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domingo, 16 de dezembro de 2012

A volta









Olá pessoal,

Depois de um tempo longe da blogsfera, aqui estou com o texto A volta.
Agradeço aos amigos que mandaram email ou deixaram um recado no blog. Por mais que as circunstâncias me levem para o lado contrário, escrever faz parte de mim, não consigo parar.
E dividir com vocês é meu prazer. O Palavras continua.
Abraços a todos
Boa leitura!

 Leila Rodrigues

A volta  

 


Passei a noite em claro. Desde o momento em que eu tomei a minha decisão de voltar, o meu coração não bateu em ritmo normal. Tramei, ensaiei e pensei a noite inteira em como seria este momento.  Um dia entre a decisão e a chegada demorou mais do que este tempo que eu fiquei fora. 

Nem sei se serei aceita de volta, nem sei como foi sua vida neste tempo que ficou sem mim. Mas sei que a minha vida sem você não teve a menor graça. No começo, surgiram tantos compromissos, tantos programas que nem tive tempo de pensar. Depois, os convites começaram a diminuir, ou se não diminuíram, eu os diminui. Foi aí que, entre um instante e outro de meus afazeres, eu comecei a sentir a sua falta. Veio a saudade e junto com ela as primeiras lágrimas. Veio a vergonha de mim. Vergonha de não ter ouvido o meu próprio coração antes de partir. Vergonha de ter te deixado assim tão só.

Eu também acredito que nada acontece em vão. Daqui a algum tempo eu vou descobrir que tudo foi necessário, mas antes eu tenho que passar por esse momento crucial que é digerir as consequências das minhas atitudes. Doeu não dividir com você um monte de coisas que vivenciei neste período. Doeu não correr para os seus braços no meio da madrugada e despejar meus devaneios. Mas nada doeu mais do que te ver de longe, parado, sozinho sem saber que rumo tomar. Foi naquele instante que eu decidi voltar. Não foi pena de você, foi por pena de mim. Foi naquele instante que eu percebi que nascemos para ficar juntos. 

Fiquei sentada no banco da praça por um tempo, olhando para o nada, perguntando se aquelas pessoas que andavam de um lado para o outro tinham um companheiro em suas vidas. Se elas tinham algo que preenchesse os seus vazios ou que esvaziasse suas cabeças carregadas. Eu tinha você. E fui capaz de te deixar sem a menor explicação.

Só quem já teve esse repente na vida sabe o que é! Dizem que é preciso ser corajoso para fazer uma maldade dessas com alguém. Eu digo que é preciso ser corajoso demais para fazer uma maldade dessas consigo. Estar confuso demais para ir e resolvido demais para voltar. Ir e voltar são igualmente importantes. A dor da culpa não é menor que a dor da perda.

Cheguei em silencio. Sem graça, sem jeito e sem saber direito por onde começar. A sala vazia, o silencio do lugar, aquela poeira que pairou em tudo desde que eu fui. Parece que o tempo parou quando eu fechei a porta. O meu copo d'água pelo meio, a fresta da cortina do jeito que eu gosto e este nó na minha garganta que não me permite dizer mais nada.

O que eu fiz com você, meu querido Palavras, eu o fiz comigo mesma. Permita-me sentar e dizer que eu estou de volta.
...E o resto, construiremos tudo de novo.

Leila Rodrigues

Imagem: Internet