domingo, 18 de novembro de 2018

Pra valer a pena



E então alguém pergunta, vale a pena? A pergunta nem é para você. Mas você vai embora com ela na cabeça. E a viagem é longa. Você faz todas as substituições possíveis e imagináveis. Você se pergunta se vale a pena a sua vida, o seu trabalho, o seu sacrifício diário, o seu estresse, as suas “cedidas”, enfim, o “valer a pena” toca nas nossas feridas. E, geralmente, terminamos, sem saber se, realmente, vale a pena. 
Vale a pena tanto sacrifício? Vale a pena esperar? Vale a pena esbravejar? Vale a pena correr tanto assim? Vale a pena gastar sua energia com isto? Vale a pena o preço que se paga? Vale a pena o cansaço? Vale a pena sofrer? 
Sabemos que tudo nesta vida tem um preço. E como bons pagadores, pagamos, sem perceber, pelas nossas escolhas. Muitas vezes pagamos caro demais. Outras vezes pagamos por tempo demais. De uma forma ou de outra, sempre pagamos. A vida não permite devedores. Ela nos cobra de alguma forma. E nunca esquece os juros. 
Contudo, o “nove’s fora” da vida é saber se vale a pena? 
Vale a pena extrapolar seus limites e depois pagar caro para consertar o estrago? Vale a pena impor suas vontades e acabar sozinho no meio da multidão? Vale a pena o cansaço, a dor, a inércia, a mentira, a teimosia e o ciúme? Será que vale a pena ganhar os presentes e perder as presenças? 
Vale a pena ganhar o sucesso e perder a saúde, a família ou as pessoas que amamos? Vale a pena o topo, se junto com ele está a solidão? 
Pra valer a pena, há que ser leve. Há que ter sorriso, choro, emoção, noite de sono tranquilo. Pra valer a pena, é preciso que haja abraços calorosos, olhares festivos e braços que aconcheguem de verdade. Pra valer a pena é preciso que haja reconhecimento, gratidão, compaixão ou alguém que diga simplesmente, muito obrigado. Pra valer a pena, tem que correr nas veias, tem que brilhar os olhos e disparar o coração. Pra valer a pena tem que haver o sorriso de alguém que amamos na linha de chegada, ou do outro lado do mundo torcendo por nós.  Pra valer a pena é preciso haver amor. 
Caso contrário, todo sacrifício será em vão. Caso contrário é tudo obrigação, tarefa cumprida para ganhar algo em troca. Moeda. Acordo que fazemos com a vida para obtermos o que nos convém. E a conveniência? Ah essa está muito longe de ser felicidade. Está muito longe de fazer valer a pena! 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis

Olá pessoal,

Para mim, vale a pena viver, vale a pena amar e vale a pena se sacrificar quando a causa é nobre. Mas esta crônica surgiu de uma conversa com uma amiga que me dizia que “não sabe se vale a pena”. A conversa foi longa, uma discussão filosófica. Ao final, fomos embora com a certeza de que muita coisa vale a pena, só não vale a pena carregar pesos inúteis. Fica a reflexão. 

Grande abraço

Leila Rodrigues



segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Queridos lobos


Aqui de fora, do lado que se pode ver, tem uma pessoa lutando como louca para dar conta de todos os seus papéis. Não podemos reclamar de nenhum deles. Todos são  papéis que escolhemos, que assumimos e que não abrimos mão.  O papel de pais, de esposa ou de marido, o papel de filhos, de empresários, de profissionais, sejam estes bem sucedidos ou não, o papel de defender alguma causa social, de participar de uma instituição e ainda o papel de cidadão em um país com as deficiências do nosso. Enfim, ser a pessoa que somos dá um trabalho danado. Mas é um trabalho bom! Trabalho escolhido por livre e espontânea vontade, ainda que seja tão difícil equilibrar tudo. Todos conhecem a pessoa madura e forte na qual nos tornamos.
Mas dentro de cada um de nós,  aqui deste lado que só eu e você conhecemos, ainda falta muito!
Dentro de cada um de nós, escondido e encolhido moram nossos medos, nossas pequenices, nossas falhas. Aquelas que ainda não conseguimos vencer. Nossos desejos proibidos, nossas intenções negras, aqueles pensamentos sórdidos trancados a sete chaves. É lá dentro, lá onde ninguém chega, que residem nossas verdadeiras máculas. E torcemos para que Deus seja tão ocupado que não tenha tempo de conhecê-las. 
A maldade, a vaidade, o ciúme e a inveja. Este lobo mal que alimentamos silenciosamente. Ah como é difícil conviver com essa verdade! Como é difícil aceitar que somos tão frágeis e que o caminho da verdadeira evolução é longo! 
É certo que não somos só isso!  O que nos salva é que, na outra jaula de nossos corações, reside um lobo bom. Capaz de amar e de se compadecer. É ele que não nos deixa por em prática tudo que pensamos. É ele que, entre um dia e outro, acorda nossos sentidos e não nos deixa cometer um desatino. É ele que nos dá prudência, sabedoria, discernimento, razão e afeto na proporção certa. É ele que nos permite viver nossos papéis. É ele que nos silencia na hora da briga e nos dá voz na hora da defesa. É ele que nos mostra o caminho e nos traz de volta à nós mesmos.  Aqui reside a nossa lucidez, a centelha de luz que carregamos. A verdadeira e silenciosa bondade. A que luta contra nossas vaidades e pequenices. E é ele, este pobre lobo bom que carregamos, quem devemos alimentar todos os dias. 
Difícil mesmo é saber qual dos dois tem sido nosso guia. 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora e no JC Arcos

Olá pessoal,

o ser humano tem brigado mais que o normal, tem se ofendido mais e tem ferido o outro com mais facilidade. Nesses últimos dias, aqui no nosso amado e idolatrado país, temos assistido brigas homéricas em função da política. Temos visto lobos ferozes, esbravejando, rosnando e mordendo, na tentativa louca de provar que o outro está errado em suas escolhas. Vindos de todos os lados eles atacam e pervertem. Alimentados pelo ódio, pela descrença ou pelo cansaço, eles brigam como se estivessem num ringue, onde o vencedor tem que comer o outro vivo até que não lhe sobre absolutamente nada, tampouco dignidade. 
Existe um lobo bom morrendo e sede e fome, alimente-o!

Grande abraço


Leila Rodrigues

Das dificuldades da vida


Não é difícil para mim, acordar cedo e ir  trabalhar. Não é difícil para mim, resolver conflitos, orientar pessoas, receber clientes e ajudá-los a resolver seus problemas. Também não é difícil para mim, chegar cansada em casa e ainda arrumar o jantar. O prazer de ver a família reunida, jantando, supera qualquer cansaço. E assim, movidos pelo amor às pessoas e às nossas causas, não é difícil viver. 
Não é difícil viver sozinho e não é difícil criar uma família. São propósitos de vida, portanto imagino que não sejam difíceis para  quem se propõe vivê-los. 
Não é difícil ser um cidadão comum. Pegar fila, esperar a minha vez ou falar a mesma coisa muitas vezes nas repartições públicas. Enquanto cidadão, valho tanto como qualquer outro e isto é bom. Me põe no meu verdadeiro lugar.
Não é difícil cuidar dos nossos pais, tampouco dos nossos filhos. Por mais que haja dificuldades, é tanto amor envolvido que tudo se ajeita. 
Difícil é suportar os entraves, disfarçados de pessoas, que surgem. Isso é difícil! Gente mal educada, que atravanca os processos, que nasceu para complicar o que já estava resolvido, isso é difícil! Difícil é ter que dar satisfação da sua vida para quem não foi convidado para fazer parte dela. Difícil é ter que conviver com pessoas que “não suportam” a nossa felicidade. Difícil é ter que “pisar em ovos” com pessoas dispostas a explodir a qualquer momento.  Ah como é difícil! 
Difícil é suportar pessoas que só tem olhos para seu próprio umbigo. Só enxergam a si mesmas. Seus problemas, suas causas, seus atributos, suas escolhas. Essas são insuportáveis. Difícil é ter que conviver com quem não sabe ganhar, nem tampouco perder. Quando ganham são sarcásticas, quando perdem são céticos. 
Difícil mesmo é conviver com essas pessoas e enxergar o lado bom delas. Isto é o mais difícil de tudo! É transcender as fraquezas do indivíduo e chegar a um lugar que ninguém conhece (ainda). Como assim, se eu ainda não transcendi nem as minhas próprias fraquezas? 
Difícil é amanhecer disposto a fazer a sua parte e esbarrar nestas pessoas. Difícil é saber conduzir nossas vidas e não permitir que essas pessoas nos roubem nossa energia, nem nossa alegria de viver. Isso é evolução da espécie humana. E talvez explique a existência de todas essas pessoas em nossas vidas. Só se evolui com provações! Aí estão elas! 


Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora e no JC Arcos
Imagem: http://ambientes.ambientebrasil.com.br/ecoturismo/eco-esportes/eco-esportes.html Rapel, um esporte belíssimo  e muito difícil (para mim)

Olá pessoal,

O meu sonho de escalar uma montanha por enquanto é só um sonho. Sou apaixonada por altura e o meu próximo passo será pular de para-quedas. Um dia chego à montanha!
Quanto à crônica de hoje, cada um no seu canto, sofre seu tanto! Vocês aí, com suas dificuldades e eu aqui com as minhas. Talvez o que seja difícil para mim, não seja tão difícil assim para você e vice-versa. 
O importante é compreendermos nossas “dificuldades" para criarmos mecanismos de combate a estes vilões silenciosos. 
E tudo há de ficar bem. Para mim, para você, para todos nós!


Grande abraço



Leila Rodrigues

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Sobre a eleição que vem aí



Sobre a eleição que vem aí 

Lá vamos nós, a grande procissão de cidadãos, exercer o que chamam de cidadania. Na grande fila somos todos iguais. Todos temos peso um. E todos estamos à mercê do que vencer. Incrédulos, perdidos e entregues à escolha da maioria. 
Aqui fora, brigam, trapaceiam e se estapeiam por causa de um e de outro. Não basta defender o seu lado, é preciso estragar o lado oposto. Não basta ter feito a sua escolha, é preciso, a todo custo, mudar as escolhas alheias. E assim, em nome de alguém que endeusam, desfazem amizades, negócios e acordos. Desfazem o que levou anos para ser construído. Um monte de cegos defendendo o que nunca viram de fato. 
E assim com qualquer paixão! Em nome das paixões defendemos bandeiras que não conhecemos na íntegra. Em nome das paixões criamos personagens. Vilões e heróis que vão nos salvar ou nos destruir por completo. No fundo sabemos que, entre mortos e feridos, vamos todos sobreviver. 
Fora os apaixonados, tem uma legião que apenas segue o curso do rio. Para esses, decidir é ainda mais difícil. 
Passaram tantos anos lutando pelo direito de escolha, para chegar o dia de escolher pelo menos pior. É assim que se sente quem não se sentiu convencido por este ou por aquele. Que triste realidade! 
Quem ganhar vai dizer que tudo estará melhor, mesmo sabendo que não é bem assim. Quem perder vai dizer que tudo estará infinitamente pior, mesmo sabendo que não é bem assim. Então, se este é um jogo de cartas marcadas, chego a me perguntar, para quê jogar? 
Jogar porque está é a última rodada que nos resta. Depois desta, só daqui há 4 anos. Jogar porque ainda há esperança na vitória. Jogar porque quem está em jogo é o nosso próprio destino. 
Que nossos valores estejam além dos favores trocados e dos prazeres miúdos. Que nossas intenções sejam mais nobres que nossas vaidades.  Que saibamos colocar o nosso país à frente dos nossos caprichos. Quem sabe assim não conseguimos discernir os verdadeiramente bons, dentre tantos ruins?
Que a nossa maturidade prevaleça. Que a nossa dignidade seja resgatada. Que nossas vaidades sejam sucumbidas pelo amor genuíno à nossa Pátria. E que amanhã, tenhamos a decência de não entregar a Deus, aquilo que esteve em nossas mãos, e não fizemos nada para mudar. Afinal, se Deus é brasileiro e não é candidato, Ele também deve estar na mesma situação que nós.

Leila Rodrigues
Publicado no Jornal Agora Divinópolis em 03 de outubro de 2018
Imagem: internet

Olá pessoal,

Opinião e escolha, são direitos sagrados de cada um. Assim como não gosto de ser “invadida" do meu direito de escolha, todo o cuidado de não “invadir” a escolha alheia. Relutei antes de escrever este texto, mesmo porque, quem me conhece sabe que, política, religião e futebol eu nunca trato neste espaço. 
Espero não ter ferido suas sagradas escolhas, nem tampouco, denegrido esta ou aquela opção. Somos todos brasileiros, todos necessitados de dias melhores. 
Que vença o, verdadeiramente, melhor!!!!

Grande abraço


Leila Rodrigues

sábado, 18 de agosto de 2018

Tenho, não nego



Tenho dúvidas. Muitas! Eu que um dia me senti cheia de certezas, deixei-as no caminho e hoje coleciono dúvidas diversas. Elas são fruto da minha curiosidade, da minha inquietude, do meu inconformismo com as circunstâncias e os fatos. 
Tenho medo. Muito! É ele que não me deixa atirar de cabeça no escuro. Aprendi a levá-lo comigo e posso dizer que hoje somos parceiros. 
Tenho sonhos! Muitos! Tenho sonhos, planos, projetos e propósitos! Combinados que faço com a vida e que dão sentido à minha existência. Não importa quanto tempo eu tenho pela frente, pretendo morrer sonhando. E em plena construção de alguma coisa! 
Tenho saudades! Muitas! Saudade de pessoas e de suas presenças, de momentos intensos vividos com pessoas especiais. Mas não confundo a minha saudade com vontade de voltar. Estou bem aqui. E a minha nostalgia é um livro de querer bem, onde guardo o que me foi precioso um dia. 
Tenho fé! Muita! Fé em Deus, fé na vida, fé nas pessoas. E até que me provem o contrário, todo mundo é bom. Embora muitos já tenham sim, me provado o contrário, ainda existem outros tantos que não me provaram nada. É nesses que eu deposito a minha fé. E por isso mesmo a minha fé é gigantesca. 
Tenho esperança. Muita! Tenho esperança de que o homem ainda volte a ser humano. Humano na mais pura expressão da palavra. E que, sendo humano, reconheça no outro um humano também. 
Tenho sentimentos. Muitos! E não há estatística que explique o que é isso que eu trago no peito. Porque a lógica do coração é outra! Tenho uma infinidade de sentimentos que se misturam dentro de mim. Ora tenho sentimentos nobres, ora tenho sentimentos confusos, difíceis de administrar. Tenho tristeza, raiva, ciúme, carência e, de vez em quando, desânimo de continuar. Gostaria de não tê-los, confesso. Mas eles existem e não justifica negligenciá-los a esta altura da minha vida. 
Tenho alegria. Muita! Alegria de viver. Alegria sem motivo. Alegria de estar aqui, vivendo esta experiência incrível de ser quem eu sou, no lugar que eu estou com as pessoas que cruzam o meu caminho. Nada poderia ser melhor que isto. 
E tenho amor! Muito! Ah é claro que eu tenho! Amor pelas pessoas, amor pelo meu amor, amor à minha profissão, amor ao universo que me comporta, amor à vida, amor àquela mulher que vejo no espelho depois do banho, amor! Não sei viver sem amar. 
Isso é tudo que eu tenho. O resto? O resto são artefatos; nada mais! 

Leila Rodrigues

Imagem: Acervo pessoal, eu e meu filho Gustavo, o que eu já fiz de melhor nesta vida. O que eu tenho de mais puro e verdadeiro amor.
Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos


Olá pessoal,

Hoje gostaria de agradecer publicamente a um amigo muito querido. O Sr. Wellington, um leitor que me acompanha desde que comecei a escrever. Ele sempre aparece na hora certa e do jeito certo. Sr. Wellington é daquelas pessoas que mais parecem frestas de luz na vida da gente. Esta semana ele me ligou e com seu único de falar comigo, me cobrou o livro. Meu querido amigo, atendendo ao seu pedido, decidi dar continuidade ao projeto do livro que já estava em andamento e foi paralisado por questões pessoais.
Então, para você que me acompanha aqui no blog, em primeira mão eu anuncio: O livro vem aí!!! Vou contando por aqui as novidades. Obrigada por todo incentivo que sempre me deram!

Grande abraço



Leila Rodrigues

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Das coisas que nunca se diz


Não sinto raiva da rotina; mas sinto saudade das surpresas. Do bilhete no para-brisa, da visita inesperada, do elogio sem ensaio ou da velha frase dita de um jeito novo. Não sinto por trabalhar o dia todo; mas sinto falta de alguém perguntar como foi o meu dia. Sinto falta de colo, por mais crescida que eu esteja. E de alguém que me enxergue além da fortaleza que pareço ser. 
Não me incomoda ver no meu rosto que o tempo passou; mas me incomoda, e muito, ver as pessoas escondendo o tempo de si mesmas. Crentes que um creme-anti-idade, vai esconder o passado e a vida que viveram. 
Não creio mais em contos de fadas, mas creio nas fadas que se apresentam na minha vida das formas mais incríveis e inesperadas. Não morro por não ter realizado todos os meus sonhos, sonhei tanto que deixei reservas, mas morro aos poucos quando tenho que abrir mão daqueles sonhos que escolhi realizar. 
Já não me importa mais se você não ouve o que eu falo, mas me importa muito quando não me deixam falar. Não me incomoda mais a música do vizinho, mas me incomoda muito o silêncio de quem vive comigo. Quero falas, quero risos, quero participação efetiva e não uma lista de presença. 
Não quero voltar a ser criança, mas me recuso a matar a criança que ainda resta em mim. Aquela que gosta de brigadeiro, que compra meias coloridas e que lê gibis na sala de espera lotada de gente grande. 
São coisas que nunca dizemos, que nunca revelamos para não causar mais problemas do que já temos. Um dia calamos, seja por negligência ou por acomodação. No outro calamos por precaução. E quando nos damos conta, não sabemos mais como falar. Então guardamos tudo na última gaveta de nós mesmos. Aquela onde ficamos sozinhos, completamente nus e à deriva de nossas fraquezas. É aí que somos de verdade quem somos. Onde não existe filtro que mascare nossas verdades. Um dia a gente cria coragem e abre essa gaveta. E eis que lá estão eles. Nossos medos, nossas opiniões mais escusas, nossas angústias escondidas e nossos sonhos engavetados. Então nos vemos assim, tão simplesmente como somos. Sem mais nem menos, sem antes nem depois. Apenas nós e tudo aquilo que sentimos; de bom, de ruim, de grande, de pequeno, de lucidez, de loucura. 
Por que será que é tão difícil ser quem somos? Por que será que precisamos ser “tantos”,  para esconder o “um” que realmente somos? Era para ser tudo tão simples! Pena termos optado por complicar.

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora e no JC Arcos

Olá pessoal,

Atire a primeira pedra quem nunca guardou para si, coisas que gostaria de dizer. Na importam os motivos, cada um tem os seus. Cada um sabe o esforço que é ser quem é. E sigamos assim, entre erros, acertos, tentativas e cabeçadas…

Grande abraço


Leila Rodrigues

domingo, 15 de julho de 2018

Uma jovem de 80 anos


Uma jovem de 80 anos

O clima fica diferente. Nas ruas, há um movimento. Cartazes, comentários, convites. Há um bom motivo para festejar! 
Todos são convidados. Sem restrição. Para os religiosos tem novena da Santa Padroeira - Nossa Senhora do Carmo. Para os mais novos, tem jogos, shows e baladas. Para os tradicionais tem o desfile. Se ontem fomos nós com nossas mini-saias de prega e o tênis Bamba, hoje são nossos filhos e nossos netos com suas selfies. Olha fanfarra do Estadual deixando a festa ainda mais linda! Os meninos da APAE, a pipoca, o picolé, as pessoas na rua à espera das homenagens. E para os que se foram, tem a satisfação de aparecer para encontrar a família e os amigos. Basta dar uma volta para encontrar com aqueles, que um dia fizeram parte da nossa vida. Um abraço aqui, uma lembrança ali... e em instantes a roda de conhecidos se forma. Ah isso não tem preço!!! Vale a pena vir em Arcos no dia do desfile, simplesmente para matar a saudade. Saudade do muro do fórum, do bar do Idolves, do Tio Patinhas e principalmente daquele furdunço de gente aglomerada na praça no dia da cidade. Mudam-se as musicas, os bares e o jeito de se divertir. Mas há que se conservar o amor à esta cidade querida, que tão bem acolhe a quem quer que chegue. 
Ah, já faz tanto tempo que cheguei aqui em Arcos, que é natural para mim dizer que sou daqui, mesmo não sendo. Sempre que chega esta época, é gostoso viajar no tempo e lembrar de quando chegamos, ou de quando começamos a nos entender como gente (para quem nasceu aqui). Quais eram nossas expectativas? O que esperávamos da nossa Arcos? Nossos sonhos, nossos amores, nossa juventude ávida por um baile no clube. Cada um de nós descobriu como pôde um jeito de ser feliz. Muitos construíram seus sonhos aqui mesmo, outros tantos se foram.  A vida se encarregou de dar o destino certo para cada um. E ainda que hoje eu não more aqui, o meu amor pela cidade estará presente na minha vida e nas minhas atitudes. É a nossa Arcos soprando mais uma vela da sua história. Ela chegou aos 80 anos. Tão jovem! Com tanto futuro pela frente, ainda há muito o que conquistar! E nós estaremos aqui; entra ano, sai ano, assistindo às mudanças do tempo acontecer com as pessoas, com a cidade e com cada um de nós! Evoluir sim, envelhecer jamais! 

Leila Rodrigues

Publicado no JC Arcos em 15 de julho de 2018


Olá pessoal,

Hoje todas as honras e todas as boas  energias são para Arcos, esta cidade que eu amo e que tenho orgulho de dizer que é a minha casa. Parabéns Arcos! Que você continue crescendo e se desenvolvendo cada vez mais. Que pessoas competentes e honestas estejam à frente de bons projetos e que nós tenhamos sempre bons motivos para voltar. 
A todos que fazem desta cidade, este lugar tão especial, meu abraço e o meu carinho.


Leila Rodrigues

domingo, 8 de julho de 2018

Meus discos e livros e nada mais



Sempre fui apaixonada por livros. Sou daquelas que tem uma lista de livros para ler constantemente. Gosto de comprar, de manusear, de sentir o cheiro, de organizar na estante e principalmente de ler. Também tive minha fase de discos, que um dia foi substituída pelo CD, depois pelo MP3 e agora pela assinatura digital de um aplicativo de música, onde eu crio a minha própria biblioteca (playlist) para ouvir a hora que eu quiser, onde eu estiver, na ordem que eu preferir. Não sei se rio ou choro com tudo isso. Meus discos, impecavelmente bem guardados, repousam tranquilos à espera de um destino digno. 
Quando penso que os livros vão acabar, que tem uma geração que está chegando aí, que não vai mais saber escrever e que, para esta geração, os livros são entediantes e pouco criativos, eu fico apática.  Não quero ir contra a evolução, nem pretendo fazer apologia ao passado. Porém preconizo, com total consciência, que se restabeleçam as raízes, as tradições e sobretudo a história. 
Ainda que isto muito me entristeça, que morram os livros; desde que seus conteúdos sejam salvos em algum lugar sagrado da tecnologia. Como já dizia Ché Guevara, “um povo sem história é um povo sem futuro” e está fadado a cometer os mesmos erros. 
A história de um povo, de uma empresa, de uma família, de uma cidade ou de uma nação, precisa ser reestabelecida, registrada, contada e respeitada. Este é o primeiro passo na árdua tarefa de reeducar uma nação que perdeu seus valores. A ética só terá chances de ser recuperada, se começarmos dentro de nossas casas, contando aos nossos filhos nossas próprias histórias de desafio e superação. Mostrar aos nossos filhos que vencemos pela ética e o respeito ao próximo, ainda que tenham sido pequenas vitórias, será como plantar uma semente do bem. Semente que mais tarde, bem distante dos nossos olhos, mostrará seus frutos. E consequentemente nas próximas gerações. Eu ainda acredito que a base da educação está nas atitudes de quem educa, de quem lidera, de quem decide o futuro de outrem. 
Vejo pais preocupados, trabalhando no limite da exaustão para deixarem os filhos acobertados de bens e completamente descobertos de valores e afetos. Ingênua eu de achar que a transformação se dera apenas na estante da minha casa! 
Sob a voz impecável de Eliz Regina, eu que sonhei um dia  deixar de herança, “meus discos e livros e nada mais”; chego à triste conclusão que, “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”! E viva Lulu Santos! E Eliz Regina na playlist! 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem: http://meusdiscoselivrosetudoomais.blogspot.com/2010/10/dedicatorias-de-livros.html

Olá pessoal,

as pessoas sempre me perguntam quando é que vai sair o meu livro. O ano passado ele quase saiu, mas por questões pessoais, adiei o projeto. Já está tudo engatilhado, faltando mesmo, só coragem para começar. Não vou esconder que esta geração tecnológica me assusta  e me desanima um pouco em relação ao livro. Mas eu acredito que, sedentos de conteúdo, todos nós um dia estaremos. Em algum momento da vida, todo ser humano tem necessidade de ouvir. Ouvir palavras que não sejam as nossas, ouvir alguma coisa que nos “chacoalhe” por dentro, ou que nos divirta e nos tire do lugar comum.
Por enquanto vamos seguindo com as crônicas que agora saem na edição de quarta do Jornal Agora Divinópolis e aos domingos no JC Arcos.

Grande abraço

Leila Rodrigues

  

domingo, 1 de julho de 2018

Lá vem ela


Lá vem ela, a segunda-feira. Quer você queira, quer não. Ela não quer saber se você está motivado para ir trabalhar, se o trânsito estará bom, se as suas contas estão pagas ou se você está endividado. A segunda-feira também não está interessada no seu caso de amor com o seu carro novo, nem na farra que foi a sua noite passada. Ninguém vai aparecer na segunda-feira de manhã para te perguntar se você está disposto a ir trabalhar. Na verdade a segunda-feira não está nem aí para nós. Ela apenas chega. 
O ônibus passa, a sirene apita, o imposto vence e todo mundo corre para dar conta de tudo, dentro daquele tempo exato que tem que ser. O relógio universal do tempo faz com que tudo aconteça. E se bobearmos, perdemos a hora, perdemos o prazo, perdemos a oportunidade, perdemos a chance de fazer. Simples assim. 
Somos todos soldadinhos treinados para não perdermos. O trem, a hora, o compromisso. Somos treinados para nadar insistentemente, ainda que tenhamos a certeza de que vamos morrer na praia. É preciso ir! E a vida não pergunta se queremos ou se podemos. Você vai ter que ir e pronto!  
Seja qual for a sua motivação ou desilusão, vá assim mesmo. E nós vamos!  Assim como vamos pagar as contas, pegar o filho na escola, fazer a maldita academia (por obrigação), comprar o leite que ficou faltando ou ligar para o encanador vir arrumar o banheiro. Viver é isso! Cumprir compromissos que nem sabemos que fizemos! 
É tudo tão automático, tão parte do sistema que quando nos damos conta, já passou. E assim, no automático, atravessamos a vida até ontem e aguardamos a semana seguinte, o próximo mês, o próximo ano. 
E se, em meio a este automático da vida, não colocarmos o propósito de ser feliz com tudo isso, não seremos felizes com nada. Funciona assim, ou você é feliz escalando a montanha, ou o topo não terá a menor graça. 
É preciso ter como a felicidade como premissa e não como um fim!  Só assim, através de um propósito de felicidade incondicional, pegar o filho na escola, ligar para o encanador ou passar no mercadinho de verdura terá sentido. É possível! É possível fazer do cotidiano um prazer. E quando você conseguir fazer isso, tudo valerá a pena. 
A felicidade ancorada naquele dia lindo, ensolarado, em que tudo terá dado  certo e o comercial de margarina, finalmente acontecerá na sua vida é uma grande ilusão. Não dá  para agendar o dia de ser feliz! Ou ele é agora, por nada, sem nenhum motivo aparente, ou ele não será nunca. Lá vem ela, a segunda-feira. Você ainda tem chance! 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos

Olá pessoal,

Ela vem aí, a sua, a minha, a nossa segunda-feira. Que seja boa! Que seja melhor que a última! Que seja de recomeço para quem precisa recomeçar e que seja de conclusões para quem precisa concluir. Que possamos chegar ao fim do dia com saúde e disposição para começarmos tudo de novo no dia seguinte.
Grande abraço


Leila Rodrigues

domingo, 24 de junho de 2018

Bem longe


Bem longe 

Um dia bati as minhas pequenas asas e voei. Acordei em outras janelas. Foi um tempo de saudade, de lágrimas e de dificuldade. Contudo foi, sem dúvida, o tempo em que eu mais cresci! 
Eu sentia saudade da minha avó, da briga com meus irmãos por batata frita, da minha rua e em especial da minha mãe. É! Eu estava longe de casa! E quando estamos longe, até dos cenários temos saudade. 
Quando estamos longe, todo tempo é comprido, toda memória é saudade e em cada canto enxergamos traços daqueles que habitam o nosso coração. Sentia falta da volta pra casa depois do trabalho e de explicar para as pessoas que eu era a filha do Deco. Ali onde eu estava, ser filha do Deco ou de ninguém não fazia a menor diferença. 
A distância nos amadurece sem pedir licença, hoje eu sei. A distância fez com que todas as preocupações da minha mãe ecoassem na minha cabeça de tal forma, que era impossível não obedecer a tudo que eu havia aprendido com ela. Eu estava longe, bem longe. Naquela cidade imensa, cheia de gente desconhecida. Eu poderia ter feito qualquer coisa. Não tinha ninguém me olhando, não tinha ninguém para “contar lá em casa” o que eu tivesse feito. E ainda assim, eu optei por fazer o que havia aprendido. Eram as minhas raízes falando mais alto que as ofertas da vida! Foi neste momento, o de fazer escolhas sozinha, que eu experimentei a arte de amadurecer. Não foi fácil,  mas foi assim que me tornei protagonista da minha própria história. Caso contrário, eu seria até hoje, uma espectadora de mim mesma!

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos


Olá pessoal,

esta é uma parte da minha história. Uma parte importante, o início de tudo. Não é fácil ir do interior para a cidade grande, mas o aprendizado é gigantesco. Tudo valeu a pena! Faria tudo de novo!
Respondendo à pergunta que muitos fizeram, as postagens diminuíram, porque estou trabalhando no livro, portanto, guardando algumas surpresas para tal. 

Grande abraço


Leila Rodrigues



sábado, 26 de maio de 2018

Força motriz


Meu pai foi motorista de caminhão. Trabalhei  em uma concessionária de caminhões e depois tive a honra de implantar sistemas em uma grande transportadora. Por tudo isso, caminhões fazem parte da minha vida. Sou daquelas que tem o modelo preferido, que gosto de acompanhar a evolução deles e que ainda pretendo fazer uma viagem a bordo de uma carreta um dia.
Ver a estrada sem eles pareceu sexta-feira da paixão. Ficou um vazio. Um vazio na estrada, um vazio nas prateleiras, um vazio na boca de todos nós. Calamos. Emudecemos ao perceber que aqueles que, ignorantemente consideramos o “incômodo do trânsito”, conseguiram parar um país. Conseguiram o que muitos tentaram com pouco efeito. E ataram os pés e as mãos de muitos brasileiros.
Dizem que se o boi soubesse a força que tem, ele não puxava carroça. Eles, os caminhoneiros descobriram a força que têm! E descobriram que, juntos, podem parar um país. Você já tinha parado para pensar que o remédio da sua pressão, a maçã que você come todo dia, a compra que você fez na internet, o que move o seu carro e os aviões que cruzam o céu, dependem todos daquele “incômodo do trânsito”? E nós que achávamos que só a tecnologia tinha importância em nossas vidas! 
Existe uma turma grande que acorda cedo, que dorme fora de casa, que não leva o filho para a escola e que literalmente carrega este país nas costas. Em um país de estradas vergonhosas e de segurança duvidosa, eles seguem em frente, entregando a nossa sobrevivência. É melhor respeitá-los! Eles hoje sabem a força que têm! 


Leila Rodrigues

Publicado no JC Arcos em 26/05/2018

Olá pessoal,

Tem muita gente contra e muita gente a favor. É direito de cada um ter a sua opinião a respeito. Estamos todos sendo afetados. Então, de uma forma ou de outra, estamos envolvidos, estamos no olho do furacão. Agora é torcer para que a nossa dignidade seja reestabelecida!

Grande abraço

Leila Rodrigues




domingo, 20 de maio de 2018

Meia volta volver


Ela caminhava apressada a poucos metros à minha frente. Carregava algumas sacolas.  Parecia uma pessoa  determinada e segura.  E de repente, sem nenhuma seta, nenhum aviso, virou para traz e fez o caminho inverso. Não tive como não perceber, assustei e rimos juntas quando vi que era uma conhecida. Ela sorriu e disse tranquilamente, “faz parte, não é mesmo?”
Continuei meu trajeto pensativa. O que será que esqueceu? Onde estaria indo e desistiu? 
Fomos criados para não desistirmos jamais,  para não desanimarmos, para praticarmos a resiliência. Contudo, resiliência não pode ser confundida com insistência. Mesmo porque, nem tudo que começamos vai dar certo ou vai durar eternamente! Algumas coisas tem prazo de validade sim e este prazo precisa ser respeitado! 
Parar, encerrar,  desistir, não significam, necessariamente, que não foi bom ou que não houve aprendizado. Desistir pode ser libertador!
Admiro quem tem a coragem de praticar o famoso “meia volta volver”. Aqueles que têm a bravura de tomar a iniciativa e acabar com o que sufoca, o que angustia, o que já deixou de dar satisfação faz tempo. Geralmente são eles, os corajosos de plantão, os que são julgados como fracos ou como os ruins da história. Mas também são eles, as pessoas mais leves e mais preparadas para novas experiências. Eles não têm vergonha de dizer que caíram, que tentaram, que faliram ou que começaram de novo. Isso é parte da vida deles como também é parte o recomeço, a conquista e a vitória. 
Não importa quanto você já caminhou, não importa quão tortuosos foram seus caminhos. Importa a sua temeridade em tomar as rédeas do seu destino. Mudar de vida, mudar de rota ou de rumo depende de cada um de nós. 
Vejo jovens angustiados por terem que atender expectativas dos pais e não às suas próprias. Vejo pessoas entristecidas, fazendo trabalhos medianos  sem coragem para atuarem naquilo que têm paixão. Vejo casais que estão juntos mas não estão sequer próximos. Apenas estão ali, mantendo algo que não existe mais. Tudo porque vivemos em uma cultura onde desistir é sinônimo de derrota. 
Mediocridade! Derrota é não tentar! Derrota é se acomodar! Derrota é se contentar com a vida sem emoção! Isso sim é se fazer um derrotado! 
Não te faz bem, não te acrescenta, não te engrandece, não te dá alegria nem prazer, então junte seus soldadinhos e saia da brincadeira. Meia volta volver também é vida que segue! É assim na infância e assim deve ser para a vida inteira. Afinal, viver há de ser uma gostosa brincadeira! 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem da Internet

Olá pessoal,

Esta semana recebi um feedback do Jornal Agora que me deixou muito feliz. Escrevo há 7 anos para o Agora e sou grata a este veículo e aos leitores que sempre me procuram. Minhas crônicas agora sairão na edição de sábado. Obrigada Flávio (Jornal Agora) e aos leitores por prestigiarem  meu trabalho.
Sobre a postagem de hoje, eu realmente admiro pessoas que sabem dar meia volta, volta inteira, um passo para trás, enfim, admiro quem não tem medo de mudar de rumo!
Meia volta, volver” é um comando militar que significa mudar de sentido numa volta de 180° sem retirar o pé do chão. Tudo a ver com o que falamos.
Sigamos pois, com a coragem necessária para mudarmos o rumo da nossa história sempre que preciso for.
Grande abraço


Leila Rodrigues