sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Para viajar na viagem






Pra viajar na viagem

Paga a conta da padaria. Avisa que não é para entregar o pão. Deixa a cachorra no hotelzinho. Não esquece de levar a ração! E as plantas? Quem vai cuidar? Lembrou de pegar os vouchers? E o chip do celular? Tem que deixar dois cheques assinados para pagar isso e aquilo. Mãe, minha mochila estragou. Dona Leila o quê a Sra vai querer almoçar quando voltar? 
Pára tudo que eu enlouqueci! Nem quero mais viajar! 
É assim a vida de quem não tem férias. É assim a vida de quem tira uns dias para  ir ali. Uma verdadeira loucura!  Até a entrada no avião eu sei que ainda estarei falando no celular. Se não for no trabalho será com a minha mãe, ou com quem for cuidar do meu cachorro. Tudo se junta nas vésperas da viagem! A mala, a imensidão de coisas que precisam caber na mala, uma lista de coisas para levar, outra lista de coisas para fazer antes de sair e ainda tem uma terceira lista de coisas para fazer lá. Isso sem contar as encomendas e as fotos de produtos "bacanas e com nomes estranhos" que estão no celular. Não precisa me dizer, eu sei; isso é coisa de quem viaja pouco! Não aprendeu a ser prática, não aprendeu carregar pouca bagagem. Fazer o quê? Essa sou eu, tenho que assinar onde? 
Não sou de invejar ninguém. Mas vou confessar, tenho inveja das mulheres que podem viajar nos preparativos da viajem. Aquelas que ficam dias fazendo as malas, que tem organizador para tudo, que têm aquelas necessaries gigantes que cabem frascos enormes. Elas sempre saem para viajar tranquilas, perfumadas, produzidas, com cara de Coco Chanel, prontas para o passeio dos sonhos. Parece coisa de filme, surreal! Lenços, chapéu ao vento, óculos combinando com a bolsa, com  a sola do sapato. Não são mulheres normais. Elas me parecem mais uma propaganda ambulante de Resort. Meu sonho é me esconder na mala delas só para saber se elas esqueceram alguma coisa. Seria a glória! Será que eu estou no planeta errado? Ou será que são elas? Fiquei em dúvida.
De uma coisa eu tenho certeza, depois que aquele avião tirar as rodas do chão, ninguém vai se divertir mais do que eu. Posso ter esquecido o creme do cabelo, posso ter que empurrar meu marido na cadeira de rodas (como já aconteceu), posso ficar sem dinheiro e comer pão com mortadela na padaria da esquina, mas euzinha aqui, viajando de férias com pessoas que eu amo, eu esbanjo disposição  e alegria. Posso não ser boa nos preparativos e nem chegar no embarque com cara de quem mora na França, mas como companheira de viagem, não tem produção que me vença. Eu sou ótima! Vamos? 


Leila Rodrigues

Imagem da internet
Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos

Olá pessoal,

quem me conhece sabe que esta sou eu mesma. Imagine um HD antigo com múltiplos processamentos? Sou eu na véspera da viagem. Às vezes consigo bem, outras nem tanto, mas geralmente me atrapalho. A minha única vantagem é que eu ainda consigo rir de mim. Será preciso viajar muito ainda para eu tomar jeito! Que bom! 
À bientôt!

Grande abraço

Leila Rodrigues



quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Incomodada eu?





O gato da vizinha incomoda a outra vizinha. O meu cachorro incomoda a vizinha de baixo. As músicas que um gosta, o outro detesta. As festas que o vizinho dá não deixam o outro dormir. O piano que o fulano toca, agrada um e perturba o outro. É assim a lei da convivência. Um eterno agradar e desagradar. 
Já vi gente se mudando de apartamento porque não suportava mais as festas do vizinho que varavam a noite. Cansou de conversar, de explicar que acordava cedo. Não encontrou no outro nenhuma abertura para o bom-senso. Foi-se. 
Segundo o site www.quemdisse.com.br, a clássica frase “Os incomodados que se retirem” é um provérbio português. Que me desculpem os irmãos lusitanos mas acho-a um abuso. É pensando assim, que os incomodados devem se retirar, que chegamos onde chegamos. Todos nós queremos obedecer as regras, desde que elas estejam de acordo com os nossos interesses. Concordamos com tudo, ou melhor, com quase tudo; no quase reside a nossa perversão. É no quase que habitam nossos desejos que chamamos de bobos; o gato, a música, o som alto, a fila que furamos, o lixo na rua, a internet do vizinho. São tão bobos e pequenos que ninguém vai perceber. E um dia nos damos conta que esse "ninguém vai perceber” se tornou cultura popular. E consequentemente, amparados neste mesmo quase, agem os políticos, os laranjas, os funcionários “encostados" sem doença alguma, os herdeiros de benefícios eternos, os chefes de estado. 
Estamos todos incomodados e incomodando alguém. Sendo assim, fica o dito pelo não dito e está tudo bem. E assim crescem nossos filhos, assistindo a este cenário ridículo que mostramos com nossos próprios exemplos todos os dias. Incomodar o vizinho, incomodar o fluxo do trânsito, incomodar a receita do país e consequentemente seu desenvolvimento… e depois dormir tranquilo confiando no provérbio português. 
Tenho visto os incomodados reagindo. O que é muito bom. Só espero que se incomodem também com os incômodos que causam. O que precisamos mesmo é trocar o provérbio e  estampar nas redes sociais, nos outdoors e principalmente na conduta de cada um de nós é que “o certo é certo ainda que ninguém esteja fazendo e o errado é errado ainda que todos estejam praticando”. Quem sabe assim, não criamos um amanhã mais digno para os nossos filhos? 


Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem da Internet


Olá pessoal,

ninguém vive sozinho. Dependemos do ecossistema e somos parte dele. Enquanto ainda estivermos agindo na defensiva dos nossos pequenos delitos, grandes delitos acontecem bem diante dos nossos olhos e não podemos fazer nada! Pensemos nisso!!!!

Na imagem, Donald, o meu incomodado favorito!

Grande abraço


Leila Rodrigues

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Entre esquinas



Um dia turbulento é como um furacão invisível. Não há fumaça, não há fogo, mas há destroços. Naquele fim de tarde eu estava destroçado pelo meu dia cruel. Eu precisava de um colo ou de qualquer coisa que pudesse aquecer a frieza da minha alma. Àquela altura, um trago ou um gole de café bem quente era o que eu tinha, embora não resolvesse o meu problema. Sentia a minha nuca pressionar o meu cérebro e sabia exatamente que era a minha pressão subindo a cada minuto. Um homem na minha idade jamais vai assumir que tem medo, mas eu sabia nitidamente o peso das decisões que me aguardavam e os riscos que eu corria.
A rua vai me fazer bem, pensei. Liguei o som bem alto para não ouvir meus pensamentos e comecei a virar esquinas desordenadamente. Eu que sempre tive um destino certo para tudo e para todos, naquele momento não tinha destino algum. Só uma vontade de continuar andando. Esquinas sempre me intrigaram. E o que há depois de cada esquina depende de cada olhar.
Alguns bares começavam seus expedientes enquanto outras tantas pessoas se aglomeravam no ponto de ônibus a espera da “condução”. Eu procurava um rosto conhecido, uma porta aberta ou qualquer coisa que pudesse parar a minha cabeça a mil.
Parei no sinal e vi a moça fazendo malabarismo com alguns tacos. Depois ela cuspiu fogo e saiu correndo entre os carros tentando arrecadar algum dinheiro. No canto da esquina estavam seus pertences. Sua vida provavelmente. Lembrei-me da minha casa de quatro quartos, do apartamento na praia, dos meus dois carros na garagem, da quantidade de ternos no meu armário... Sorri para a moça e torci para que ela me sorrisse de volta. Queria muito conhecer o sorriso de alguém que vive com tão pouco. Não foi difícil. Ela sorriu e me pediu um cigarro. Respondi que não fumo e ela disse "também não, mas levo para o meu marido".
Acelerei o carro e continuei virando esquinas. Parei no primeiro bar e pedi algo líquido. Enquanto eu engolia o líquido âmbar que me queimava a garganta, a minha cabeça disparava um filme onde o protagonista era eu. Parado, imóvel esperando chegar a coragem para prosseguir eu lembrei-me de todas as mulheres que eu tive. Uma por uma. Todas lindas, impecáveis! E acredite, eu amei cada uma delas. Lembrei-me da moça cuspindo fogo e em seguida sorrindo para mim. E eu aqui com medo de correr riscos. Desejei não ter casa, desejei não ter nada. Desejei ter apenas as esquinas e alguém me esperando com alguns cigarros amassados na mão.

Leila Rodrigues

Olá pessoal,

atendendo ao pedido de alguns amigos, estou repostando esta crônica. 
As esquinas se apresentam em nossas vidas de diversas formas, seja para simplesmente quebrá-las, seja para virarmos nossas páginas ou para descobrirmos novas janelas.
Que consigamos enxergá-las!

Grande abraço


Leila Rodrigues

sábado, 7 de janeiro de 2017

Bora viver



Há quem aproveite a virada para rever a vida, fazer promessas e refazer expectativas. Há quem aproveite a virada para comer e beber, assim como há quem vai dormir como se fosse um dia qualquer. Não importa se você pulou ondas, se assistiu a uma grande queima de fogos, se estava na cobertura de um lindo apartamento em frente ao mar, ou dentro de um templo fazendo suas orações. O ano mudou e agora, quer queira, quer não, temos de enfrentá-lo. Gosto disso! Ninguém pediu e o ciclo se renovou assim mesmo. O ano é novo para todos nós!
E aí? Vai fazer o que? Vai sair fazendo tudo diferente do que sempre fez até ontem? Vai cumprir todas as suas promessas ou reatar aquele amor que você deixou passar? Vai se tornar uma pessoa mais paciente, vai fazer atividade física e comer menos? Há tanto a se fazer que poderíamos ficar aqui discutindo as possibilidades até amanhã. 
Então dizemos aquela frase clássica:  "Ah mais isso não é tão simples assim!!” Se fosse fácil, bastaria lermos as mensagens que recebemos no Natal e final do ano. Todas elas têm motivo de sobre para tomarmos uma atitude. Porém sabemos que é preciso mais que uma virada de ano para nossos desejos virarem prática. É preciso uma virada interior para que criemos a coragem necessária para as nossas atitudes. E muitas vezes é preciso que a vida nos chacoalhe forte para a coragem chegar. Mas até quando vamos esperar esse chacoalhão da vida? Um acidente, uma doença, a perda de alguém querido? É isso que estamos esperando para agirmos? 
Muitas vezes pensamos, pensamos e não conseguimos sair do pensamento. Agimos na impulsividade ou na passividade, dois extremos que só prejudicam o andamento de nossas vidas. O impulsivo volta rápido porque não planejou, não analisou os riscos, não pensou nas consequências e o passivo não sai do lugar porque pensou demais nessas mesmas consequências. 
O equilíbrio não é privilégio dos deuses. Viver é um eterno equilibrar-se entre as nossas vontades e nossas atitudes. É preciso agir, sim. Começar de alguma forma. Respeitando o nosso ritmo, nosso jeito e por  onde for mais fácil começar. Os motivos estão aí ao nosso dispor e cada um de nós, melhor que ninguém, sabe a diferença que as atitudes podem fazer em nossa vida. É uma questão de escolha. Estamos esperando o quê? Bora viver! Eu garanto a você que é melhor que ser um espectador!


Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem da Internet


Olá pessoal,

muita gente ainda curtindo as festas de início de ano, aproveitando as férias. Em contrapartida já tem gente a todo vapor com seus projetos. É o tempo de cada um! É preciso que aprendamos a respeitar os tempos de cada um. Os tempos, as opiniões, as escolhas. Respeitar as diferenças, respeitar as crenças. Aceitar o próximo é a essência da maturidade, da evolução humana.
Ah como a gente ainda tem muito que aprender!!! Bora viver que a melhor escola é a própria vida. Ela com suas lições às vezes tão distorcidas…

Grande abraço

... e que consigamos encontrar o dia de renovar nossos ciclos!

Leila Rodrigues












segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

JC Arcos entrevista Leila Rodrigues


Jornal JC Arcos entrevista Leila Rodrigues


Quem é Leila Rodrigues?
Eu sou uma filha adotiva de Arcos, cresci nesta cidade e fui imensamente feliz com os amigos e as conquistas que tive aqui. São histórias e valores e carrego até hoje comigo. Sou uma empresária do setor de tecnologia e agora também do setor de educação empresarial. Casada, mãe de dois filhos, filha do Sr. Déco e da Dona Neusa. Me considero uma pessoa que descobriu o prazer de escrever através de crônicas do cotidiano. 

Como você se tornou escritora?
Sempre gostei de escrever. Na escola, redações eram um prazer para mim. Em 2011 eu passei por um sequestro relâmpago e isso me abalou muito. Por falta de habilidade manual fui para a escrita. Os primeiros textos eram tristes, depois foram melhorando porque a tristeza nunca foi a minha essência. Logo depois veio o blog, o convite para o primeiro jornal - Jornal Agora Divinópolis, em seguida a revista Xeque Mate, o JC Arcos e por último a revista Inteligência Empresarial. 

Como você concilia a carreira profissional e a de escritora?
Não é fácil! Risos... Se fosse só a carreira profissional e escritora estava tudo resolvido. O problema é que, além das duas, sou mãe, sou filha, sou esposa, sou irmã.... Eu e quase todas as mulheres da minha geração. Eu procuro ser uma pessoa leve e bem humorada. Também conto com uma equipe muito boa ao meu lado profissionalmente o que faz toda diferença.

De onde vem sua inspiração? Como acontece seu processo de criação?
Minha inspiração pode vir de qualquer lugar, gosto muito de ler, conversar e ouvir as histórias das pessoas, elas sempre me inspiram. Sobre meu processo criativo geralmente é de manhã, bem cedinho, enquanto todos ainda estão dormindo. 

Quem são seus escritores preferidos ou que te inspiram?
Gosto muito de crônicas, Mia Couto é uma grande referência para mim. No Brasil também temos excelentes cronistas. Leio muito Rubem Alves, Marta Medeiros e Ruth Manus. Além claro, dos nossos poetas Ariano Suassuna e Adélia Prado, embora a poesia não seja meu forte. 

Qual texto teve maior reconhecimento?
Quando escrevi sobre o Tom Bege o reconhecimento foi muito grande, me surpreendeu. Acho que todos que viveram aquela época se encontraram nele. Com a internet os textos do blog tem sido muito bem recebidos e isto é muito bom. Porém é sempre uma surpresa, as pessoas descobrem um texto e aí espalham para seus grupos e quando você vê, já tem um texto diferente no topo da lista. 

Como é a sua relação com a cidade de Arcos hoje?
Embora eu não tenha nascido em Arcos eu me considero uma filha de Arcos e como meus pais e meus irmãos moram aqui eu sempre venho. Acompanho tudo que é da cidade, gosto de saber do desenvolvimento, torço pela cidade e quando encontro um arcoense em algum lugar do mundo é sempre uma alegria. 

Seus leitores podem sonhar com um livro?
Até então eu achava um pouco cedo para isso, mas confesso que já começo a imaginá-lo. Assunto não falta. 



Notas:
Jornal Agora Divinópolis - http://agora.com.vc
Jornal JC Arcos - 

Mia Couto - Escritor e Moçambique - http://www.miacouto.org


Publicado no JC Arcos em 24/12/2017
Foto do acervo de Leila Rodrigues

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Andemos pois



Eu juro que tentei mas não consegui dar conta de tudo neste Natal. Foram tantas mensagens, tantos vídeos e textos que eu quase tive uma overdose “natalística". Confesso, não consegui ler com a merecida calma todos os textos assim como não consegui desejar aquele Feliz Natal que eu gostaria a todos os meus amigos. Chego à conclusão de que eu não sei viver tecnologicamente ainda. Essa coisa de ter que estar em tudo, lembrar de tudo, curtir e compartilhar tudo dá muito trabalho. Não sei curtir sem ler de verdade, não sei ser rasa a tal ponto. Sei que a intenção de todos foi ótima e que todas as mensagens tinham uma lição interessante. Agradeço de coração todas as manifestações mas eu precisava de um limite. Então desejei do fundo do meu coração boas e felizes festas a todos que estavam perto e que estavam longe, porém  optei por curtir quem estava do meu lado ou na mesma casa que eu e compartilhar com eles a minha alegria. Optei por mais presenças que presentes, por vozes, risos e abraços. 
Vem aí o segundo round desta festa. Hora de fechar um ciclo e automaticamente iniciar outro. Difícil não é?! Principalmente porque estamos falando de pessoas que não dispõe da tecla limpar/recomeçar implantada na cabeça. O nosso botão liga/desliga quebrou no momento que conectou com nossas emoções. Dispomos sim dos antepassados que formam nossas raízes. Dispomos de memórias, histórias e sentimentos que formam quem somos hoje. 
Daqui a pouco muda o calendário e nós, naturalmente renovamos nossos propósitos, traçamos nossas metas e refazemos nossas listas de intenções. Isso não significa que zeramos nossas contas nem que apagamos nossa história até aqui.  Também não estamos falando de uma versão nova de nós mesmos a partir do dia primeiro como se fossemos um celular que chegou com melhorias programadas para vencer a concorrência. Não somos tão desumanos assim. Vivenciar o novo ciclo é apenas o nosso jeito humano de aproveitar a matemática do calendário  para dar a nós mesmos um sentido de recomeço. Recomeçar é preciso. Andemos pois. Afinal, enquanto estivermos por aqui é porque ainda há estrada a caminhar


Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis
Imagem da internet


Olá pessoal

Último post do ano. Hora de trocar o calendário, de mudar o número no talão de cheque, nas contas do mês, na lista de prioridades. Olhando assim tudo tão matemático! Tão previsível; não fosse o fato de sermos pessoas e como tal em constante busca da evolução. Cada um a seu modo, com o arsenal que tem busca ser feliz e evoluir. Sendo assim, usufruir da mudança dos números para renovar alguma coisa em nós é sempre uma ajuda a mais. 
Sem promessas absurdas, sem expectativas milagrosas eu desejo que você receba 2017 com todas as boas energias do universo, disposição  saúde. 
Esteja em paz, seja sobretudo uma boa companhia para você mesmo porque a partir daí, amar e respeitar o próximo será mera consequência. 

Muito obrigada pela visita aqui no Palavras, pelos minutos do seu tempo precioso que você investiu aqui. 

Um grande e caloroso abraço e um 2017 pleno 



Leila Rodrigues

sábado, 17 de dezembro de 2016

O melhor presente


E então chegou dezembro. E eu, como todo brasileiro quando recebe o 13o salário, fui às compras com a minha velha e boa lista de presentes. 
Depois de andar muito, entrar e sair de quase todos os estabelecimentos e rodar duas vezes o mesmo quarteirão, sentei-me em um daqueles bancos que certos abençoados colocam na frente das lojas e desabafei. Desisto! Não consigo encontrar o presente certo para tal pessoa. Meu filho, um excelente companheiro de compras que estava comigo, abraçou-me e sem perceber a grandeza da sua fala me disse sorrindo: "Relaxa mãe, o melhor presente é o que você quer dar, não o que a pessoa precisa.”
Sábias palavras meu filho! Estou até agora pensando nisso e revendo meus conceitos a respeito do verbo presentear. Adoro dar presentes e sempre gasto tempo e energia indo atrás de coisas que, no meu pensamento, vão deixar a outra pessoa feliz. E procuro aqui e ali, rodo ruas, procuro na internet, penso que não vai dar tempo de chegar, se vai servir, se a pessoa vai querer trocar... Enfim, um desgaste.
E sempre fica a velha dúvida, será que a pessoa vai gostar? Será que vai ser útil?
Presente bom é presente embrulhado com carinho e afeto. Quer presente melhor do que os presentinhos de avó? Geralmente são pequenas lembranças entregues com uma dose generosa de amor por aquelas mãozinhas mágicas das avós. Pode ser um sabonete, uma nota de 10 ou uma toalhinha com seu nome bordado. Vindo delas é sempre bem-vindo! 
Um cartão feito pelo filho, uma rosa deixada na janela, aquele CD gravado em casa com as músicas escolhidas a dedo, um vaso de manjericão plantado para você, um bolo fumegante de banana com canela. Tem coisa melhor que isso? Presente não vem com o preço mas claramente vem com valores. Não se compara uma jóia com um bolo, mas se compara o cuidado e atenção em fazer algo para o outro que vá provocar um sorriso, um conforto, um momento de alegria. 
Presentes não substituem a ausência, nem reparam danos do passado. Presentes não lavam a roupa suja das convivências distorcidas e não competem a atenção alheia. Presentes são apenas sentimentos empacotados com papel diferente e laços de fita. Seja na hora de dar ou de receber, que consigamos enxergar muito além dos embrulhos e dos pacotes coloridos, a verdadeira essência do presentear. Sejamos nós um pouco mais de presença para aqueles que amamos e qualquer pacote será mera formalidade. 

Leila Rodrigues

Fotos do meu a cervo pessoal: Eu e Vinícius Costa, um dos melhores presentes que eu já ganhei nesta vida e abaixo eu com meu último maravilhoso presente de Natal, olha a minha cara de felicidade!!!!

Olá pessoal,

Não tem jeito, quem gosta de presentear gosta mesmo! E eu sou uma dessas pessoas. Ver o sorriso da outra pessoa ao receber um “agrado” é algo ímpar. Confesso que já fiz loucuras para chegar ao presente que eu queria, também já errei feio e já exagerei na dose e me de mal depois. Faz parte! Tudo experiência e aprendizado. 
Fortalecendo ainda mais a minha crença de que nos comunicamos em outras dimensões, logo depois que eu escrevi este texto, ganhei de presente uma bandeja de vazinhos plantados com as minhas ervas prediletas. Olha a minha cara de felicidade!!!! Presente assim não tem comparação, é tiro certeiro no coração da gente! Gostei demais! Fatima (que me presenteou), todos os beijos para você. Muito obrigada.
Antes do Natal eu ainda volto com outra crônica. Então até lá, boas compras e ótimas escolhas!

Grande abraço

Leila Rodrigues







domingo, 4 de dezembro de 2016

Mais e menos



Eu já fui uma pessoa mais decidida; daquelas que arriscavam sem pensar e na manhã seguinte esperava as consequências de peito aberto pronta para a briga. Hoje penso mais antes de alguma decisão e não sinto vontade de brigar com as consequências como se a vida fosse um ring.  Procuro decidir pela coerência e espero o dia seguinte com o coração mais tranquilo. 
Eu já fui uma pessoa mais animada; daquelas que virava a noite na festa e que dançava como se a música fosse acabar. Foi um tempo ótimo, do qual eu tenho lembranças maravilhosas. Mas hoje prefiro os encontros onde eu conheço as pessoas. Assim eu posso dançar, cantar, sorrir e saborear os sorrisos alheios porque eles são para mim também. A reciprocidade ficou mais importante que a quantidade de pessoas. 
Eu já fui uma pessoa mais vaidosa, daquelas que investia alto em uma produção. Mas isso foi no tempo em que eu tinha uma preocupação grande em agradar, não era natural. Hoje me cuido porque me amo, não para conseguir uma nota boa de quem passa por mim. Hoje cuidar de mim tem a ver com saúde, bem estar, qualidade de vida. O que o outro pensa disso não me afeta mais. 
Ah eu também já fui uma pessoa mais disposta; daquelas que matavam o mamute, alimentava o leão e ainda corria para cuidar  dos filhotes. E sei que o fiz porque era necessário. Mas o tempo traz limites e hoje a minha linha de chegada não é a mesma dos outros. Aprendi ler e respeitar os meus próprios sinais. 
O tempo é o senhor do mais ou menos. Nos transforma em mais ou menos alguma coisa. Menos exigente, mais cauteloso, menos apressado, mais coerente. Mais humano, menos resistente. Mais maduros  e menos vaidosos. O tempo nos faz gostar de poesia, de por-do-sol, de sábado à tarde. Coisas que você não observa quando está ocupado demais em subir suas escadas. 
Ânimo, vaidade e disposição não morreram em mim. Eu continuo uma pessoa animada, disposta e decidida. Mudei minhas expectativas, mudei meu olhar e hoje exijo que as minhas atitudes respeitem meus valores. Se preciso for decido em segundos; se a festa for muito boa fico até amanhecer e se for para defender meus propósitos eu mato o leão e a família inteira dele. Desde que isto tenha sido uma decisão minha, fruto de uma conversa boa entre eu e eu mesma. Eu decido em que vou ser mais ou menos. Eu conduzo as minhas rédeas e viver ficou bem melhor assim. 


Leila Rodrigues


Olá pessoal,

Um dia mais disposto outro menos animado, um dia mais forte outro menos exigente. Assim vamos vivendo, equilibrando nossos mais e menos. Que tenhamos mais saúde, mais discernimento e sabedoria para fazer nossas escolhas e cada vez menos arrogância e apego.

Boa semana! Grande abraço

Leila Rodrigues



sábado, 26 de novembro de 2016

O melhor de ir



No começo, nas primeiras viagens à trabalho, eu sofria muito. Frio na barriga, tensão, vontade de não ir, medo de acontecer alguma coisa. Um dia me dei conta de que, na minha profissão, viajar seria uma rotina, se é que podemos relacionar viagem com rotina, afinal, cada dia um lugar diferente. Então decidi incorporar a viagem na minha vida e usufruir o melhor dela. 
A cada cidade uma cultura, novas pessoas, novos lugares. Um jeito diferente de fazer as coisas, um pãozinho diferente em cada padaria. Nesses anos todos, descobri um Brasil que eu não imaginava existir. Um Brasil de diversidades, de um povo hospitaleiro e bom, além de lugares  belíssimos. Fiz das minhas viagens à trabalho um grande aprendizado. Aprendi a gostar de São Paulo, essa gigante que, no meu conceito, domina o restante do país e descobri beleza em cada cidadezinha singela da minha região, o Centro Oeste Mineiro. Aprendi que o melhor de ir é voltar modificado.
Hoje sempre que viajo revejo meus conceitos sobre alguma coisa. A distância do nosso habitat nos permite ver as coisas sob um outro ângulo. As coisas, os fatos, a vida. Geralmente refaço minhas listas. Diminuo a lista das necessidades, crio novas prioridades e começo a pensar na próxima viagem.  Me faz bem esse exercício. Volto para casa animada para colocar em prática os desafios que me propus enquanto distante. 
Pode ter sido uma viagem rápida ou longa, isso não importa. O que importa aqui é usar a distância para uma reflexão. Distante dos nossos pertences, das nossas paredes acostumadas conosco podemos baixar a guarda. Aí fica mais fácil deixar-se entrar no novo ambiente  e consequentemente trabalhar ou se divertir. 
Para quem vai a trabalho, o foco ajuda a esquecer a distância de casa e as preocupações com os que deixamos. Quando a casa funciona sem a nossa presença é sinal que aprenderam a lição. Para quem vai a passeio tudo pode virar diversão. A comida, os lugares, as pessoas e até as mancadas. Basta deixar as malas no chão e junto com elas as bagagens da alma. Uma alma leve trabalha ou se distrai muito mais facilmente. 
E depois do trabalho feito com gosto e qualidade; depois da diversão, do riso e de liberada as endorfinas adormecidas, refletir será apenas uma consequência. Um presente que nos damos. Um convite ao recomeço de alguma coisa, nem que seja apenas uma melhor versão de nós mesmos. 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
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Olá pessoal,

quem viaja a trabalho sabe que não há glamour nenhum em passar a noite em um quarto bege que não tem identidade. É tudo frio. Saudade, cansaço, distância, vazio… esses são os companheiros dos ambulantes. E quando você não em outra saída, junte-se a eles e faça da viagem a sua melhor companhia. Foi o que eu fiz durante as minhas andanças e o que eu sempre falo com a minha equipe que ainda viaja muito. Seja qual for o motivo da sua viagem, aproveite para viajar com ela. 

Grande abraço

Leila Rodrigues


sábado, 19 de novembro de 2016

Metamorfose



Não tem muita explicação. A coisa acontece e pronto. Um dia você se pega ouvindo mais e falando menos; percebendo mais e opinando cada vez menos. 
Alguns chamam isso de maturidade, outros de experiência. Eu gosto de dizer que é o tempo da serenidade que chegou. 
O tempo da serenidade chega mansinho, sem alarde. Geralmente fruto de nossos silêncios e de nossas vivências. E quando ele chega, muitas coisas perdem o sentido e outras novas tomam seu lugar.
As frescuras da moda, por exemplo, não cabem no tempo da serenidade. A altura do salto, o tom da gravata; a ultima coleção. Todos eles saem e entram o conforto e a leveza nas nossas escolhas. A pressa de chegar se rende ao respeito pelos nossos limites.  E a prepotência do poder perde o sentido para o humano que existe dentro de nós.  No tempo da serenidade os verbos controlar e exigir soam estranho aos nossos ouvidos. É a grande metamorfose humana. Quando a velha e pesada roupa dos títulos, aquela que nos levou a atingir níveis cada vez mais altos, já não nos cabe mais. É quando voar deixa de ser para atingir o topo e passa a ser apenas para descortinar a paisagem. 
E quando o tempo da serenidade chega, estar sentado no trono ou não, não faz a menor diferença. A esta altura você já terá naturalmente se tornado um líder. Pode caminhar tranquilo pela calçada da vida, que seus seguidores encontrarão seu rastro. 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
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Olá pessoal,

mudanças fazem parte de nossas vidas. Ainda que ficássemos parados no mesmo lugar, mudamos de opinião, mudamos de lado, mudamos nossos gostos no decorrer dos nosso dias. Mas a grande mudança do homem ocorre quando ele se percebe humano no real sentido da palavra. A isso eu chamo de metamorfose. Que ela aconteça com você e te faça um ser humano melhor e mais feliz.

Grande abraço

Leila Rodrigues



sábado, 5 de novembro de 2016

Ser em extinção



Ser em extinção

Numa sociedade em que a competição é cada dia mais acirrada, o mercado cada vez mais exigente e a concorrência cada dia mais inteligente, é preciso saber tudo de tudo. Se ontem bastava ser bom, hoje é preciso ser ótimo. É preciso se manter à frente das exigências da sua área de atuação. O básico virou banal. O complexo de ontem é o basicão de hoje e o démodé de amanhã.
Tudo isso é fato. Temos que buscar formas de sobreviver nesta selva. O lado B de tudo isso é que esta busca desenfreada pelo sucesso ultrapassa os limites da sanidade. Onde é que está escrito que precisamos ser bons em tudo? 
Tenho visto pessoas fazendo um esforço sobre-humano para serem bons pais, bons filhos, bons amantes, bons alunos, excelentes profissionais, levar uma vida saudável e… ufa! E ainda correm daqui e dali para estarem em tudo e participarem de tudo. É cansativo só de ouvir!
 A palavra networking subiu à cabeça das pessoas. O que vemos são verdadeiros show-mans e show-girls. Atitudes premeditadas e comedidas que não passam de um plano para chegar ao podium. Até os bons-dias são premeditados! Encontros e contatos são minuciosamente arquitetados. Elogios são distribuídos como fichas de entrada em um mundo melhor. Tudo faz parte da conquista do troféu de bem-sucedido! 
Onde estão as pessoas normais? Aquelas que têm a grandeza de dizerem que não sabem fazer algo, que perderam alguma coisa ou que se deram mal. Onde está você, ser em extinção?! 
Procura-se alguém que possa compartilhar verdades e não apenas vantagens. Procura-se por pessoas que saibam rir e chorar, perder e ganhar. Procura-se por gente que se machuca, que se esfola, que está na fila, que pede ajuda. Procura-se pessoas, não um case de sucesso. 
Ando correndo de quem está pronto, inteiro, formado. Tenho pena desses feras, perfeitos, acima de qualquer suspeita. Pessoas impecáveis, super-hiper-mega organizadas e produzidas me causam pânico. Tenho medo de pegar a doença da perfeição e nunca mais ser eu mesma. 
Mulheres perfeitas à base de fluoxetina. Homens bem-sucedidos escravos de um comprimido azul. E ninguém toca no assunto do que não deu certo. Fazem-se caras e bocas, sorrisos e poses. Tudo isso para disfarçar que, por trás dos holofotes, somos todos iguais! 

Imagem: Zygmund Bauman - sociólogo polonês autor de vários livros, dentre eles Amor Líquido.

Leila Rodrigues

Olá pessoal,

ser em extinção é um dos primeiros textos meus. E eu continuo com medo das pessoas perfeitas. Zygmund Bauman, filósofo polonês  que aparece na imagem acima, tem uma frase que eu gosto muito: "A preocupação com a administração da vida parece distanciar o ser humano da reflexão moral.” Pessoas excessivamente preparadas e retocadas para dar certo não me inspiram confiança. É bom se cuidar, é excelente ter foco e disciplina; mas robotizar-se para atingir seus objetivos, aí é perder o sabor de viver! Continuo preferindo aquelas pessoas que quebram o salto de vez em quando e ainda conseguem rir de si mesmas. 

Grande abraço



Leila Rodrigues