sábado, 25 de fevereiro de 2017

Muito além da paisagem



A viagem havia sido incrível. Um país organizado, com cidades limpas, bem traçadas e bem cuidadas. Um sonho para nós brasileiros. Turma boa, divertida e animada. E eu, como faço sempre, tentava achar uma foto que conseguisse representar esta minha última viagem. Tenho o costume de selecionar uma foto em cada viagem que faço. Esta foto eu imprimo e acrescento ao meu álbum. Pode rir, eu sou das antigas, ainda tenho um álbum de fotos!
Dentre as tantas fotos que a turma fez, todas impecáveis e muito bem tratadas, nenhuma conseguia expressar o que eu buscava. Até que uma, dentro do metrô, da turma inteira voltando de um dia exaustivo de passeio me chamou a atenção. Estávamos todos cansados e desarrumados. Nada bons para uma boa foto convencional.  Mas estávamos felizes, todos sorrindo. Provavelmente de alguma mancada que um deu ou alguma besteira que o outro falou. Esta sim, representou aqueles dias que passamos juntos. Esta foi a minha escolhida. 
O melhor da viagem não está na paisagem de cartão postal. O melhor da viagem é o que você vivência enquanto está lá. As descobertas, as trapalhadas, os sabores estranhos, os lugares inusitados e os apertos na hora da comunicação são os maiores motivos de riso e de altas gargalhadas. O melhor da viagem são os casos que ela produz.
A foto montada, perfeita, onde todos sorriem juntos e olham para o mesmo ângulo é linda, mas nem sempre é real. A realidade da viagem é outra! Queria ter registrado aquela hora em que eu e minha amiga, de pânico, descemos abraçadas e aos gritos a montanha russa. Queria ter registrado a minha amiga falando inglês com um chinês. Queria ter registrado o choro do meu filho quando encontrou o super-herói preferido dele e a minha emoção quando vi  neve caindo pela primeira vez. Infelizmente desses fatos eu não tenho fotos. Mas guardo-os todos comigo como histórias preciosas para contar para os meus netos ou para relembrar quando der saudade. 
A fotografia hoje ficou tão banal que não eterniza mais os momentos. De tudo se faz um filme, uma selfie, um vídeo. De tão fácil, ficou descartável. Hoje ela dura apenas até a próxima viagem, a próxima festa ou o próximo celular. Pena não pararem para observar a grandeza dos momentos que ficaram para trás, seja porque não estavam adequados para um post ou porque a paisagem não estava boa. Perderam o melhor da festa!


Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora e no JC Arcos
Imagem da Internet

Olá pessoal,


Viajar expande nossos horizontes para muito além da paisagem que se descortina. Viajar nos mostra outras opções, outras opiniões e consequentemente nos proporciona reflexão. Faz bem! 
E para quem não pode viajar, seja por qual motivo for, vou trazer aqui uma fala sábia de minha avó, quando na minha infância eu não tinha condições de viajar: “Viaje nos livros, com eles você pode ir onde sua imaginação quiser.”  

Para quem mora em uma cidade que não tem carnaval, como eu moro (Divinópolis), esses dias são ideais para descansar, assistir um bom filme, meditar, caminhar ou quem sabe viajar nos livros… enfim, atividade não falta. 
Independente de como você pretende curtir a folia, eu te desejo que esses dias sejam de boas energias e alegria. 
Grande abraço

Leila Rodrigues




quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O Baile


Segundo o dicionário, baile é uma reunião festiva cujo objetivo é a dança. Baile nos remete à glamour, à nobreza, à beleza e encantamento. Reza a lenda que os bravos guerreiros franceses do século XII, após vencerem suas batalhas, primeiro bailavam, com o objetivo de aquecer seus corações. E só após o baile, desprovidos literalmente de suas armas e armaduras  eles se juntavam às suas mulheres para proliferar suas gerações. Luiz XV convencia seus homens durante seus famosos bailes e foi durante um baile da Cruz Vermelha que Grace Kely livrou Mônaco de um ataque francês.
A geração Y desconhecia esta palavra, substituíram o baile por balada, dança, festa e outros nomes estranhos, embora os propósitos sejam os mesmos e a proliferação continue. Até que chegou a turma do funk e criou o baile funk, o baile de favela e seus derivados. Uma nova forma de bailar.
O baile tradicional não morreu. Ele existe e reina glamouroso nas noites minuciosamente preparadas para o seus. Zélia Brandão que o diga. A nossa rainha sabe fazer um baile e provou com toda competência como fazê-lo. 
Em cada detalhe, em cada canto do salão, na escolha do repertório e até no seu visual deslumbrante de anfitriã, Zélia mostra que entende do assunto. As bandas se completaram com total harmonia,  foi possível perceber a qualidade e o amor pelo trabalho na energia e  alegria das equipes.  A verdadeira essência do carnaval brasileiro sendo cultivada e preservada na prática. E bailamos embalados de boa música, amigos, abraços e sorrisos. 
Os bailarinos, bailantes ou não, dançaram, cantaram e se esbaldaram no salão. Bem vestidos e muito bem cuidados, cada um manifestou do seu jeito o glamour do carnaval de salão. Teve quem veio de lord, teve quem veio de rei. Teve coroa e súdito. Indianas, gregas, viúvas, princesas, sheiks, marinheiros e muita gente bonita e bem produzida para a festa. Vivenciamos juntos um carnaval de verdade. O carnaval genuíno dos salões. O carnaval que se canta e dança. O carnaval que se dança sozinho, dança de dois, dança de roda. 
Voltamos para casa desprovidos de qualquer arma, de qualquer rancor, qualquer mágoa. Prontos para proliferar nossas próprias espécies e ensinar a elas o valor da cultura de um povo e a importância de se preservar estes valores. E com o coração cheio de confete e serpentina, seguimos mais leves para enfrentar nossos dias de luta. 


Leila Rodrigues

Imagem da rede social de Zélia Brandão
Publicado no Jornal Agora em 14/02/2017


Olá pessoal,

O Baile da Zélia Brandão já se tornou uma tradição em Divinópolis. Um marco no nosso contido Carnaval Mineiro. Zélia realmente sabe fazer um bom baile e quem participa percebe a energia dela durante todo o baile. Não poderia deixar e falar de Cecília Brandão, que sempre ao lado de Zélia contribuiu para que tudo saia perfeito. Zélia e Cecília, admiro cada vez mais vocês pela competência, pela elegância e pela qualidade de tudo que fazem, mas principalmente por manterem vivo o Carnaval dos salões, uma tradição que se perdeu. 
Para quem não conhece, fica aqui o convite para uma noite de nostalgia, glamour e alegria.

Grande abraço



Leila Rodrigues

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Amor na versão 4


Para começar nossa conversa, venha disposto a conversar. Aceite meu sorriso tímido, de quem não fez um check list antes de sair, de quem não está 100% à vontade, mas está 200% com vontade.
Perdoe-me se o frescor da juventude não estampa mais a minha pele. Aceite o calor que ainda me queima por dentro, hoje muito mais quente do que quando existia frescor.
Eu não terei tempo de reparar seu relógio, nem seu carro, nem o couro da sua carteira. Não é isto que me encanta em você. Mas ouvirei atentamente cada palavra dita, cada sorriso, cada gesto.
Você não precisa pagar a minha parte da conta; a esta altura, contas já não contam tanto assim.
Fique a vontade! Aqui não é errado gostar de Bob Dilan, usar mocassim ou jaqueta de couro. Eu também ainda insisto no blazer vermelho e vez por outra vou cantarolar um Belchior.
Me ofereça algo mais do que frases prontas, copiadas-coladas de um email qualquer. Me ofereça o que for seu de verdade! Eu aceitarei de bom grado e farei disso o meu melhor jantar.
Traga somente você no nosso encontro. Deixe lá fora seus méritos, suas medalhas, seus títulos, sua beca. Venha sem armas, sem truques, sem compromisso. Traga apenas a sua história,  sua trajetória. E isso será o bastante para nos darmos muito bem. Venha você, porque quem te espera aqui sou só eu.
Eu prometo não comparar você comigo, nem com mais ninguém. Prometo ser eu mesma durante todo o tempo em que estivermos juntos.
Sinais do tempo estampam nosso rosto e revelam nossas lutas, mas nossos olhos, turvos pelo tempo e brilhantes de esperança, podem descobrir juntos a alegria a de começar tudo outra vez. Uma página em branco de um caderno usado, capaz de receber uma nova história. E nela escreveremos nossos feitos com um código só nosso e sem nenhum preconceito. Sorrisos que revelarão nossos mais íntimos segredos e a cumplicidade que será a chave única de nós dois. Não foi você nem eu que chegou tarde, foi a vida que tardou para nos unir, provavelmente porque esse era o tempo certo dessa história. O amor não é propriedade exclusiva dos jovens, é propriedade de quem o vive, enquanto o vive. E nós ainda temos muito para viver!

Leila Rodrigues

Imagem da Internet
Publicado no Jornal Agora e no JC Arcos

Olá pessoal,

Este é um texto que muitos me pedem para repostar. Então, como, aqui no Palavras o leitor manda, eis o texto novamente.
Muito obrigada a todos que tem me mandado e-mails com as solicitações e sugestões de texto.  Nos últimos três meses, vocês triplicaram o número de visitas aqui no Palavras. A medida do possível vou repostar e atender a todos. 
Para quem quiser encaminhar alguma solicitação de reposte ou tema o email é leila.palavras@gmail.com

Amor na versão 4 é um texto que fiz para os meus amigos que já passaram dos 40 e buscam um parceiro ou parceira. Seja para começar ou para recomeçar a vida o que eu posso dizer é que tem muitas pessoas incríveis, dispostas, honestas, divertidas e alegres a procura de alguém. Se você é um deles, que você encontre este alguém e seja muito feliz. 

Grande abraço


Leila Rodrigues

sábado, 28 de janeiro de 2017

Depois de andar muito


Todos os dias você se levanta e vai seguir seu ritual. Você, eu, todos nós. Você se levanta e vai cumprir a missão que a vida te deu. Não importa se você escolheu ou não, se gosta ou não. Todos os dias temos o que fazer, nem que seja esperar os minutos passarem, que é uma das tarefas mais difíceis que o ser humano pode enfrentar. Pode ser que a sua tarefa seja cuidar da casa, alimentar seus filhos. Ou pode ser cuidar de outros, ensinar, empreender, compor, ser famoso, dirigir um caminhão gigante, dar aula de biologia para uma turma de adolescentes ou atender clientes. Alguns têm noção de que isso é missão, porém muitos cumprem sua missão acreditando que é castigo. Faça chuva ou faça sol, um dia animado outro pensativo; um dia acreditando ser missão, outro acreditando ser carma, todos os dias acordamos para fazer alguma coisa. A vida é isso, cumprir todos os dias uma missão que nem nós sabemos direito qual é. 
Um dia você olha para trás e percebe que já percorreu um longo caminho. É amigo, neste momento você percebe que finalmente atingiu aquele lugar sagrado chamado experiência. A rotina, a disciplina, os erros, os acertos e a insistência fizerem de você uma pessoa experiente. Não tem glamour nenhum nisso; tem vivência, história real para contar. 
É muito mais que uma foto, um post na rede social e alguns likes. É vida vivida! Agora você pode olhar para trás e apreciar seu percurso. Rir do seu começo, brincar com a sua história. Só a experiência permite isso. 
Depois de andar muito você agora pode se permitir respirar tranquilo, pode ouvir a si mesmo e, se quiser, também pode se juntar aos mestres e ajudar àqueles que sonham saber o que você sabe. Ainda que nem tudo possa ser aprendido, tudo pode ser ensinado. E você pode diminuir os espinhos dos que estão iniciando a jornada. 
É fato que sempre haverá algo a aprender mas é muito bom saber que tudo foi e será um grande aprendizado. Pode ser que ninguém tenha te aplaudido ou que muito poucos tenham te reconhecido.  Vivemos tantos anos sem que ninguém "curtisse" os nossos feitos que isso agora não é o mais importante. A esta altura aceitamos felizes o que for de verdade. Contudo, para a nossa serenidade e felicidade o melhor mesmo é reconhecermos nossos valores e seguirmos em frente. Não há nada mais libertador que um caminho percorrido.

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem: Foto do fotógrafo Sebastião Salgado - internet



Olá pessoal,

Aprendi muito cedo a respeitar os mais velhos. Minhas avós, pessoas muito presentes e respeitadas em minha família, foram a minha maior escola. Portanto admiro e reverencio a experiência. 
Experiência não é fama. É vida! 
Tenho visto as pessoas confundindo as duas coisas… Que pena!

Grande abraço, sempre vivendo e aprendendo


Leila Rodrigues

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Para viajar na viagem






Pra viajar na viagem

Paga a conta da padaria. Avisa que não é para entregar o pão. Deixa a cachorra no hotelzinho. Não esquece de levar a ração! E as plantas? Quem vai cuidar? Lembrou de pegar os vouchers? E o chip do celular? Tem que deixar dois cheques assinados para pagar isso e aquilo. Mãe, minha mochila estragou. Dona Leila o quê a Sra vai querer almoçar quando voltar? 
Pára tudo que eu enlouqueci! Nem quero mais viajar! 
É assim a vida de quem não tem férias. É assim a vida de quem tira uns dias para  ir ali. Uma verdadeira loucura!  Até a entrada no avião eu sei que ainda estarei falando no celular. Se não for no trabalho será com a minha mãe, ou com quem for cuidar do meu cachorro. Tudo se junta nas vésperas da viagem! A mala, a imensidão de coisas que precisam caber na mala, uma lista de coisas para levar, outra lista de coisas para fazer antes de sair e ainda tem uma terceira lista de coisas para fazer lá. Isso sem contar as encomendas e as fotos de produtos "bacanas e com nomes estranhos" que estão no celular. Não precisa me dizer, eu sei; isso é coisa de quem viaja pouco! Não aprendeu a ser prática, não aprendeu carregar pouca bagagem. Fazer o quê? Essa sou eu, tenho que assinar onde? 
Não sou de invejar ninguém. Mas vou confessar, tenho inveja das mulheres que podem viajar nos preparativos da viajem. Aquelas que ficam dias fazendo as malas, que tem organizador para tudo, que têm aquelas necessaries gigantes que cabem frascos enormes. Elas sempre saem para viajar tranquilas, perfumadas, produzidas, com cara de Coco Chanel, prontas para o passeio dos sonhos. Parece coisa de filme, surreal! Lenços, chapéu ao vento, óculos combinando com a bolsa, com  a sola do sapato. Não são mulheres normais. Elas me parecem mais uma propaganda ambulante de Resort. Meu sonho é me esconder na mala delas só para saber se elas esqueceram alguma coisa. Seria a glória! Será que eu estou no planeta errado? Ou será que são elas? Fiquei em dúvida.
De uma coisa eu tenho certeza, depois que aquele avião tirar as rodas do chão, ninguém vai se divertir mais do que eu. Posso ter esquecido o creme do cabelo, posso ter que empurrar meu marido na cadeira de rodas (como já aconteceu), posso ficar sem dinheiro e comer pão com mortadela na padaria da esquina, mas euzinha aqui, viajando de férias com pessoas que eu amo, eu esbanjo disposição  e alegria. Posso não ser boa nos preparativos e nem chegar no embarque com cara de quem mora na França, mas como companheira de viagem, não tem produção que me vença. Eu sou ótima! Vamos? 


Leila Rodrigues

Imagem da internet
Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos

Olá pessoal,

quem me conhece sabe que esta sou eu mesma. Imagine um HD antigo com múltiplos processamentos? Sou eu na véspera da viagem. Às vezes consigo bem, outras nem tanto, mas geralmente me atrapalho. A minha única vantagem é que eu ainda consigo rir de mim. Será preciso viajar muito ainda para eu tomar jeito! Que bom! 
À bientôt!

Grande abraço

Leila Rodrigues



quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Incomodada eu?





O gato da vizinha incomoda a outra vizinha. O meu cachorro incomoda a vizinha de baixo. As músicas que um gosta, o outro detesta. As festas que o vizinho dá não deixam o outro dormir. O piano que o fulano toca, agrada um e perturba o outro. É assim a lei da convivência. Um eterno agradar e desagradar. 
Já vi gente se mudando de apartamento porque não suportava mais as festas do vizinho que varavam a noite. Cansou de conversar, de explicar que acordava cedo. Não encontrou no outro nenhuma abertura para o bom-senso. Foi-se. 
Segundo o site www.quemdisse.com.br, a clássica frase “Os incomodados que se retirem” é um provérbio português. Que me desculpem os irmãos lusitanos mas acho-a um abuso. É pensando assim, que os incomodados devem se retirar, que chegamos onde chegamos. Todos nós queremos obedecer as regras, desde que elas estejam de acordo com os nossos interesses. Concordamos com tudo, ou melhor, com quase tudo; no quase reside a nossa perversão. É no quase que habitam nossos desejos que chamamos de bobos; o gato, a música, o som alto, a fila que furamos, o lixo na rua, a internet do vizinho. São tão bobos e pequenos que ninguém vai perceber. E um dia nos damos conta que esse "ninguém vai perceber” se tornou cultura popular. E consequentemente, amparados neste mesmo quase, agem os políticos, os laranjas, os funcionários “encostados" sem doença alguma, os herdeiros de benefícios eternos, os chefes de estado. 
Estamos todos incomodados e incomodando alguém. Sendo assim, fica o dito pelo não dito e está tudo bem. E assim crescem nossos filhos, assistindo a este cenário ridículo que mostramos com nossos próprios exemplos todos os dias. Incomodar o vizinho, incomodar o fluxo do trânsito, incomodar a receita do país e consequentemente seu desenvolvimento… e depois dormir tranquilo confiando no provérbio português. 
Tenho visto os incomodados reagindo. O que é muito bom. Só espero que se incomodem também com os incômodos que causam. O que precisamos mesmo é trocar o provérbio e  estampar nas redes sociais, nos outdoors e principalmente na conduta de cada um de nós é que “o certo é certo ainda que ninguém esteja fazendo e o errado é errado ainda que todos estejam praticando”. Quem sabe assim, não criamos um amanhã mais digno para os nossos filhos? 


Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem da Internet


Olá pessoal,

ninguém vive sozinho. Dependemos do ecossistema e somos parte dele. Enquanto ainda estivermos agindo na defensiva dos nossos pequenos delitos, grandes delitos acontecem bem diante dos nossos olhos e não podemos fazer nada! Pensemos nisso!!!!

Na imagem, Donald, o meu incomodado favorito!

Grande abraço


Leila Rodrigues

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Entre esquinas



Um dia turbulento é como um furacão invisível. Não há fumaça, não há fogo, mas há destroços. Naquele fim de tarde eu estava destroçado pelo meu dia cruel. Eu precisava de um colo ou de qualquer coisa que pudesse aquecer a frieza da minha alma. Àquela altura, um trago ou um gole de café bem quente era o que eu tinha, embora não resolvesse o meu problema. Sentia a minha nuca pressionar o meu cérebro e sabia exatamente que era a minha pressão subindo a cada minuto. Um homem na minha idade jamais vai assumir que tem medo, mas eu sabia nitidamente o peso das decisões que me aguardavam e os riscos que eu corria.
A rua vai me fazer bem, pensei. Liguei o som bem alto para não ouvir meus pensamentos e comecei a virar esquinas desordenadamente. Eu que sempre tive um destino certo para tudo e para todos, naquele momento não tinha destino algum. Só uma vontade de continuar andando. Esquinas sempre me intrigaram. E o que há depois de cada esquina depende de cada olhar.
Alguns bares começavam seus expedientes enquanto outras tantas pessoas se aglomeravam no ponto de ônibus a espera da “condução”. Eu procurava um rosto conhecido, uma porta aberta ou qualquer coisa que pudesse parar a minha cabeça a mil.
Parei no sinal e vi a moça fazendo malabarismo com alguns tacos. Depois ela cuspiu fogo e saiu correndo entre os carros tentando arrecadar algum dinheiro. No canto da esquina estavam seus pertences. Sua vida provavelmente. Lembrei-me da minha casa de quatro quartos, do apartamento na praia, dos meus dois carros na garagem, da quantidade de ternos no meu armário... Sorri para a moça e torci para que ela me sorrisse de volta. Queria muito conhecer o sorriso de alguém que vive com tão pouco. Não foi difícil. Ela sorriu e me pediu um cigarro. Respondi que não fumo e ela disse "também não, mas levo para o meu marido".
Acelerei o carro e continuei virando esquinas. Parei no primeiro bar e pedi algo líquido. Enquanto eu engolia o líquido âmbar que me queimava a garganta, a minha cabeça disparava um filme onde o protagonista era eu. Parado, imóvel esperando chegar a coragem para prosseguir eu lembrei-me de todas as mulheres que eu tive. Uma por uma. Todas lindas, impecáveis! E acredite, eu amei cada uma delas. Lembrei-me da moça cuspindo fogo e em seguida sorrindo para mim. E eu aqui com medo de correr riscos. Desejei não ter casa, desejei não ter nada. Desejei ter apenas as esquinas e alguém me esperando com alguns cigarros amassados na mão.

Leila Rodrigues

Olá pessoal,

atendendo ao pedido de alguns amigos, estou repostando esta crônica. 
As esquinas se apresentam em nossas vidas de diversas formas, seja para simplesmente quebrá-las, seja para virarmos nossas páginas ou para descobrirmos novas janelas.
Que consigamos enxergá-las!

Grande abraço


Leila Rodrigues

sábado, 7 de janeiro de 2017

Bora viver



Há quem aproveite a virada para rever a vida, fazer promessas e refazer expectativas. Há quem aproveite a virada para comer e beber, assim como há quem vai dormir como se fosse um dia qualquer. Não importa se você pulou ondas, se assistiu a uma grande queima de fogos, se estava na cobertura de um lindo apartamento em frente ao mar, ou dentro de um templo fazendo suas orações. O ano mudou e agora, quer queira, quer não, temos de enfrentá-lo. Gosto disso! Ninguém pediu e o ciclo se renovou assim mesmo. O ano é novo para todos nós!
E aí? Vai fazer o que? Vai sair fazendo tudo diferente do que sempre fez até ontem? Vai cumprir todas as suas promessas ou reatar aquele amor que você deixou passar? Vai se tornar uma pessoa mais paciente, vai fazer atividade física e comer menos? Há tanto a se fazer que poderíamos ficar aqui discutindo as possibilidades até amanhã. 
Então dizemos aquela frase clássica:  "Ah mais isso não é tão simples assim!!” Se fosse fácil, bastaria lermos as mensagens que recebemos no Natal e final do ano. Todas elas têm motivo de sobre para tomarmos uma atitude. Porém sabemos que é preciso mais que uma virada de ano para nossos desejos virarem prática. É preciso uma virada interior para que criemos a coragem necessária para as nossas atitudes. E muitas vezes é preciso que a vida nos chacoalhe forte para a coragem chegar. Mas até quando vamos esperar esse chacoalhão da vida? Um acidente, uma doença, a perda de alguém querido? É isso que estamos esperando para agirmos? 
Muitas vezes pensamos, pensamos e não conseguimos sair do pensamento. Agimos na impulsividade ou na passividade, dois extremos que só prejudicam o andamento de nossas vidas. O impulsivo volta rápido porque não planejou, não analisou os riscos, não pensou nas consequências e o passivo não sai do lugar porque pensou demais nessas mesmas consequências. 
O equilíbrio não é privilégio dos deuses. Viver é um eterno equilibrar-se entre as nossas vontades e nossas atitudes. É preciso agir, sim. Começar de alguma forma. Respeitando o nosso ritmo, nosso jeito e por  onde for mais fácil começar. Os motivos estão aí ao nosso dispor e cada um de nós, melhor que ninguém, sabe a diferença que as atitudes podem fazer em nossa vida. É uma questão de escolha. Estamos esperando o quê? Bora viver! Eu garanto a você que é melhor que ser um espectador!


Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem da Internet


Olá pessoal,

muita gente ainda curtindo as festas de início de ano, aproveitando as férias. Em contrapartida já tem gente a todo vapor com seus projetos. É o tempo de cada um! É preciso que aprendamos a respeitar os tempos de cada um. Os tempos, as opiniões, as escolhas. Respeitar as diferenças, respeitar as crenças. Aceitar o próximo é a essência da maturidade, da evolução humana.
Ah como a gente ainda tem muito que aprender!!! Bora viver que a melhor escola é a própria vida. Ela com suas lições às vezes tão distorcidas…

Grande abraço

... e que consigamos encontrar o dia de renovar nossos ciclos!

Leila Rodrigues












segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

JC Arcos entrevista Leila Rodrigues


Jornal JC Arcos entrevista Leila Rodrigues


Quem é Leila Rodrigues?
Eu sou uma filha adotiva de Arcos, cresci nesta cidade e fui imensamente feliz com os amigos e as conquistas que tive aqui. São histórias e valores e carrego até hoje comigo. Sou uma empresária do setor de tecnologia e agora também do setor de educação empresarial. Casada, mãe de dois filhos, filha do Sr. Déco e da Dona Neusa. Me considero uma pessoa que descobriu o prazer de escrever através de crônicas do cotidiano. 

Como você se tornou escritora?
Sempre gostei de escrever. Na escola, redações eram um prazer para mim. Em 2011 eu passei por um sequestro relâmpago e isso me abalou muito. Por falta de habilidade manual fui para a escrita. Os primeiros textos eram tristes, depois foram melhorando porque a tristeza nunca foi a minha essência. Logo depois veio o blog, o convite para o primeiro jornal - Jornal Agora Divinópolis, em seguida a revista Xeque Mate, o JC Arcos e por último a revista Inteligência Empresarial. 

Como você concilia a carreira profissional e a de escritora?
Não é fácil! Risos... Se fosse só a carreira profissional e escritora estava tudo resolvido. O problema é que, além das duas, sou mãe, sou filha, sou esposa, sou irmã.... Eu e quase todas as mulheres da minha geração. Eu procuro ser uma pessoa leve e bem humorada. Também conto com uma equipe muito boa ao meu lado profissionalmente o que faz toda diferença.

De onde vem sua inspiração? Como acontece seu processo de criação?
Minha inspiração pode vir de qualquer lugar, gosto muito de ler, conversar e ouvir as histórias das pessoas, elas sempre me inspiram. Sobre meu processo criativo geralmente é de manhã, bem cedinho, enquanto todos ainda estão dormindo. 

Quem são seus escritores preferidos ou que te inspiram?
Gosto muito de crônicas, Mia Couto é uma grande referência para mim. No Brasil também temos excelentes cronistas. Leio muito Rubem Alves, Marta Medeiros e Ruth Manus. Além claro, dos nossos poetas Ariano Suassuna e Adélia Prado, embora a poesia não seja meu forte. 

Qual texto teve maior reconhecimento?
Quando escrevi sobre o Tom Bege o reconhecimento foi muito grande, me surpreendeu. Acho que todos que viveram aquela época se encontraram nele. Com a internet os textos do blog tem sido muito bem recebidos e isto é muito bom. Porém é sempre uma surpresa, as pessoas descobrem um texto e aí espalham para seus grupos e quando você vê, já tem um texto diferente no topo da lista. 

Como é a sua relação com a cidade de Arcos hoje?
Embora eu não tenha nascido em Arcos eu me considero uma filha de Arcos e como meus pais e meus irmãos moram aqui eu sempre venho. Acompanho tudo que é da cidade, gosto de saber do desenvolvimento, torço pela cidade e quando encontro um arcoense em algum lugar do mundo é sempre uma alegria. 

Seus leitores podem sonhar com um livro?
Até então eu achava um pouco cedo para isso, mas confesso que já começo a imaginá-lo. Assunto não falta. 



Notas:
Jornal Agora Divinópolis - http://agora.com.vc
Jornal JC Arcos - 

Mia Couto - Escritor e Moçambique - http://www.miacouto.org


Publicado no JC Arcos em 24/12/2017
Foto do acervo de Leila Rodrigues

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Andemos pois



Eu juro que tentei mas não consegui dar conta de tudo neste Natal. Foram tantas mensagens, tantos vídeos e textos que eu quase tive uma overdose “natalística". Confesso, não consegui ler com a merecida calma todos os textos assim como não consegui desejar aquele Feliz Natal que eu gostaria a todos os meus amigos. Chego à conclusão de que eu não sei viver tecnologicamente ainda. Essa coisa de ter que estar em tudo, lembrar de tudo, curtir e compartilhar tudo dá muito trabalho. Não sei curtir sem ler de verdade, não sei ser rasa a tal ponto. Sei que a intenção de todos foi ótima e que todas as mensagens tinham uma lição interessante. Agradeço de coração todas as manifestações mas eu precisava de um limite. Então desejei do fundo do meu coração boas e felizes festas a todos que estavam perto e que estavam longe, porém  optei por curtir quem estava do meu lado ou na mesma casa que eu e compartilhar com eles a minha alegria. Optei por mais presenças que presentes, por vozes, risos e abraços. 
Vem aí o segundo round desta festa. Hora de fechar um ciclo e automaticamente iniciar outro. Difícil não é?! Principalmente porque estamos falando de pessoas que não dispõe da tecla limpar/recomeçar implantada na cabeça. O nosso botão liga/desliga quebrou no momento que conectou com nossas emoções. Dispomos sim dos antepassados que formam nossas raízes. Dispomos de memórias, histórias e sentimentos que formam quem somos hoje. 
Daqui a pouco muda o calendário e nós, naturalmente renovamos nossos propósitos, traçamos nossas metas e refazemos nossas listas de intenções. Isso não significa que zeramos nossas contas nem que apagamos nossa história até aqui.  Também não estamos falando de uma versão nova de nós mesmos a partir do dia primeiro como se fossemos um celular que chegou com melhorias programadas para vencer a concorrência. Não somos tão desumanos assim. Vivenciar o novo ciclo é apenas o nosso jeito humano de aproveitar a matemática do calendário  para dar a nós mesmos um sentido de recomeço. Recomeçar é preciso. Andemos pois. Afinal, enquanto estivermos por aqui é porque ainda há estrada a caminhar


Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis
Imagem da internet


Olá pessoal

Último post do ano. Hora de trocar o calendário, de mudar o número no talão de cheque, nas contas do mês, na lista de prioridades. Olhando assim tudo tão matemático! Tão previsível; não fosse o fato de sermos pessoas e como tal em constante busca da evolução. Cada um a seu modo, com o arsenal que tem busca ser feliz e evoluir. Sendo assim, usufruir da mudança dos números para renovar alguma coisa em nós é sempre uma ajuda a mais. 
Sem promessas absurdas, sem expectativas milagrosas eu desejo que você receba 2017 com todas as boas energias do universo, disposição  saúde. 
Esteja em paz, seja sobretudo uma boa companhia para você mesmo porque a partir daí, amar e respeitar o próximo será mera consequência. 

Muito obrigada pela visita aqui no Palavras, pelos minutos do seu tempo precioso que você investiu aqui. 

Um grande e caloroso abraço e um 2017 pleno 



Leila Rodrigues

sábado, 17 de dezembro de 2016

O melhor presente


E então chegou dezembro. E eu, como todo brasileiro quando recebe o 13o salário, fui às compras com a minha velha e boa lista de presentes. 
Depois de andar muito, entrar e sair de quase todos os estabelecimentos e rodar duas vezes o mesmo quarteirão, sentei-me em um daqueles bancos que certos abençoados colocam na frente das lojas e desabafei. Desisto! Não consigo encontrar o presente certo para tal pessoa. Meu filho, um excelente companheiro de compras que estava comigo, abraçou-me e sem perceber a grandeza da sua fala me disse sorrindo: "Relaxa mãe, o melhor presente é o que você quer dar, não o que a pessoa precisa.”
Sábias palavras meu filho! Estou até agora pensando nisso e revendo meus conceitos a respeito do verbo presentear. Adoro dar presentes e sempre gasto tempo e energia indo atrás de coisas que, no meu pensamento, vão deixar a outra pessoa feliz. E procuro aqui e ali, rodo ruas, procuro na internet, penso que não vai dar tempo de chegar, se vai servir, se a pessoa vai querer trocar... Enfim, um desgaste.
E sempre fica a velha dúvida, será que a pessoa vai gostar? Será que vai ser útil?
Presente bom é presente embrulhado com carinho e afeto. Quer presente melhor do que os presentinhos de avó? Geralmente são pequenas lembranças entregues com uma dose generosa de amor por aquelas mãozinhas mágicas das avós. Pode ser um sabonete, uma nota de 10 ou uma toalhinha com seu nome bordado. Vindo delas é sempre bem-vindo! 
Um cartão feito pelo filho, uma rosa deixada na janela, aquele CD gravado em casa com as músicas escolhidas a dedo, um vaso de manjericão plantado para você, um bolo fumegante de banana com canela. Tem coisa melhor que isso? Presente não vem com o preço mas claramente vem com valores. Não se compara uma jóia com um bolo, mas se compara o cuidado e atenção em fazer algo para o outro que vá provocar um sorriso, um conforto, um momento de alegria. 
Presentes não substituem a ausência, nem reparam danos do passado. Presentes não lavam a roupa suja das convivências distorcidas e não competem a atenção alheia. Presentes são apenas sentimentos empacotados com papel diferente e laços de fita. Seja na hora de dar ou de receber, que consigamos enxergar muito além dos embrulhos e dos pacotes coloridos, a verdadeira essência do presentear. Sejamos nós um pouco mais de presença para aqueles que amamos e qualquer pacote será mera formalidade. 

Leila Rodrigues

Fotos do meu a cervo pessoal: Eu e Vinícius Costa, um dos melhores presentes que eu já ganhei nesta vida e abaixo eu com meu último maravilhoso presente de Natal, olha a minha cara de felicidade!!!!

Olá pessoal,

Não tem jeito, quem gosta de presentear gosta mesmo! E eu sou uma dessas pessoas. Ver o sorriso da outra pessoa ao receber um “agrado” é algo ímpar. Confesso que já fiz loucuras para chegar ao presente que eu queria, também já errei feio e já exagerei na dose e me de mal depois. Faz parte! Tudo experiência e aprendizado. 
Fortalecendo ainda mais a minha crença de que nos comunicamos em outras dimensões, logo depois que eu escrevi este texto, ganhei de presente uma bandeja de vazinhos plantados com as minhas ervas prediletas. Olha a minha cara de felicidade!!!! Presente assim não tem comparação, é tiro certeiro no coração da gente! Gostei demais! Fatima (que me presenteou), todos os beijos para você. Muito obrigada.
Antes do Natal eu ainda volto com outra crônica. Então até lá, boas compras e ótimas escolhas!

Grande abraço

Leila Rodrigues