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domingo, 15 de julho de 2012

O tempo em nossas vidas



Olá pessoal,

Embora com pouco tempo para visitar a todos, agradeço os incentivos para continuar o conto Cinderela mineira. Devo apresentar o segundo daqui a alguns dias a todos. Foram os incentivos de todos vocês que me fizeram continuar. E é também por eles que hoje estou escrevendo semanalmente para o Jornal Agora Divinópolis – toda terça-feira e caminhando para mais uma revista que me procurou nesta semana. Obrigada mais vez a todos vocês que sempre foram os meus grandes incentivadores. Não poderia deixar de dividir esta conquista com vocês.
O tempo está ficando cada dia mais apertado, mas isso tem seu lado bom. Talvez seja exatamente por isso que eu escrevo tanto sobre o tempo.

Grande abraço a todos e boa leitura!

Leila Rodrigues

E enquanto o tempo passou, passaram tantas pessoas, tantas histórias. Passou o vento, a turbulência, a tormenta e o sol. Passou com o tempo a minha pressa de chegar. 
A linha de chegada que eu tracei lá atrás, já cruzei há muito tempo. Criei outras partidas e outras chegadas vieram. E foi nesse tempo, enquanto o tempo passava, que a minha história se fez e eu me tornei quem eu sou.
Um pouco mais reservado, o que não significa distante, mas posso dizer que hoje conheço e gosto mais da minha própria companhia. Um pouco mais cético, um pouco mais franco, um pouco mais educado e um pouco menos encantador. Um pouco mais a ponto de fazer escolhas e um pouco menos ao querer tudo do meu jeito. Um pouco mais ao respeitar as escolhas alheias e um pouco menos ao seguir os moldes que a sociedade nos impõe.
Hoje sou um pouco mais e um pouco menos de tudo aquilo que fervilhava dentro de mim. Meus extremos, antes sempre prontos para o ataque, hoje baixaram suas armas. Acho que se encurtaram, deve ser! Hoje chamo esta fase da minha vida de guerrilha. Um tempo em que eu travava uma guerra com qualquer coisa. Uma guerra contra o tempo, para dar tempo de tudo. Uma guerra contra minhas possibilidades, porque eu não tinha limites. Tudo parecia pequeno e pouco para mim e eu brigava por mais. Uma guerra contra o mundo que eu tentava consertar. Hoje sei que quem precisava de um conserto era só eu. 
O fato é que, decretar o fim desta guerra fez com que sobrasse um espaço enorme dentro da minha vida. Foi como se de repente, aquela casa apertada que mal me cabia, se transformasse em um grande salão.  Surgiram tempo, espaço e respiração. Espaço para ler, para conversar com um velho amigo na padaria, para gostar de fotografia e para apreciar um bom vinho. Para rir de mim mesmo no espelho enquanto escovo os dentes e para achar graça no rap que meu filho fez.
Depois que eu perdi a pressa, encontrei o encanto de ver o tempo chegar. O tempo de a chuva encharcar o meu jardim, o tempo das folhas secas no chão, o tempo dos brotos e o tempo de florescer. 
Alguns chamam isso de maturidade. Eu gosto desta palavra. Lembra fruta madura, com sabor intenso, ideal para saborear. Outros chamam de velhice mesmo, mas isso não me ofende. No fundo, o nome não tem a menor importância. Todas as minhas fases me pertencem e fazem parte de mim. A criança, o adolescente, o jovem, o guerrilheiro, o maduro e o velho. Sou todos, sou nenhum, sou cada um quando vier. 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis em 02/07/2012
Imagens: textoscontextosereflexoes.blogspot.com – blog da amiga Luconi

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Cinco minutos

Seis e meia da manhã. Abro os olhos. Meu corpo condicionado aguarda o despertador, como que querendo competir com ele. " Eu sou mais preciso que você. Acordei primeiro!"
Ouço os barulhos lá fora. Alguém começou antes de mim. Carros passam apressados, sirenes anunciam a hora de começar.
Onde foram parar os pássaros? Os galos, os bem-te-vis e pardais, onde estão? O cheiro de café coado? Biscoito frito recendendo pela casa? Plantas molhadas de orvalho, friozinho da manhã? Cadê tudo isso?
O sol continua demorando o mesmo tempo para surgir todas as manhãs; mas eu não consegui dar à minha manhã o seu devido tempo. Passo batom no elevador, vejo as notícias no iPad, listo e repasso as tarefas do dia enquanto caminho na esteira.
Orgulhosamente chamei tudo isso de otimização do tempo. Será mesmo? Fazer duas, três ou mais coisas ao mesmo tempo. Até que ponto isto é otimizar o tempo? Otimiza-se o tempo e "pessimisa-se" a mente. Será vantagem, otimizar o tempo hoje para gastar amanhã na cama de um hospital?
Como um buraco sem fundo vamos nos enchendo sem limites. De informação, de comida, de compromissos, de responsabilidade. E consequentemente de medo, de angústia, de dores, de stress, de remédios.
Como a mente não ocupa espaço, perdemos a noção de ocupação desse pseudo-local. Quando percebemos, esvaziar-nos vira uma tarefa dificílima e dolorida. Nos acostumamos de tal forma a mantermos a mente ocupada com alguma coisa que não suportamos o vazio. E assim, fujo do encontro comigo mesma como o diabo foge da cruz!
Pode alguém não suportar a sua própria companhia? Assim estamos nós, sempre acrescentando um afazer na lista, porque parar virou vergonha nacional. Quando acaba tudo, fácil, fácil coloca-se na fila um filme, a internet, o jogo, que é pra não dar chance para encontrar consigo mesmo. Como é que eu posso ser companhia de alguém se eu ainda não suporto a minha companhia?
Será que o vácuo de nós mesmos é tão insuportável assim? Há quanto tempo não falo comigo mesmo? Sou capaz de perguntar para todo mundo, "como vai? Tudo bem com você?" E para mim mesma nem um oi ando dizendo.
Falta-me cinco minutos. Cinco minutos para mim. Cinco minutos para eu encontrar comigo e me dizer bom dia. Cinco minutos para eu ouvir de mim como eu estou realmente. Cinco minutos para eu chorar ou sorrir. Cinco minutos para eu abrir a janela, respirar fundo, ver o dia amanhecer. Cinco minutos de mim para mim... E o resto do meu dia ficará muito maior e melhor.

Leila Rodrigues