sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O herói do meu silencio

Gosto de São Paulo. Gosto de andar pelas ruas de São Paulo. Me sinto a pessoa mais comum do mundo, mas também me sinto parte dele, ainda que ínfima e isso é tudo de bom!
Ali, naquele diversidade louca, onde se tem pessoas de todos os tipos, de todos os jeitos, de todos os gostos, de todas as tribos, de todos os lugares; eu me perco e me encontro.
Me perco no meio de tanta gente, de tantas opções e me acho nas minhas escolhas, nas minhas atitudes e decisões.
Como seria um mundo sem diversidade? Já pensou, uma cidade só de adolescentes, outra só da terceira idade, um estado só de balzáquias, outro só de gays, que horror!
Cada um na sua, no seu... no seu telefone, no seu carro, nas suas máscaras, nos seus clubes, nas suas redes, nos seus grupos. Sim, nos seus grupos, nas suas comunidades.
Hoje existe comunidade para tudo, até para os sem interesse em se comunicar, pode? É comunidade das bordadeiras, dos abstênios, dos anônimos (de qualquer coisa), das mães das crianças portadoras de pancreatite, dos mecânicos, dos opaleiros... e por aí vai, sem falar nos tradicionais e conhecidíssimos grupos que já tomaram fama mundial.
Incrível como as pessoas vão se encontrando, vão se juntando, vão se formando. É como se buscassem os seus pares, os seus irmãos espalhados pelo mundo, qualquer um que tenha as mesmas opiniões, os mesmos interesses, para então curtirem juntos suas opções comuns.
Eles se acham, se entendem, se defendem, se formam. E uma vez formados eles nunca mais são um só. É como se juntos eles criassem uma força avassaladora, um poder que não se explica numa conta matemática onde um mais um são dois, porque um mais um, neste caso, são vinte e cinco.
Quantos pecados mortais antes guardados a sete chaves, hoje são discutidos, impressos, legalizados, defendidos! Quantas idéias e opiniões ocultas isoladas durante anos, hoje viraram leis, livros, cotidianos.
Herói do meu silêncio é você que puxou este cordão, que foi o primeiro da fila, que pagou o preço alto desta coragem. Você que mostrou sua cara, que escancarou seus valores, ou que, discretamente abriu sua boca e começou tudo.
Você é um herói. O herói do meu silêncio.

Leila Rodrigues

4 comentários:

  1. Quando li este texto me lembrei de qdo morava sozinha em BH...me senti lá, em meio a uma multidão sem identidade... edifícios gigantescos... ruas com ou sem saídas...vai e vem...
    Ah que nostalgia...
    Qdo chego lá me sinto diferente... parece um lugar só meu... inesplicável...
    Bom, gostei das sensações que revivi...bjos

    ResponderExcluir
  2. Adorei seu texto. Continue assim.

    ResponderExcluir
  3. Leila querida, texto magnífico!
    concordo em todos os números, gêneros e graus!
    Quem veio antes e deu a cara à tapa deixou para nós a possibilidade eminente de hoje desfrutarmos de afagos!
    Pois que você seja agora para os "heróis do seu silêncio" o que já é par mim: Heroína das palavras!

    Você é uma grande escritora. Parabéns!
    Beijo na Alma!!

    PS.lhe escrevi um e-mil para o contato em seu perfil e não recebi resposta. Gostara de falar sobre publicação de livros, se puder me resppoda.

    ResponderExcluir

Obridada pela visita. É muito bom ter você por aqui!
Fique à vontade para deixar o seu recado.
Volte sempre que quizer.
Grande abraço