sexta-feira, 17 de junho de 2016

Cabeça feminina




Procurou na bolsa, não estava lá. Apalpou os bolsos. Também não estava. Parou, olhou para um lado, para o outro, entrou na primeira loja. Não queria comprar nada, nem sequer prestou atenção no que vendia ali. Pediu licença e colocou a bolsa no balcão. Foi tirando coisa por coisa. Saiu celular, saiu um outro celular, carregador, capinha extra de celular, batom, óculos de sol, limpador de celular e carteira. Sim ela tinha uma carteira! Tirou outra bolsa (menor de carregar as aspirinas, mais um antialérgico (poderia precisar), colírio, remédio para prisão de ventre e um relaxante muscular). Nada de achar! Continuou tirando as coisas da bolsa. Saiu mais uma bolsinha, agora com caneta, lapiseira, borracha e um bloquinho de anotações que nunca foi usado. Detalhe, ela não estuda há anos! O balcão ficou pequeno, pediu uma sacola e colocou tudo que já havia tirado dentro da sacola.
Continuou a saga. As chaves, Chave de casa, chave do escritório, chave da casa da mãe (é que ela está velhinha, posso precisar entrar lá a qualquer momento), chave do carro e chave do cofre do patrão. A esta altura a balconista já estava entrando em pânico, tentando ajudar e ao mesmo tempo se livrar dela que havia tomado todo seu balcão. Quis ser educada, trouxe uma água, ofereceu cadeira. Nada de achar.
Ligou em casa. A empregada demorou 15 minutos para atender.  - Procura na gaveta do meu criado. Atrás do sofá. Entre a poltrona e a minha cama. Na geladeira. Na gaveta das calcinhas. Nada.
Desesperada começou a suar frio. A pressão ameaçou baixar. Aceitou um café. Rezou. Ligou para a melhor amiga. 
- Como é que pode? Um investimento tão alto. Ainda nem acabei de pagar as prestações e já perdi. Já imaginou quando meu marido souber? Vai me matar! Amiga, torce por mim que o meu dia acabou. Vou voltar para casa, tomar um calmante e dormir. Desisti da academia, do médico que eu tinha hoje, de visitar a tia Luzia no hospital... Hoje eu não quero mais nada!
Colocou de volta todos os pertences da bolsa, agradeceu a atendente. 
- Muito obrigada amiga! Você me acolheu em uma hora muito difícil da minha vida. Valeu a torcida.
Ajeitou a roupa no corpo, limpou as lágrimas para sair e levou a mão na cabeça para ajeitar os cabelos. 
- Oh! Achei! Meu “Raiban” amado! Seu safado, estava aqui na minha cabeça este tempo todo! Paguei caro para você vir dos "States" e você faz isso comigo?

Leila Rodrigues

Imagem da internet
Publicado no Jornal Agora Divinópolis


Olá pessoal,

não importa se você é o homem ou mulher. Não importa a idade que você tenha, um dia a sua memória vai te trair. É fato! É parte do processo hormonal. E aí é ferro que fica ligado, luz acessa, porta sem trancar… enfim. Sãos os sinais do tempo. Os letais. Percebo que nós mulheres conseguimos confundir ainda mais as coisas, principalmente por essa nossa mania de querer fazer várias coisas ao mesmo tempo. Um dia embola tudo e não sai nada direito. É o preço que pagamos pelas nossas urgências.
Este texto é para todos nós, homens e mulheres que já experimentamos este momento cruel com nossas memórias. Que a gente consiga foco, que a gente consiga organizar as ideias, mas sobretudo, que consigamos achar graça em nós mesmos. Afinal, rir ainda é um bom remédio.

Grande abraço


Leila Rodrigues

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