sábado, 15 de julho de 2017

Sobre eu e eles




Sobre eu e eles




Eu cresci no meio deles. Os homens! Tive a honra de ser criada entre eles, meus três irmãos e meu pai. E talvez por isso o meu apreço por eles seja tão grande. Profissionalmente escolhi uma área onde também prevalece o sexo masculino, tecnologia. E embora o nosso time feminino seja bastante unido, no meu trabalho convivo mais com homens que com mulheres pois os rapazes são maioria. E para me deixar Phd na convivência com eles, em casa convivo com os três homens da minha vida, meu marido e meus dois filhos. Fora os amigos que são muitos.
Nunca me senti concorrente dos homens e muito menos subalterna deles. Foi com vocês meninos que aprendi a ser prática, direta e resolvida. Com vocês aprendi a gostar de futebol, de rock e de torresmo (minha perdição). Por causa de vocês sei jogar bolinha de gude, ando em dia com as notícias do Brasileirão e sei comprar as melhores e mais confortáveis camisas masculinas. 
Gosto da mistura, acho que o mundo é bom porque tem os dois, porque tem diversidade. E embora às vezes eu fique indignada pelos homens que ainda precisam usufruir da força e da violência (física ou verbal) para vencerem suas fraquezas em relação às mulheres, eu ainda prefiro acreditar que no mundo haja mais homens bons que ruins. 
Hoje no dia do homem gostaria de parabenizar a todos os meus amigos homens. Amigos, irmãos, pai, sogro, marido, colegas de trabalho, amigos de muitos anos, amigos que se tornaram virtuais, amigos de outras vidas, amigos pra qualquer hora.
Não poderia deixar de falar dos meus amigos gays. Meus queridos, sei o quanto vocês foram homens para enfrentar os desafios e assumirem suas escolhas. E por isso admiro-os ainda mais. 
Não acho que homens e mulheres precisem de um dia pra serem chamados de importantes, mas já que o mercado, necessitado de comemorações o fez, o meu abraço e a minha eterna admiração por vocês!
Que a cada dia vocês descubram o prazer de serem vocês mesmos, com suas escolhas e desafios. Que percam cada vez mais o medo de chorar e a vergonha de sentir. E que se permitam ser ajudados, embalados, acalentados e por que não dizer, governados, liderados e orientados por nós mulheres de vez em quando. Afinal, só a mistura nos faz crescer! Feliz dia do homen! Feliz homen! Feliz dia!

Grande abraço


Leila Rodrigues

Imagem: acervo pessoal, eu e meu pequeno Gustavo 

sábado, 8 de julho de 2017

Vida de dono



E então você sente uma angústia sem precedentes. Um desânimo de amanhecer. E aquele lugar que você lutou tanto para construir, para manter de pé e para chegar onde chegou parece não te caber mais. E você não sabe se o problema está nas pessoas, nos processos, no país ou se foi o seu prazo de validade que venceu! A causa disso é que na loucura das obrigações de um empresário, na busca incessante pelo resultado não cabe paradas, não cabe reflexão, não cabe externar nossos descontentamentos. E vamos nos acumulando de pormenores até que eles tomem uma proporção gigante dentro de nós. E então nos pegamos cansados e infelizes independentemente dos resultados.
Pode ser que a saída seja um bom livro de auto-ajuda. Quem sabe não esteja naquela palestra daquele cara famoso que você ouviu falar? Ou senão nas férias que você finalmente vai tirar depois de 8 anos sem fazer isso. 
Mas seja qual for a ação que você escolher como marco para resolver o seu problema, certamente você terá que cuidar de duas premissas básicas antes de agir. Caso contrário, o livro, a palestra ou as férias não terão efeito algum. 
Diminua seu fardo. Nós só acumulamos porque nos achamos competentes demais diante dos nossos times. E isso só tem duas razões, ou somos prepotentes e estamos desperdiçando as pessoas boas que temos ou estamos com o time errado. Se reconheça em um desses lados e aceite o fato de que outras pessoas podem fazer tão bem ou melhor que você. Você estará praticando a humildade e o desenvolvimento humano em uma sacada só. 
Defenda a sua história. Conte a história da sua empresa, conte as suas lutas, os seus desafios. Essa é uma das melhores formas de você ensinar valores à sua equipe, aos seus filhos, aos seus clientes e fornecedores. Não conte para contar vitória mas sim para contar o quanto os desafios foram importantes no seu crescimento. E quando contar, faça-o com amor, com paixão e verdade. 
São duas atitudes simples mas que não são fáceis. É preciso praticar o desapego, a humildade e a credibilidade no outro. Ao final você vai sentir uma alegria e uma sensação de liberdade diferente de tudo que você já havia experimentado. E então você vai poder ler seu livro, assistir àquela palestra ou simplesmente caminhar tranquilo pela grama do seu jardim... certo de que o seu legado já conquistou os seguidores necessários para continuar a jornada! 

Leila Rodrigues

Imagem da Internet
Publicado na Revista Xeque Mate jun/jul/2017


Olá pessoal,

Muito poucas vezes na vida usei a palavra “dono”. Na minha concepção não somos donos de nada a não ser de nossas vidas. Usei essa palavra no título apenas para ilustrar. Quando abrimos uma empresa somos o seu criador, o seu empreendedor, mas o dono mesmo é o mercado. Então sempre digo que estamos à frente de um negócio, de um empreendimento, de uma empresa; acho que tem mais coerência. E para todos que estão à frente de alguma empreitada, a minha admiração e o meu respeito. Ser empresário no nosso país é desafiador!

Grande abraço.


Leila Rodrigues

sábado, 1 de julho de 2017

Ontem outra vez



A expectativa era grande. Depois de meses de busca, eles conseguiram se juntar. Primeiro virtualmente. Criaram um grupo e cada um foi descobrindo mais um e mais um, até formarem de novo a turma toda. Os mais discretos participavam como ouvintes, no máximo comentavam com algumas palmas. Os mais atirados ficaram por conta de relembrar as boas histórias, os apelidos, os fatos inesquecíveis… E a cada dia eles se entrosavam um pouco mais. 
Depois de um dia cheio de trabalho, parar para ouvir os casos da turma era diversão garantida. Até que alguém sugeriu que se reunissem. Opa! Será que conseguiremos? Mas Fabiano mora muito longe, Valéria saiu do país e Martinha, coitada, está cuidando da mãe doente! Coisas da vida! Coisas de quem cresceu. Mas a vontade de se encontrarem foi tamanha que, aos poucos eles deram um jeito e tudo fluiu para o famoso encontro. 
Marta pensou em Cássio, será que casou? Alessandro pensou em Marlene, será que continua bonita? E todos pensaram em como cada um estaria. Nesta hora acontece aqueles 5 minutos de medo de não estar tão bem como os outros.Mas passa tão rápido que se perde na vontade de reencontrar. 
E tudo aconteceu melhor que a encomenda. Amigos de uma geração que se juntaram para matar a saudade, para provar que o bom da vida ainda é o abraço. Que mais importante que estar em forma é estar de bem com a vida. 
Alguém vai dizer que é nostalgia. Não está errado. Mas vou revidar garantindo que é muito mais. Viajar no tempo, no tempo do nosso frescor, no tempo em que não tínhamos pressa nenhuma de viver é um dos maiores presentes que o ser humano pode se dar. Juntar pessoas de uma mesma geração, que viveram juntas uma parte da história de cada um, abraçar um, lembrar do outro, cumprimentar todos e ter a mais tranquila das certezas, de que o tempo passou para todos nós! E passou muito bem! Passou como tinha que passar. Passou e virou história! Passou e fez daquele grupo homens e mulheres de negócios, pais e mães de família extraordinários, avós carinhosos e sobretudo pessoas de bem. O tempo fez deles senhores. E ali estavam todos, senhores de hoje revivendo o frescor de ontem, ainda tão cristalino em suas memórias. Parece que foi ontem! E foi mesmo! 
Ainda ontem plantavam seus sonhos embalados pelo mesmo som e hoje comemoram juntos os frutos de suas colheitas. Não há tesouro maior que este! 


Leila Rodrigues


Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem do meu acervo pessoal


Ola pessoal,

não importa se você se formou há 30 anos ou há 5 anos. Reunir a turma é sempre uma aventura deliciosa. Pode ser a turma do inglês, a turma do basquete, a turma da Yoga. Turma não tem restrição. E reunir pessoas que passaram juntas uma parte da nossa história é sempre uma alegria.
Esta história não é minha. Infelizmente a minha turma ainda não conseguiu fazer isso. Mas quem sabe depois desse a gente anima?! Fica a dica!
E para você que, como eu, não conseguiu juntar sua turma, reúna quem você puder, se junte com um, com dois, com quantos conseguir. O importante é o momento do abraço. O importante é nos darmos esses raros presentes. Nada, absolutamente nada substitui o abraço! Pensemos nisso e que nossas atitudes nos levem a menos cliques e mais abraços de verdade.
Sempre me despeço de todos com um grande abraço, Mas hoje vou fazer diferente, me despeço com grande abraço em alguém que você ama e esteja por perto. Um amigo, um amor, um filho… dê um abraço demorado nesta pessoa. Apenas isso.

A gente se encontra na próxima crônica.



Leila Rodrigues