sábado, 12 de março de 2011

E por falar em loucos

A convivência com o outro (seja nas relações afetivas ou de trabalho) faz com que as pessoas conheçam o seu melhor e o seu pior, seus defeitos e suas qualidades. Isso acontece com as duas partes e provoca um pavor quando um dos lados percebe que foi descoberto. O ser humano, diante da proximidade do outro, tende a gastar muito tempo e energia procurando camuflar seus possíveis defeitos ou dificuldades. É como se tivéssemos uma grande necessidade da perfeição e em decorrência disso, o erro precisa ser escondido, precisa ser mascarado, camuflado ou desviado para alguém. Para atingir esse objetivo de esconder seus medos, suas neuras e dificuldades, cada um usa de uma forma, é um vale tudo! Seja  em pequenos problemas ou em dificuldades sérias; impasses, discussões, negociações ou em coisas mínimas do dia-a-dia, não importa o tamanho da batalha, o ser humano é o mestre do subterfúgio. 
Uns se fazem de vítima, choram, sofrem, se intimidam. São os coitados de plantão. Eternos doentes, sofridos e abandonados. Ate quando o cachorro dele foge, ele diz que foi abandonado. Se você ameaça contar que fez um exame, ele responde contando a cirurgia que fez há dez anos atras.
Outros são dramáticos, verdadeiros artistas. Fazem shows de alegria, de tristeza, de euforia ou de histeria mesmo, tudo isso para conseguirem seus objetivos. São geralmente falantes, tem grande dificuldade de ouvir o outro, mesmo porque, para esses, o outro pouco interessa. 
Há ainda os explosivos, aqueles que andam com uma bomba amarrada no corpo o tempo todo. Não podem nunca ser questionados, cutucados,  cobrados ou ameaçados. A resposta dele será acender o fósforo e queimar todo mundo a sua volta. Coitado! Adora ver o fogo bem alto e a reação de medo dos outros mediante a loucura dele. Geralmente gosta, sabe e usa gritar. Falam bem alto, que é pra todo mundo ouvir e já ficar apavorado de início. 
São as armas de cada um na batalha da vida. É preciso vencer simplesmente pelo prazer de vencer, mesmo quando não se tem razão. 
Mas o que nos salva, é que no meio desse tanto de loucos, ainda tem um outro, não menos louco, que se atreve a não ter vergonha de mostrar quem é. Ele sabe dos seus erros, das suas dificuldades, mas também conhece bem suas competências e qualidades. E mediante às pressões que a convivência nos impõe, ele se apresenta desarmado de modelos, mas munido de atitude. Chega disposto a ouvir, mas faz questão de também falar. Ele sabe bater, mas compreende a hora de apanhar. E embora ele também saiba chorar, representar ou gritar, ele prefere um caminho mais econômico, dialogar. Nem sempre ele vence, mas ele sempre conquista. 
Por quê chamei ele de louco? Ah! Porque só um louco se atreve a enfrentar um outro louco. Ou você acha que isso não é uma loucura?

Leila Rodrigues

4 comentários:

  1. Tem coisas que não se explicam, somente depois da união de muita confusão e loucura é que se pode chegar a conclusão...
    Leila parabéns por suas "palavras". Você escreve muito bem!

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  2. "Palavras" sábias...
    Usamos de pequenos delírios para tentar não precisar ver o quanto somos incompletos, faltantes, o quanto precisamos FAZER e trabalhar para existir, pois nossa vida não sustenta por si só... Para habitarmos neste mundo com tantos moradores diferentes, precisamos de muito exercício... Concordo com você, quanto tempo perdemos, achando que quando lançamos mão de certos "modelos" estamos nos poupando de sofreimento (movimento este que definitivamente, não impede o sofrimento), ao tempo que é no exercício de olhar para o outro e reconhecer suas faltas (que ele não vai nos completar sempre) e olhar para si e ver que se falta algo, é a oportunidade de crescer, de criar, de acrescentar... é no FAZER que nos livramos de ser refém de nós mesmos...
    Bom, isso tudo para dizer que achei o seu texto muito pertinente, descreve a nossa realidade... Que você continue contribuindo com "palavras" tão sábias, através destes textos tão agradáveis de ler... Parábéns!!!

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  3. Nossa!!!!!!!Esse foi d+ adorei!!!!

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