Olá pessoal,
Embora com pouco tempo para visitar a
todos, agradeço os incentivos para continuar o conto Cinderela mineira. Devo
apresentar o segundo daqui a alguns dias a todos. Foram os incentivos de todos vocês
que me fizeram continuar. E é também por eles que hoje estou escrevendo
semanalmente para o Jornal Agora Divinópolis – toda terça-feira e caminhando
para mais uma revista que me procurou nesta semana. Obrigada mais vez a todos
vocês que sempre foram os meus grandes incentivadores. Não poderia deixar de dividir esta conquista com vocês.
O tempo está ficando cada dia mais
apertado, mas isso tem seu lado bom. Talvez seja
exatamente por isso que eu escrevo tanto sobre o tempo.
Grande abraço a todos e boa leitura!
Leila Rodrigues
E enquanto o tempo passou, passaram
tantas pessoas, tantas histórias. Passou o vento, a turbulência, a
tormenta e o sol. Passou com o tempo a minha pressa de chegar.
A linha de chegada que eu tracei lá atrás, já
cruzei há muito tempo. Criei outras partidas e outras chegadas
vieram. E foi nesse tempo, enquanto o tempo passava, que a minha
história se fez e eu me tornei quem eu sou.
Um pouco mais reservado, o que não significa
distante, mas posso dizer que hoje conheço e gosto mais da minha própria
companhia. Um pouco mais cético, um pouco mais franco, um pouco mais educado e
um pouco menos encantador. Um pouco mais a ponto de fazer escolhas e um pouco
menos ao querer tudo do meu jeito. Um pouco mais ao respeitar as escolhas
alheias e um pouco menos ao seguir os moldes que a sociedade nos impõe.
Hoje sou um pouco mais e um pouco menos de
tudo aquilo que fervilhava dentro de mim. Meus extremos, antes sempre prontos
para o ataque, hoje baixaram suas armas. Acho que se encurtaram, deve ser! Hoje
chamo esta fase da minha vida de guerrilha. Um tempo em que eu travava uma
guerra com qualquer coisa. Uma guerra contra o tempo, para dar tempo de tudo.
Uma guerra contra minhas possibilidades, porque eu não tinha limites. Tudo
parecia pequeno e pouco para mim e eu brigava por mais. Uma guerra contra o
mundo que eu tentava consertar. Hoje sei que quem precisava de um conserto era
só eu.
O fato é que, decretar o fim desta guerra fez
com que sobrasse um espaço enorme dentro da minha vida. Foi como se de repente,
aquela casa apertada que mal me cabia, se transformasse em um grande salão.
Surgiram tempo, espaço e respiração. Espaço para ler, para conversar com
um velho amigo na padaria, para gostar de fotografia e para apreciar um bom
vinho. Para rir de mim mesmo no espelho enquanto escovo os dentes e para achar
graça no rap que meu filho fez.
Depois que eu perdi a pressa, encontrei o
encanto de ver o tempo chegar. O tempo de a chuva encharcar o meu jardim, o
tempo das folhas secas no chão, o tempo dos brotos e o tempo de
florescer.
Alguns chamam isso de maturidade. Eu gosto
desta palavra. Lembra fruta madura, com sabor intenso, ideal para saborear.
Outros chamam de velhice mesmo, mas isso não me ofende. No fundo, o nome não
tem a menor importância. Todas as minhas fases me pertencem e fazem parte de
mim. A criança, o adolescente, o jovem, o guerrilheiro, o maduro e o velho. Sou
todos, sou nenhum, sou cada um quando vier.
Leila Rodrigues
Publicado no Jornal Agora
Divinópolis em 02/07/2012
Imagens: textoscontextosereflexoes.blogspot.com – blog da amiga
Luconi