sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Confraternisap



08:10 - Celinho: Gente, festa de confraternização do grupo dia 18 na casa da Gisele  19:00. Confirmar presença aqui no grupo levar bebida salgado acompanhante. O músico será dividido no dia. 

08:25 - Amanda: Dia 18? Desse mês? 

08:30 - Rogéria: Não. De 2018 kkkkkk

08:49 - Celinho: <iniciando o exercício zen budista da paciência> 18/12/2017 quinta-feira próxima Amanda. Conto com você! 

08:50 - Amanda: Posso não. Tenho academia.

08:53- Lucilia: Pode levar fritura? E glúten? E comida com lactose? Só sei fazer comida gorda. Pode.

08:56 - Celina: É para ir ir chique? Pode ir de rasteirinha? E escova no cabelo? Vai jogar as pessoas na piscina? Se for, adeus escova.

09:01 - Nivaldo: Pode levar ficante? 

09:08 - Milene: <posta uma foto do cachorro dela que deu cria>

09:10 - Celinho: Pessoal pode levar a comida que achar melhor. Até a 5a cerveja garanto que ninguém vai jogar ninguém na piscina, depois disso não posso garantir.

09:14 - Juju: Se vai cair na piscina então vou ter que comprar biquini, depilar, deixar tudo nos trinques… alguém sabe de alguma promoção de biquini? 

09:16 - Cesar: <posta um vídeo de um bêbado tentando atravessar a rua>

09:25 - Aline: Pessoal posso chegar às 23:00? Tenho outra festa.

09:38 - Amanda: Que lindo!! Como chama?

09:53 - Celina: Juju sua linda, seu biquíni preto é mara!!!! Vai com ele.

10:02 - Elisa: Gente vamos assinar a petição para acabar com a corrupção no Brasil. A hora é agora! Assinem! Repassem para seus grupos! 

10:10 - Telma: desde que você leve a sua bebida, sem problemas. 

10:25 - Nivaldo: <respondendo Amanda> Minha ficante? Não posso falar por enquanto.

10:30 - Amanda: <respondendo Nivaldo> Perguntei da cachorra da Milene.

10:42 - Ronaldo: Alguém vai tomar vinho? E cachaça, vodca, cerveja? E água? Quem vai levar? 

11:00 - Celinho <todo educado> Pessoal vamos focar na festa por favor

11:03 - Meire - Posso levar meu sobrinho? Ele é adolescente mas prometeu ficar calado.

12:01 - Celinho - Pode levar namorado, ficante, transeunte, menos amante porque pode complicar para a pessoa. 

12:52 - Vai ter música sertaneja? Quem é o músico? Vai ter pista de dança? Vou convidar o João Lucas.

12:55 - Lívia - João Lucas vai? Mas ele não é do grupo. Posso chamar a Pri? 

14:00 - Vítor - Estou em Joinville, chego no dia às 18:00 em Confins. Vou direto, pago tudo depois.

15:59- Dina - Nossa mais tem que levar bebida, comida, presente de amigo oculto e ainda pagar? Que absurdo!

16:00 - Nilza - Eu também acho um absurdo esse consumismo alienado. Tô fora!

16:09 - Cleber - Tb to fora. Vamos encontrar em um barzinho que fica melhor.

16:10 - Mateus -  Barzinho? Onde? Que dia?

16:40- Cinara - Uai!!! A festa não era na casa da Amanda? Já mudou para barzinho? A nem! Ninguém avisa nada. 

17:00 - Celinho saiu do grupo. 


Leila Rodrigues


Olá pessoal

este é o primeiro texto da série “Realidades" que vem por aí. Novos tempos, novas tecnologias e novas situações. Quem poderia imaginar que um dia organizaríamos uma festa sem sair do lugar? Ou que poderíamos acompanhar em tempo real, pelo celular, um acontecimento do outro lado do mundo? Realidades vai tratar desses fatos. Das realidades e confusões dos nossos dias, das nossas trapalhadas com o mundo virtual.
Por mais que a tecnologia ajude, o ser humano continua confundindo tudo!!!! 
Divirtam-se!

Grande abraço

Leila Rodrigues

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Desencontros


Ele queria silêncio, ela queria falar. Ele tinha pressa, ela tinha fome. Um esperava que o outro fizesse, o outro esperava que o "um" dissesse. E cada um sofria em seu canto as expectativas frustradas pelo outro. 
Nascemos para nos comunicar. Passamos a vida inteira aprendendo a nos comunicar. Cursos, palestras e livros sobre comunicação assumem o topo das demandas. Tenta de um jeito, recomeça de outro, muda uma coisa aqui, descobre outro jeito ali e ainda assim, depois de tantos reajustes para melhorar a comunicação nos deparamos com os problemas na hora de nos comunicarmos. Pode ser com um filho, com o parceiro, com um amigo, com o colega de trabalho, o sócio, o cliente enfim, com qualquer pessoa. 
É que o espaço entre o que um fala e o outro ouve é infinito! E muitas vezes vira abismo. Vira discórdia, vira desencanto, vira fim. Que pena! O campo das intenções e o das interpretações não se entendem. 
Desencontros, desafetos, desacordos... desfechos. Desencontros que acontecem com todos nós e que podem mudar para sempre o curso da nossa história. 
Partindo do princípio de que são todos seres da mesma espécie e que são todos homens de boa vontade, não deveria ser mais fácil? Penso que sim! O que dificulta é que queremos que o outro fale a nossa língua, compreenda nossas vírgulas; enquanto do lado de lá o outro espera que interpretemos seus hiatos. E mais uma vez intenções e interpretações não se entendem... 
Aproveitando a deixa muitos optam pelo silêncio, pela distância, pelo “cada um por si e Deus por todos”, pelo celular, pelas relações que dispensam a alma. É tudo tão efêmero, tão líquido que facilmente escorre pelos dedos. Relações que com a água de um banho quente vão para o ralo. Simples assim! Relações que não agregam, não preenchem nem desafiam. Apenas coexistem em seus mundos equidistantes. 
Independentemente se você escolheu uma relação assim ou se você apenas se escondeu do confronto, em alguém momento nos cansamos dos vazios providenciais e voltamos nossos olhos para aqueles que são realmente importantes para nós. Neste momento, não há nada a ser dito, nada a pedir, nada a esclarecer. 
Gastamos tanta energia aprendendo a falar, debatemos e defendemos tanto nossas falas... para descobrir que ninguém melhor que o silêncio para dizer e ouvir tudo que é preciso. 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora e no JC Arcos
Imagem da Internet


Olá pessoal,

Me entristece ver os desencontros acontecerem, principalmente quando envolvem pessoas queridas. Nessas horas eu gostaria de ter uma varinha de condão para sair transformando os desafetos em harmonia com um toque de mágica. Mas eu já sei que as lições acontecem na medida e no momento de cada um. 
Me resta torcer para que os reencontros aconteçam, que sejam maravilhosos e transformadores na vida das pessoas. E se não acontecerem… em cada canto há um novo encanto.

Grande abraço

Leila Rodrigues


sábado, 11 de novembro de 2017

Gosto não se discute



Eu sempre achei a arte um negócio muito interessante. Acho incrível como o artista transforma tudo em algo bonito, novo, moderno, repaginado. Também gosto de música e de  cozinhar. Mas não faço questão nenhuma dos meus amigos gostarem de arte, de música ou de  cozinha. Nunca tive problemas com quem pensa diferente de mim. Tenho alguns amigos que só vestem camiseta preta e outros que gostam de meditar. Gosto do gosto deles porque combina com eles. 
Eu tenho amigo jovem,  eu tenho amigo negro, eu tenho amigo velho, eu tenho amigo que trabalha demais e tenho amigo que não faz nada na vida. Eu também tenho amigo branco, eu tenho amigo gay, eu tenho amigo doutor, escritor, cabeleireiro, ceramista, aposentado, separado e recém-casado. 
Ah e tenho amigo que nunca vi, amigo que é meu vizinho, amigo pai de família, amigo de todo jeito. 
E todos eles têm algo em comum. Eles são autênticos! Eles são o que são e é exatamente isso que me fascina. Eles gostam da vida, gostam de viver. Alguns gostam de cantar e quando estamos juntos, cantamos juntos. Outros gostam de uma boa prosa e quando estamos juntos o tempo é sempre curto para tantas falas. E tem aqueles que a sintonia é tão grande que nem precisamos estar juntos para sabermos que nos queremos bem. 
Eu gosto mesmo é de gente de verdade. Gente que ri, que chora, que se esfola todo de vez em quando. Gente que tenta, que vai, que se arrepende, que manifesta, que declara seu amor e chora sua dor sem se fazer maior ou menor. Gosto de gente que me empurra, que me tira do lugar comum, que me questiona, que reclama de mim para mim,  que me desafia, que pensa diferente, que me transforma e me faz ver as coisas sob um outro ângulo.
Gosto de gente que envelhece, que pede licença, que sabe rir de si e que não tem vergonha de chorar. Gosto de gente sem rótulo, aqueles que eu tenho que conversar muito para conhecer seu conteúdo, sua essência. Gosto de gente que funciona quando a luz acaba, quando a comida esfria ou quando a dor me invade. Gosto de gente que não ensaia, que derrapa de vez em quando e que me deixa ser quem eu sou. Gosto de gente que gosta de gente, que abraça de verdade, que se alegra com a alegria dos outros, que não tem vergonha de amar. E para finalizar, gosto de gente que não se dá conta do tamanho que têm! Esses são os melhores! 
É disso que eu gosto! E tenho dito! 

Leila Rodrigues

Publicado  no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem da Internet - Jiló - amado por uns, odiado por outros

Olá pessoal,

De vez em quando é preciso ter muito claro o que gostamos e o que não gostamos. Até mesmo para sabermos discernir uma coisa da outra. O discernimento precede decisões mais assertivas. Hoje foi dia de relembrar do que eu realmente gosto.
Peço desculpas pela falta de postagem na semana passada, estive fora mas já estou de volta.
Tenho recebido alguns feedbacks dos leitores, o que me deixa muito feliz. Pessoas que eu encontro nas ruas, alguns que procuram o Jornal e pedem meu contato ou até mesmo nas redes sociais. 
Obrigada a todos! Vocês me motivam a querer escrever cada vez mais. 

Grande abraço


Leila Rodrigues

domingo, 29 de outubro de 2017

Notícias Tupiniquim


E para você que se foi, que escapou deste para um país aparentemente ou verdadeiramente melhor, aqui vão as notícias do nosso amado e idolatrado país. Te adianto que antes de escrever  eu assisti os telejornais, pesquisei na internet e conversei com muita gente. Queria mesmo ter conversado com o Ariano Suassuna. Ele sim teria algo bom a me dizer... 
Por aqui vamos vivendo. Sem muitas novidades é verdade! Mas ainda assim vou te contar.
Esta semana soltaram um, prenderam outros mas a coisa tá longe de encerrar. 
Continuamos sem saúde. Doentes! Doentes dos olhos, doentes dos ouvidos, doentes de coragem. Contudo, sem poder adoecer. Também continuamos jogando lixo no chão. Me envergonho quando falo isso, mas é verdade. Continuamos poluindo os rios, continuamos enchendo o mundo de garrafas pet, continuamos estragando o que temos de mais sagrado, esta terra. 
Por aqui os ladrões continuam soltos e nós presos em nossas casas com medo. Medo de alguma coisa, medo de qualquer coisa, medo de viver.
Por aqui há uma grande descrença. Na máquina, no sistema, na melhora. Falta-nos uma referência, falta-nos um líder, falta-nos um herói. Falta-nos um bom exemplo a ser seguido. 
A gente aqui ainda sente saudade do Senna, do Betinho, da Zilda Arns e de tantos outros que foram nossas inspirações para dias melhores. 
O mais intrigante é que apesar de tanto desânimo, por aqui ninguém parou. Continuamos acordando cedo, trabalhando, estudando, continuamos empurrando a máquina com nossas próprias mãos. 
Também não nos falta fé! Fé em Deus, fé na padroeira, fé em dias melhores que "um dia" virão. Quisera eu viver muito para ver esses dias chegarem. 
Dizem por aí que escolhemos mal. Deve ser verdade. Mas o fato é que perdemos as opções. Não sabemos em quem confiar, não sabemos por onde começar, não sabemos o que dizer aos nossos filhos. E vamos deixando do jeito que está para ver como é que fica. Não fica! Não fica bem um país de alienados. Não fica bem um país onde cada um pensa em si e entregam a Deus a tarefa de cuidar de todos. Enquanto nossas escolhas privilegiarem nossos umbigos, continuaremos sendo tão mesquinhos quanto todos eles. Somos pequenos escolhendo a mesmice de permanecermos pequenos. E enquanto continuarmos assim, não haverá muita coisa boa pra se dizer. Que pena! 
Prometo que depois que eu me encontrar com o Ariano eu te escrevo de novo. 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem da Internet Ariano Suassuna, alguém que me representa 


Olá pessoal,

Geralmente não falo de política, nem de religião ou futebol aqui no blog. Não que eu não tenha a minha opinião formada sobre esses três assuntos, eu tenho sim. Mas a minha proposta não é fazer as pessoas mudarem de opinião ou gostarem do que eu gosto. Nunca tive problemas com quem pensa diferente de mim. O fato é que quando me propus a escrever, escolhi falar do cotidiano, da vida e dos sentimentos. Considero que temos excelentes escritores no Brasil para os outros assuntos que não são os meus. 
Hoje falo da descrença do brasileiro em relação às lideranças como um todo. Um país inteiro desconfiado e descrente. Isto é o que vejo e sinto neste momento. Infelizmente. 
Grane abraço 

Leila Rodrigues



sábado, 21 de outubro de 2017

Depois de muito anos


E de repente, sem nenhum sinal aparente, algumas coisas perderam o sentido. Não houve um aviso sequer, nem do vento, nem da chuva, nem dos deuses. Também não se pode dizer que ela acordou mudada ou que ele amanheceu assim e foi dormir assado. Eles mudaram. É fato! E só se deram conta depois de mudados. Tudo aconteceu tão serenamente que ninguém notou. Ou se notou, ficou calado, observando a felicidade que pairava nos atos. 
Ela agora gosta de ficar na janela, observando o horizonte. Ele passou a gostar do cachorro que agora chama de amigo. Ela parou de ver novelas, ele tem gostado de poemas e emprestou a ela um livro do Drummond. Ele experimentou a corrida, ela a yoga e juntos eles descobriram o prazer de uma taça de vinho antes do jantar. 
Ela não pinta mais os cabelos, ele deixou a barba crescer, tá usando. Ela descobriu que vestidos são femininos e confortáveis, ele voltou a usar o chinelo de couro. E juntos eles planejam a próxima viagem. 
Tem dias que ela acorda muito cedo, tem dias que ele faz o café. E quando chove eles ainda discutem sobre quem vai buscar o pão. Eles continuam gostando de rock, mas ela não perde a chance de ouvir um Belchior e cantar junto. E ele jura que ouve Anitta por causa da voz. 
De manhã ele gosta de silêncio, à tarde eles sempre tomam um chá. De vez em quando eles saem para dançar. E volta e meia enchem a mesa de amigos. 
As plantas estão mais bem cuidadas e o controle da TV sumiu tem 5 dias. Ela adotou um gato e eles já não pensam mais em voltar para São Joaquim. 
Será que foi a calmaria que chegou sem avisar? Será que foi o tempo que colocou cada sentimento no seu devido lugar? Nenhum dos dois nunca parou para perguntar e nem para responder. Perguntas e respostas também perderam um pouco o sentido. Certamente foi o cansaço que deixou a simplicidade entrar pelas frestas das poucas horas de lucidez. Cansados de correr atrás das coisas decidiram andar lado a lado com as pessoas que lhes são importantes, a começar um com o outro. E o tempo que corria atrás do tempo, pedindo mais tempo para dar conta de tudo cedeu seu lugar ao tempo de deixar a vida acontecer. 
Ainda há que existir conquista, ainda há que existir perdão, ainda há que existir uma surpresa, um carinho ou um gesto que traga à tona aquilo que os sustenta. E enquanto estiverem juntos, eles terão o que conquistar a cada amanhecer. O fato é que a cada dia eles se reinventam e é isto que lhes dá o sustento.
Eu só posso dizer que admiro aqueles dois e que foi assim, nas quase imperceptíveis mudanças de cada um, que aquela casa no fim da rua Delfinópolis, com paredes carmim e flores na varanda, experimentou a coragem de ser feliz! 


Leila Rodrigues

Imagem da Internet
Publicado no Jornal Agora e no JC Arcos


Olá pessoal,

Hoje quis falar do amor que já dobrou a serra, das relações que passaram dos 10 anos juntos. Aquele amor que não está nos poemas mas está no fundo do coração. Aquele relacionamento que muita gente acha sem graça mas é o que verdadeiramente sustenta as famílias e coloca os filhos no mundo. Esses casais que enfrentaram o tempo, as dificuldades e a dura tarefa de criar os seus filhos, precisam ser reverenciados. Eles são as nossas raízes e é para eles o meu abraço, o meu respeito e o meu carinho hoje.

Grande abraço



Leila Rodrigues

terça-feira, 17 de outubro de 2017

A leveza que habita




Naquele domingo ela fazia 63 anos. E estava muito mais leve do que há 20 anos atrás. Dava para sentir pela seu sorriso de menina e pelo seu olhar curioso pela vida. Nunca escondeu os números dos seus anos vividos como também não  escondeu os sinais do tempo no seu rosto repleto de histórias. 
Ela já andou muito. Com o tempo aprendeu a diminuir o peso das bagagens. À medida que andou pelo mundo, deixou um pouco si. Espalhou amizade e colheu grandes amigos. E sobretudo, colheu sabedoria em cada lugar que pisou. 
Ela não espera dos filhos mais do eles podem dar. Nem dos filhos, nem do marido, nem de ninguém. Ela não vigiou o celular para saber quem ia ligar no seu aniversário, muito menos a rede social para saber quem a cumprimentou. Ele estava ocupada demais com os presentes. Retifico, com as pessoas e com os momentos presentes. 
Ela estava ocupada demais saboreando o bolo que ganhou da amiga, os abraços dos filhos, as risadas daqueles que estavam do seu lado. Não eram muitos, mas eram o bastante para fazê-la feliz. 
A esta altura da vida ela já sabe que os problemas vão e vem. Já sabe também que as grandes lições serão aprendidas de um jeito ou de outro,  independente dela. A esta altura, eu não tenho dúvidas de que ela já enfrentou um leão na jaula. 
Ela sabe que não vale a pena querer manter as pessoas ao seu redor e nem no seu devido lugar, porque na vida nada tem lugar marcado. 
Ela hoje é uma mulher madura! Forte, resolvida e preparada. Contudo nunca deixou de ser  menina, mãe, mulher, amiga, amante, guerreira, filha, frágil e sensível. Faz parte da natureza dela ser tudo isso! A grande arte é que ela sabe a hora certa de ser cada uma dessas mulheres. E faz isso tão naturalmente que nos surpreende. 
Hoje tudo que ela quer é viver! Usufruir da vida como se saboreia uma fruta bem madura, no ponto! 
Não tenho muito o que dizer a ela. Apenas admiro silenciosamente essa mulher que, sem dizer uma só palavra, me diz tantas coisas que eu ainda não sei. Não há como ser leve sem ser livre! 
E a vida segue nos dando as maiores e mais belas  lições... 

Leila Rodrigues

Imagem: foto da protagonista deste texto. Abaixo, capa e contracapa da revista Xeque Mate
Publicado na Revista Xeque Mate e no JC Arcos




Olá pessoal,

o texto acima é real. Tive a honra de acompanhar esta amiga no dia do seu aniversário e considero que a presenteada fui eu.
Amiga querida, uma honra ter participado deste dia especial com você. Para você saúde, paz no coração e alegria de viver!
Ao amigo Giovani Lima - Revista Xeque Mate, mais uma vez obrigada pela oportunidade. Escrever para a sua revista é um prazer para mim.
Para vocês caros leitores do Palavras o meu muito obrigada pelo carinho e a atenção de vocês. O Palavras tem tido cada dia mais leitores e leitoras. Uma grande alegria! Valeu! 
É por vocês que eu escrevo. 

Grade abraço

Leila Rodrigues


domingo, 15 de outubro de 2017

Ao mestre



Eu tinha pressa. A ideia era assistir à apresentação do meu filho e sair. Não por não me interessar pelas outras apresentações, mas porque eu realmente tinha compromisso. E nada do evento começar. Só chegava gente! Turmas e mais turmas de alunos, vindos de várias escolas lotavam o ginásio. Lembrei de mim. Lembrei dos meus treze anos e do quanto nesta idade as "turmas" são importantes. Eles cantavam, dançavam e em uma manobra dificílima conseguiam colocar 20, 30 pessoas em uma só foto. A selfie era motivo de farra! 
Eu acompanhava quieta do meu canto. Gosto disso! Gosto de ver as pessoas vivendo os bons momentos como se tivessem saboreando uma deliciosa fruta. A Banda da Polícia Militar fez bonito. Tocou para eles, musicas deles. E a meninada foi ao delírio. Lindo de se ver! 
Meu filho era apenas um no meio de centenas de crianças que se formavam no PROERD, Programa Educacional de Resistência às Drogas. Um projeto que ensinou muito mais do que se pode imaginar. Um projeto que educa de verdade crianças e famílias. Que prepara nossos filhos para dizerem não. Que mostra como as escolhas erradas podem mudar para sempre nossos destinos.
O evento seguia bonito e cada escola se apresentava para os demais. Não dava para sair. Fui tomada pela energia dos estudantes e fiquei um pouco mais.
Quando realmente não pude mais ficar, me preparei para atravessar a multidão de gente. No meio da quadra uma professora sambava abraçada aos seus alunos. E quando um aluno pensava em ter vergonha de estar ali, ele olhava para ela que ditava os passos e ao mesmo tempo sorria para eles e seguia a dança. E diante daquela multidão de gente, aquela mulher vibrava por eles a cada passo a cada segundo de conquista. 
Lembrei da minha professora segurando a minha mão quando eu tinha vergonha de me apresentar. Lembrei de mim dando aula na escola da Vila Boa Vista e dançando junto com os meus alunos. Lembrei dos meus mestres e do quanto foram importantes para mim. Não consegui conter as lágrimas. Chorei. Ser mestre é isto! É devolver a auto-estima estraçalhada pelas circunstâncias. É estar ali do lado, presente, firme, não importa a plateia, não importa o resto. 
Essas palavras são para vocês, mestres brasileiros, que doam suas vidas na função de educar. Para vocês que muito além de ensinar, estimulam nas pessoas o gosto pela vida. Neste país que ainda não aprendeu a valorizar seus mestres, deixo aqui a minha reverência, o meu respeito, a minha eterna gratidão e todo o meu amor por vocês! 

Leila Rodrigues

Imagem do filme Sociedade dos Poetas Mortos


Olá pessoal,

Talvez eu seja uma pessoa fora do padrão, mas sempre fui e continuo a ser uma pessoa apaixonada pela escola, adoro estudar, adoro estar em uma sala de aula, seja como aluna, seja como professora. Magistério é a minha primeira formação e a minha base para tudo que faço. jamais esquecerei das aulas de didática da querida Dona Sonia que me ensinou muito mais que a apostila propunha. 
Também não poderia deixar de falar das minhas primeiras professoras do Grupo Abílio Neves em Campo Belo. O primário é tão importante em nossas vidas que essas professoras se tornam parte de nossas vidas. Dona Benedita e Dona Neusa, vocês são inesquecíveis para mim!
A todos vocês meus colegas de formação e profissionais do ensino, um grande abraço. Que este país um dia aprenda a valorizá-los como merecem!
Grande abraço


Leila Rodrigues

domingo, 8 de outubro de 2017

Quem sabe ainda sou uma garotinha?


Que ninguém tente nos definir depois dos 40, pois vai se dar mal. Depois dos 40, somos o resultado das nossas lutas, das nossas experiências, noves fora as desavenças e multiplicado pela resiliência a cada tombo. A esta altura eu tenho certeza de que você não está mais pre-ocupada nem ocupada com o pensam de você. A esta altura, você já enfrentou um leão na jaula. 
Agora sim, você poder trazer à tona a menina de olhos brilhantes que queria ser bailarina mas dançou mesmo foi nos idos anos 80 na boate da sua cidadezinha ( no meu caso o saudoso Tio Patinhas). 
Você pode trazer de volta a doce menina de mochila nas costas que queria ser Lidia Brondi ou cantar como a Paula Toller, mas se contentou em ser ela mesma depois que descobriu que este era o seu melhor papel. E o fez com maestria, transformando o pouco que tinha em algo muito além da paisagem. E olha que ela não usou os quadris para isso, nem o namorado lindo que as outras invejavam. Ela acordou cedo, pegou a estrada, enfrentou a chuva e soube esperar a hora certa de ver o sol se por às margens do rio Guaiba sob o som de Cleiton e Kledir. Você poderia trazer de volta qualquer uma delas embora isso agora não faça a menor diferença. Todas elas foram o que foram e isso foi o melhor. Hoje elas são história. História de uma mulher que foi feliz nos seus tempos, em cada um deles. 
Ela foi feliz aos 20 cantando com Djavan, aos 30 embalando suas crias e estudando para as provas, aos 40 aprendendo inglês e se desdobrando para dar conta do trio filhos, trabalho e estudo e ainda ontem eu a vi feliz da vida ao embarcar para MatchuPitchu com o melhor amigo. Ela descobriu que o grande segredo dos propósitos é ser feliz durante a caminhada. Sem vislumbre, sem ilusão. É uma felicidade tranquila, quase silenciosa, resultado do encantamento pela vida. Aquele “Feliz por nada” que Marta Medeiros escreve com maestria. Hoje ela não quer mais mudar o mundo, está ocupada demais mudando a si mesma. E isso dá um trabalho danado!
Os problemas continuam indo e vindo. As pessoas também. Mas hoje ela sabe que não vale a pena segurar ninguém. As pessoas saberão o caminho de volta. E se não voltarem é porque nunca estiveram com ela de fato. Será que ela aprendeu a amar? Pode ser! Prefiro dizer que ela aprendeu a viver! Viver e deixar que a vida aconteça no seu fluxo natural. Ela apenas segue vivendo e achando a vida melhor hoje do que a 20 anos atrás. 
Ela não se envergonha nem se engrandece com nenhum fato da sua história. Apenas segue, com a certeza de que hoje ela sabe algo que as outras ainda não sabem, mas elas vão chegar lá! Algo que não está implícito, que só os anos de salto, sangramento e escova no cabelo podem explicar. Pensando bem, Kassia Eller  estava certa, quem  sabe ainda sou uma garotinha? 


Leila Rodrigues

Imagem da Internet
Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos


Olá pessoal,


Idas e vindas, a vida é isso. Um eterno ir e vir de algum lugar. Ainda ontem eu estava em São Paulo e amanhã mesmo estarei em algum outro lugar. É preciso ir, é preciso voltar, é preciso viver! Viver e deixar que a vida aconteça. Simples assim. 
Não importa se o seu ir e vir é até Nova York, ou se é da cozinha para o quarto. O importante é dar os seus passos. Nada mais!
Sobre o texto, gosto de relembrar a minha juventude, embora não me prenda a ela. Somos os resultado da nossa história, mas a história que vamos contar amanhã, depende do que fazemos hoje, agora, no único instante que temos, o presente.

Grande abraço



Leila Rodrigues

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Pra correr o risco



Ontem  eu vivi uma grande alegria. E tentei descrever esse momento no papel. Muito difícil! Para minha surpresa não consegui encontrar nenhuma palavra que pudesse traduzir o que eu sentia. Percebi então que as emoções funcionam em outro campo, em outra dimensão talvez. É praticamente impossível traduzir, na íntegra, uma emoção, seja esta boa ou ruim. 
Nenhuma palavra é capaz de transcrever a alegria de uma mãe ao dar a luz, tamanha a emoção do momento. Como também nenhuma palavra é capaz de traduzir a dor da mãe que perde um filho. No território das emoções não existe meio termo, tudo é intenso, latente e pulsante. 
Não existe meio amor, nem pouca paixão. Ou você ama ou não ama. Assim como não existe pouca raiva, nem pouco ciúme. O campo da emoção é único e cada um vai vivê-lo à sua maneira. Cada um vai sentir e consequentemente agir e reagir do seu jeito. Nenhuma emoção é igual à outra, nenhuma se explica, nenhuma se pode copiar. Você pode ficar compadecido da minha emoção mas jamais conhecerá a intensidade dela. 
Guiado pelas emoções perdemos completamente o sentido. Perdemos a linha, perdemos o trem, perdemos a noção do perigo. Contudo, quem nunca se deixou guiar por elas, as emoções, não sabe o prazer que esta adrenalina traz. Sem emoção sem perigo, sem frio na barriga, sem borboletas no estômago, sem história para contar, sem risco. 
Se emocionar é correr o risco. Viver é correr o risco. Correr o risco de errar, correr o risco de sofrer, correr o risco de perder, correr o risco de se estrepar. 
Para não correr o risco de sofrer, as pessoas evitam amar. Para não correr o risco de perder, outras evitam investir. E assim seguem sem sequer começar, sem se emocionar. 
A gente corre todos os riscos quando decide experimentar. E nada substitui a experiência. Provar a vida é muito mais que sentir o gosto das nossas atitudes. É dar sentido à nossa existência e consequentemente nutrir as nossas emoções. 
E se tem emoção, tem choro, tem riso, tem adrenalina, tem pulso, tem suor, tem reviravolta dentro de nós! 
É preciso correr o risco de ser nós mesmos, são poucos os que têm essa coragem! É preciso deixar a emoção fluir e correr o risco de chorar ou sorrir. E se o papel não couber seus sentimentos, use-o para secar as lágrimas da sua alegria. Não há nada melhor do que um choro de felicidade! 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem da Internet

Olá pessoal,

Não sei funcionar no meio termo, na zona morna da vida. Sou das “intensas”. Choro de alegria, choro de tristeza e choro bastante de emoção. Choro um choro bom e isso me faz muito bem! Nada contra quem consegue segurar a onda, eu não consigo. 
E sobre correr o risco, quem escolhe correr o risco prova o doce e o amargo das consequências. Eu já provei dos dois e sigo querendo conhecer os sabores. 
O voo de parapente até agora foi o meu risco favorito. Valeu cada minuto de adrenalina!

Grande abraço

Leila Rodrigues


sábado, 16 de setembro de 2017

Amigos-riso



Rir de si mesmo é uma das maiores qualidades do ser humano. Pessoas que sabem rir de si são, geralmente, as melhores companhias. São pessoas despretensiosas, leves e de riso acolhedor. Elas são engraçadas, divertidas e perto delas ninguém fica triste. 
Sem elas os velórios, as excursões e as reuniões de condomínio não seriam as mesmas. Enquanto riem de si, elas não têm tempo de rir dos outros. E se o fazem, é sempre de um jeito carinhoso e não sarcástico. 
Elas riem dos seus tombos, sem desmerecer o levantar. Elas riem de suas mancadas por entenderem que o mundo não pára pelos seus problemas. Elas riem quando não conseguem, enquanto ganham forças para tentar outra vez. Elas declaram seus mal feitos com a mesma leveza que compram um pão na esquina. 
Elas estão longe de serem santas ou de serem completamente boas. Elas são pessoas comuns, que choram de vez em quando, que sentem raiva, medo, ciúme ou cansaço como qualquer mortal.  Elas tem apenas um diferencial sobre as outras pessoas, elas enxergam graça onde os outros enxergam desgraça. Simples assim! 
Não é tão difícil contar que o sapato está machucando, que caiu no meio do salão lotado de gente ou que passou parte do jantar com uma couve no dente. Mas para essas pessoas tudo fica tão simples e engraçado que queremos ouvir de novo só pelo prazer de vê-los contar. Elas transformam tudo em humor! Elas contam que foram traídas pelo parceiro, que faliram, que se ferraram em alguma coisa. Elas não têm medo do fracasso. Pelo contrário, elas lidam com ele de tal forma, que parece pequeno. Suas vidas são recheadas de casos. Cada dia com elas é uma aventura, um acontecimento. Diversão garantida! 
Toda repartição pública deveria, por lei, ter uma pessoa capaz de rir de si lá dentro. Toda fila, toda reunião chata e todo posto de saúde também! Seria um bom investimento!
Na correria dos nossos dias não cabe humor. Tarefa para entregar, meta para bater, prazos para cumprir. É trabalho! E não se brinca de trabalhar! É tenso, exaustivo e desafiador! E são essas pessoas, capazes de rir de si, os oásis dos nossos dias áridos, pois elas têm o dom de melhorar o ambiente ao seu redor. 
É para elas que ligamos quando queremos esquecer tudo. É com elas que queremos ficar quando a loucura do trabalho termina. E é para os braços delas que corremos quando o coração se cansa deste mundo cinza em que vivemos! 


Leila Rodrigues

Imagem da internet
Publicado no Jornal Agora e no JC Arcos

Olá pessoal,

eu tenho a honra de ter alguns amigos-riso, é assim que eu carinhosamente os chamo. Eles são de fato oásis nos meus dias áridos. Com eles até uma caminhada na Rua Pintangui vira uma aventura, não é mesmo Nadia Alli? Ou um velório vira uma roda de piada não é Amnys Rachid? Enfim, eles fazem a nossa história mais divertida. A todas as pessoas que vivem a verdadeira arte do riso, a minha admiração e o  meu carinho. E àqueles amigos-riso que passam pelo meu caminho, o meu amor amigo.

Grande abraço



Leila Rodrigues