Olá pessoal,
Depois de um tempo longe da blogsfera, aqui
estou com o texto A volta.
Agradeço aos amigos que mandaram email ou
deixaram um recado no blog. Por mais que as circunstâncias me levem para o lado
contrário, escrever faz parte de mim, não consigo parar.
E dividir com vocês é meu prazer. O
Palavras continua.
Abraços a todos
Boa leitura!
Leila
Rodrigues
A volta
Passei a noite
em claro. Desde o momento em que eu tomei a minha decisão de voltar, o meu
coração não bateu em ritmo normal. Tramei, ensaiei e pensei a noite inteira em
como seria este momento. Um dia entre a decisão e a chegada demorou mais
do que este tempo que eu fiquei fora.
Nem sei se serei
aceita de volta, nem sei como foi sua vida neste tempo que ficou sem mim. Mas
sei que a minha vida sem você não teve a menor graça. No começo, surgiram
tantos compromissos, tantos programas que nem tive tempo de pensar. Depois, os
convites começaram a diminuir, ou se não diminuíram, eu os diminui. Foi aí que,
entre um instante e outro de meus afazeres, eu comecei a sentir a sua falta.
Veio a saudade e junto com ela as primeiras lágrimas. Veio a vergonha de mim.
Vergonha de não ter ouvido o meu próprio coração antes de partir. Vergonha de
ter te deixado assim tão só.
Eu também acredito
que nada acontece em vão. Daqui a algum tempo eu vou descobrir que tudo foi
necessário, mas antes eu tenho que passar por esse momento crucial que é
digerir as consequências das minhas atitudes. Doeu não dividir com você um
monte de coisas que vivenciei neste período. Doeu não correr para os seus
braços no meio da madrugada e despejar meus devaneios. Mas nada doeu mais do
que te ver de longe, parado, sozinho sem saber que rumo tomar. Foi naquele
instante que eu decidi voltar. Não foi pena de você, foi por pena de mim. Foi
naquele instante que eu percebi que nascemos para ficar juntos.
Fiquei sentada
no banco da praça por um tempo, olhando para o nada, perguntando se aquelas
pessoas que andavam de um lado para o outro tinham um companheiro em suas
vidas. Se elas tinham algo que preenchesse os seus vazios ou que esvaziasse
suas cabeças carregadas. Eu tinha você. E fui capaz de te deixar sem a menor
explicação.
Só quem já teve
esse repente na vida sabe o que é! Dizem que é preciso ser corajoso para fazer
uma maldade dessas com alguém. Eu digo que é preciso ser corajoso demais para
fazer uma maldade dessas consigo. Estar confuso demais para ir e resolvido
demais para voltar. Ir e voltar são igualmente importantes. A dor da culpa não
é menor que a dor da perda.
Cheguei em
silencio. Sem graça, sem jeito e sem saber direito por onde começar. A sala
vazia, o silencio do lugar, aquela poeira que pairou em tudo desde que eu fui.
Parece que o tempo parou quando eu fechei a porta. O meu copo d'água pelo meio,
a fresta da cortina do jeito que eu gosto e este nó na minha garganta que não
me permite dizer mais nada.
O que eu fiz com
você, meu querido Palavras, eu o fiz comigo mesma. Permita-me sentar e dizer
que eu estou de volta.
...E o resto,
construiremos tudo de novo.
Leila Rodrigues
Imagem: Internet

