sábado, 24 de fevereiro de 2018

50 Tons de vinho


Depois do sucesso dos “50 Tons de cinza”, fiquei animada com a chegada dos meus 50. Confesso que o livro não me levou aos 50 graus. Tive dúvidas se sou eu que estou fora do contexto ou se há um acordo coletivo da mulherada em gostar deste tipo de literatura. Mas gosto é gosto e cada um que seja feliz com o seu. Nunca fui chegada a contos de fada e homens perfeitos também não fazem o meu tipo. Então, voltando ao assunto dos 50, eu realmente estava entusiasmada com a chegada deles. 
Pensei em fazer uma grande festa, aquela que eu não tive aos 15. Mas fui vencida pelo que chamo de “Contexto dos 50”.
Primeiro percebi que aos 50 estamos envolvidas com muito mais pessoas do que podemos imaginar. Família, filhos, namorados dos filhos, sobrinhos, irmãos, cunhados e cunhadas, amigos, amigos da infância, amigos do trabalho, amigos das cidades por onde passamos, amigos da literatura, amigos do outro lado do país, amigos da casa ao lado, amigos conquistados nos momentos mais inusitados e complexos ao longo dos 50 anos. Gente demais! 
O “contexto dos 50” traz grandes surpresas e consequentemente grandes mudanças.  A esta altura você quer diminuir os pesos. As bagagens, os armários, as pessoas e principalmente as bagagens da alma. Priorizamos a qualidade e não mais a quantidade. Qualidade de vida e qualidade das relações. Quantos anos, quanto custou o presente, quantas pessoas ou quantos convidados, se tornam irrelevantes. Ser aplaudida e estar rodeada de pessoas, não necessariamente, é o que nos deixa feliz. O que nos interessa nesta fase são as pessoas que nos fazem feliz de verdade e esse número reduz a cada primavera. 
Outro fato também pesou muito é que, aos 50, os subterfúgios de beleza tem efeitos colaterais sérios. Cílio postiço, cabelo preso, cinta mágica que some a barriga, salto fino e vestido de festa da madrasta da Cinderela! Nem se me pagar eu uso mais! Eles me causam taquicardia, dor de barriga, coceira, enjoo e pânico. Então, para quê? Não estou concorrendo mais à gostosa da noite. Além do mais eu tenho aquele problema noturno, conhecido das mulheres desta faixa etária que se chama “ondas de calor” que põe tudo  a perder em questão de segundos. Lá se vai a maquiagem, o laquê, o investimento e as horas de produção. Não tem prime que suporte a suadeira! 
Conclusão, estou de partida para Portugal, vou usufruir meu presente de aniversário lá. 50 tons de vinho me esperam! 


Leila Rodrigues

Publicado no JC Arcos
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Olá pessoal,


Mais tarde descobri que, quem gostou mesmo dos “50 Tons de cinza”, ainda não estava nem perto dos 50 como eu. De novo, tudo uma questão de fase. existe a fase dos contos de fada e a fase dos contos reais. Eu estou na segunda e nem por isso menos feliz.
Gostaria de aproveitar a oportunidade para agradecer mais uma vez a todos os que têm visitado o Palavras ultimamente, o número de visitas tem batido records a cada semana. Puxa vida, isso me deixa feliz demais! Vocês, queridos leitores, me deixaram muito emocionada. De pensar que tudo começou com uma brincadeira???!!! Que orgulho escrever para vocês! Que honra receber de vocês, o que hoje é considerado o bem mais precioso que se pode dar a alguém, o tempo. 
Valeu pessoal. Sou grata a cada um de vocês!

Grande abraço


Leila Rodrigues

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Agora vai

E já se passaram 51 dias de 2018. A esta altura o brasileiro já tirou férias e já encheu as praias do país. Já comeu camarão, queijo coalho, peixe frito, tomou cerveja, caipirinha e comprou todas as bugigangas possíveis e imagináveis sob o sol escaldante. Dizem que o país está em crise! Mas que  as nossas praias ficaram lotadas, isso ninguém pode negar. Afinal, é direito do cidadão curtir as suas férias como ele bem entende e vamos combinar que a nossa costa é maravilhosa! 
A esta altura o brasileiro já pulou carnaval, nem que seja na sala de casa assistindo os desfiles. Já sambou, já foi atrás do trio elétrico no mar de gente pelas ruas da Bahia ou se recolheu em oração como fizeram muitos adeptos. 
Então podemos dizer que, agora vai? 
Agora os alunos vão oficialmente assistir às aulas. Agora as empresas voltam a comprar, a vender, a negociar, a atender o telefone e a fazerem seus pedidos! Louvado seja! 
Será que agora vai haver investimento? Será que agora vai ter emprego, gente boa de serviço, bolsa de valores subindo, risco Brasil despencando? 
Quem suportou até aqui o país parado e conseguiu produzir,  pode se considerar um vencedor. 
Abram suas portas e suas janelas que lá vem o povo brasileiro começar de novo mais um ano. Começar apesar de, além de, por força de ou em função de. De alguma coisa que a gente carrega no peito que não desanima jamais. 
Sempre haverão uns muito confiantes e outros muito pessimistas. Sempre haverão os que prevêem um futuro negro e os prevêem um futuro esplêndido. 
A verdade é que, enquanto eles discutem o sexo dos anjos, existe uma turma que não parou. Que não esperou as férias de janeiro, nem tampouco o carnaval. É a turma que só festeja depois da colheita. É a turma que acorda cedo, a turma que faz a máquina girar. 
E para os que estão chegando agora, embora atrasados são sempre bem-vindos. Antes tarde do que nunca!
Que venha o ano! Que venha sabedoria e discernimento na hora de fazermos nossas escolhas. Que venha de fato a  maturidade que supomos possuir. Que venham as oportunidades para todos. E que possamos fazer delas uma ponte para nossas realizações. 
Agora levanta dessa cadeira e vai! Vai fazer o que precisa ser feito. A festa acabou e é preciso semear de novo. Você já está atrasado. O resultado da próxima colheita começou lá atrás. 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora e no JC Arcos
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Olá pessoal,

Eu sou do time que não esperou o carnaval para começar o ano. Em pleno 2 de janeiro eu já estava viajando a trabalho. Já me acostumei com esta rotina. E isto não significa que eu não aproveite os dias de carnaval ou as festas. Sabendo se organizar, dá para trabalhar e ainda se divertir e muito. 
Uma empresa é um organismo vivo e precisa ser administrada, orientada, analisada e conduzida o tempo todo. No mundo dos negócios não existe feriado, muito menos mês de férias. Enquanto a galera fomentou o turismo, a turma do ar condicionado (gente que trabalha nos escritórios) prospectava, negociava e vendia os próximos feriados que virão por aí. 
É assim que funciona! Tudo um grande negócio!
Que o nosso ano seja produtivo e próspero para todos nós!

Grande abraço

Leila Rodrigues




sábado, 10 de fevereiro de 2018

Abre alas



Ô abre alas que ele quer passar! Aí vem ele, o festeiro mor do nosso país, o Carnaval Brasileiro. Quer você goste ou não, ele vai acontecer nos quatro cantos do país. Que atire a primeira pedra, quem nunca se viu no meio de uma roda ou de uma corrente humana dançando e cantando uma música de carnaval?
Ele já arrastou milhões de pessoas, já trouxe turistas do mundo inteiro para o nosso país, já foi palco de grandes amores e por ele foram revelados competências da musica e da arte de criar e encantar. Ele cresceu tanto que diversificou. Você pode desfilar na avenida, pode ir atrás do trio elétrico, frevo, maracatu, blocos de rua ou torcer veementemente pela sua escola de samba favorita. 
A festa hoje ficou muito relativa. O carnaval depende da idade, do estado civil, da conta bancária e de um monte de outros fatores. Se a pessoa está solteira, sobrecarregada de amor para dar, o carnaval é passagem comprada para a Bahia. Muito Axé e beijo na boca. Se a pessoa vive no Recife ou nos arredores, carnaval é compromisso. Vai a família inteira para a rua. Não tem desculpa. É parte da vida daquelas pessoas, algo maravilhosos de se ver! E ainda tem aqueles que aproveitam os dias de carnaval para fazer um retiro de silencio ou de meditação que tanto queriam. Se este é o seu caso, corre lá que dá tempo! 
O importante é deixar que cada um curta o seu carnaval do seu jeito. O que não dá para aceitar é a pessoa passar os 4 dias de folia literalmente implicando com o carnaval do outro. A música que é ruim, a roupa que é pequena demais, as mulheres depravadas, o dinheiro que gastou no desfile. Esse aí perdeu a chance de aproveitar os 4 dias de carnaval. Tá certo que o carnaval de hoje é muito diferente do carnaval das marchinhas, mas, o quê não é diferente? Tudo mudou; os comportamentos, as opções, os gostos e principalmente as pessoas! Por quê, com o carnaval seria diferente? Para com essa implicância ridícula e segue sua vida! O dia que aprendermos a conviver com as escolhas alheias, aí sim, teremos uma grande festa! Um carnaval de boas energias. 
Agora, se você como eu, não vai poder desfilar na Mangueira como gostaria; bem, para nós carnaval vai ser livro, gaveta arrumada, descanso, faxina na casa, enfim, tudo que a gente vai adiando, adiando e reza para chegar um feriado que nos dê a chance de colocar em ordem. Cada um escolhe a fantasia que lhe convém! 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem da Internet - Estação Primeira de Mangueira - a minha escola preferida. 

Olá pessoal,

esteja você no seu sofá, no sossego da sua casa ou no meio da multidão, eu te desejo ótimas dias neste carnaval!
Que seja do jeito que você gostaria que fosse e que você volte na sua segunda-feira renovado de boas energias!

Grande abraço



Leila Rodrigues

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Nem Freud explica


A fase de planejamento durou meses. Escolhi a dedo o melhor Personal-Training. Ótimas referências, pós-graduação fora do Brasil, paciente, educado e além de tudo bonito. Também me consultei com o cardiologista, o endocrinologista e com a nutricionista. Exames de ponta a cabeça e dieta prescrita exclusivamente para a minha pessoa. Respeitando a minha idade, a minha condição física e o meu organismo, em especial meu fígado que é delicado. Para ficar melhor ainda, contratei uma pessoa para fazer uma drenagem linfática uma vez por semana. Só ela daria um jeito no meu pé gordo devido a retenção de líquidos. 
Tudo pronto para, passadas as festas de fim de ano, eu entrar com tudo no projeto “Corpo são, mente idem”. A ideia era cuidar do corpo para a mente parar com a neurose do “tô gorda”. 
Para garantir que tudo saísse conforme o planejado, avisei os amigos de que a temporada de vinhos estava encerrada e que, se quisessem a minha companhia, que preparassem bastante água mineral. 
Isto tudo sem falar no investimento. Tênis novo, blusinhas e leggings modernos para praticar atividade física, você não faz ideia do quanto esses modelitos custam! Lista de suplementos potentes e alimentação apropriada para a dieta do “sem”. Sem glúten, sem lactose, sem sódio, sem carboidrato, sem açúcar, sem gordura e provavelmente, sem sabor. Antes de começar eu já estava endividada para os próximos 3 meses. 
E heis que passaram as festas e o dia fatídico de por em prática o projeto seria a próxima segunda-feira. Só de pensar a adrenalina subia. Corpo novo, eu “saradassa", tudo em cima, tudo durinho e a Anita me chamando para "queimar na laje” com a turma dela. 
Faltam dois dias. Eu não paro de pensar na minha segunda-feira. A minha cabeça fervilha, meu estômago esfria, não consigo comer de ansiedade, tenho náuseas, uma dorzinha leve no abdômen. Ai meu Deus! Tomo um remédio para dormir, tamanha a minha ansiedade. Domingo de manhã, acordo e imagino o Personal lindo me aguardando logo cedo, não consigo me levantar da cama, a dor aumentou, já vomitei 2 vezes, tá tudo estranho, não estou entendendo mais nada, a dor ficou insuportável. Alguém me leva para o hospital, exame, injeção na veia, sala de cirurgia, retirada da vesícula urgente, 2 meses de repouso. E lá se vai o Personal bonitão, a Anitta e o meu armário lotado de suplementos.
Nem Freud explicaria isso!!!!

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
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Olá pessoal,

atire a primeira pedra quem nunca “ensaiou” mudar o estilo de vida e na hora H alguma coisa mudou seus planos. Gente que engravidou, que foi transferido para outra cidade, que passou num concurso, enfim, a vida é assim mesmo. Fazemos nossos planos, mas pode ser que o Universo tenha outros. E a gente segue em frente, fazendo o que dá para ser feito. Ovos quebrados viram  omelete; do limão fazemos a limonada e das surpresas da vida, uma receita nova de viver.
Aproveito a oportunidade para agradecer a todos pela visita aqui no Palavras. Obrigada pessoal, por cada passada rápida, cada lida, cada compartilhamento, cada recadinho que vocês deixam aqui. 

Grande abraço

Leila Rodrigues

sábado, 27 de janeiro de 2018

Mãe nota 7



Mãe nota 7

Não sou de ter inveja de ninguém. Mas confesso que já tive inveja das mães nota 10. Hoje, depois de muita terapia, aceito em paz a minha nota 7 como mãe e reconheço que a maternidade é um exercício diário, o qual vamos lapidando a cada dia. 
Eu não deixei de trabalhar para cuidar dos meus filhos. Admiro quem o fez mas essa não foi a minha escolha. Divido com eles o tempo entre o trabalho, as viagens a trabalho, meus estudos e os cuidados de qualquer mãe.
Muitas vezes viajei em prantos porque um deles tinha febre. Faltei de algumas reuniões de pais na escola e não estava presente quando meu pequenino, naquela ocasião com 2 aninhos, quebrou o braço. 
Por mais que eu tenha ensinado, meus filhos não gostam muito de legumes, eles também tomam refrigerante e não dispensam uma batata frita por nada nesse mundo.
É, eu não sou uma mãe nota 10! Não consegui convencê-los a gostar das mesmas coisas que eu. Um não gosta de estudar, eu até hoje amo estudar. O gosto musical deles é muito diferente do meu e o lado atleta deles definitivamente não veio de mim. Por um lado me entristeço. Às vezes parece que eu só servi de frete para trazer uma criança ao mundo. Por outro lado me conforta saber que meus filhos têm opinião própria e defendem suas escolhas. 
Confesso que muito raramente vejo as gavetas dos meus filhos e que também não faço aquela comidinha preferida deles todo dia, como a minha mãe fazia para mim. Cozinho para eles com prazer sempre que posso, mas esse “sempre” depende de outros fatores que não cabe mencionar aqui. 
Divido conscientemente a maternidade com o pai deles e isso não me faz uma mãe pior. Às vezes o pai leva ao médico, o pai faz a matrícula e eles (os três) preparam o jantar. É assim a vida de uma família que decidiu viver do jeito que dá para viver. 
Eu os carrego comigo onde quer que eu vá; nas minhas orações, no meu coração e em cada coisa que eu vejo que me remete a um deles quando estou longe de casa. Esse é o meu jeito de viver e sentir o meu amor por eles. 
Eu os criei com a realidade da minha vida. E procuro passar para eles os valores que eu carrego comigo como a grande herança dos meus pais, honestidade, ética e respeito. Nunca cobrei deles uma nota 10 e partindo deste princípio, eu compreendi a minha nota 7, certa de que, a nota 10 é uma construção; um aprendizado do qual nunca estaremos perfeitos de fato.

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora e no JC Arcos
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Olá pessoal,

Sempre me cobrei muito em tudo que faço. E esta nota 7, a qual me referi no artigo de hoje, realmente foi algo muito difícil para mim. Até poder falar neste assunto com tranquilidade eu me sofri muito e me senti culpada muitas vezes. Tenho certeza de que toda mãe sabe do que eu estou falando. 
Nunca seremos mães perfeitas! Que ótimo! Nossos filhos também não serão filhos perfeitos.
Sigamos pois, do nosso jeito. E certamente encontraremos uma forma de sermos felizes em meio às nossas imperfeições.

Deixo aqui um abraço para todas as mães que, como eu, lutam para ter uma boa nota, mesmo sabendo que a nota não é o mais importante nisso tudo!

Grande abraço

Leila Rodrigues

sábado, 20 de janeiro de 2018

Não te demores


Correr é parte do nossa rotina. Todos nós corremos! Corremos para não chegar atrasado na reunião, corremos para pegar o banco aberto, para pegar aquela vaga estratégica, para bater a meta, para colocar a comida na mesa, para atender todos os clientes e todas as nossas necessidades insanas.
Corremos para o que queremos e corremos do que não queremos. Enfim, é uma correria só!
Acho perfeita a frase de Eleonora Duse, “onde não puderes amar, não te demores”. Fazemos isso sem perceber o tempo todo. Corremos de tudo que não nos interessa ou não nos atrai. Corremos do vendedor de seguro, corremos daquela pessoa que é lenta para contar um caso, corremos da tia que quer contar como foi a viagem, corremos das reuniões cansativas, corremos descaradamente do trabalho chato.
Mas a gente não corre o tempo todo. Há momentos em que não aceleramos. Há situações em que deixamos o tempo acontecer como tem que ser.
E então eu pergunto, onde mesmo nós demoramos? Em quê ou em quem temos tempo?
Eu demoro em gente que é inteligente sem ser soberana. Demoro em quem me recebe com um sorriso. Demoro com meu pai e minha mãe, não me canso de olhar para eles e ver tanta sabedoria! Demoro com o que é ingênuo, genuíno, sem segundas ou terceiras intenções.
Demoro com um bom livro, com um café coado na hora, com uma amiga querida ou com o moço do açougue que me ensinou como fazer cupim.
Eu ainda tenho  muito que aprender sobre demorar e correr. Gostaria de demorar ainda mais com meus filhos, com meus pais, com meu cachorro e com as minhas plantas. Por enquanto, ainda estou muito ocupada correndo atrás da meta, correndo para dar conta de tudo, correndo para que tudo fique no seu devido lugar.
Transito entre correr e demorar. Um dia aprendo a dividir o tempo de um jeito que não precise mais correr tanto para conseguir demorar um pouquinho mais naquilo que me faz feliz.
Gosto de demorar com quem não faz julgamento, com quem tem ouvidos entre uma respiração e outra. Geralmente demoro com quem está me vendo de verdade; com quem me enxerga além do meu sobrenome, da minha função, do meu CPF ou das minhas vestes. Demoro com quem não sabe nada de mim e ainda assim me dá atenção. Essas pessoas me agregam e me fazem uma pessoa melhor.
Ademais eu corro. Corro porque o tempo é curto para dividir com o que não nos tira do lugar.

Leila Rodrigues


Publicado no Jornal Agora e no JC Arcos
Foto: eu e minha amiga Simone Fernandes, uma pessoa que eu “demoro” com prazer


Olá pessoal,

Com o objetivo de facilitar para os leitores, a partir de hoje as postagens do blog também estarão nas minhas redes sociais.
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O blog continua em respeito àqueles que não usam redes sociais e preferem acessar por aqui. Peço desculpas pela demora nas postagens, tivemos problemas com o aplicativo. 
Obrigada pelo seu tempo aqui no Palavras. Foi com a sua visita que chegamos a 200.000 visitantes. Volte sempre que quiser. Se gostou, ajude-nos a divulgar.


Grande abraço e boa leitura.


Leila Rodrigues

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Bem-vindo à realidade!


Bem-vindo à realidade

E daí que você não ganhou na Mega-Sena da virada? Você também não acordou em 02 de janeiro mais magro, mais inteligente ou menos endividado! O dia começou como outro qualquer.  E aí você fica em dúvida se é realmente um novo momento ou se continua tudo a mesma coisa? Você não é o primeiro, nem será o último a duvidar. Acontece com todos nós mortais! Na verdade, você apenas acordou um pouco mais determinado a fazer aquelas coisas que você prometeu na noite de réveillon. Só um pouco. Nada de esplêndido nisso. 
Se parar para pensar, você também não teve nenhuma ideia fantástica que tenha entrado para a história, nem inventou um produto revolucionário para o mercado e muito menos criou uma frase de efeito que tenha virado um meme. É! Dá para concluir que você não nasceu para a fama! Nem você, nem 99,9% da população. Fica triste não! 
E quem foi que disse que é preciso ser famoso, rico ou importante para ser feliz? Mesmo porquê, nós sabemos, eu e você, que nenhum desses subterfúgios são, de fato, sinônimos isolados de felicidade. 
A pessoa que nasceu para ser feliz não precisa de nada disso! Ela é feliz e pronto! Quem veio a este mundo para ser feliz, é feliz pegando o ônibus lotado toda manhã, é feliz morando no Sertão da Paraíba,  no subúrbio de Pequim ou na Vila Constantina. Isso é tão fantástico que causa um estranhamento nos demais. O sujeito é feliz ganhando pouco, com pouca saúde, sozinho, pagando boleto, varrendo rua ou entregando panfleto. E nada nem ninguém tira isso dessas pessoas. 
Porque infeliz mesmo é aquele que coloca alguma condição para ser feliz. Quando eu comprar minha casa eu serei feliz, quando eu for promovido eu serei feliz, quando meu time for campeão... Mentira! Esses pobres de espírito não serão felizes nunca! Tão logo uma pessoa dessa compre a casa ou seja promovido, ela vai inventar outro subterfúgio para ancorar a infelicidade dela! E esta, de verdade, é uma pessoa pobre! Um coitado no verdadeiro sentido da palavra!
Chame de desafio, de problema, de obstáculo, do que você quiser os entraves do seu caminho. Só não os use como desculpa para a sua infelicidade crônica. Certas doenças não têm cura, têm justificativa. 
E agora trate de correr atrás do que vale a pena para você, porque foi para isso que você veio ao mundo! 
Já é 2018. Bem-vindo à realidade! 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora e no JC Arcos

Olá pessoal

Muita gente começa o ano de férias. Neste momento nossas praias estão lotadas de gente! Que ótimo! O descanso e a diversão são essenciais para a vida. Mas, para aqueles que como eu o ano começou no dia 02, aqui estamos nós, trabalhando, colocando em prática o que foi planejado. 
Sonhar é bom, mas viver é muito melhor!!! 
Bem-vindo à realidade!!

Grande abraço



Leila Rodrigues

sábado, 30 de dezembro de 2017

O caos e a fé



No trabalho o mês de dezembro é uma insanidade só. Meta para bater, comércio desesperado para vender, exercício para fechar. Onde tem um cliente interessado, lá estão nossos esforços e expectativas. Um corre corre desenfreado para darmos conta de tudo que nos propusemos fazer. Os dias  são pequenos para atender todas as demandas e não esquece que à noite tem confraternização da turma do alguma coisa. Turma da academia, turma do trabalho, do colégio, do vôlei, turma da pós, turma do bordado... turma. Então esquece o cansaço, passa no supermercado lotado para comprar a bebida e vai!
Recebe o 13o., paga conta, Av. Primeiro de Junho lotada, Rua Goiás idem  e mais tarde tem outra confraternização. Adianta as comidas do Natal, refaz a lista, aumenta gente, pensa na mesa, o supermercado continua lotado, vai longe achar um presente mais em conta, decora a casa, hoje é dia de formatura. Ufa!!!! Dezembro é pequeno demais para tanta confraternização! Lá se vão dieta, qualidade de vida, 8 horas de sono, projeto verão, meses de investimento em nutri, dieta low carb, tudo para o próximo ano. Perderam para os abraços, para os encontros, para as lágrimas de emoção, para os “amigo oculto”, para os fechamentos deste ciclo matemático que chamamos de ano. Mexe mais conosco do que podemos imaginar! Na cabeça, em meio ao caos de entregar tudo, de fechar tudo... já se enxerga uma luz no início do próximo Túnel. Lá vem ele! Inocente, ressabiado, sem entender direito o porquê de tantas promessas,  tanto estardalhaço se tudo é apenas um dia após o outro. Fica tranquilo Senhor 2018! Não é nada pessoal! É apenas a nossa estranha mania de ter fé na vida! 
Humanos precisam de fé. Fé em Deus, fé no outro, fé no próximo, fé no novo, fé em alguma coisa que dê sentido à nossa existência. Precisamos do novo para renovar alguma coisa em nós que, às vezes, nem nós sabemos exatamente o que é; mas sabemos que é preciso. Que venham os abraços, os pedidos, os desejos, as promessas, os propósitos, as luzes no início desse túnel novo. 
Se vamos cumprir? Aí é outra conversa. Mas enquanto estivermos por aqui é sinal de que alguma missão ainda precisa ser cumprida e renovar a fé é uma forma de dizer a nós mesmos que a missão continua ou melhor dizendo, que continuamos na missão.  
Eu como bom soldado, estou sempre à disposição! 
Que venha 2018!

Leila Rodrigues

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Publicado no JC Arcos


Olá pessoal,

sem clichês, sem palavras mágicas, sem promessas que não serão cumpridas… Aí vem um novo ano, que só terá chances de ser novo se renovarmos alguma coisa em nós. 
Que consigamos encontrar bons motivos para querer renovar, disposição para tomarmos as atitudes e sobretudo resiliência para não desanimarmos no caminho. E sendo assim, que ao final de 2018 possamos nos encontrar novamente para falar das novas conquistas que tivemos em 2018.

Grande abraço
Um 2018 de paz, alegria e boas energias para todos nós!

Leila Rodrigues


domingo, 24 de dezembro de 2017

O Natal dela


O Natal dela

Era dezembro. E como sempre ela abria a gaveta e tirava de lá a bolsinha florida onde guardava suas economias. Dinheirinho enrolado, juntado ao longo do ano, nota por nota, centavo por centavo. Era dali que saíam as lembranças para cada um da família. Os filhos, genros, noras e netos. Na sua modesta lista entravam também a lavadeira, a costureira, a vizinha, a colega do terço e aquela família necessitada. Até hoje me pergunto como é que pode um coração caber tanta gente assim? 
Para os homens da família ela tinha a mania de presentear com o famoso “corte de calça”, mas quando o dinheiro era curto, a boa e tradicional meia resolvia tudo.  Para as mulheres ela diversificava um pouco mais e quando o assunto eram os netos, aí ela caprichava. Sabia o que cada um gostava e sempre dava um jeito de achar alguma coisa interessante. Foi dela que ganhei um biloquê e meu irmão ganhou o carrinho de rolimã que ele tanto queria. Confesso que eu e meus irmãos, como netos que moravam com ela, tínhamos alguns privilégios. Mas ela tinha um olhar e uma preocupação com cada um dos seus 23 netos. 
E quando o dinheiro faltava ela plantava mudas de rosas no saquinho bem antes do Natal. Cuidava religiosamente das mudas como se fossem bebês e presenteava as pessoas com a pequena roseira. 
Além dos presentes, tinha um cuidado especial com as comidas. Ela ia longe buscar o melhor queijo para os primos que vinham de fora. O melhor doce, o leite mais puro, o melhor frango caipira. Ela mesma fazia os doces complicados. Figo, laranja da terra e pé-de-moleque, sua especialidade. Só mais tarde fui entender que aquilo era amor em forma de alimento. 
Minha avó Quinha, quanta saudade! O Natal não é Natal sem as avós. Ninguém é mais feliz que elas neste dia! 
Vó, era por você que a gente se reunia. Era a sua volta que toda aquela festa acontecia! O Tio Roberto cantando, os amigos de todos os cantos da cidade que tradicionalmente passavam  pela sua casa na noite de Natal e o seu perfume de lavanda inesquecível. Sinto saudade do cheiro da sua casa, do leitão assando e daquela correria da meninada no meio da chuva de dezembro. Sinto até hoje o seu amor por todos nós... 
E toda vez que chega dezembro, eu imagino que, em algum lugar, tem uma avó feliz e realizada com a família a sua volta, como você foi um dia! 
Vó, enquanto eu viver, todo Natal será dedicado a você! 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora e no JC Arcos
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Olá pessoal,

independente da sua crença, do fato de você ser Cristão ou não, eu desejo a você boas festas, muitos abraços, muitos sorrisos e se for possível, faça uma avó feliz!

Grande abraço


Leila Rodrigues

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Confraternisap



08:10 - Celinho: Gente, festa de confraternização do grupo dia 18 na casa da Gisele  19:00. Confirmar presença aqui no grupo levar bebida salgado acompanhante. O músico será dividido no dia. 

08:25 - Amanda: Dia 18? Desse mês? 

08:30 - Rogéria: Não. De 2018 kkkkkk

08:49 - Celinho: <iniciando o exercício zen budista da paciência> 18/12/2017 quinta-feira próxima Amanda. Conto com você! 

08:50 - Amanda: Posso não. Tenho academia.

08:53- Lucilia: Pode levar fritura? E glúten? E comida com lactose? Só sei fazer comida gorda. Pode.

08:56 - Celina: É para ir ir chique? Pode ir de rasteirinha? E escova no cabelo? Vai jogar as pessoas na piscina? Se for, adeus escova.

09:01 - Nivaldo: Pode levar ficante? 

09:08 - Milene: <posta uma foto do cachorro dela que deu cria>

09:10 - Celinho: Pessoal pode levar a comida que achar melhor. Até a 5a cerveja garanto que ninguém vai jogar ninguém na piscina, depois disso não posso garantir.

09:14 - Juju: Se vai cair na piscina então vou ter que comprar biquini, depilar, deixar tudo nos trinques… alguém sabe de alguma promoção de biquini? 

09:16 - Cesar: <posta um vídeo de um bêbado tentando atravessar a rua>

09:25 - Aline: Pessoal posso chegar às 23:00? Tenho outra festa.

09:38 - Amanda: Que lindo!! Como chama?

09:53 - Celina: Juju sua linda, seu biquíni preto é mara!!!! Vai com ele.

10:02 - Elisa: Gente vamos assinar a petição para acabar com a corrupção no Brasil. A hora é agora! Assinem! Repassem para seus grupos! 

10:10 - Telma: desde que você leve a sua bebida, sem problemas. 

10:25 - Nivaldo: <respondendo Amanda> Minha ficante? Não posso falar por enquanto.

10:30 - Amanda: <respondendo Nivaldo> Perguntei da cachorra da Milene.

10:42 - Ronaldo: Alguém vai tomar vinho? E cachaça, vodca, cerveja? E água? Quem vai levar? 

11:00 - Celinho <todo educado> Pessoal vamos focar na festa por favor

11:03 - Meire - Posso levar meu sobrinho? Ele é adolescente mas prometeu ficar calado.

12:01 - Celinho - Pode levar namorado, ficante, transeunte, menos amante porque pode complicar para a pessoa. 

12:52 - Vai ter música sertaneja? Quem é o músico? Vai ter pista de dança? Vou convidar o João Lucas.

12:55 - Lívia - João Lucas vai? Mas ele não é do grupo. Posso chamar a Pri? 

14:00 - Vítor - Estou em Joinville, chego no dia às 18:00 em Confins. Vou direto, pago tudo depois.

15:59- Dina - Nossa mais tem que levar bebida, comida, presente de amigo oculto e ainda pagar? Que absurdo!

16:00 - Nilza - Eu também acho um absurdo esse consumismo alienado. Tô fora!

16:09 - Cleber - Tb to fora. Vamos encontrar em um barzinho que fica melhor.

16:10 - Mateus -  Barzinho? Onde? Que dia?

16:40- Cinara - Uai!!! A festa não era na casa da Amanda? Já mudou para barzinho? A nem! Ninguém avisa nada. 

17:00 - Celinho saiu do grupo. 


Leila Rodrigues


Olá pessoal

este é o primeiro texto da série “Realidades" que vem por aí. Novos tempos, novas tecnologias e novas situações. Quem poderia imaginar que um dia organizaríamos uma festa sem sair do lugar? Ou que poderíamos acompanhar em tempo real, pelo celular, um acontecimento do outro lado do mundo? Realidades vai tratar desses fatos. Das realidades e confusões dos nossos dias, das nossas trapalhadas com o mundo virtual.
Por mais que a tecnologia ajude, o ser humano continua confundindo tudo!!!! 
Divirtam-se!

Grande abraço

Leila Rodrigues