quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Rio 2016 - A emoção




Ouviram do Ipiranga um grito! Não! Não era do Ipiranga, deve ter sido do Maracanã, ou de algum outro canto do Rio de Janeiro. Era a torcida brasileira! Esse povo heróico que mesmo sem dinheiro lotou os estádios com seu brado retumbante para apoiar seus atletas nas mais diversas modalidades. Com braços fortes nossos atletas remaram, chutaram, bloquearam, levantaram, lutaram, dançaram e saltaram.
Desafia o nosso peito a emoção. A emoção de ouvir e cantar o Hino Nacional Brasileiro; de ver a nossa bandeira à frente das outras. Naquele momento, Brasil, um sonho intenso de me orgulhar de ti não só no esporte. E a vontade de que um raio vívido de amor e de esperança realmente desça a esta terra e melhore o nosso país.
Ó meu gigante pela própria natureza, reconhece a tua força e o quanto és, belo e és forte. E o que o teu futuro espelhe-se nos nossos atletas que lutaram até o fim com o objetivo único de vencer em nome do Brasil.
Levanta desse berço esplêndido ó meu amado pais e vai à luta. Se nossos bosques têm mais vida, que tenham também dignidade, respeito e segurança para os que vivem nele. Só assim poderemos promover em teu seio mais amores.
Brasil de amor eterno que nossos atletas sejam símbolo para aqueles que ainda nos envergonham, seja no jeitinho brasileiro de “tirar o seu” até as grandes somas que afetam a economia de todo um país. E que diga o verde louro desta flâmula, segurança no futuro e aprendizado com o passado. 
Mas se ergues da justiça a clava forte, verás que um filho teu levanta cedo e vai à luta. Que mesmo temendo a morte por uma bala perdida ou um assalto, terra adorada, ainda estamos aqui porque acreditamos em ti.
Entre outras mil,  talvez seja realmente mais fácil morar na Tailândia, na Flórida, ou até no Panamá. Porém és tu Brasil a minha pátria amada e como filho deste solo é por ti que eu choro meu amado e idolatrado país. 
Foi emocionante ver o meu pais inteiro torcer, chorar e cantar. Chorar um choro bom. Cantar entre lágrimas. Lágrimas de orgulho de ser brasileiro. Enquanto choro penso na luta que travaram para chegar até ali. Quantas noites sem dormir, quantos desafios! Que inspirados nos esforços dos nossos atletas, tratemos de trabalhar e levar a sério todas as questões de nossas cidades, nossos estados e nosso país. Juntos, podemos fazer o nosso gigante acordar e ocupar um lugar melhor no podium da sua história!


Leila Rodrigues


Publicado no Jornal Agora Divinópolis em 23/08/2016
Imagem da Internet - Muito difícil escolher só 3 imagens!!!!




Olá pessoal,

Desta vez fiz questão de participar. Não fui ao Rio, mas assisti o que foi possível das Olimpíadas Rio 2016. Principalmente os noticiários da noite que resumiam o dia muito bem. Torci, vibrei, chorei com o Hino Nacional e com o povo brasileiro, em especial o carioca que fez bonito na medida das nossas possibilidades. Tenho um filho de 12 anos que adora esportes em geral, em especial o futebol e fui junto com ele que vivi essas emoções e todas as lições que um evento esta grandeza tem para nos ensinar. Impossível não torcer, impossível não se emocionar!!
Que venham as Paralimpíadas que eu pretendo acompanhar de novo e torcer com a mesma garra pelo meu país. Encerro os jogos com uma certeza, Brasil eu continuo amando você!

Grande abraço

Leila Rodrigues




Este momento foi o meu escolhido!! Maravilhoso!!!!



sábado, 20 de agosto de 2016

Incomum



Esperei os carros virarem a esquina, desejei de coração que fizessem uma boa viagem e entrei. Do lado de dentro, minha casa era uma bagunça só. Colchões ainda espalhados pelo chão, roupa de cama amontoada para lavar, nenhum copo limpo e a geladeira entupida de sobras.  Tropecei no skate e quase cai. Olhei para aquilo tudo e comecei a rir. Resolvi tomar mais um café. Recostei na porta e saboreie o último café que sobrara da garrafa enquanto me lembrava da casa cheia. Os sons, os risos, as crianças correndo. Eu já estava com saudade. 
À medida que eu tentava colocar a casa usável de novo, revivia as histórias do dia anterior. Tem gente que não gosta desta trabalheira e vai dizer que é por isso que não recebe visita. E eu vou continuar dizendo que é por isso mesmo que eu gosto de visitas. Gosto do movimento, da casa cheia, das conversas, do preparo das comidas, da felicidade do meu marido quando está com as pessoas que ele ama, da farra... Enfim, eu gosto disso! 
Não há como negar que com visitas saímos da rotina, o corpo fica exausto, dormimos pouco, conversamos muito e ainda temos que dar atenção para todos. E isso cansa! É preciso muito mais que disposição. É preciso querer este momento. É preciso se alegrar com a presença dos hóspedes, senão não haverá sentido em receber alguém em nossas casas. 
Para muitos a preocupação em agradar atrapalha e anfitrião tenso piora ainda mais a situação. Em contrapartida só com as visitas usamos tudo que ficou parado e adormecido à espera de alguém. As roupas de cama, os edredons, a louça do casamento, os doces que ganhamos e a dieta não permitiu comer e aquele licor de nome estranho que você só abre quando a visita chega e você descobre que é delicioso! Os cantos em desuso são todos ocupados e consequentemente a energia se renova. 
Amanhã cada um de nós vai recomeçar tudo de novo. A semana, a vida, a labuta. Não importa se o fim de semana foi de descanso ou intenso; se a sua casa continua arrumada ou meio revirada pelo tumulto. Entretanto eu, com o corpo ainda cansado, vou sorrir por dentro e agradecer pelo fim de semana incomum que atravessou o meu caminho e trocou tudo de lugar. Estou certa de que os momentos de alegria compensaram todos os esforços e faria tudo de novo para ter junto comigo as pessoas que eu amo. E sobre descansar? Ah eu terei outros finais de semana para fazê-lo. 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora em julho/2016
Imagem da Internet


Olá pessoal,

moro em uma cidade (Divinópolis), meus pais e meus irmãos em outra cidade, os pais do meu marido e minhas cunhadas também em outra cidades. Essa distância, que nem é tão longa assim, não me permite dar aquela passadinha na casa da minha mãe para um café. - Ah como eu gostaria de poder fazer isso! - Então quando nos reunimos é sempre um motivo de festa. Talvez seja por isso eu goste tanto de receber as pessoas na minha casa. Sejam meus familiares ou amigos é sempre uma grande alegria. E é para eles, essas pessoas que enchem a minha casa de luz e movimento o meu texto de hoje. Enquanto eu tiver saúde para tal, a minha casa estará de portas abertas para os meus amigos e minha família. Aqui nunca há de faltar uma boa prosa e um café da hora.

Grande abraço


Leila Rodrigues

domingo, 14 de agosto de 2016

Palmas para você



Lembro das minhas mãos miúdas entrelaçadas às suas e o mundo ficava mais seguro. Lembro do radinho de pilha que você me deu de presente e eu me sentia quase um adulto de tão importante. Lembro das visitas surpresa que você fazia à minha sala de aula e até hoje eu nunca vi nenhum pai fazer isso. Eu podia ver nos seus olhos o orgulho de ser meu pai e estou certa de que os meus olhinhos surpresos diziam o mesmo de você. Eu era a sua menina e você o meu herói.
Pai, foi no seu colo que eu chorei a minha primeira desilusão amorosa e foi no seu colo que eu suportei todas as injeções de Benzetacil que eu tive que tomar. É que com você a dor ficava mais leve. Sem explicação. 
Pai você nunca precisou me dizer que eu tinha que pagar as minhas contas, eu vi você pagando as suas ou deixando de comprar quando não podia. Você nunca me disse que eu tinha que levantar cedo e ir para o trabalho, eu vi você fazendo isso a vida inteira. Até hoje preparo a minha roupa de trabalho no dia anterior. E foi com você que eu aprendi que comer de marmita não era tão ruim assim. Foram muitas lições repassadas com a vida. Lições que hoje carrego comigo e procuro repassar para os meus filhos. 
O som do seu violão me acompanha e ainda choro de saudade quando entro em uma igreja e tem um coral tocando. Sou capaz de perceber que ali não tem um “sete cordas”. Meu querido, meu amor, obrigada pela oportunidade de ser sua filha. Obrigada pelas lições, pelas histórias, pela alegria da sua presença na minha vida. 
Me orgulho em dizer que herdei de você o pé gordo, a mania de comer folhas e o jeitão de ser e resolver as coisas. Gosto quando dizem que pareço com você. E até hoje me pego explicando para alguém que eu sou a filha do Déco, mesmo que a pessoa nem saiba quem é você. 
Hoje você comemora mais um ano de vida. Palmas para você meu grande exemplo. Palmas por tudo que você construiu e conquistou em sua vida. Palmas pelo seu caráter, pela sua humildade e pela sua grandeza. Que benção ter você conosco! Que benção te ver assim tão lindo, com esses seus cabelos brancos que só te deixaram melhor! Para você luz, paz, saúde e muitas alegrias compartilhadas na cozinha do melhor lugar do mundo, a sua casa. Te amo infinitamente. 

Leila Rodrigues

Foto  de Vinícius Costa - quando ele (meu pai) fez 50 anos de casado e eu ainda não tinha cabelos brancos.

Olá pessoal,

este texto foi escrito para o meu Francisco Rodrigues Filho (Sr. Déco), em junho deste ano, quando ele completou 79 anos. Tudo que está no texto foi realmente vivido por nós. Por nós (eu e ele) e pelos meus irmãos queridos (Marcos, Eduardo (Dinho) e Marcelo) e claro, pela nossa mãe que viveu tudo conosco (D. Neusa). 
Hoje estive com eles e posso dizer que voltei alimentada do amor deles. Sim, deste amor que nos nutre, que nos fortalece, que nos faz grande e forte. Que venha a vida!

Para todos os papais que visitam o Palavras, o meu carinho e o meu abraço. Que vocês consigam se aperceber da grandeza e da importância de vocês na vida de seus filhos!

Grande abraço e uma ótima semana para todos!

Leila Rodrigues





quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Avatar



Há alguns dias a escritora e amiga Ana Cecília Romeu, de Porto Alegre, escreveu uma crônica belíssima chamada Homen-selfie. A crônica falava deste ser completamente modificado pelo desejo de aparecer e de ser alguém que ele nunca foi de verdade.  Gostei tanto que resolvi continuar o assunto aqui. Vamos lá!
Vivemos a era do "que parece ser". Já não se pode confiar em quem está do outro lado, seja este lado outro país ou a casa de frente.  Não sabemos quem é a pessoa do outro lado da linha, do outro lado da tela e nem do outro lado da rua. A foto adaptada ao gosto do dono representa muito mais o que a pessoa gostaria que fosse do que o que ela é de fato.  Aceita-se tudo!
Se até as armas foram criadas para o bem, não vou agora condenar a evolução em função deste rumo destorcido. O uso equivocado e inconsequente das coisas é que faz com que tudo mude de sentido. E estamos vivendo neste momento o uso deliberado da tecnologia. Tudo se transforma com um click mágico. Cada um tem seu avatar na selva da grande nuvem. Perdido entre este ser criado para "dar certo" e o ser que veio ao mundo com todos os seus atributos ele passa um bom tempo de sua vida brigando e escolhendo a hora de um e de outro agir. Isso cansa, envelhece, adoece e enfarta. 
Será que a evolução tecnológica está realizando nossos sonhos de acabar com tudo que nos incomoda? Ainda que virtual e temporariamente, não há como negar que os poucos momentos de perfeição nos dão a ilusória sensação de sermos aquilo que sonhamos um dia. Será que o Apolo que viveu escondido em nós encontrou condições de ser? Que seja tudo uma grande ilusão, o que estamos vivenciando é uma legião de pessoas que não estão preocupadas com a hora fatal de tirar as máscaras, de mostrar a realidade. Afinal, o que está do lado de lá também deve estar mascarado, então não há do que se envergonhar e, por conseguinte, não há porque não se permitir o doce prazer da transformação. 
Só não sabemos quem está enganando quem nesta selva! Second life perdeu o lugar diante da variedade de modelos e possibilidades que cada um pode ter. São falsos poetas, falsos corpos, falsos profissionais, falsos escritores. Tudo copiado/colado para a ilusão coletiva dos adeptos. Tudo meticulosamente montado! Homen-selfie, avatar, second life são horas ou minutos de beleza, juventude, perfeição e virilidade… E muitos anos de terapia até se encontrarem outra vez.

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis em 02/08/2016
Imagem da Internet


Olá pessoal,

tenho uma preocupação grande em não sobrecarregar o leitor do Palavras. Ultimamente tenho visto uma busca desenfreada para atrair o leitor,  através de email, redes sociais, watsap… enfim, parece uma corrida maluca para chegar na frente do leitor e gritar para que ele te veja, te curta, te compartilhe. Informação demais!!!
A minha proposta com o Palavras é que você tenha um minuto de leitura um pouco mais tranquila. E que isso chegue no tempo certo e você possa passar sempre por aqui no seu tempo, do seu jeito.
Na contramão dos outros blogs, vamos aumentar as publicações para que vocês conheçam minhas outras participações, entretanto, que você não se sinta sufocado nem pressionado a nada. Se você gostar, naturalmente vai querer difundir, comentar com alguém ou compartilhar com os seus amigos. O Palavras quer continuar sendo uma parada bem tranquila no seu dia intenso…

Obrigada pelo carinho de sempre.
Paz e bem para todos nós!

Abraços

Leila Rodrigues

terça-feira, 26 de julho de 2016

Ressaca Moral


A cabeça doía. O estômago queimava e o fígado dava seus sinais de que não estava bem. Mas tudo isso passaria com um chá de boldo, gelatina e limonada. O pior estaria por vir. A ressaca física castiga nossos órgãos mas a ressaca moral, essa não tem remédio! 
Eu tinha que me levantar, o sol já estava alto e a vontade de tomar um bom banho me impulsionou a agir. Agradeci por ser domingo. Já imaginou ter que trabalhar neste estado? 
De todas as lições que podemos tirar deste dia provavelmente a mais importante é a de que todos nós, em algum momento, seremos frágeis, fracos, vulneráveis. Todos nós, um dia, vamos precisar de alguém que cuide de nós. Até o mais poderoso dos mortais vai precisar ser cuidado. É aquele momento em que descemos da cadeira do poder e ocupamos a última cadeira da fila, a dos necessitados. 
O que doe é saber que não conseguimos ser forte o bastante. Doe saber que não conseguimos lucidez suficiente para dizer basta. Isso prova que eu também ainda tenho muito que aprender. Isso prova que eu sou uma cidadã comum e não alguém imaculado acima do bem e do mal. Eu de certa forma estou feliz, nada mais reconfortante que aceitar e reconhecer que não somos perfeitos. O peso da perfeição impede nossos passos e caminhar sem bagagens é bem mais prazeroso. 
Além do mais, a vida é um experimentar de papéis opostos. Um dia somos mocinhos, no outro bandidos. Um dia somos fortes, no outro fracos. Um dia ensinamos uma lição, no outro somos aprendizes delas. Um dia estamos com a razão, no outro dia a encontramos do lado de lá...
Resta-me aceitar que ontem foi um dia de fraqueza da minha parte e que amanhã eu terei outras oportunidades de mostrar a minha força. Não importa a origem da sua ressaca, pode ser que você tenha exagerado no álcool, na comida da festa, na língua afiada ou na maldade camuflada contra alguém. Tudo isso são falhas que geram em nós uma ressaca moral. A famosa vergonha do dia seguinte. Aquela que temos  dificuldade de contar até para nós mesmos.  A vergonha de ter feito, de ter dito, de ter desejado, de ter trazido à tona aquele lado escuso que até então ninguém conhecia. 
Para mim, resta agora  limpar tudo que eu sujei  e começar a minha semana. Eu, eu mesma e a juíza que vive em mim! Ela sim sabe puxar a minha orelha sempre que eu preciso e me fazer voltar para a linha quando eu saio dos trilhos.


Leila Rodrigues


Publicado no Jornal Agora Divinópolis
Imagem da Internet


Olá pessoal,

independente da escolha de ingerir álcool ou não, todos nós temos nosso dias de ressaca. É aquele dia que fizemos algo  que temos certeza de que não deveríamos ter feito. Todos nós já experimentamos essa “ressaca”. Eu, você e qualquer outro mortal.
Que esses dias nos sirvam para alguma coisa!
Nem que seja para fazer uma boa desintoxicação do fígado.

Grande abraço e mais uma vez muito obrigada pela visita aqui no Palavras.

Leila Rodrigues






sábado, 9 de julho de 2016

Com amigos


Há alguns dias fui a um restaurante com uma turma de amigos. Éramos 10 pessoas. No restaurante éramos a única mesa grande, as demais tinham, no máximo 4 pessoas e todos casais.
Fiquei sentada de frente para as outras mesas e pude ver o quanto a minha turma incomodou os demais. Tudo era motivo de riso, uma pessoa de uma ponta conversava com o outro da outra ponta, as piadas eram ouvidas pelo restaurante inteiro, enfim, nós avacalhamos a noite de alguns. Sinto muito. É que, com amigos a coisa muda de figura. 
Com amigos é fácil rir, é fácil falar alto, é fácil experimentar aquele prato esquisito e por que não provar aquela bebida que você jurou que nunca provaria? Risco compartilhado fica mais leve de se correr. Esse é o poder dos amigos!
E algumas coisas são realmente impossíveis de se fazer se não houver uma turma de amigos com você. Só com amigos você se dispõe a soltar o corpo e cair na dança. Só com amigos você põe aquele chapéu de mexicano na cabeça, só com amigos você se aventura no Karaokê. Já viu alguém chegar sozinho no Karaokê e cantar? Dificílimo!!! Mas os amigos existem para isso, para te dar a coragem que até então você não teve! 
Com amigos você não perde tempo, você usufrui do tempo. Com amigos você não gasta dinheiro, você investe em diversão. Com amigos você fica até o sol raiar, faça sol, faça chuva ou faça um frio de matar. São eles e por eles que nos aventuramos!
Com amigos você esquece que é velho ou que é novo e fica tudo bem. Com amigos a dieta vai embora, a dor nas costas vai embora e a pre-ocupação também. Sabe por que? Porque amigos ocupam nossos espaços temerosos. Amigos acalentam sem dizer, acalmam simplesmente pelo fato de nos fazerem companhia. Eles trazem de volta a infância perdida no meio de tantas responsabilidades. 
E a natureza das amizades é tão perfeita que em todo grupo de amigos tem sempre um que toma conta do resto, um que leva todos os remédios possíveis na bolsa, outro que é o motorista da rodada, outro que fica de olho na conta e faz a contabilidade do time e ainda aquele que é mais engraçado  que os outros e garante a diversão dos demais. Isso tudo naturalmente escolhido. 
Abençoados sejam eles, os amigos nossos de cada dia, que ninguém explica direito como se formaram e nem como se completam tanto, mas que todos nós sabemos que são o lado doce de nossas vidas salgadas.

Leila Rodrigues


Imagem da internet
Publicado no Jornal Agora e no JC Arcos


Olá pessoal, 

já estive do lado de lá da mesa. Já fui a lugares sozinha onde havia uma turma de amigos se divertindo. Não me lembro de ter ficado incomodada, mas sei que à vezes incomoda sim. E peço desculpas pelas vezes que incomodei. 
Hoje quis relatar a importância das amizades em nossas vidas. Eu que era uma workaholic de carteirinha posso dizer que os amigos mudaram a minha vida e me fizeram ser uma pessoa mais leve. Hoje dou sim importância para esses momentos mágicos em que estamos juntos.
Tenho a turma da gastronomia, a turma dos trairas, a turma do duvido, a turma do trabalho, a turma do rock e a turma das mães. Em cada uma delas um afinidade diferente. Mas em todas, o respeito, a admiração, o carinho uns pelos outros e a leveza de viver. Esta sim é a minha bandeira. 
Sejamos leves! Por que os fardos já são pesados por si.

Grande abraço 



Leila Rodrigues

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Troque o verbo


No princípio era o verbo, já dizia a Bíblia. E no meio também! No meio, no fim, antes, durante e depois. Viver é praticar verbos. Dormir, acordar, comer, trabalhar, andar, correr, cuidar, administrar, escolher, calcular, viajar, estudar.. ufa!!! Muitos verbos para um sujeito só. Daí a explicação para nossas doenças, nosso stress, nossa insanidade controlada. 
Estamos todos ocupados demais praticando nossos verbos. Será que o tempo é curto para tantos verbos? Ou quem sabe não estamos praticando o verbo errado? 
Há quem passe o tempo todo praticando o verbo curtir. Mas não tem curtido a própria vida. Há quem pratique exageradamente o verbo trabalhar e em contrapartida não pratica alguns outros verbos como divertir, passear. Geralmente a turma do verbo exercitar, pratica outros verbos congruentes como correr, nadar, pedalar, malhar e contar (neste caso calorias, kms e medidas). 
E existe a turma dos novos verbos, logar, dropar, bootar, debugar, que é quase um outro idioma. Tem nome que já virou verbo - Caetanear.
Tem gente que há anos pratica o mesmo verbo. Já virou gerúndio! Está sempre terminando, separando, esperando, confirmando, querendo, aguardando… mas fazendo mesmo que é bom, nada!
Eu pratico muito pouco o verbo esperar. Sou daquelas ansiosas que não aguentam. Então troquei os verbos esperar que sempre precede o verbo desesperar pelos verbos respirar, caminhar, tomar (um café), ocupar (me). Não é que deu certo?  Estou melhorando! 
Cada um sabe as trocas que tem de fazer para a vida fluir melhor. A receita não vem de mim, nem de um livro de auto ajuda qualquer. O importante é sair do lugar comum e se arriscar. Fazer o que nunca se fez. Se você religiosamente pratica o mesmo verbinho, experimente praticar um verbo diferente. Troque o verbo preocupar pelo verbo ocupar. Troque o verbo consumir pelo verbo usufruir. E nunca pratique o verbo arriscar sem antes praticar o verbo pensar.
Para os ciumentos, troque o verbo vigiar pelo verbo amar. É tão cansativo ter que vigiar o outro! E tão revigorante simplesmente amar.
Para os apressados, troque o verbo correr, pelo verbo espairecer. É um verbinho antigo, parece coisa de roceiro, mas que tem um significado restaurador.
Para os preguiçosos de plantão, troque o verbo assistir pelo verbo fazer. Faça alguma coisa meu filho! Sai dessa cadeira de expectador e vai viver!


Leila Rodrigues

Imagem da Internet
Publicado no Jornal Agora e no JC Arcos


Olá pessoal,


Este texto foi inspirado em um anúncio antigo de um curso de português que dizia, "Pratique um verbo melhor”. O anúncio, claro, se tratava da gramática, da concordância que até hoje ainda precisa de muito trabalho. Gostei da frase. Gosto de imaginar que podemos sim escolher verbos melhores para praticar. Nesses tempos líquidos em que tudo é tão rápido e descartável, sinto falta de verbos mais sólidos, que façam valer a pena. 
No mais, gostaria de aproveitar a oportunidade e agradecer a você pela visita, por disponibilizar o seu tempo aqui no Palavras e principalmente por divulgar. O Palavras começou devagarinho, como bom Mineiro e está crescendo a cada novo texto, a cada leitura sua, a cada vez que você comenta com alguém. Muito obrigada! Isso me anima e me dá vontade de escrever cada vez mais…
É o verbo “fazer" (o que se gosta) mais o verbo “encontrar” (as pessoas certas do lado de lá da telinha). 

Mais uma vez obrigada. Grande abraço!

Leila Rodrigues







quarta-feira, 22 de junho de 2016

Tudo junto e misturado



Dizem que é rodeio, que é festa do peão, do agricultor e do produtor rural. Mas de rural mesmo tem pouco. Senti falta do gado, dos cavalos bem cuidados e dos concursos de animais. Soube que aconteceu porém eu não acompanhei. Vi lindos e variados chapéus que ornavam os rapazes de jeans super-justos e fivelas grandes. E também vi belas montarias. Um espetáculo à parte.
As mulheres esqueceram a roça e usaram de tudo. Plumas, peles e paetês; tudo no mesmo lugar. Justos, curtos, decotados e bordados que nada deixavam a desejar. Look verão, alto-verão, outono e inverno na mesma noite e no mesmo lugar. Tudo junto e misturado. O importante era festejar. 
Alguns foram para ver. Muitos foram para ser vistos e todos foram para se divertir. 
E como os gostos hoje são bem ecléticos era preciso agradar a todos. E agradaram! O trio-elétrico entreteve quem não gostasse do sertanejo. A boite tinha funk, pop e aquelas músicas de poucas palavras que a moçada gosta de dançar. Então, gregos e troianos acharam seu lugar e se divertiram. 
E se o assunto é música podemos dizer que tivemos grandes  produções. Para tristeza das mais velhas, as novinhas são sensacionais. Aquele 1%  é vagabundo e  os outros 99% estão loucos para chegarem lá. A vaca foi para o brejo mesmo! E para deixar todo mundo feliz "ainda ontem choramos de saudade" das antigas e boas canções sertanejas. 
O fato é que o tempo passa e um dia percebemos que "os donos do pedaço" já não somos nós. São eles, nossos filhos, sobrinhos e demais colegas  da mesma idade. As meninas de cabelos longos e os rapazes de barba cerrada. Não importa se nós achamos a música sem conteúdo ou a mania de selfie um disparate. Agora o tempo é deles e são eles que ditam as tendências e as verdades breves. Eles elegem o que é bom ou ruim  e os padrões que regem as escolhas de hoje muito provavelmente não tem nada dos padrões que escolhemos lá atrás. Para nós país, sempre fica a pergunta: “Será que já ensinamos tudo que precisava  ser ensinado?”  Provavelmente não. Mas chega um momento em que  a vida se encarrega de ensinar tudo aquilo que precisamos aprender. Foi assim conosco e será assim com eles. É preciso aceitar que, daqui para frente eles seguirão com suas próprias asas. Resta-nos assistir com a sabedoria de quem já passou por isso e sabe que logo ali na frente, os desafios serão bem maiores que o tamanho da fivela. 

Leila Rodrigues

Imagem da Internet: http://www.divinaexpo.com.br/#!fotos

Publicado no Jornal Agora Divinópolis em 21/07/2016








Olá pessoal,

Tem 20 anos que eu moro em Divinópolis e é a primeira vez que fui à Divina Expô. Obrigada aos amigos que me incentivaram a ir. Foi uma grande festa e eu me diverti de verdade. 
Ficam as lições… como em cada canto desta vida.

Grande abraço e que venha 2017

Leila Rodrigues


sexta-feira, 17 de junho de 2016

Cabeça feminina




Procurou na bolsa, não estava lá. Apalpou os bolsos. Também não estava. Parou, olhou para um lado, para o outro, entrou na primeira loja. Não queria comprar nada, nem sequer prestou atenção no que vendia ali. Pediu licença e colocou a bolsa no balcão. Foi tirando coisa por coisa. Saiu celular, saiu um outro celular, carregador, capinha extra de celular, batom, óculos de sol, limpador de celular e carteira. Sim ela tinha uma carteira! Tirou outra bolsa (menor de carregar as aspirinas, mais um antialérgico (poderia precisar), colírio, remédio para prisão de ventre e um relaxante muscular). Nada de achar! Continuou tirando as coisas da bolsa. Saiu mais uma bolsinha, agora com caneta, lapiseira, borracha e um bloquinho de anotações que nunca foi usado. Detalhe, ela não estuda há anos! O balcão ficou pequeno, pediu uma sacola e colocou tudo que já havia tirado dentro da sacola.
Continuou a saga. As chaves, Chave de casa, chave do escritório, chave da casa da mãe (é que ela está velhinha, posso precisar entrar lá a qualquer momento), chave do carro e chave do cofre do patrão. A esta altura a balconista já estava entrando em pânico, tentando ajudar e ao mesmo tempo se livrar dela que havia tomado todo seu balcão. Quis ser educada, trouxe uma água, ofereceu cadeira. Nada de achar.
Ligou em casa. A empregada demorou 15 minutos para atender.  - Procura na gaveta do meu criado. Atrás do sofá. Entre a poltrona e a minha cama. Na geladeira. Na gaveta das calcinhas. Nada.
Desesperada começou a suar frio. A pressão ameaçou baixar. Aceitou um café. Rezou. Ligou para a melhor amiga. 
- Como é que pode? Um investimento tão alto. Ainda nem acabei de pagar as prestações e já perdi. Já imaginou quando meu marido souber? Vai me matar! Amiga, torce por mim que o meu dia acabou. Vou voltar para casa, tomar um calmante e dormir. Desisti da academia, do médico que eu tinha hoje, de visitar a tia Luzia no hospital... Hoje eu não quero mais nada!
Colocou de volta todos os pertences da bolsa, agradeceu a atendente. 
- Muito obrigada amiga! Você me acolheu em uma hora muito difícil da minha vida. Valeu a torcida.
Ajeitou a roupa no corpo, limpou as lágrimas para sair e levou a mão na cabeça para ajeitar os cabelos. 
- Oh! Achei! Meu “Raiban” amado! Seu safado, estava aqui na minha cabeça este tempo todo! Paguei caro para você vir dos "States" e você faz isso comigo?

Leila Rodrigues

Imagem da internet
Publicado no Jornal Agora Divinópolis


Olá pessoal,

não importa se você é o homem ou mulher. Não importa a idade que você tenha, um dia a sua memória vai te trair. É fato! É parte do processo hormonal. E aí é ferro que fica ligado, luz acessa, porta sem trancar… enfim. Sãos os sinais do tempo. Os letais. Percebo que nós mulheres conseguimos confundir ainda mais as coisas, principalmente por essa nossa mania de querer fazer várias coisas ao mesmo tempo. Um dia embola tudo e não sai nada direito. É o preço que pagamos pelas nossas urgências.
Este texto é para todos nós, homens e mulheres que já experimentamos este momento cruel com nossas memórias. Que a gente consiga foco, que a gente consiga organizar as ideias, mas sobretudo, que consigamos achar graça em nós mesmos. Afinal, rir ainda é um bom remédio.

Grande abraço


Leila Rodrigues

domingo, 12 de junho de 2016

Sinopse



Se eu te contar que moro em Bangladesch talvez tudo acabe por aqui mesmo. Não é verdade, mas seria bem mais fácil. Pagaríamos a conta, ainda sorridentes e ao cruzar a esquina deixaríamos este momento para trás. Eu não teria que pensar se amanhã você iria me ligar ou não. Eu não teria que me preocupar em comprar um vestido preto para te impressionar, porque os homens adoram vestidos pretos e eu não tenho nenhum. Simplesmente ficaríamos aqui por mais algum tempo e sem a pretensão de te agradar, eu te contaria como foi a minha viagem a Cuba, mesmo sem saber se você tem algum interesse em Cuba.
Mas e se eu te contar que aliso os meus cabelos, que tenho mania de dormir com o dedo no ouvido e que gosto de acordar de madrugada para escrever, você vai sorrir e achar tudo isso uma graça, porque tudo no começo tem graça, até a coisa mais sem graça do mundo. 
Embora o seu sorriso me seja tão convidativo a continuar a conversa, ainda não decidi se te conto ou não. Não sei se mudo o rumo dessa história a partir da página um, ou se permito que ela se escreva do jeito que tem que ser. Talvez seja melhor contar de uma vez e assim não precisarei parar o meu tratamento noturno com creme de abacate no rosto. E nas férias, não vou precisar procurar lugares românticos com chalés e lareira. Menos trabalho.
Só vou te ouvir mais um pouco, por que gostei quando você falou que tem o CD novo do Caetano. Você nunca foi a Cuba, mas conhece a história melhor que eu que fiquei dois anos lá! Ai meu Deus! Por favor, pare logo de me dar atenção, senão eu não vou conseguir te contar os meus defeitos e amanhã toda vez que o telefone tocar eu vou querer que seja você! 
Aqui estou eu fazendo a sinopse de um livro antes mesmo dele ser escrito. Repara não, são os tombos da vida que fizeram isso comigo.
Será que vou ter que começar a chorar aqui agora no meio do bar e dizer que sou depressiva, desde os meus 13 anos, porque aí você para de ser lindo, para de ser educado e vai embora de uma vez?  
Pior de tudo é que mesmo que eu pense isso a minha boca está me traindo! Ela não consegue dizer quase nada a não ser sorrir. 
Você nem imagina, mas o meu cartão de crédito está estourado, preciso urgentemente trocar os dois pneus do meu carro e amanhã eu pego o plantão às 07:00 da manhã. Mas não sei por que fiquei feliz em saber que estivemos no mesmo show do Roger Waters, embora um nem soubesse da existência do outro. 
Que coisa mais louca isso! Se eu deveria sair correndo a vontade passou e o tempo também. Olha só, tem mais de três horas que estamos aqui conversando e eu nem vi o tempo passar. Nossa, o bar já está fechando! E eu estou indo embora com a sensação de que eu me esqueci de te contar alguma coisa! 

Leila Rodrigues


 Olá pessoal


Começar de novo não é tarefa fácil. Acompanho alguns amigos e sei o quanto isso exige coragem e um desprendimento gigantesco. É preciso colocar o passado em seu devido lugar e deixar o coração aberto para que o novo aconteça. Para voces, meus amigos guerreiros que eu tanto admiro, o meu carinho e o meu abraço. Vocês são a prova viva de que a felicidade é possível.

E que o amor “acometa" a cada um de vocês.

Grande abraço

Leila Rodrigues