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domingo, 15 de julho de 2018

Uma jovem de 80 anos


Uma jovem de 80 anos

O clima fica diferente. Nas ruas, há um movimento. Cartazes, comentários, convites. Há um bom motivo para festejar! 
Todos são convidados. Sem restrição. Para os religiosos tem novena da Santa Padroeira - Nossa Senhora do Carmo. Para os mais novos, tem jogos, shows e baladas. Para os tradicionais tem o desfile. Se ontem fomos nós com nossas mini-saias de prega e o tênis Bamba, hoje são nossos filhos e nossos netos com suas selfies. Olha fanfarra do Estadual deixando a festa ainda mais linda! Os meninos da APAE, a pipoca, o picolé, as pessoas na rua à espera das homenagens. E para os que se foram, tem a satisfação de aparecer para encontrar a família e os amigos. Basta dar uma volta para encontrar com aqueles, que um dia fizeram parte da nossa vida. Um abraço aqui, uma lembrança ali... e em instantes a roda de conhecidos se forma. Ah isso não tem preço!!! Vale a pena vir em Arcos no dia do desfile, simplesmente para matar a saudade. Saudade do muro do fórum, do bar do Idolves, do Tio Patinhas e principalmente daquele furdunço de gente aglomerada na praça no dia da cidade. Mudam-se as musicas, os bares e o jeito de se divertir. Mas há que se conservar o amor à esta cidade querida, que tão bem acolhe a quem quer que chegue. 
Ah, já faz tanto tempo que cheguei aqui em Arcos, que é natural para mim dizer que sou daqui, mesmo não sendo. Sempre que chega esta época, é gostoso viajar no tempo e lembrar de quando chegamos, ou de quando começamos a nos entender como gente (para quem nasceu aqui). Quais eram nossas expectativas? O que esperávamos da nossa Arcos? Nossos sonhos, nossos amores, nossa juventude ávida por um baile no clube. Cada um de nós descobriu como pôde um jeito de ser feliz. Muitos construíram seus sonhos aqui mesmo, outros tantos se foram.  A vida se encarregou de dar o destino certo para cada um. E ainda que hoje eu não more aqui, o meu amor pela cidade estará presente na minha vida e nas minhas atitudes. É a nossa Arcos soprando mais uma vela da sua história. Ela chegou aos 80 anos. Tão jovem! Com tanto futuro pela frente, ainda há muito o que conquistar! E nós estaremos aqui; entra ano, sai ano, assistindo às mudanças do tempo acontecer com as pessoas, com a cidade e com cada um de nós! Evoluir sim, envelhecer jamais! 

Leila Rodrigues

Publicado no JC Arcos em 15 de julho de 2018


Olá pessoal,

Hoje todas as honras e todas as boas  energias são para Arcos, esta cidade que eu amo e que tenho orgulho de dizer que é a minha casa. Parabéns Arcos! Que você continue crescendo e se desenvolvendo cada vez mais. Que pessoas competentes e honestas estejam à frente de bons projetos e que nós tenhamos sempre bons motivos para voltar. 
A todos que fazem desta cidade, este lugar tão especial, meu abraço e o meu carinho.


Leila Rodrigues

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Vida no interior




Olá pessoal,

Através do meu trabalho, tenho a oportunidade de conviver com pessoas em várias cidades do país, inclusive as capitais. Sempre nos demos muito bem, mas, nesta convivência, aprendi que, às vezes é preciso deixar claro a que viemos e quais são nossos propósitos.  Vida no interior vai falar sobre isso. Espero que gostem.
A foto é uma homenagem à cidade de Arcos, onde eu cresci e me tornei quem eu sou.
Este mês o Palavras faz dois anos. E na semana que vem teremos uma postagem especial de aniversário. Convido a todos para comemorarem comigo.
Abraços e Boa leitura!

Leila Rodrigues



Vida no interior


Tudo começa com o galo cantando. É ele que anuncia o dia ainda antes do sol nascer. Depois vem o cheiro de café coado na hora o biscoito frito e a neblina da manhã na serra. Só quem vive aqui sabe que privilégio é esse. O rádio conta as notícias da noite. Daqui, da redondeza e do resto do mundo. Enquanto tomo o café ouço as notícias e verifico a agenda do dia. Depois do café começa o corre-corre. 
Reuniões, discussões, decisões e muito trabalho. Todos correm. A luta de quem vive no interior não é menor que a da cidade grande. O que se percebe muitas vezes na nossa convivência com quem está nos grandes centros, principalmente se este grande centro está em outro estado, é que eles acreditam que no interior só existe pasmaceira e que nossos neurônios trabalham na velocidade dos jegues. 
Alto lá! Aqui existe inteligência, adrenalina, correria, empenho e muita dedicação. Não é porque eu gasto 00h15min para fazer o percurso casa-trabalho que eu tenho tempo de sobra para dormir depois do almoço. Aqui também se planeja, executa, monitora, entrega, solicita, compra e vende. Assim como vocês que estão do outro lado da serra. Nossos dias são corridos como o de qualquer outro cidadão. 
Depois do trabalho vem o inglês, o MBA, a faculdade, o esporte, o dever de casa do filho, o grupo de estudo, a reunião, a internet... Como acontece em Xangai, Berlim ou em São Paulo. O que nos difere é que o nosso tempo de ir e vir é bem menor, nossos letreiros luminosos ofuscam menos nossos olhos cansados e a quantidade de pessoas é proporcional ao PIB de nossas cidades. 
Não somos alienados, sabemos muito bem que a diferença é grande. Mas isso não significa que a inteligência não reina em nossas cabeças. Para qualquer um que venha negociar ou discutir conosco, preparem-se, porque vocês podem se surpreender. E venham com conteúdo porque vocês vão precisar de muito para nos convencer de alguma coisa.
Perdemos em oportunidades e possibilidades, mas ganhamos em qualidade de vida. Ganhamos um pouco mais de tempo com as pessoas que amamos, ganhamos um pouco mais de endorfina e alguns créditos de anos na conta da vida de cada um. Perdemos quando concorremos com os metropolitanos por estarem eles no centro do furacão, mas ganhamos quando se avalia a coragem de competir com o adversário cada vez mais difícil. Afinal, passamos a vida inteira tirando leite de pedra.
Lutamos para sermos reconhecidos, lutamos para cumprirmos nossos compromissos, para entregar nossas metas e para vencermos o desafio de crescer sem perder a nossa identidade. Lutamos para que nossas cidades cresçam e se desenvolvam, mas também lutamos para que nossa cultura, nossa história e nossos valores sejam preservados. 
Não queremos nos comparar a ninguém, mas não podemos aceitar que nos diminuam pelo nosso jeito simples de ser ou o nosso sotaque interiorano.
Pode ser que no fim do dia, quem vive na cidade grande tenha as mais diferentes e desafiadoras possibilidades e eu tenha apenas o cheiro doce do manacá e meu velho e bom computador, que, diga-se de passagem, me leva aos mesmos lugares que o seu.


Leila Rodrigues

Texto publicado no Jornal Agora Divinópolis em 29/01/2013