segunda-feira, 8 de abril de 2013

Carta para Amélia











Olá pessoal,

Cresci em uma casa onde a música foi muito presente, principalmente a música brasileira. Meu pai tem um grupo de seresta, então samba, bossa nova e chorinho fizeram parte da minha infância e MPB da minha adolescência. A música Amélia, sempre me chamou muita atenção pela letra e pela “saudade” que o autor tinha daquela mulher, que depois soube que era a mãe do autor (Mário Lago). 
O texto de hoje é Carta para Amélia, em homenagem a este clássico da música brasileira.

Abraços a todos
 Boa leitura!

Leila Rodrigues



Carta para Amélia



Oi Amélia. Não tenho a menor idéia de onde você se encontra, mas esta carta é para dizer que as coisas por aqui mudaram. Ainda bem, não é?! Aliás, carta já não se usa mais, isso aqui é um email. Depois te explico melhor o que é um email, porque a história é longa, começa lá num tal de Bill Gates.
Então temos novidades! Muitas. Eu espero que você goste!
A vaidade, aquela que você não tinha nem um pouco, virou preocupação básica de toda mulher. São cosméticos, maquiagens, cirurgias plásticas, creme para tirar manchas, para tirar rugas, para tirar cansaço... Amélia, só não tem creme que disfarce o chifre, porque, o resto, tudo se transforma. Nós fomos para academia, fomos para o salão de beleza, fomos para a maratona. Só não se cuida quem não quer.
Em casa também tivemos muitas mudanças. Saímos para o trabalho. É amiga Amélia, às vezes eu fico em dúvida se isso foi bom ou ruim, porque fomos para o trabalho, mas as nossas obrigações continuam as mesmas. Ou seja, acumulamos funções. Somos mães, esposas, filhas e profissionais. Mas descobrimos que trabalhar, ter o próprio dinheiro, construir junto ou sozinha  nossos próprios patrimônios é tão bom, que o acumulo de funções fica pequeno perto da nossa satisfação. Amélia, hoje nós temos nosso próprio carro, nosso próprio computador e  nossa própria opinião formada sobre tudo.
Mas o melhor de tudo eu ainda não contei. Eles também mudaram muito. Eles, os meninos, são outros homens também. Eles também são vaidosos, eles também participam da criação dos filhos, dos cuidados com a casa e estão cozinhando melhor que nós. Isto não é incrível? Amélia, não tem coisa mais gratificante do que chegar em casa tarde do trabalho e encontrar a janta pronta que ele fez, a mesa arrumada e as crianças de banho tomado. Isso é a glória de toda Amélia moderna.
Resumindo para você Amélia, hoje estamos todos fazendo de tudo. Juntos, homens e mulheres educam seus filhos, constroem suas casas, viajam, estudam, se divertem e se amam. Descobrimos que o bom da vida é participar. Deixamos de servir e passamos a fazer parte da brincadeira. No começo, eles se assustaram conosco, mas hoje já se acostumaram e sabem que a mudança foi para melhor. Amélia, que fique entre nós, mas eles hoje fazem até terapia. E homem que é homem, hoje chora.
Você, Amélia querida, continua sendo cantada e lembrada por todos. O que mudou é que a mulher de verdade agora é esta que eu acabei de te contar.
Todos te mandam um abraço. Vê se aparece.

Leila Rodrigues

Imagem da internet. Publicado no Jornal Agora Divinópolis em ou/2012 

9 comentários:

  1. O tempo passa tão depressa Leila...
    e tudo muda em tão pouco tempo!...

    Este texto é delicioso!!!
    Beijos,
    AL

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  2. Gostei da analogia - ontem e hoje!
    A 'brincadeira' de casinha agora é bem mais participativa. Via minha mãe sendo Amélia e infeliz, não realizada. Pulei fora desse bonde das frustrações. Fui à luta. Assumi. Fiz tudo o que precisava ser feito. Meu marido junto. Meu filho idem. Parceria e cumplicidade sempre foram nosso lema. Somos felizes.
    Bj. Célia.

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  3. Leilamiga

    Penso que passei por aqui,aqui há 2.349.053,56 anos-Estou um verdadeiro sem vergonha.

    Mas, prometo-te voltar e revoltar. Eu sei lá quando? Quando as galinhas tiverem dentes...

    Qjs

    H

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  4. Bem, não resta dúvida de que o texto é ótimo e bem atual. Nem cabe, abrir uma discussão sobre o assunto, mas, é claro que a evolução da mulher foi boa, até mesmo para o homem, mesmo assustando-o no início. A mulher só precisa cuidar que não queira ser igual ao homem, senão ela ficará feia, não gosto de machistas, mas também não gosto de feministas radicais. A mulher pode e deve evoluir sem deixar de ser feminina. Um outro detalhe, é que por outro lado, a mulher não evoluiu, ainda falta a ela, uma outra autovalorização, as músicas cada vez mais ridicularizam a mulher, e é justamente a mulher que integra a maioria do público que canta e compra músicas que falam: "se eu te pegar você vai ver"... que mulher esta doida para entrar num Camaro amarelo e até mesmo um Fiorino serve. E outras tantas músicas do tipo "Créu", "só as cachorras, as preparadas". O pior, desse público, a maiooria é de adolescentes. Sem contar as mulhere frutas, o sexo debaixo do edredon nos realitys e por aí vai. A mulher sempre como objeto sexual. A música citada, até foi sucesso, mas eu não gostava dela, é uma música machista. parabéns pelo texto. beijos.

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  5. Adorei! escrevestes lindamente esta mudança radical vivida por nós (algumas mulheres de certos países.) Pena que existam outras bem menos que amélias que vivem ainda no mais frio ostracismo, sem voz e vez.
    Parabéns pelo belo texto.Bjs Eloah

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  6. Lembrei-me duma música antiga - Conceição.
    Nunca mais ouvi.
    Agora, por cá, é só amaricanices...

    Bjjjs

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  7. Legal essa "viagem no tempo", tempo em que a MPB tinha letra e música. As Amélias de ontem e de hoje. Quanta diferença!

    Um abração.

    Um abração.

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  8. BOA NOITE MINHA AMIGA FIDALGA !!!!
    FIDALGUIA TBM NESSE TEXTO TÃO ATUALÍSSIMO,QUE É DISCUSSÃO ATUAL SEMPRE...
    FELIZ DIA DO BEIJO !!!!!!!!!!!!!!
    ATITUDES...
    PARABÉNS PELO TALENTO EXPRESSO DE FORMA MAGISTRAL EM CADA PENSAMENTO ESCRITO...
    BEIJOSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS

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  9. Amei este texto, Leila!
    Fiquei imaginando a Amélia lendo, boquiaberta e um tanto desconfiada com todas essas mudanças em um curto (será?!) espaço de tempo.
    Penso que o que deixaria Amélia mais impressionada seria a mudança masculina de "nasceu para ser servido" pra "não basta ser pai, tem que participar", pois quem diria que os homens assumiriam a cozinha da casa e até as fraldas dos filhos?! Aqui em casa é assim, não há distinção de gênero.
    Se os tempos de Amélia deixaram saudades, não foi para mim: bom mesmo é fazer de tudo! Mas a canção é bela, merece mesmo continuar sendo cantada.

    Beijão pra você!

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