sábado, 20 de agosto de 2016

Incomum



Esperei os carros virarem a esquina, desejei de coração que fizessem uma boa viagem e entrei. Do lado de dentro, minha casa era uma bagunça só. Colchões ainda espalhados pelo chão, roupa de cama amontoada para lavar, nenhum copo limpo e a geladeira entupida de sobras.  Tropecei no skate e quase cai. Olhei para aquilo tudo e comecei a rir. Resolvi tomar mais um café. Recostei na porta e saboreie o último café que sobrara da garrafa enquanto me lembrava da casa cheia. Os sons, os risos, as crianças correndo. Eu já estava com saudade. 
À medida que eu tentava colocar a casa usável de novo, revivia as histórias do dia anterior. Tem gente que não gosta desta trabalheira e vai dizer que é por isso que não recebe visita. E eu vou continuar dizendo que é por isso mesmo que eu gosto de visitas. Gosto do movimento, da casa cheia, das conversas, do preparo das comidas, da felicidade do meu marido quando está com as pessoas que ele ama, da farra... Enfim, eu gosto disso! 
Não há como negar que com visitas saímos da rotina, o corpo fica exausto, dormimos pouco, conversamos muito e ainda temos que dar atenção para todos. E isso cansa! É preciso muito mais que disposição. É preciso querer este momento. É preciso se alegrar com a presença dos hóspedes, senão não haverá sentido em receber alguém em nossas casas. 
Para muitos a preocupação em agradar atrapalha e anfitrião tenso piora ainda mais a situação. Em contrapartida só com as visitas usamos tudo que ficou parado e adormecido à espera de alguém. As roupas de cama, os edredons, a louça do casamento, os doces que ganhamos e a dieta não permitiu comer e aquele licor de nome estranho que você só abre quando a visita chega e você descobre que é delicioso! Os cantos em desuso são todos ocupados e consequentemente a energia se renova. 
Amanhã cada um de nós vai recomeçar tudo de novo. A semana, a vida, a labuta. Não importa se o fim de semana foi de descanso ou intenso; se a sua casa continua arrumada ou meio revirada pelo tumulto. Entretanto eu, com o corpo ainda cansado, vou sorrir por dentro e agradecer pelo fim de semana incomum que atravessou o meu caminho e trocou tudo de lugar. Estou certa de que os momentos de alegria compensaram todos os esforços e faria tudo de novo para ter junto comigo as pessoas que eu amo. E sobre descansar? Ah eu terei outros finais de semana para fazê-lo. 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora em julho/2016
Imagem da Internet


Olá pessoal,

moro em uma cidade (Divinópolis), meus pais e meus irmãos em outra cidade, os pais do meu marido e minhas cunhadas também em outra cidades. Essa distância, que nem é tão longa assim, não me permite dar aquela passadinha na casa da minha mãe para um café. - Ah como eu gostaria de poder fazer isso! - Então quando nos reunimos é sempre um motivo de festa. Talvez seja por isso eu goste tanto de receber as pessoas na minha casa. Sejam meus familiares ou amigos é sempre uma grande alegria. E é para eles, essas pessoas que enchem a minha casa de luz e movimento o meu texto de hoje. Enquanto eu tiver saúde para tal, a minha casa estará de portas abertas para os meus amigos e minha família. Aqui nunca há de faltar uma boa prosa e um café da hora.

Grande abraço


Leila Rodrigues

4 comentários:

  1. Que legal e sei muito bem dessas bagunças, dessas risadas, dessa trabalheira antes e depois, mas vale a pena,não é? beijos, chica e mais uma vez ,adorei te ler!

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  2. Adorei sua crônica familiar... Delícia esse contato e contágio com a felicidade! Afinal, isso tudo que você relatou mostra que há vidas e amores a dividir, a curtir! Felicidade é o ingrediente melhor de tudo isso.
    Abraço.

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  3. A cara de todas nós, de todas as que moram longe das familias...Exatamente igual. Bjinhos

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  4. Ei Leila exatamente assim
    Quer coisa melhor a família se encontrar?!
    Semana passada tive esse privilégio minha família de Goiânia apareceu e rapidinho saudades deixou...
    Abraços minha querida

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Obridada pela visita. É muito bom ter você por aqui!
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Grande abraço