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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Uma voltinha no céu



E eu estava lá, naquele lugar tão sonhado por todos, o céu! Sim, eu estava no céu! Um azul que não se comparava, uma imensidão, outra dimensão! Que vontade de voltar correndo só para contar para todos como é que era aquilo ali!! Eu estava lá, em carne e osso. Bom, na verdade, nem em carne, nem em osso, eu estava lá e nem sequer sabia como! Nem por quê?!
Ouvia pássaros, músicas. O céu me pareceu ser cheio de instrumentos! Eu não cheguei a ver ninguém tocando, mas ouvi as músicas. Só música boa! Aquelas do nosso tempo!  O DJ deve ter nascido em Campinas, em meados de 72. Não deu tempo de conhecê-lo, mas, pelas músicas, pude imaginar!
Os barulhos não se misturam. Uma coisa de cada vez! Lá ninguém tem pressa para falar. Nem as mulheres! O tempo é sempre ensolarado, mas não faz o calorzão daqui. Estranho, não é? Um sol que não queima? Achei meio esquisito, mas permaneci calado, afinal, quem sou eu para questionar o céu! O céu, meu sonho de consumo durante toda a minha vida! Eu iria questionar o quê? E questionar com quem? Lá não tem patrão!
Aliás, lá falta muita coisa gente! Questão de escolha, penso eu! Mas não encontrei nem um botequim! Tudo bem que eu nem senti sede, mas nem unzinho? Tá bom, desculpe! Isso não é coisa de se procurar no céu. Era só para matar a saudade...
Bill Gates certamente iria querer essas cores para colocar na nova janela do Windows. As cores lá são ... Diferentes. Intensas seria a palavra certa. Ou seriam meus olhos? Não sei, também não vi ninguém de óculos!
Eu andei pouco, mas foi o suficiente para voltar cheio de novidades. Ninguém no céu anda de camisolão, como eu imaginava. A turma também não fica tocando harpa e comendo frutinha deitado na rede. Nada disso! Tudo intriga da oposição! Lá você fica do jeito que quiser. E todos tem o que fazer! A diferença é que, estando lá, você só quer fazer o que é bom e certo. Naturalmente. Sem ninguém pedir.
Tem mulher, tem homem, tem bicho, tem flor. Só não tem celular, fila de espera, trânsito e poluição. Confesso que a falta do celular me deixou meio atordoado. Força do hábito!
No mais, o céu não é muito diferente daquele dia que você acorda de bem com a vida e sai enxergando o mundo diferente e muito melhor.  E eu só voltei porque queria contar para você que eu fui até lá de trem. É! Um trem doido que eu tomei antes de pegar o ônibus para Brasília.


Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis MG, em 23/11/2011