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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Ressaca do bem



Olá meus caros,

estive fora para um breve descanso e hoje estou de volta. Espero que todos tenham tido ótimas comemorações de Natal e Fim de ano e que estejam renovados para 2012, com muita saúde e paz no coração.
Neste meu período de reclusão, eu pude ler um pouco mais e também escrevi bastante. O Palavras continua aí, a seu inteiro dispor, animado para levar até você um pouco das minhas palavras. Prometo visitar a todos os meus queridos amigos blogueiros o mais breve possível. Um ano iluminado a todos vocês e que consigamos nos mover rumo a nossa evolução pessoal. 

Grande abraço

Leila Rodrigues


O texto abaixo, foi publicado no Jornal Agora - Divinópolis MG em 27/12/2011. Espero que gostem.

Ressaca do bem

Perdeu a hora, mas nem se importou. Esse é o único dia em que ela se permite acordar mais tarde. Um café forte vai ajudar. Saiu do quarto e observou à sua volta:
Destroços de papéis de presente espalhados pela casa mostravam que por ali houve algazarra. E alegria! No silêncio da casa, agora vazia, ela ainda conseguia ouvir os ecos das falas de cada um, falando tudo de uma vez. Era sempre assim! Todos falavam ao mesmo tempo. Dos filhos, dos netos, dos que não vieram, das conquistas. Mães competem umas com as outras elogiando suas proles. Homens falam dos seus times, viram técnicos inflamados e competentes. Contam do carro novo, do investimento, da reforma da casa. Pequenos correm e gritam ao mesmo tempo. É muita fala para uma noite só! E cabe tudo na ceia.
Crianças avançam afoitas em seus presentes. A alegria está nos olhos de cada uma delas. Alguns se emocionam, choram, coraçãozinho dispara. Pena que, em 10 minutos, já abriram, já testaram, já estragaram e já desmontaram os presentes. E ainda tem aqueles que mal ganharam o presente e já começam a pedir outro.
Na mesa, comida para 8 dias e o dobro de convidados. Com medo de faltar, faz-se, além da leitoa, do peru, do arroz com castanhas, das frutas e dos panetones; um feijão tropeiro, uma tábua de frios, uma carne de boi ao molho madeira... Enfim, é comida que não acaba mais! Tudo permitido! Mesmo porquê, não comer o que uma fulana trouxe é desfeita.
As tias, que só tomam leite de soja, entram no  espumante. Docinho, refrescante e ainda na taça com aquelas bolhinhas sensuais. Ah! Vira água! Os homens, que já bebem o ano inteiro, têm alvará para beber a noite inteira. Dá para imaginar o resultado! Dançam, cantam, choram, riem, gargalham, choram de rir, choram de chorar, se abraçam, se desentendem e se entendem novamente. Tudo em uma única noite! Isso é mágico!
Ela anda pela casa vazia. Enquanto junta os papéis, refaz o filme da noite anterior. Seus filhos lindos, quanto mais velhos mas lindos. Seus netos, seus parentes todos. Como é bom juntar a família, e poder celebrar a alegria de pertencer ao grupo. Voltar ao ninho e celebrar o nascimento do Pai.  Esta é a forma que encontramos de renovar nossos laços com aqueles que já nascemos entrelaçados.  Se é certo ou não, se o espírito natalino se perdeu, se o consumismo tomou conta, ela prefere não julgar. Para ela, fica a certeza de ter renovado seu profundo amor para com todos que estiveram alí.
Leila Rodrigues