publicado no JC Arcos

Olá pessoal,

Quem já fez um “deserto”, sabe a relevância do encontro consigo. Posso dizer que isso se torna uma necessidade, de tão importante. Encontrar-se, antes de qualquer outro encontro. Essa é a arte! Esse é o alimento que a mente precisa.
Afinal de contas, se viver é esta luta constante e insana que temos experimentado, que pelo menos entre o “eu e eu mesmo” que existe em cada um de nós, haja paz!
Grande abraço Paz e bem!


Leila Rodrigues

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Por mais entardeceres tranquilos


Pode ser que ela tenha vindo a este planeta para ser uma grande estrela do cinema. Ou quem sabe uma cantora pop com milhões de fãs. É amada, desejada e invejada por muitos. E quando todos se vão, ela sonha com um entardecer tranquilo que possa renovar as suas forças. 
Pode ser que ela tenha vindo para procriar. Teve muitos filhos, uma família linda e seu dom é educar e cuidar da sua prole. É amada pelos seus e isto basta. E quando todos se vão, ela sonha com um entardecer tranquilo que possa renovar as suas forças. 
Pode ser que ela tenha vindo para ser uma grande guerreira. E enfrentado leões na jaula ou soldados no Golfo.  Quem sabe a sua guerra tenha sido por uma causa, um ideal. Ela desbrava terrenos e luta incansavelmente até o fim. É amada por alguns, odiada por outros e invejada talvez. E quando todos se vão, ela sonha com um entardecer tranquilo que possa renovar as suas forças. 
Pode ser que ela tenha vindo a esta existência para fazer a diferença no mundo dos negócios. Ela enxergou longe, opinou, participou ativamente e mostrou a que veio. É invejada por muitos. E quando todos se vão, ela sonha com um entardecer tranquilo que possa renovar as suas forças. 
Pode ser que ela tenha vindo a esta terra para sobreviver. E morando em condições desumanas ela anda léguas em busca de uma lata d'Água que possa saciar os seus. Falta-lhe os dentes. Sobra-lhe a dor. É amada pelos poucos que a rodeiam e talvez nunca tenho sido desejada de fato. Mas quando todos se vão, ela também sonha com um entardecer tranquilo que possa renovar as suas forças. 
Pode ser que ela tenha vindo a esta existência para dar prazer. Um amor bandido, um amor proibido, um amor escondido, um amor incansável, um amor inimaginável. E tudo que ela faz na vida é lutar para manter a chama do prazer acesa. Se é amada eu não sei. Desejada, com certeza! E quando todos se vão, ela sonha com um entardecer tranquilo que possa renovar as suas forças. 
Não importa onde ela vive, não importa a sua cor, a sua raça ou a sua idade. Na hora de parir, na hora de amar, na hora de lutar até o limite de suas resistências, na hora de defender suas crias e suas causas somos todas iguais. Não importa qual tenha sido o dom que ela recebeu ao nascer, quando todos se vão, todas sonhamos com um entardecer tranquilo que possa renovar as nossas forças. 

Leila Rodrigues

Imagem da internet
Publicado na Revista Xeque Mate edição 03/2018


Olá pessoal,

Depois que abracei a Menopausa como minha causa, todos os dias converso com mulheres a respeito. São mulheres de todas as classes, regiões do Brasil, profissões e estilo de vida. Só vejo mudar os endereços, porque as dores e as angústias são muito parecidas. Elas foram a minha inspiração para esta crônica. 
Que estejamos juntas e unidas cada dia mais. Que a dor da outra, nos incomode também; a ponto de termos uma única causa, dignidade e respeito para conosco!

Grande abraço 



Leila Rodrigues 

sábado, 28 de abril de 2018

Quando 2+2 não são 4


Na vida aprendemos que para tudo existe uma lógica, uma linha de raciocinado que, se seguida à risca, vai dar certo. 
Se você quer chegar a algum lugar, adquirir alguma coisa, dar um passo importante na sua carreira, enfim, segue a cartilha que vai dar tudo certo. Planeja, executa, corrige e age  que você chega lá. Cuide da técnica, siga o método e pronto.  Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta. Será? 
Acontece que, nem sempre 2+2 será 4! E aí não há muito o que fazer. Não adianta você programar seu casamento, comprar a casa, mobiliar, pagar a festa, convidar os padrinhos, se você não ama a noiva! Aí, 2 + 2 nunca será 4! Não tem PDCA que funcione! A técnica sem paixão não tem brilho. 
Às vezes a coisa não é para ser mesmo!! Neste caso, para de se enganar e trata logo de mudar de caminho. Não há como crescer na carreira se você não gosta do que você faz. Não há como chegar àquele cargo se você só o quer para se exibir, não há como adquirir tal bem se você lesou outras pessoas para consegui-lo. O universo conhece nossas intenções melhor que nós mesmos. E ele só corrobora quando há verdade nos propósitos. Tem coisas que nem a gente planejando, seguindo a cartilha, observando e ajustando, vão acabar bem! 
É só fazer a conta, 2 + 2 não é 4 quando um tem que sofrer para o outro ser feliz! 2+2 também não é 4, quando um cede e o outro exige. 2+2 não será 4 quando os objetivos não forem os mesmos. Essa conta não fecha nunca.
Trabalhar em equipe, viver um relacionamento, se envolver em um projeto ou causa, são coisas que dependem de todos para dar certo. E só dará certo, disso eu não tenho dúvidas, se quem estiver do lado de lá, estiver de verdade junto conosco. Caso contrário, melhor parar por aqui. O menor prejuízo é o primeiro. 
Se não ama, não assume compromisso. Se não vai participar, não comece a brincadeira. Se não sabe dividir, nem traga seus soldadinhos. 
2 + 2 não é 4, não é 5 e não será nada quando as partes estão divididas entre si. Isso é matemática, é física, é neurociência e paixão ao mesmo tempo. Nem tudo que começamos vai dar certo nesta vida. A vida é cheia de tentativas vãs e cheia de inícios que não vão chegar ao fim proposto. O que não podemos é insistir com o que não deveria ter começado. Tempo e energia são coisas preciosas demais para gastarmos com o que já está fadado ao fim. Faça suas contas!  Noves fora as intempéries, o resto tem que fechar! 

Leila Rodrigues


Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem da Internet

Olá pessoal,

A vida é uma matemática só. Fazemos conta o tempo todo. Fazemos conta do tempo, se vai dar tempo ou não, se temos que apertar o passo ou o que fazer em tão pouco tempo. Também fazemos conta das nossas finanças, aquela nossa contabilidade particular. Isso tudo fazemos muito bem. Difícil é quando não observamos o porquê de certas contas não fecharem. É aí que as coisas complicam!
Muitas de nossas contas não são exatas e é preciso sensibilidade para compreendê-las. 
Boas contas para vocês e obrigada pelo carinho de sempre aqui no Palavras.
Grande abraço


Leila Rodrigues

terça-feira, 17 de abril de 2018

Doutora da Vida



Naquele dia questionei a mim mesma e agora questiono você; o que é cumprir uma grande missão? O que é ser uma pessoa nobre? Certamente alguém vai dizer que é construir um grande império ou talvez conquistar grandes títulos. Medalhas, fama, fãs. Na contramão de todos esses méritos contabilizáveis, ela conseguiu ser nobre sem perder a sua essência. E cumpriu sua missão com tal maestria, que fez morada no nosso coração. Cidah Viana, a nossa Doutora da alegria. 
Ela tinha um jeito único de arrancar um sorriso de mim. De mim e de qualquer pessoa que ela encontrasse pela frente. Ela sabia olhar nos olhos. E quanto o fazia, era difícil não se deixar levar pela sua leveza contagiante. Ela fazia com que tudo ficasse engraçado. E mesmo nas situações mais difíceis, sempre dava um jeito de resolver sorrindo. Era inteligente, muito inteligente. E na mesma proporção era uma mulher simples. Simples no jeito de ser, mas principalmente simples na hora de por em prática o que para muitos, seria muito difícil. Sabia atuar. Mais que isso, sabia agir. E agindo daqui e dali levou o Doutores Palhaços a patamares nunca antes imaginados. Foram mais de 1000 pessoas treinadas para um trabalho belíssimo, que hoje está espalhado pelo país afora. E não dá para contar o número de pessoas que ela aliviou a dor e proporcionou momentos de alegria. 
E ela não parou por aí. Foi a Diva do nosso teatro, que entre uma gargalhada e outra, trouxe de volta a autoestima de muitas mulheres da sua plateia. Ela foi a Doutora Sara Tudo. E como doutora, cuidou, protegeu, lutou, buscou, pediu, correu, agiu, agiu e agiu em prol do seu legado. A atriz, a escritora, a diva, a mãe, a mulher, a cigana, a palhaça, a doutora da vida! A doutora que viveu intensamente seus papéis. 
Certa vez conversávamos sobre o papel da mulher na sociedade e eu havia perguntado como ela conseguia fazer tantas coisas ao mesmo tempo. Ela me disse de forma muito tranquila, “eu não faço muitas coisas, eu faço só o que eu gosto”. E soltou uma risada gostosa. Era assim a Cidah Viana. Leve como uma pluma, forte como uma rocha, engraçada como um verdadeiro palhaço. 
Cidah Viana, por você celebramos a vida e a alegria de viver. De você levamos o eterno sorriso e a certeza de que, para ser grande  é preciso primeiro ser simples. Os filhos palhaços que você deixou se despedem cantando, no picadeiro da vida, com a certeza de que a nossa Doutora Sara Tudo, vai continuar curando em outra dimensão. 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis em 17 de abril de 2018
Imagem da internet 

Olá pessoal

Muito difícil falar da Cidah Viana. Falo isso porque ela foi muito mais que estas poucas palavras que eu escrevi. Cida Viana deixa um legado, deixa uma história gostosa de se ouvir, deixa sua risada, deixa um gosto de missão cumprida!
Vá em paz amiga querida! 

Aos parentes e amigos de Cidah Viana, meu abraço fraterno.

E a você caro leitor aqui do Palavras, obrigada mais uma vez. 


Leila Rodrigues

domingo, 15 de abril de 2018

Esteja pronto


Apesar de eu ser uma pessoa bem disposta, não sou daquelas pessoas “prontas” para tudo. Para algumas coisas ainda preciso de um “preparo”. Dormir fora de casa sem que eu tenha saído para isso, por exemplo, é um problema para mim. Geralmente não durmo bem; estranho a cama, o travesseiro, o barulho da rua, enfim, esta é uma surpresa que não me faz bem. 
Contudo, quer queiramos ou não, a vida sempre vai nos apresentar surpresas. E se elas virão, melhor estarmos preparados. 
É claro que ninguém está preparado para as coisas ruins. Não adianta; por mais evoluído que sejamos, perder alguém querido, ter um diagnóstico desfavorável de uma doença ou sofrer um acidente são “surpresas da vida” que nunca vão nos encontrar preparados. 
Mas podemos nos preparar para as coisas boas. A sorte, por exemplo, ela adora encontrar as pessoas trabalhando, estudando ou buscando algum aprimoramento. É exatamente aí que a sorte se instala e tudo começa a dar certo.
Já as oportunidades, adoram encontrar pessoas atentas. Aquelas capazes de olhar do outro lado da porta, aquelas curiosas, interessadas e sobretudo dispostas a fazer o que a grande maioria não quer nem chegar perto. 
O amor. Ah o amor adora encontrar pessoas genuinamente de bem com a vida. Essas pessoas são realmente apaixonantes. Elas fazem com que a vida fique melhor, daí a razão do amor querer viver com elas. 
Mas para tudo isso é preciso estar pronto. A prontidão é a porta que nos leva a novos patamares. A sorte vai passar, as oportunidades vão passar e a felicidade também. 
É preciso estar pronto para a vida. Ela pode te escolher a qualquer momento. E aí? Você está pronto para ir à padaria? Pronto para ouvir o outro, pronto para enxergar além das portas, pronto para arregaçar as mangas e agir? 
Então esteja pronto! Esteja pronto para crescer, esteja pronto para aprender, esteja pronto para acordar cedo, esteja pronto para envelhecer. Esteja pronto para um sorriso, esteja pronto para não saber, esteja pronto para a caminhada por mais íngrime que seja o caminho à sua frente e esteja pronto para compreender. 
E se não estivermos  prontos de fato, que estejamos de prontidão. Prontos para ir, prontos para olhar para os lados, prontos para enfrentar o desafio. 
É preciso estar pronto para dar aquele salto que a vida oferece para cada um. Um dia ele chega e temos que ir. 
E antes que você se torne um eterno reclamão da sorte eu te digo, vá! O velho ditado, “outras oportunidades virão”, é muito bonito quando movido de atitudes que corroboram com o sucesso. Fora isso é apenas um consolo. 
E se por acaso a sorte chegar e não te achar completamente pronto,  apronte-se e vá! Vá com o que você tiver. Junte coragem e medo e pronto você estará! 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem da internet: Connie Nielsen como Hipólita no filme Mulher Maravilha

Olá pessoal,

O palavras ficou alguns dias “parado”, mas já estou de volta. São as surpresas da vida que, às vezes, nos forçam a parar. E como eu disse acima, nem sempre estamos prontos. 
Gostaria de agradecer publicamente aos meus leitores, em especial aos leitores do Jornal Agora que me ligaram e se preocuparam comigo. O artigo saiu da segunda página e foi para o final, só isso. Continuo lá, continuo com vocês pessoal. Obrigada

Grande abraço

Leila Rodrigues



sexta-feira, 23 de março de 2018

Menopausa X carreira


Qual o impacto da menopausa na sua carreira?

De todas as perguntas que me fazem, esta certamente é a que mais se repete. Não é raro as pessoas quererem saber como é que eu dei conta de passar pela minha menopausa (que não foi muito tranquila) e ainda continuar como CEO? 

As estatísticas mostram que aumenta cada vez mais o número de mulheres que assumem cargos de diretoria e gestão. E a grande maioria dessas mulheres está nesta faixa entre 40 e 50 anos de idade. 

O que eu posso dizer da minha experiência é que, quanto mais a queda dos meus hormônios me afetava fisicamente, mais eu tinha a cabeça cheia de ideias e projetos. Eu, além de não ter parado, eu aumentei meus projetos, haja vista a própria menopausa que se tornou uma causa para mim. 

Contudo acho importante colocar aqui alguns aspectos que considero fundamentais nesta jornada.

1 - Aceite o fato de que você está no climatério (período que antecede à sua última menstruação). Receba a sua menopausa. Perceba-a. Se perceba com ela, observe suas ações e reações. 

2 - Delegue. Se você não aprendeu a delegar até aqui, vai ter que aprender à força. Delegue! Não se atreva a carregar tudo nas costas. Só delegando você terá mais tempo para cuidar de você e consequentemente da sua menopausa.

3 - Dê asas à sua imaginação. Se por um lado seus hormônios estão te sacudindo, certamente por outro lado, novas e interessantes ideias estarão aflorando. Não é raro ouvirmos falar de mulheres que se reinventaram na maturidade. Quando você dá crédito às suas ideias, agora mais maduras e mais consistentes, podem surgir novos negócios, novas oportunidades, novas conquistas.
E por fim, não se entregue às consequências da menopausa. Dê a ela toda sua atenção e cuidado, mas jamais deixe que ela tome os espaço da sua vida. Somos muito mais que ela! 

O trabalho nos dignifica! O trabalho nos fortalece! O trabalho traz à tona a guerreira que existe em cada uma de nós! 

Leila Rodrigues

Imagem da internet


Olá pessoal,

E aqui estou eu, falando de novo sobre ela, a menopausa. É bom lembrar, antes de tudo, que este assunto não é só para as mulheres. Senhores homens, se você tem mãe, avó, tia, esposa, namorada, amiga ou parceira, em algum momento da sua vida você vai se deparar com uma mulher na menopausa. E você pode contribuir muito com essa mulher! Aguarde que mais adiante falaremos a respeito. 
Hoje resolvi postar esta pergunta, porque ela realmente tem sido recorrente quando vou falar de menopausa. 
Espero ter ajudado de alguma forma. 
No mais, grande abraço e um vento fresco que possa renovar as energias de cada um de vocês!


Leila Rodrigues

terça-feira, 20 de março de 2018

Eu e ela






Um dia ela chegou sem pedir licença. Não era noite nem dia. Era só um tempo comum. E ela  entrou porta adentro em minha vida. Não me perguntou se eu queria, não me apresentou as estatísticas, não fez sequer uma introdução. Simplesmente chegou. 
E eu, num misto de pavor e total despreparo, fui arrebatada ao chão em pleno vôo. Mal sabia eu, naquele momento, que ela não tinha a menor pressa. Ela era a minha menopausa, embora eu não quisesse que fosse, nem minha, nem de ninguém; e eu era apenas uma jovem mulher que ainda queria muito da vida. Começava ali a maior batalha de toda a minha existência.

Não eu não queria retardar o tempo. Muito menos esconder a minha idade ou ser agraciada pelos deuses com a eterna juventude. Sempre gostei de mim na atualidade e acredito que a experiência de viver é o melhor antídoto para combater a perda do frescor que, inevitavelmente se vai. Mas daí a aceitar que ela (a menopausa) e a sua capacidade de dissecar  nossas faculdades mentais me vencessem, aí era demais. 

Quanto mais ela me derretia de calor, mais eu me refrescava de pessoas queridas. Quanto mais ela secava-me por dentro, mais eu busquei saídas para renovar a minha seiva. Quanto mais ela me deixava irritada, nervosa, cansada, exaurida... mais eu meditava e acreditava que poderia vencê-la. 

Demorou, mas um dia ela se foi. E eu pude viver de novo, mais leve, mais livre, mais conhecedora de mim, mais autêntica, mais crente nas minhas capacidades. 

Se eu voltei a ser a mesma de antes? Claro que não! A vida é roda que só gira para a frente. Hoje eu sou muito melhor! 

E o mais incrível de tudo isso é que hoje eu percebo o quanto eu só consegui fazer tudo isso porque ela (a menopausa) me provocou. 

E é por isso que a minha causa é falar de menopausa para todas as mulheres do mundo. É dizer a todas as mulheres que estão no meio da batalha ou prestes a enfrentá-la, que não desanimem! Não desanimem, não entreguem as suas vidas, não fechem as gavetas dos seus sonhos. 

Existe vida após a menopausa. Existe amor após a menopausa. Existe alegria de viver dentro de cada uma nós, independente dos hormônios, independente do outro

Leila Rodrigues

Imagem da Internet

Olá pessoal,

Hoje peço licença para falar de algo que se tornou causa para mim, a menopausa. Este ainda é um assunto velado, porque a grande maioria das mulheres tem vergonha de dizer ou dificuldade de aceitar que estão na menopausa. Muitas vêem na menopausa o fim de algumas etapas da vida, principalmente no que diz respeito à carreira, vida afetiva e auto-estima. 
Sinto que não consigo mais separar esta causa dos meus outros projetos. E espero que as minhas palavras possam “refrescar" um pouco esta fase quente que, inevitavelmente virá!

Grande abraço

Leila Rodrigues



quarta-feira, 7 de março de 2018

Mulheres que compram detergente



Quando eu estava no início da minha carreira, eu imaginava que mulheres de negócios nunca comprariam detergente. Ah! Detergente era algo banal demais para uma mulher de negócios comprar! E isso me frustrava um pouco porque eu sempre adorei supermercados e então eu imaginava que um dia eu teria que fazer uma escolha, os negócios ou o supermercado. 
Ingenuidade minha!! A vida me mostrou que eu não sabia nada sobre negócios e nem sobre mulheres. Mulheres empresárias, mulheres de negócio, mulheres bem sucedidas, mulheres inteligentes, mulheres independentes,  enfim, mulheres que trilham seus próprios caminhos entram e saem onde bem entendem sem o menor constrangimento. 
Essas mulheres, que chamo de determinadas, não só compram detergente, como sabem  a melhor marca, pesquisam o preço da carne, escolhem o destino da viagem, fazem chá para os gripados, arrumam gavetas, consertam unhas quebradas, se maqueiam sozinhas, trocam pneus e aplicam na bolsa. E ainda lêem muito, observam muito, viajam muito e gostam de uma boa conversa.
Mulheres determinadas tem um plano de ação correndo em suas veias mesmo que ela não tenha ideia do que seja um plano de ação. E onde quer que o seu olhar se aprofunde, ali, ela vai encontrar um jeito de fazer melhor ainda. Ela não veio para competir, ela quer apenas fazer o que tem que ser feito. E não ouse subestimar a sua inteligência, porque enquanto ela compra inocentemente um detergente, ela também compra terreno, compra ações, demite pessoas e assume novos cargos. Sem perder a elegância, sem descer do salto e sem que você perceba. Mulheres determinadas são surpreendentes! 
E ao contrário do que se imagina, mulheres determinadas também amamentam, fazem sexo, rezam, pensam nos detalhes e vão ao banheiro no meio de reuniões importantes para ter notícia do filho que ficou com febre. 
Pasmem! Mulheres determinadas também adoram mimos, colo, flores, chocolate, carinho, abraços e declarações. (Essa você não sabia).
Mulheres determinadas não se sentem diminuídas ao comprar detergente, muito menos ao perder um negócio, ao mudar de emprego ou ao sair de um relacionamento. O que as diminui é ver suas ideias e propósitos podados. É ter que ganhar menos pelo fato de serem mulheres. É ter que fazer um trabalho perfeito para ser reconhecido como bom. Isso sim, é muito pior que comprar detergente. 0 resto elas tiram de letra! 
Que o dia da mulher seja cada dia e que nunca nos falte respeito e oportunidades. O resto a gente busca!


Leila Rodrigues

Olá pessoal,


Perdi minha única irmã gêmea com 01 mês de idade. Sinto a sua falta até hoje. Mas não posso me queixar, a vida me presenteou com mulheres maravilhosas. Minas avós Quinha e Odete, minha mãezinha Dona Neuza, minhas sobrinhas, minhas cunhadas, minhas colegas de trabalho, minhas amigas de todos os cantos do mundo. Sou rodeada de mulheres maravilhosas. Mulheres de todo jeito, de todas as idades, de todas as raças e de lugares muito diferentes. É com elas que aprendo a grande graça da vida e é por elas que sigo procurando sempre o lado engraçado de viver. 
Todos os dias são seus mulher, todos os dias são de quem quer fazer a vida valer a pena!!

Grande abraço

Leila Rodrigues









Leila Rodrigues é CEO da TOTVS Centro Oeste de Minas, articulista no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos e palestrante comportamental sobre a maturidade feminina. 
Para conhecer suas crônicas acesse: 


sábado, 24 de fevereiro de 2018

50 Tons de vinho


Depois do sucesso dos “50 Tons de cinza”, fiquei animada com a chegada dos meus 50. Confesso que o livro não me levou aos 50 graus. Tive dúvidas se sou eu que estou fora do contexto ou se há um acordo coletivo da mulherada em gostar deste tipo de literatura. Mas gosto é gosto e cada um que seja feliz com o seu. Nunca fui chegada a contos de fada e homens perfeitos também não fazem o meu tipo. Então, voltando ao assunto dos 50, eu realmente estava entusiasmada com a chegada deles. 
Pensei em fazer uma grande festa, aquela que eu não tive aos 15. Mas fui vencida pelo que chamo de “Contexto dos 50”.
Primeiro percebi que aos 50 estamos envolvidas com muito mais pessoas do que podemos imaginar. Família, filhos, namorados dos filhos, sobrinhos, irmãos, cunhados e cunhadas, amigos, amigos da infância, amigos do trabalho, amigos das cidades por onde passamos, amigos da literatura, amigos do outro lado do país, amigos da casa ao lado, amigos conquistados nos momentos mais inusitados e complexos ao longo dos 50 anos. Gente demais! 
O “contexto dos 50” traz grandes surpresas e consequentemente grandes mudanças.  A esta altura você quer diminuir os pesos. As bagagens, os armários, as pessoas e principalmente as bagagens da alma. Priorizamos a qualidade e não mais a quantidade. Qualidade de vida e qualidade das relações. Quantos anos, quanto custou o presente, quantas pessoas ou quantos convidados, se tornam irrelevantes. Ser aplaudida e estar rodeada de pessoas, não necessariamente, é o que nos deixa feliz. O que nos interessa nesta fase são as pessoas que nos fazem feliz de verdade e esse número reduz a cada primavera. 
Outro fato também pesou muito é que, aos 50, os subterfúgios de beleza tem efeitos colaterais sérios. Cílio postiço, cabelo preso, cinta mágica que some a barriga, salto fino e vestido de festa da madrasta da Cinderela! Nem se me pagar eu uso mais! Eles me causam taquicardia, dor de barriga, coceira, enjoo e pânico. Então, para quê? Não estou concorrendo mais à gostosa da noite. Além do mais eu tenho aquele problema noturno, conhecido das mulheres desta faixa etária que se chama “ondas de calor” que põe tudo  a perder em questão de segundos. Lá se vai a maquiagem, o laquê, o investimento e as horas de produção. Não tem prime que suporte a suadeira! 
Conclusão, estou de partida para Portugal, vou usufruir meu presente de aniversário lá. 50 tons de vinho me esperam! 


Leila Rodrigues

Publicado no JC Arcos
Imagem da Internet


Olá pessoal,


Mais tarde descobri que, quem gostou mesmo dos “50 Tons de cinza”, ainda não estava nem perto dos 50 como eu. De novo, tudo uma questão de fase. existe a fase dos contos de fada e a fase dos contos reais. Eu estou na segunda e nem por isso menos feliz.
Gostaria de aproveitar a oportunidade para agradecer mais uma vez a todos os que têm visitado o Palavras ultimamente, o número de visitas tem batido records a cada semana. Puxa vida, isso me deixa feliz demais! Vocês, queridos leitores, me deixaram muito emocionada. De pensar que tudo começou com uma brincadeira???!!! Que orgulho escrever para vocês! Que honra receber de vocês, o que hoje é considerado o bem mais precioso que se pode dar a alguém, o tempo. 
Valeu pessoal. Sou grata a cada um de vocês!

Grande abraço


Leila Rodrigues

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Agora vai

E já se passaram 51 dias de 2018. A esta altura o brasileiro já tirou férias e já encheu as praias do país. Já comeu camarão, queijo coalho, peixe frito, tomou cerveja, caipirinha e comprou todas as bugigangas possíveis e imagináveis sob o sol escaldante. Dizem que o país está em crise! Mas que  as nossas praias ficaram lotadas, isso ninguém pode negar. Afinal, é direito do cidadão curtir as suas férias como ele bem entende e vamos combinar que a nossa costa é maravilhosa! 
A esta altura o brasileiro já pulou carnaval, nem que seja na sala de casa assistindo os desfiles. Já sambou, já foi atrás do trio elétrico no mar de gente pelas ruas da Bahia ou se recolheu em oração como fizeram muitos adeptos. 
Então podemos dizer que, agora vai? 
Agora os alunos vão oficialmente assistir às aulas. Agora as empresas voltam a comprar, a vender, a negociar, a atender o telefone e a fazerem seus pedidos! Louvado seja! 
Será que agora vai haver investimento? Será que agora vai ter emprego, gente boa de serviço, bolsa de valores subindo, risco Brasil despencando? 
Quem suportou até aqui o país parado e conseguiu produzir,  pode se considerar um vencedor. 
Abram suas portas e suas janelas que lá vem o povo brasileiro começar de novo mais um ano. Começar apesar de, além de, por força de ou em função de. De alguma coisa que a gente carrega no peito que não desanima jamais. 
Sempre haverão uns muito confiantes e outros muito pessimistas. Sempre haverão os que prevêem um futuro negro e os prevêem um futuro esplêndido. 
A verdade é que, enquanto eles discutem o sexo dos anjos, existe uma turma que não parou. Que não esperou as férias de janeiro, nem tampouco o carnaval. É a turma que só festeja depois da colheita. É a turma que acorda cedo, a turma que faz a máquina girar. 
E para os que estão chegando agora, embora atrasados são sempre bem-vindos. Antes tarde do que nunca!
Que venha o ano! Que venha sabedoria e discernimento na hora de fazermos nossas escolhas. Que venha de fato a  maturidade que supomos possuir. Que venham as oportunidades para todos. E que possamos fazer delas uma ponte para nossas realizações. 
Agora levanta dessa cadeira e vai! Vai fazer o que precisa ser feito. A festa acabou e é preciso semear de novo. Você já está atrasado. O resultado da próxima colheita começou lá atrás. 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora e no JC Arcos
Imagem da Internet

Olá pessoal,

Eu sou do time que não esperou o carnaval para começar o ano. Em pleno 2 de janeiro eu já estava viajando a trabalho. Já me acostumei com esta rotina. E isto não significa que eu não aproveite os dias de carnaval ou as festas. Sabendo se organizar, dá para trabalhar e ainda se divertir e muito. 
Uma empresa é um organismo vivo e precisa ser administrada, orientada, analisada e conduzida o tempo todo. No mundo dos negócios não existe feriado, muito menos mês de férias. Enquanto a galera fomentou o turismo, a turma do ar condicionado (gente que trabalha nos escritórios) prospectava, negociava e vendia os próximos feriados que virão por aí. 
É assim que funciona! Tudo um grande negócio!
Que o nosso ano seja produtivo e próspero para todos nós!

Grande abraço

Leila Rodrigues