terça-feira, 3 de maio de 2016

Em quantos?



Enquanto um conta vantagens, a outra conta quantos faltam, o outro conta quantos vieram e aquele outro conta as moedas para comprar o pão. É conta que não acaba mais. E quem paga a conta é quem ficou para trás. Enquanto um fala a verdade o outro não fala nada e aquele outro fala dos outros. Que falazada!
Enquanto um dá um passo para frente, outros tantos dão dois passos para trás e assim ninguém chega a lugar nenhum. Enquanto um canta, o outro desencanta e nenhum dos dois entende de melodia. Há quem goste!
Enquanto uma faz qualquer loucura para emagrecer, a outra paga caro para engordar. E nenhuma das duas conhece ainda a beleza de ser. Ganhou quem inventou de modificar! Êta mercado danado que sempre arruma um jeito e um lugar para se ganhar!
Enquanto um trabalha, outros se abastecem daquilo que deu muito trabalho para executar.  Enquanto um constrói o outro desvia, enquanto um faz a ponte, outros fazem a cancela e continuamos todos desunidos, desconstruídos de nossas bases. Enquanto um ensina, o outro recrimina e um terceiro assassina. Aprender para quê se vai durar tão pouco? Já morreram a gramática e a inocência. Seria agora a vez da esperança? Eu espero que não!
Enquanto um espera, o outro se desespera e sai fazendo tudo errado. Eu tenho esperança de que um dia tudo se acerte. 
Enquanto um é mocinho, o outro é bandido e na manhã seguinte eles trocam de lugar. E agora? Quem poderá nos defender? 
Enquanto um chega o outro sai e a porta é sempre a mesma. Quem vai ou quem fica são apenas dois lados da mesma moeda. Hoje estou deste lado aqui, amanhã posso estar do lado de lá. Depende apenas do contexto, da necessidade ou de quem está contando a história. E cada um tem certeza de que está sempre do lado certo. Estas são as duas cegueiras do mundo. A certeza e o lado. 
Enquanto um tenta provar que sim, do outro lado alguém se defende, por quê não? Enquanto isso o tempo passa para todos e a vida enche de “poréns”. Desnecessários. 
Enquanto um executa, o outro planeja, o outro orienta e um outro lá de longe acredita e investe. É assim que deveria ser. É assim que deveríamos seguir. Mas para quem não sabe onde quer chegar qualquer lugar serve. Onde vamos parar?

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem: Game Age Off Empires - Série de jogos eletrônicos de estratégia para computador (retirada da internet)

Olá pessoal,

Tenho visto amizades de muitos anos sendo desfeitas devido à divergência de opiniões. Me pergunto até onde vai o direito de impor a escolha do outro e vice-versa. Cada um de nós carrega uma história, uma trajetória e um DNA. Não há como querer que o outro atenda às minhas expectativas!!
Ah se somássemos nossas competências e diminuíssemos nossos interesses singulares!!! O quão longe poderíamos ir???

Grande abraço

Leila Rodrigues




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