Quando adolescente eu calculava meu futuro. Pensava, me imaginava lá na frente, fazia alguns planos e depois saia para o mundo. Não que os meus planos ficassem na gaveta, mas eles nunca me incomodaram a ponto de me sufocar. Eu era capaz de tê-los e viver os momentos bons de toda jovem. Sair, namorar, viajar, enfim, acho que, com leveza, fui construindo o que seria então, meu futuro.
Porém, na tentativa de dar conta de todos os "recados" que a vida me trouxe, fui me tornando uma pessoa mais metódica. Hora para isso, dia de aquilo. Claro, hoje até nossas crianças de 6 anos tem agenda para cumprir. Faz parte do dia-a-dia de todos nós termos compromissos e obviamente agendá-los. Talvez o problema seja este mesmo "agenda".
O fato é que agendamos tão bem nossos dias, semanas, meses e anos que não paramos para observar alguns problemas graves que decorrem desse fato: O primeiro é que, enquanto estamos pensando no daqui a pouco, esquecemos o agora. Tomamos café da manhã, pensando em como será a manhã de trabalho; enquanto levamos o filho na escola, traçamos o caminho de volta e todos os lugares que temos que passar. Raramente estamos concentrados no momento presente. Fazemos as coisas tão mecanicamente, que não conseguimos mensurar o sabor das nossas atitudes.
Outro problema decorrente é que, qualquer anormalidade nesta agenda traçada em nossa cabeça, é capaz de arruinar com nossos dias ou noites. Temos paciência zero para sair do quadrado. O pior é que dizemos em alto e bom tom que adaptar-se às mudanças é a chave do sucesso. Como assim? Se não somos capazes de entender um desvio no trânsito ou um chuveiro que estraga dentro da nossa própria casa?
E nessa de planejarmos demais, ainda enxergo mais uma crueldade que fazemos conosco. Onde foram parar as surpresas da vida? Sumiram! Está tudo tão planejado que surpresas não existem mais. Encontros inesperados, aniversário surpresa, surpreender o parceiro ou a parceira com uma algo diferente?! Ah! Isso já ficou demodê!
Estamos ficando velhos? Sim, claro! Isso é um fato, todos nós estamos, até quem nasceu ontem. Mas acho que, enquanto gastamos uma energia gigantesca tentando retardar a velhice do corpo, avançamos na mesma proporção atraindo a velhice da alma.
Leila Rodrigues
Este texto foi publicado no dia 20/09, Jornal Agora (Divinópolis), o qual, passei a ser mais uma colaboradora. Meus textos são publicados toda terça-feira.
Obrigada à direção do jornal, pela oportunidade e a todos os leitores pela atenção às minhas palavras.