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quarta-feira, 19 de agosto de 2020

135 dia do tempo incomum



Levanta! Faz uma prece, cuida da pele, faz um café, faz uma yoga, tá na hora da reunião. Cadê o cabo? Esqueceu o batom.
Liga pra um, liga para outro, alimenta a planilha, alimenta o cachorro, toma mais um café, faz reunião com o chefe, faz reunião com o cliente, com o fornecedor, com o parceiro, com a equipe e com o futuro cliente se Deus quiser! E a internet travou! Putz...
Cuida das plantas, faz dieta, faz um bolo, faz atividade física na escada, na sala, no corredor, lava a louça, põe a mesa, tira a mesa, tira a farinha branca, aproveita e tira o refrigerante, diminui o sal e aumenta a vontade de se confortar. Cozinha um ovo, sonha com um prato de macarrão suculento e come o ovo acreditando que dessa vez vai ser diferente!
Dança na frente do espelho, põe a mesa de novo, corre que a live vai começar. A live da ginecologista, a live da dermatologista, do psicanalista, da escritora, do padre, do pastor, da digital influencer... e até hoje ela não sabe para que serve aquele aviãozinho!!! Ai ai que a amiga ligou bem na hora pra contar que o casamento tá acabando!!!!
Perdeu a live, mas tá tudo certo. Pior foi a amiga que perdeu o marido. Será? Minha avó dizia que tudo que está “mal pregado”, desprega com a ventania.
Tanta gente querendo a chance de começar do zero, tanta gente sendo forçada a continuar junto! Debaixo do mesmo teto e de fora dos planos um do outro. Felizes são aqueles que não temeram o encontro. E depois de lavar a roupa suja, a boca suja e tudo mais, se viram limpos das mágoas.
Um dia acorda louvando o universo, no noutro passa a noite acordada. Um dia faz tudo certo, conforme o planejado, no noutro desobedece a si mesma como uma criança mimada. Um dia arranja culpados, no outro sente compaixão.
É tanta coisa, tanta conta, tanta estatística que, às vezes, ela tem dúvidas do que realmente conta.
O dia está acabando. Ela pensa que vai enlouquecer mas o céu está tão limpo, a rua está vazia e o silêncio permiti que ela respire fundo e limpe a mente movimentada de mais um dia de confinamento.
Um dia de um tempo que ela nunca jamais imaginou que existiria. E aqui está vivendo a protagonista, a vilã, a mocinha e a polícia. Tudo ao mesmo tempo, neste tempo que ficará pra sempre na nossa história.
As lições estão todas aí. Vence quem consegue compreendê-las... e ela  que achava a sua vida movimentada antes de tudo isso!
 



Leila Rodrigues


Publicado no Jornal Agora e no JC Arcos


Olá pessoal,

Aqui estamos nós, vivendo este momento ímpar de nossas vidas. Um ano que ficará para sempre gravado em nossa história. As lições estão aí, para quem quiser aprender, para quem estiver disposto a aprender com a vida e para quem tiver leveza de compreender que tudo acontece do jeito como tem que ser.

Eu sigo daqui, vivendo, aprendendo e escrevendo... esse gerúndio constante que me faz tão bem!

Grande abraço



Leila Rodrigues



quinta-feira, 4 de junho de 2020

Efeitos colaterais



Tenho andado diferente. Diferente dos outros? Não. Diferente de mim mesma. Diferente da pessoa que eu era ontem, que eu era ano passado. 
Tenho segredos. Eu agora tenho segredos guardados comigo. Não são de ninguém, senão meus. Eu os criei, eu os plantei aqui na minha cabeça. E todos os  dias os cultivo com meus sentimentos.
As vezes são segredos bons, sonhados ao longo do dia, a céu aberto, enquanto  caminho pela rua e aproveito que ninguém pode ouvir meus pensamentos. 
Às vezes são segredos ruins, verdades difíceis de digerir. Verdades que precisam de um ombro a mais para serem suportadas.
No fundo são só segredos, só meus. E eu os revelo apenas se o meu coração quiser. 
Não, eu não sou um poço de virtudes, eu não acordo todos os dias achando a vida linda. Dentro de mim tem luz e sombra. Disposição e cansaço. Coragem e medo. Vontade de ir e vontade de ficar. 
Eu adoraria acordar todas as manhãs com o coração transbordando alegria e compaixão. Talvez essa seja a minha meta pessoal. Mas ainda tenho minhas manhãs de desânimo de vez em quando. Não é sempre, mas tenho.
Em tempos de pandemia, em tempos de incertezas, tenho lutado comigo mesma para ser mais forte que o contexto. Nunca precisei tanto das minhas forças mentais como agora. Na contrapartida da nossa inércia física, é preciso trabalhar a mente. Temos ouvido de tudo, de tudo mesmo. Muita gente falando ao mesmo tempo. Falando sem conhecimento de causa, falando sem saber o que fala. Falando o que lhe convém. A pandemia tem missões nobres para cada um de nós. Porém, definitivamente, em toda a minha vida, nunca precisei ser tão forte quanto agora. É preciso nos ancorarmos na fé e nos nossos valores para vencermos as agruras do momento. É preciso termos altas e boas conversas com nossos próprios valores para não nos deixarmos levar pela correnteza política que se apropria do contexto para conseguir adeptos. É preciso sermos maduros de fato, conscientes de que nada será como antes, mas que tudo pode ser reconstruído de um jeito melhor. 
Estamos todos experimentando o efeito colateral da incerteza. Alguns vão perder os cabelos, outros vão perder o sono, muitos vão perder o emprego, a vida e a Só espero que experimentemos também, as grandes e ricas lições que este momento tem, para cada um de nós!

Leila Rodrigues

Publicado no JC Arcos
Imagem: https://www.abrale.org.br/revista-online/efeito-colateral-quem-sofre-avisa/


Olá pessoal,

Não há como não estar tocado pelo contexto atual. Todos nós, independente da idade, da condição física ou onde vive, estamos, de alguma forma, tocados pela pandemia. 
E por mais que estejamos exaustos de notícias e de informações, é preciso refletir sobre a forma como estamos recebendo esta mudança, que vai muito além de ficarmos em casa. Estamos diante e grandes mudanças. Nada será como antes. Na verdade, nunca foi. O que muda é que, desta vez, as mudanças serão relevantes, surpreendentes e com certeza, afetarão a todos nós. 
Fiquemos bem, de coração abertos e flexíveis para receber o novo que vem por aí.

Grande abraço



Leila Rodrigues

domingo, 19 de abril de 2020

Certezas perdidas



São tantas perguntas e tantas respostas que estamos todos confusos. Por quê estamos passando por isso? O que será de nós depois disso? O que será de nossas cidades depois desse turbilhão? O que será do nosso país? O que será do planeta? 
Previsões e especulações não faltam. Comentaristas, intelectuais, jornalistas, economistas, religiosos e teóricos, todos trazem uma palavra a respeito desse momento  e do que será de nós. Muitos procuram culpados. E gastam tempo e energia provando a culpa de alguém. Outros traçam as estatísticas. Os números apontam o caminho. E nossas cabeças continuam cheias de dúvidas. 
Fomos todos sacudidos! Estamos todos em estado de alerta! Não importa se você está no grupo de risco ou não, se é empregado ou empregador, se fez tudo certo até ontem ou se foi um despreocupado nato, todos perdemos nossas certezas. Estamos todos à deriva. Neste momento somos apenas seres humanos suportando a companhia e o peso de nós mesmos. 
Nós, que sempre fomos cercados e rodeados de outros, nós que alimentamos nossas vaidades e nossos caprichos com os aplausos alheios, estamos aqui, agora, experimentando o gosto de nossas próprias companhias. 
Alguns se enchem de afazeres. Limpam, trocam tudo de lugar, limpam de novo, tudo isso para não ter que enfrentar o tempo consigo mesmos.
Outros se enchem de informação. Estudam, leem livros, assistem filmes, vídeos, aulas. Até se cansarem e dormirem em cima do conhecimento. 
Cachaça, rivotril, oração e internet são agora remédios para a mesma dor. 
No fundo cada um está respondendo suas perguntas secretas do seu jeito. Estamos evoluindo sem saber que estamos. Estamos aprendendo a olhar para dentro, a olhar para o lado, a olhar para onde nossas ocupações não permitiram. E isto vai nos trazer mudanças consideráveis. Estamos todos à espera de um amanhã que ainda não sabemos como será. 
Mercadologicamente falando, se estaremos todos necessitados, ideias, acordos e ajustes nunca dantes imaginados, surgirão. Psicologicamente falando, se estamos todos experimentando a nossa própria companhia, a nossa visão  sobre os outros mudará também. E já que perdemos nossas certezas, junto com ela, arrogância e prepotência também perdem o público e se vão. 
Bem-vindo à era dos acordos, das negociações, da velha e boa conciliação, da conversa sincera, da ajuda, do conselho e da partilha. Nunca o amanhã foi tão desejado. Afinal, não seremos os mesmos de ontem. Seremos com certeza, muito melhores! 


Leila Rodrigues


Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos



Olá pessoal,


Depois de 08 meses sem postar, devido a problemas técnicos no meu blog, finalmente estou aqui. Não parei de escrever, porém, me recusei a iniciar outro blog, visto que este sempre foi o meu veículo de comunicação com meus leitores. Não poderia ignorar a história que construí até aqui.

A quarentena me permitiu pesquisar mais a fundo até conseguir resolver esta questão do blog. Imagino que, para cada uma de nós, pelo menos uma coisa boa, vamos descobrir com essa quarentena. Eu acredito, de verdade, que nada acontece à toa. E que sairemos desse capítulo, seres humanos melhores.

Grande abraço, feliz em estar de volta.


Leila Rodrigues