quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Avatar



Há alguns dias a escritora e amiga Ana Cecília Romeu, de Porto Alegre, escreveu uma crônica belíssima chamada Homen-selfie. A crônica falava deste ser completamente modificado pelo desejo de aparecer e de ser alguém que ele nunca foi de verdade.  Gostei tanto que resolvi continuar o assunto aqui. Vamos lá!
Vivemos a era do "que parece ser". Já não se pode confiar em quem está do outro lado, seja este lado outro país ou a casa de frente.  Não sabemos quem é a pessoa do outro lado da linha, do outro lado da tela e nem do outro lado da rua. A foto adaptada ao gosto do dono representa muito mais o que a pessoa gostaria que fosse do que o que ela é de fato.  Aceita-se tudo!
Se até as armas foram criadas para o bem, não vou agora condenar a evolução em função deste rumo destorcido. O uso equivocado e inconsequente das coisas é que faz com que tudo mude de sentido. E estamos vivendo neste momento o uso deliberado da tecnologia. Tudo se transforma com um click mágico. Cada um tem seu avatar na selva da grande nuvem. Perdido entre este ser criado para "dar certo" e o ser que veio ao mundo com todos os seus atributos ele passa um bom tempo de sua vida brigando e escolhendo a hora de um e de outro agir. Isso cansa, envelhece, adoece e enfarta. 
Será que a evolução tecnológica está realizando nossos sonhos de acabar com tudo que nos incomoda? Ainda que virtual e temporariamente, não há como negar que os poucos momentos de perfeição nos dão a ilusória sensação de sermos aquilo que sonhamos um dia. Será que o Apolo que viveu escondido em nós encontrou condições de ser? Que seja tudo uma grande ilusão, o que estamos vivenciando é uma legião de pessoas que não estão preocupadas com a hora fatal de tirar as máscaras, de mostrar a realidade. Afinal, o que está do lado de lá também deve estar mascarado, então não há do que se envergonhar e, por conseguinte, não há porque não se permitir o doce prazer da transformação. 
Só não sabemos quem está enganando quem nesta selva! Second life perdeu o lugar diante da variedade de modelos e possibilidades que cada um pode ter. São falsos poetas, falsos corpos, falsos profissionais, falsos escritores. Tudo copiado/colado para a ilusão coletiva dos adeptos. Tudo meticulosamente montado! Homen-selfie, avatar, second life são horas ou minutos de beleza, juventude, perfeição e virilidade… E muitos anos de terapia até se encontrarem outra vez.

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis em 02/08/2016
Imagem da Internet


Olá pessoal,

tenho uma preocupação grande em não sobrecarregar o leitor do Palavras. Ultimamente tenho visto uma busca desenfreada para atrair o leitor,  através de email, redes sociais, watsap… enfim, parece uma corrida maluca para chegar na frente do leitor e gritar para que ele te veja, te curta, te compartilhe. Informação demais!!!
A minha proposta com o Palavras é que você tenha um minuto de leitura um pouco mais tranquila. E que isso chegue no tempo certo e você possa passar sempre por aqui no seu tempo, do seu jeito.
Na contramão dos outros blogs, vamos aumentar as publicações para que vocês conheçam minhas outras participações, entretanto, que você não se sinta sufocado nem pressionado a nada. Se você gostar, naturalmente vai querer difundir, comentar com alguém ou compartilhar com os seus amigos. O Palavras quer continuar sendo uma parada bem tranquila no seu dia intenso…

Obrigada pelo carinho de sempre.
Paz e bem para todos nós!

Abraços

Leila Rodrigues

3 comentários:

  1. Leila, que prazer ler aqui, me senti leve e sem nenhuma obrigação em comentar e isso é tudo de bom!
    Mas gosto de visitar os amigos, principalmente os assíduos, sem obrigações, mas com carinho mesmo, tenho-os em alta estima mesmo sendo virtuais!
    Amei ler sua postagem, pois vivemos em um mundo de ilusões, eis o que é o que nos é apresentado!
    Em meu tempo, pois já faz muito tempo que amo viver, não era assim, nem sei te dizer que era o melhor tempo, mas era outra época, hoje aceta-se ou deixa-se,rsrs!
    Abraços bem apertados!

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  2. Querida amiga Leila!
    Obrigada! Fiquei muito feliz que minha crônica tenha lhe inspirado. Penso que sua sequência está com um toque de maestria!
    Grande beijo!

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  3. Gostei de ler isso, querida Leila, hoje ando por aqui, com toda a calma e com muito prazer.
    Quanto ao texto de cima, os compartilhamentos, as cobranças, as clicadas para dizer alguma bobagem - desde que estejamos em rede, tudo vale. Por tudo, tenho restrições com redes, sei lá se é exagero ou não, mas não me apetece viver tanto virtualmente, apesar de ter amigas queridas que são como se fossem reais, ou melhor.
    beijo grande!

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