domingo, 14 de maio de 2017

Para ficar na história



Era maio. Era 14 de maio de 1958. Éramos nós e o pequeno vilarejo de Aureliano Mourão. Éramos eu, você mamãe, papai e meus 10 irmãos. E você, Dona Ilva Campos Rios era a nossa rainha. De você viemos e à sua volta conhecemos a alegria de ser uma família. Sob o seu comando crescíamos e descobríamos o mundo. Eu José Roberto, meu pai Antonio Rios e meus irmãos, Amélia, Vitória, João Pedro, Antônio Augusto, Ana Aparecida, Raimundo Cézar, Zenon, Dimas, Sonia e Ricardo. 
Lembro do seu cabelo escuro sob a sua pele clara. Lembro do seu sorriso e do cheiro que vinha das suas panelas anunciando a hora de comer. Lembro do quanto a sua presença coloria aquele vilarejo com a sua alegria de viver. Lembro das manobras constantes do trem bem em frente à nossa casa e você nos advertindo dos perigos do mesmo. 
Mas quis o destino que você nos desse uma lição muito maior. E quis ainda o destino me escolher para assistir o seu ato de bravura. Foi o seu instinto materno, o seu amor pelo seu filho que fez você entrar no meio do emaranhado de máquinas gigantes para salvar o nosso pequeno Ricardo da morte. Você o salvou mamãe! Você salvou o nosso irmão Ricardo no mesmo instante em que nos deixou. 
Ah como eu gostaria de te abraçar pelo seu gesto! Como eu gostaria de te dizer que a sua bravura repercutiu em mim e nos meus irmãos para o resto de nossas vidas! 
Eu era um menino,  um adolescente sujo de terra que ainda tinha muitas histórias para compartilhar com você. Por muitos anos eu esperei o seu colo. Por traz desse homem bravo e forte que eu me tornei, o seu menino ainda vive e chora a sua falta. E toda vez que o trem apita lá longe, um misto de dor e saudade traz você para perto de mim. É o momento em que eu me sinto de novo o seu pequeno José Roberto.
Mãe, nem eu nem meus irmãos temos dúvida de que você habita o céu! Você se tornou esse anjo que protegeu nossos caminhos até aqui. Depois da sua partida houveram tempos difíceis. Foi preciso que nós, eu e meus irmãos, nos uníssemos para continuar o seu legado Dona Ilva. Nós nos unimos para nos criarmos de novo, em um novo mundo sem você. E agarrados um ao outro crescemos. Crescemos e formamos nossas famílias. Hoje somos muitos. Hoje você tem genros, noras, netos e bisnetos. Você Dona Ilva Campos Rios continua sendo a nossa rainha. E por você eu defendo os meus filhos e luto para que sejam pessoas de bem. O seu ato de bravura ao salvar o seu filho, há de ficar na história de cada um de nós. 
Tem gente que diz que o tempo leva tudo. O tempo não leva tudo! Nem todas as ventanias que eu e meus irmãos enfrentamos nesta vida desataram o laço que existe entre nós. Nem o fato de você habitar outra dimensão, nem o barulho do trem, nem ninguém... Você permanece viva em nossos corações! 

Leila Rodrigues

  • Esta é a história real do Senhor José Roberto e sua família, em especial de sua mãe a Sra. Ilva Campos Rios que faleceu em 14.05.1958 ao salvar o seu filho Ricardo que brincava entre os trens.
  • Publicado no Jornal Agora em 13.05.2017.
  • Imagem da internet - meramente ilustrativa.

Olá pessoal,

Nesta semana fui procurada pelo Senhor José Roberto que queria muito me contar a sua história. O Sr. José Roberto é um pai de família, uma pessoa muito simpática que me contou a história acima, a história da sua mãe e me pediu que a transcrevesse para ele. 
Não sei explicar a emoção que foi para mim receber este convite. Também não sei traduzir o  momento da escrita. Tive pouco tempo para internalizar a história, mas espero ter conseguido traduzi-la do jeito que a história merece.
Assim são as mães, pode passar o tempo, pode o mundo evoluir, pode a tecnologia avançar, mas o amor de mãe, o instinto salvador das mães, isto nada no mundo vai mudar.
E assim desejo a todas as mães forças para viver este amor infinito e incondicional que acomete a todas nós a partir do momento em que concebemos um filho no ventre!
Abençoadas sejam as mães!!!!


Grande abraço



Leila Rodrigues

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