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domingo, 13 de setembro de 2020

A arte de não saber


Nesta manhã eu acordei diferente. Não senti vontade de ouvir o rádio, nem de tocar no meu celular ou ligar a TV. Nesta manhã eu não quis saber como anda a briga do Donald Thrump  com a China e muito menos a guerra entre esquerda e direita no Brasil. 


Pela primeira vez em 180 dias eu não quis ver as estatísticas. 

O café, aquele mesmo café que eu tomo todos os dias, me pareceu diferente. Desceu devagar, não me queimou a garganta, apenas me aqueceu.

 

O dia prosseguiu e eu prossegui junto com ele. Trabalhei o que precisava ser trabalhado, comi o que tinha pra ser comido e para minha surpresa, não procurei saber como estava o mundo lá fora. Alienado? Eu? 


Eu posso explicar. Há exatamente 6 meses eu assisto todos os noticiários, ouço rádio, lives, palestras e qualquer pessoa que queira me dar uma explicação, uma resposta ou uma previsão sobre o nosso momento chamado pandemia. Eu estava exausto e deixando exaustos todos ao meu redor. Eu pude ver nos olhos da minha mulher que ela não me suportava mais. Eu estava bem perto de enlouquecer. 


Então eu decidi ter uma conversa comigo, coisa que sempre faço quando sinto que não estou bem, mas que, desta vez, de tão envolvido com os temas da atualidade, não me lembrei de fazer. A minha conversa comigo não foi muito longa. Eu perguntei para mim mesmo por que eu carregava tamanha ansiedade? Por que esse desespero para saber tudo, todas as notícias, todas as informações? O quê eu pretendo fazer com estudo isso? 


Esperei respostas que não chegaram. Esperei a cura, esperei a vacina, esperei que as pessoas tivessem consciência, esperei que tudo fosse um sonho coletivo, mas não foi nada disso. 


Cansado de esperar me dei conta de que a vida continua, eu e meu cachorro estamos engordando a cada dia, as plantas continuam crescendo e o meu cabelo precisa ser cortado.  O tempo não parou. A vida não parou. 


Então optei por não saber. Por não ser mais o dono da notícia. Por não brigar para ter razão.  Por não conhecer mais quantos mortos, quantos infectados... Neste momento o que eu sei mesmo é que preciso viver. Viver, trabalhar, me cuidar, colaborar de alguma forma e me encantar com alguma coisa do caminho. Se tudo isso foi “preparado” para nos fazer parar. Que esta parada me permita fazer melhor, fazer direito e fazer bem feito. 


A arte de não saber é estar aberto para aprender. Aqui estou eu, sem saber nada, aprendendo com tudo isso!


Leila Rodrigues


Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos

Imagem: https://imagens-de-fundo.blogspot.com/2012/04/desenho-de-homem-solitario.html


Olá pessoal,


eu espero que estejam bem e se cuidando. Não acabou. Estamos em processo, estamos em um aprendizado coletivo de dimensões inimagináveis. Sigamos pois que não é o mais forte nem o mais inteligente que sobrevive, mas o que melhor se adapta.


Grande abraço


Leila Rodrigues

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Efeitos colaterais



Tenho andado diferente. Diferente dos outros? Não. Diferente de mim mesma. Diferente da pessoa que eu era ontem, que eu era ano passado. 
Tenho segredos. Eu agora tenho segredos guardados comigo. Não são de ninguém, senão meus. Eu os criei, eu os plantei aqui na minha cabeça. E todos os  dias os cultivo com meus sentimentos.
As vezes são segredos bons, sonhados ao longo do dia, a céu aberto, enquanto  caminho pela rua e aproveito que ninguém pode ouvir meus pensamentos. 
Às vezes são segredos ruins, verdades difíceis de digerir. Verdades que precisam de um ombro a mais para serem suportadas.
No fundo são só segredos, só meus. E eu os revelo apenas se o meu coração quiser. 
Não, eu não sou um poço de virtudes, eu não acordo todos os dias achando a vida linda. Dentro de mim tem luz e sombra. Disposição e cansaço. Coragem e medo. Vontade de ir e vontade de ficar. 
Eu adoraria acordar todas as manhãs com o coração transbordando alegria e compaixão. Talvez essa seja a minha meta pessoal. Mas ainda tenho minhas manhãs de desânimo de vez em quando. Não é sempre, mas tenho.
Em tempos de pandemia, em tempos de incertezas, tenho lutado comigo mesma para ser mais forte que o contexto. Nunca precisei tanto das minhas forças mentais como agora. Na contrapartida da nossa inércia física, é preciso trabalhar a mente. Temos ouvido de tudo, de tudo mesmo. Muita gente falando ao mesmo tempo. Falando sem conhecimento de causa, falando sem saber o que fala. Falando o que lhe convém. A pandemia tem missões nobres para cada um de nós. Porém, definitivamente, em toda a minha vida, nunca precisei ser tão forte quanto agora. É preciso nos ancorarmos na fé e nos nossos valores para vencermos as agruras do momento. É preciso termos altas e boas conversas com nossos próprios valores para não nos deixarmos levar pela correnteza política que se apropria do contexto para conseguir adeptos. É preciso sermos maduros de fato, conscientes de que nada será como antes, mas que tudo pode ser reconstruído de um jeito melhor. 
Estamos todos experimentando o efeito colateral da incerteza. Alguns vão perder os cabelos, outros vão perder o sono, muitos vão perder o emprego, a vida e a Só espero que experimentemos também, as grandes e ricas lições que este momento tem, para cada um de nós!

Leila Rodrigues

Publicado no JC Arcos
Imagem: https://www.abrale.org.br/revista-online/efeito-colateral-quem-sofre-avisa/


Olá pessoal,

Não há como não estar tocado pelo contexto atual. Todos nós, independente da idade, da condição física ou onde vive, estamos, de alguma forma, tocados pela pandemia. 
E por mais que estejamos exaustos de notícias e de informações, é preciso refletir sobre a forma como estamos recebendo esta mudança, que vai muito além de ficarmos em casa. Estamos diante e grandes mudanças. Nada será como antes. Na verdade, nunca foi. O que muda é que, desta vez, as mudanças serão relevantes, surpreendentes e com certeza, afetarão a todos nós. 
Fiquemos bem, de coração abertos e flexíveis para receber o novo que vem por aí.

Grande abraço



Leila Rodrigues

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Sobre esse tal de auto-amor



Ame-se! Ame-se como ninguém te amou ainda! Não é egoísmo. É auto-amor! Ame-se do jeito que você é! Sem máscaras, sem retoque, sem Fotoshop. Ame a pessoa que você sempre foi. Ame-se na perda, na derrota, na feiúra, na doença, na pobreza, nos dias comuns que não tem nenhum glamour. Esse é o desafio do auto-amor! Amar-se quando ninguém mais te amar! Ame-se depois de ter levado um fora, depois de ter perdido o emprego, depois de ter levado um tombo da vida. Ame-se depois do porre, depois da dívida, depois da separação, porque é nessas horas que todos os falsos amores se vão e você vai sobrar apenas com você mesma. Ame-se com dor de cabeça e compreenda o fato de que você é um no meio de muitos. Ame-se sabendo ser um grão de areia. Um único grão de areia no meio da areia toda! 
Ame suas tentativas, ame suas iniciativas e todas as suas formas de lutar. 
Ame o que você conquistou mas não faça disso o único motivo para se amar. Junte seu lado sombra com seu lado luz e ame-os com a mesma intensidade. Pois que somos a soma dos nossos lados e  não há nada mais saudável que isso! 
Auto-amor é a intimidade consigo. É se colocar frente-a-frente com a única pessoa na qual você pode ter alguma expectativa, você mesma! 
Auto amor não é egoísmo. É fortalecimento! É saber-se filho do universo, portanto herdeiro e lutador. 
Auto-amor não é vaidade. Vaidade é preocupação com o externo e o externo é raso. É cuidado. Cuidado com o corpo, cuidado com o físico, cuidado com a alma, cuidado consigo. Cuidado com o templo que carregamos conosco e chamamos de corpo. É confortar-se ao vestir, ao despir, ao ingerir, ao permitir o que deve ou não fazer parte de nós. 
Auto-amor é o afeto que você se dá! Consciente que, só depois dele, outros afetos virão. 

Leila Rodrigues

Imagem: http://www.clinicaprolab.com.br/noticia/serie-8-viloes-coracao-que-voce-nao-conhecia-traumas/


Olá pessoal,

Tudo bem com vocês? Espero que sim e em casa. À esta altura da quarentena, o corpo já está cansado do mesmo lugar de sempre no sofá. Faz parte!
Este texto não é novo, mas achei pertinente colocá-lo hoje. Em stempode e quietude e obediência, o auto-amor verdadeiro, fiel e sem retoques é quem dita o caminho. Só daremos conta de tudo isso, se dermos conta de nós mesmos!

Grande abraço

Leila Rodrigues

domingo, 19 de abril de 2020

Certezas perdidas



São tantas perguntas e tantas respostas que estamos todos confusos. Por quê estamos passando por isso? O que será de nós depois disso? O que será de nossas cidades depois desse turbilhão? O que será do nosso país? O que será do planeta? 
Previsões e especulações não faltam. Comentaristas, intelectuais, jornalistas, economistas, religiosos e teóricos, todos trazem uma palavra a respeito desse momento  e do que será de nós. Muitos procuram culpados. E gastam tempo e energia provando a culpa de alguém. Outros traçam as estatísticas. Os números apontam o caminho. E nossas cabeças continuam cheias de dúvidas. 
Fomos todos sacudidos! Estamos todos em estado de alerta! Não importa se você está no grupo de risco ou não, se é empregado ou empregador, se fez tudo certo até ontem ou se foi um despreocupado nato, todos perdemos nossas certezas. Estamos todos à deriva. Neste momento somos apenas seres humanos suportando a companhia e o peso de nós mesmos. 
Nós, que sempre fomos cercados e rodeados de outros, nós que alimentamos nossas vaidades e nossos caprichos com os aplausos alheios, estamos aqui, agora, experimentando o gosto de nossas próprias companhias. 
Alguns se enchem de afazeres. Limpam, trocam tudo de lugar, limpam de novo, tudo isso para não ter que enfrentar o tempo consigo mesmos.
Outros se enchem de informação. Estudam, leem livros, assistem filmes, vídeos, aulas. Até se cansarem e dormirem em cima do conhecimento. 
Cachaça, rivotril, oração e internet são agora remédios para a mesma dor. 
No fundo cada um está respondendo suas perguntas secretas do seu jeito. Estamos evoluindo sem saber que estamos. Estamos aprendendo a olhar para dentro, a olhar para o lado, a olhar para onde nossas ocupações não permitiram. E isto vai nos trazer mudanças consideráveis. Estamos todos à espera de um amanhã que ainda não sabemos como será. 
Mercadologicamente falando, se estaremos todos necessitados, ideias, acordos e ajustes nunca dantes imaginados, surgirão. Psicologicamente falando, se estamos todos experimentando a nossa própria companhia, a nossa visão  sobre os outros mudará também. E já que perdemos nossas certezas, junto com ela, arrogância e prepotência também perdem o público e se vão. 
Bem-vindo à era dos acordos, das negociações, da velha e boa conciliação, da conversa sincera, da ajuda, do conselho e da partilha. Nunca o amanhã foi tão desejado. Afinal, não seremos os mesmos de ontem. Seremos com certeza, muito melhores! 


Leila Rodrigues


Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos



Olá pessoal,


Depois de 08 meses sem postar, devido a problemas técnicos no meu blog, finalmente estou aqui. Não parei de escrever, porém, me recusei a iniciar outro blog, visto que este sempre foi o meu veículo de comunicação com meus leitores. Não poderia ignorar a história que construí até aqui.

A quarentena me permitiu pesquisar mais a fundo até conseguir resolver esta questão do blog. Imagino que, para cada uma de nós, pelo menos uma coisa boa, vamos descobrir com essa quarentena. Eu acredito, de verdade, que nada acontece à toa. E que sairemos desse capítulo, seres humanos melhores.

Grande abraço, feliz em estar de volta.


Leila Rodrigues


sábado, 6 de julho de 2019

O Dia D



Aparentemente não havia nada errado, embora soubesse que alguma coisa não estava certa. Uma inquietude talvez, um aperto no coração, uma dificuldade de fitar as pessoas. Escondida entre seus afazeres, ela sabia que, em algum momento, ia ter que se encontrar consigo mesma. Adiou este encontro o quanto pôde. Encontrou-se com muitos na tentativa de se encontrar. Mas era com ela própria que a verdadeira discussão tinha que acontecer.
E foi justamente naquele dia, um dia comum como outro qualquer, sem nenhum planejamento ou intenção de que alguma coisa diferente acontecesse, que ela realizou o seu dia D.
Ela havia cuidado dos filhos, da casa, das plantas e de tudo que manda a “convenção das boas senhoras”. Diferentemente dos outros dias, sobrou com algumas migalhas de tempo para cuidar de si. Mas a falta de vaidade a fez mudar de rumo e preferiu ler um pouco. Um livro lhe faria bem.
Escolheu aquele que prometeu ler a tempos e que nunca achou hora para tal. Abriu em uma página qualquer e leu. Leu e releu. Parou, tomou um café e leu de novo. Fechou o livro e saiu com as palavras fervilhando-lhe a cabeça.
Quando deu por si, ela falava sozinha. Não, ela falava consigo mesma. Perguntava, respondia, discutia, insistia e exigia explicações de si mesma. A discussão se estendeu. Filosofou, confabulou, desentendeu e se entendeu de novo consigo mesma. Perdeu ali algum tempo? Não, ganhou ali a vida inteira. Saiu da conversa preparada e disposta a agir. Saiu pra vida com a certeza de que o amanhã pode ser a única oportunidade de fazer melhor, de fazer direito, de ser digna de ser chamada de filha do Universo.
Haveria cansaço como qualquer outra pessoa na sua situação, haveriam problemas como qualquer mortal tem e, com toda certeza, haveriam dias de plantar, de ceifar e de colher. Mas ela estava tão segura dos seus propósitos, das suas condições e das suas competências, que nada, absolutamente nada, conseguiria abalar sua convicção.
Já não era mais a mesma. Não era a mesma de ontem, nem a mesma de 20 anos atrás. Contudo, sabia que sua essência estava preservada, e isso era o bastante para adequar-se sem se perder. O amanhã confiava-lhe alguma surpresa e o ontem garantia-lhe a experiência necessária para viver o hoje com tranquilidade.
Disposta a começar um capítulo novo na sua história, ela foi à luta. Tudo que ela queria agora era viver! Naquela noite ela dormiu em paz!

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem: https://asaventurasdeheleu.blogspot.com/2014/12/heleu-e-metamorfose-amorosa.html


Olá pessoal,

Muitas vezes sabemos tudo que precisa ser feito, mas nos falta a coragem para agir, nos falta o “insight” para começar. Este “insight" pode vir do nada, de um livro, de um filme, da palavra de um amigo… de qualquer lugar. Que nunca nos falte bons motivos para agir! Que nunca nos falte coragem para fazer a  transição do pensamento para a ação. E que possamos sempre comemorar a alegria de fazer acontecer! 

Grande abraço

Leila Rodrigues




domingo, 28 de abril de 2019

O holofote e a sorte



O holofote e a sorte

A rede é palco. Com a internet, todos têm a oportunidade de colocar seus avatares neste palco. E o fazem muito bem! 
Não vamos discutir os motivos pelos quais cada um tem o seu avatar; geralmente, são personagens perfeitos, irretocáveis, que estão sempre sorrindo e gozando da mais plena felicidade. Na rede, todos são corretos, éticos, ecologicamente preocupados com o planeta e engajados em alguma causa. Na foto muito bem preparada para “o post”, todos se vestem bem, comem bem, se exercitam, se cuidam e principalmente usam e abusam da palavra gratidão. São todos bem sucedidos, se dizem bem resolvidos e parecem viver um extraordinário caso de amor consigo mesmos. Narciso é tímido perto do que temos visto. A grande maioria não se cansa de falar dos seus diplomas e do quanto tiveram que lutar para chegar onde chegaram. Um pseudo-lugar habitado pelos deuses da competência. Como se o resto do mundo fosse incompetente  e vivesse no andar de baixo dos seus pés dourados. 
Cá para nós, isso existe? Isso é real?  Pessoas que precisam provar o tempo todo que são "fodas" precisam urgentemente de um psiquiatra. Pessoas irretocáveis são insuportáveis! 
Na prática, nós gostamos mesmo é de gente normal. Pessoas que acordam de mal humor de vez em quando, que escolhem o cardápio sem saber o que é, que sentem dor de barriga, dor de dente, dor de cabeça, insônia e por que não, desânimo de vez em quando. Afinal quem nunca? 
É com essas pessoas que não carregam tantas certezas que queremos passar os bons momentos de nossas vidas! Pessoas despreocupadas de provar qualquer coisa ao outro. Porque pessoas verdadeiramente  bem-sucedidas nem tocam neste assunto com ninguém. Pessoas que realmente atingiram a alta performance não estão preocupadas em comparar o resto da humanidade consigo. Elas estão ocupadas demais vivendo, dando e recebendo atenção dos momentos presentes. Pessoas realmente evoluídas não se tornaram um cartão postal de si mesmas. Elas gostam do que fazem, fazem com prazer mas não são escravas do aplauso alheio. Elas geralmente acordam cedo, trabalham duro, choram de vez em quando, sentem medo e tem um extraordinário respeito pelo próximo. Estes sim, são os nossos verdadeiros ícones e eles dispensam holofotes. Eles são ocupados demais para isso. Há quem diga que eles tiveram muita sorte. Eu digo que a sorte adora gente que acorda cedo. 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem:  https://pt.wahooart.com/A55A04/w.nsf/O/BRUE-8BWTH7/$File/JOHN-WILLIAM-WATERHOUSE-NARCISSUS.JPG

Olá pessoal,

vamos falar a verdade. Ninguém aguenta mais esta turma de narcisos, perfeitamente chata, que circula entre nós. Eles são insuportavelmente perfeitos e na mesma proporção, insuportavelmente chatos. 
Eu gosto mesmo é de gente! De gente que segue em frente, de gente que ri, de gente normal que me permita exercer a minha normalidade junto com eles!

Grande abraço

Leila Rodrigues


segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Das dificuldades da vida


Não é difícil para mim, acordar cedo e ir  trabalhar. Não é difícil para mim, resolver conflitos, orientar pessoas, receber clientes e ajudá-los a resolver seus problemas. Também não é difícil para mim, chegar cansada em casa e ainda arrumar o jantar. O prazer de ver a família reunida, jantando, supera qualquer cansaço. E assim, movidos pelo amor às pessoas e às nossas causas, não é difícil viver. 
Não é difícil viver sozinho e não é difícil criar uma família. São propósitos de vida, portanto imagino que não sejam difíceis para  quem se propõe vivê-los. 
Não é difícil ser um cidadão comum. Pegar fila, esperar a minha vez ou falar a mesma coisa muitas vezes nas repartições públicas. Enquanto cidadão, valho tanto como qualquer outro e isto é bom. Me põe no meu verdadeiro lugar.
Não é difícil cuidar dos nossos pais, tampouco dos nossos filhos. Por mais que haja dificuldades, é tanto amor envolvido que tudo se ajeita. 
Difícil é suportar os entraves, disfarçados de pessoas, que surgem. Isso é difícil! Gente mal educada, que atravanca os processos, que nasceu para complicar o que já estava resolvido, isso é difícil! Difícil é ter que dar satisfação da sua vida para quem não foi convidado para fazer parte dela. Difícil é ter que conviver com pessoas que “não suportam” a nossa felicidade. Difícil é ter que “pisar em ovos” com pessoas dispostas a explodir a qualquer momento.  Ah como é difícil! 
Difícil é suportar pessoas que só tem olhos para seu próprio umbigo. Só enxergam a si mesmas. Seus problemas, suas causas, seus atributos, suas escolhas. Essas são insuportáveis. Difícil é ter que conviver com quem não sabe ganhar, nem tampouco perder. Quando ganham são sarcásticas, quando perdem são céticos. 
Difícil mesmo é conviver com essas pessoas e enxergar o lado bom delas. Isto é o mais difícil de tudo! É transcender as fraquezas do indivíduo e chegar a um lugar que ninguém conhece (ainda). Como assim, se eu ainda não transcendi nem as minhas próprias fraquezas? 
Difícil é amanhecer disposto a fazer a sua parte e esbarrar nestas pessoas. Difícil é saber conduzir nossas vidas e não permitir que essas pessoas nos roubem nossa energia, nem nossa alegria de viver. Isso é evolução da espécie humana. E talvez explique a existência de todas essas pessoas em nossas vidas. Só se evolui com provações! Aí estão elas! 


Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora e no JC Arcos
Imagem: http://ambientes.ambientebrasil.com.br/ecoturismo/eco-esportes/eco-esportes.html Rapel, um esporte belíssimo  e muito difícil (para mim)

Olá pessoal,

O meu sonho de escalar uma montanha por enquanto é só um sonho. Sou apaixonada por altura e o meu próximo passo será pular de para-quedas. Um dia chego à montanha!
Quanto à crônica de hoje, cada um no seu canto, sofre seu tanto! Vocês aí, com suas dificuldades e eu aqui com as minhas. Talvez o que seja difícil para mim, não seja tão difícil assim para você e vice-versa. 
O importante é compreendermos nossas “dificuldades" para criarmos mecanismos de combate a estes vilões silenciosos. 
E tudo há de ficar bem. Para mim, para você, para todos nós!


Grande abraço



Leila Rodrigues

sábado, 18 de agosto de 2018

Tenho, não nego



Tenho dúvidas. Muitas! Eu que um dia me senti cheia de certezas, deixei-as no caminho e hoje coleciono dúvidas diversas. Elas são fruto da minha curiosidade, da minha inquietude, do meu inconformismo com as circunstâncias e os fatos. 
Tenho medo. Muito! É ele que não me deixa atirar de cabeça no escuro. Aprendi a levá-lo comigo e posso dizer que hoje somos parceiros. 
Tenho sonhos! Muitos! Tenho sonhos, planos, projetos e propósitos! Combinados que faço com a vida e que dão sentido à minha existência. Não importa quanto tempo eu tenho pela frente, pretendo morrer sonhando. E em plena construção de alguma coisa! 
Tenho saudades! Muitas! Saudade de pessoas e de suas presenças, de momentos intensos vividos com pessoas especiais. Mas não confundo a minha saudade com vontade de voltar. Estou bem aqui. E a minha nostalgia é um livro de querer bem, onde guardo o que me foi precioso um dia. 
Tenho fé! Muita! Fé em Deus, fé na vida, fé nas pessoas. E até que me provem o contrário, todo mundo é bom. Embora muitos já tenham sim, me provado o contrário, ainda existem outros tantos que não me provaram nada. É nesses que eu deposito a minha fé. E por isso mesmo a minha fé é gigantesca. 
Tenho esperança. Muita! Tenho esperança de que o homem ainda volte a ser humano. Humano na mais pura expressão da palavra. E que, sendo humano, reconheça no outro um humano também. 
Tenho sentimentos. Muitos! E não há estatística que explique o que é isso que eu trago no peito. Porque a lógica do coração é outra! Tenho uma infinidade de sentimentos que se misturam dentro de mim. Ora tenho sentimentos nobres, ora tenho sentimentos confusos, difíceis de administrar. Tenho tristeza, raiva, ciúme, carência e, de vez em quando, desânimo de continuar. Gostaria de não tê-los, confesso. Mas eles existem e não justifica negligenciá-los a esta altura da minha vida. 
Tenho alegria. Muita! Alegria de viver. Alegria sem motivo. Alegria de estar aqui, vivendo esta experiência incrível de ser quem eu sou, no lugar que eu estou com as pessoas que cruzam o meu caminho. Nada poderia ser melhor que isto. 
E tenho amor! Muito! Ah é claro que eu tenho! Amor pelas pessoas, amor pelo meu amor, amor à minha profissão, amor ao universo que me comporta, amor à vida, amor àquela mulher que vejo no espelho depois do banho, amor! Não sei viver sem amar. 
Isso é tudo que eu tenho. O resto? O resto são artefatos; nada mais! 

Leila Rodrigues

Imagem: Acervo pessoal, eu e meu filho Gustavo, o que eu já fiz de melhor nesta vida. O que eu tenho de mais puro e verdadeiro amor.
Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos


Olá pessoal,

Hoje gostaria de agradecer publicamente a um amigo muito querido. O Sr. Wellington, um leitor que me acompanha desde que comecei a escrever. Ele sempre aparece na hora certa e do jeito certo. Sr. Wellington é daquelas pessoas que mais parecem frestas de luz na vida da gente. Esta semana ele me ligou e com seu único de falar comigo, me cobrou o livro. Meu querido amigo, atendendo ao seu pedido, decidi dar continuidade ao projeto do livro que já estava em andamento e foi paralisado por questões pessoais.
Então, para você que me acompanha aqui no blog, em primeira mão eu anuncio: O livro vem aí!!! Vou contando por aqui as novidades. Obrigada por todo incentivo que sempre me deram!

Grande abraço



Leila Rodrigues

domingo, 24 de junho de 2018

Bem longe


Bem longe 

Um dia bati as minhas pequenas asas e voei. Acordei em outras janelas. Foi um tempo de saudade, de lágrimas e de dificuldade. Contudo foi, sem dúvida, o tempo em que eu mais cresci! 
Eu sentia saudade da minha avó, da briga com meus irmãos por batata frita, da minha rua e em especial da minha mãe. É! Eu estava longe de casa! E quando estamos longe, até dos cenários temos saudade. 
Quando estamos longe, todo tempo é comprido, toda memória é saudade e em cada canto enxergamos traços daqueles que habitam o nosso coração. Sentia falta da volta pra casa depois do trabalho e de explicar para as pessoas que eu era a filha do Deco. Ali onde eu estava, ser filha do Deco ou de ninguém não fazia a menor diferença. 
A distância nos amadurece sem pedir licença, hoje eu sei. A distância fez com que todas as preocupações da minha mãe ecoassem na minha cabeça de tal forma, que era impossível não obedecer a tudo que eu havia aprendido com ela. Eu estava longe, bem longe. Naquela cidade imensa, cheia de gente desconhecida. Eu poderia ter feito qualquer coisa. Não tinha ninguém me olhando, não tinha ninguém para “contar lá em casa” o que eu tivesse feito. E ainda assim, eu optei por fazer o que havia aprendido. Eram as minhas raízes falando mais alto que as ofertas da vida! Foi neste momento, o de fazer escolhas sozinha, que eu experimentei a arte de amadurecer. Não foi fácil,  mas foi assim que me tornei protagonista da minha própria história. Caso contrário, eu seria até hoje, uma espectadora de mim mesma!

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos


Olá pessoal,

esta é uma parte da minha história. Uma parte importante, o início de tudo. Não é fácil ir do interior para a cidade grande, mas o aprendizado é gigantesco. Tudo valeu a pena! Faria tudo de novo!
Respondendo à pergunta que muitos fizeram, as postagens diminuíram, porque estou trabalhando no livro, portanto, guardando algumas surpresas para tal. 

Grande abraço


Leila Rodrigues



domingo, 11 de setembro de 2016

Para você que se foi





Então você se foi. E não deu nem tempo de fazermos juntos aquela viagem que planejamos. Nem aquela ida à fazenda do seu tio como você queria.  A sua camisa azul, aquela que você gostava tanto, lavei, ficou pendurada aqui esperando você passar para pegar. Seria aquele momento de tomarmos um café juntos e você me contar como estava a vida. E você não passou. E o café esfriou na garrafa esperando você chegar. E você não chegou.
É! Você não vai chegar. E meu coração vai continuar achando que em algum momento você vai entrar por aquela porta e sorrir para mim. O seu sorriso. Como eu vou sobreviver sem ele? A sua fala, o tom da sua voz, as suas brincadeiras tão suas e a minha felicidade tão nossa!
Você não vem para o almoço e nunca mais virá para o jantar. O quê que eu faço com o Nero que não pára de olhar para mim e perguntar com os olhos cadê você? O quê que eu faço comigo que não sei parar de pensar em você?
Aquela musica que você cantarolava perdeu o tom, o seu chinelão de couro, companheiro de andanças perdeu o caminho e todos nós nos perdemos no silêncio que ficou depois que você se foi. Amanhã talvez eu consiga descobrir novos sons mas hoje ainda estou ouvindo o eco da sua voz no quarto vazio que você deixou. Amanhã talvez eu me lembre de regar as plantas, mas hoje meu coração está árido demais para qualquer flor. 
Foi tudo tão breve. Eu poderia ter dito mais vezes o quanto amava você. Eu o fiz tão pouco. O meu amor foi muito maior que as minhas palavras. Mas certamente você sentiu  todas as vezes que meu coração pulsou de amor por você. Eu poderia ter te abraçado ainda mais, ter te dado o meu colo e tudo mais que você precisasse de mim. Quem poderia imaginar que o fim seria logo ali, naquela esquina, naquele instante entre uma calçada e outra? Eu aqui te esperando e acaba tudo assim? Eu precisava de mais. Eu precisava de mais tempo pra viver a seu lado. Eu precisava de mais tempo para aprender com você.
Meu tempo parou no instante em que você se foi e eu preciso dar a ele um novo movimento. A vida quer que eu continue, ainda que com o coração despedaçado pela falta de você. Sinto-me fraca. Não posso mais pedir a sua mão. Preciso deixá-lo ir. A partir de hoje você habita o lugar sagrado do meu coração, junto das divindades, daqueles que eu não posso tocar mas posso amar eternamente. E assim farei. Te amarei eternamente. Que seja leve e sereno a sua caminhada espiritual.


Leila Rodrigues

Imagem da Internet
Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos


Olá pessoal,

este texto foi a forma que encontrei de abraçar todas as mães que perderam seus filhos em acidentes de trânsito. Neste ano de 2016, principalmente na minha cidade (Arcos), tem morrido muitos jovens em acidentes de trânsito. Sempre penso nas mães, na dor de cada uma delas. Sinto vontade de abraça-las.  A todas mães que perderam seus filhos, seja de que forma for, o meu carinho e a minha oração. 

Grande abraço


Leila Rodrigues





sábado, 27 de fevereiro de 2016

Sobre velhos e novos




Quando eu tinha 17 anos eu achava qualquer pessoa com mais de 30 anos velha. Os 30 chegaram e eu percebi que ainda tinha tantos ou mais projetos que quando eu tinha 17. E então eu entendi que o número de anos vividos não tinha uma ligação tão direta assim com a velhice. Isso é algo que só aprendemos com a prática, ou melhor, com o tempo. E comigo não foi diferente. Aos 30 eu realmente fui movida por uma disposição incrível. Filhos, família, trabalho, estudo, tudo junto e misturado para se chegar a algum lugar. 
Os 40 chegaram e foi como começar tudo de novo. Se a vida começa aos quarenta então eu estava praticamente nascendo. Bem, na prática a teoria é outra, o ditado exagera um pouco mas não deixa de ser um incentivo a mais. O ciclo de amigos pode ficar menor, mas as amizades são mais intensas e verdadeiras, porque aos 40 a quantidade importa pouco.
Aos 40 você quer fazer coisas que nunca fez porque estava ocupado demais com o seu futuro lá atrás. Aos 40 você quer cantar as suas músicas favoritas e que se dane as novas. Aos 40 as pessoas contam mais que as contas e não se deixa para amanhã o que não pode ser feito ontem. 
À medida que os 40 avançam você percebe nitidamente a conta da farmácia crescendo e a do biquini diminuindo. Naturalmente você se vê introduzindo um remedinho para a pressão, depois outro para a hipotireóide, depois um omega3 e a cada ano você repete o mesmo biquini porque já não o usa tanta assim. 
Mas isso não significa necessariamente que você esteja velho. Digamos que a máquina agora precisa de uma manutenção mais frequente, mas continua funcionando bem obrigada. Muito provavelmente para um rapaz de 17 eu seja praticamente idosa. Mas isso não me afeta, afinal, ele só tem 17 anos e talvez ainda não consiga enxergar um horizonte tão longínquo. Porém para mim, que estou aqui escrevendo, vivendo, trabalhando, de malas prontas para o Show do Rollling Stones e cheia de projetos, velhice tem um conceito diferente. 
Não vou negar que na minha mala hoje tem hipertensivo, sapato da linha conforto e meias que eu uso para dormir. Mas tem também uma roda de amigos dispostos a se divertirem que me acompanham e fazem a minha viagem valer a pena. A minha maior bagagem agora é a história que eu carrego comigo. Se isso é velho ou novo, não faz a menor diferença! Envelhecer não é uma escolha, ser feliz sim!


Leila Rodrigues

Olá pessoal, 

Escrever para mim é algo que não consigo programar. Acontece. E quando alguém faz uma “encomenda” de um texto com um assunto específico, geralmente deixo a inspiração chegar no tempo dela e um dia a coisa acontece. Este texto é continuação de uma discussão entre amigos onde um  falou a frase fatídica: "É! Estamos ficando velhos!”… O assunto rendeu e terminamos com muita risada e descontração. Em resumo descobrimos que estamos ficando velhos e melhores. Melhores como pessoas, como amigos, como filhos, como pais, como esposa e marido, enfim, sem bater de frente com a lei da gravidade, estamos melhores como pessoas. 

Grande abraço e que o tempo nos faça pessoas melhores!

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis (23/02) e no JC Arcos (27/02)

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