Olá pessoal,
O Palavras ficou sem postagem por alguns
dias, mas está de volta com um formato diferente. A partir da próxima postagem,
reproduzirei aqui meus textos publicados em jornais e revistas, para atender aos meus leitores que moram em
regiões onde estes veículos não chegam.
As postagens continuam, a minha interação
com vocês neste texto introdutório é que não vai acontecer. Porém, estou à
disposição para conversar com vocês através do email leilamro1810@gmail.com. Acabo de
assumir mais um compromisso com uma revista local, onde assino uma coluna sobre
tecnologia e em consequência deste não tenho como participar ativamente das
postagens.
Agradeço a todos, primeiramente por lerem
os meus textos, pela amizade, pelo
aprendizado e pelo apoio ao Palavras. Continuarei visitando os blogs dos
amigos, mesmo porque continuo leitora e apreciadora do trabalho de muitos.
Deixo vocês com o texto A
multipessoa
baseado no texto que foi publicado no Jornal Agora Divinópolis em
04/06/2013.
Abraços a todos
Boa leitura!
Leila
Rodrigues
A multipessoa
Tudo começou com
o multiprocessador, um único aparelho que executava várias funções. Triturar,
processar, picar e bater. Eu mesma não sosseguei enquanto não adquiri o meu.
Tudo de bom, não fosse a falta de praticidade e aquele monte de pecinhas que se
perdem com facilidade. Depois disso o "multi" tomou conta do
mercado. Tudo virou multifuncional. Computador multitarefa; tv que é dvd,
internet e aparelho de som e até colchão que, além da função básica, esquenta,
massageia e trabalha a circulação. E como não poderíamos ser diferentes,
nós, pobres mortais humanos de um único chip, nos tornamos adeptos da
multifunção. Fazemos duas, três coisas ao mesmo tempo o tempo todo! E achamos
isso o máximo!
Enquanto dirige,
fala no celular e conversa com quem está do lado. Enquanto acompanha o dever do
filho, faz a lista de compras e ainda convida as amigas para a reunião do fim
de semana. Participa de uma reunião e checa os e-mails ao mesmo tempo. Se
prestarmos atenção, não conseguimos mais fazer uma coisa de cada vez.
Conclusão: Fica tudo mal feito!
Mas se tudo é
urgente e necessário, se temos vários papéis a exercer (pais, filhos,
profissionais, alunos, companheiros, esposa ou marido), como não fazer parte dessa
legião de loucos que correm de um lado para o outro, desesperadamente, na
tentativa de dar conta do recado? Como não ser uma multipessoa nos dias de
hoje?
Certamente a
receita que servirá para mim, não será a mesma que resolverá para você. Mas te
digo que há que se haverem tarefas únicas e singulares de vez em quando.
Tarefas que nos façam, por alguns minutos, esquecer todas as nossas outras
funções e nos permita mergulhar de cabeça em uma coisa só, ainda que, por
apenas alguns minutos uma vez por semana.
Cantar, pintar,
correr, caminhar, nadar, meditar, rezar, fotografar, bordar, cuidar do jardim,
dançar ou qualquer outra atividade que te dê prazer e concentração pode
funcionar melhor que pílulas e ainda trazem no pacote o benefício do prazer. Desde
que feita com satisfação, atenção e concentração.
A multipessoa
pode até existir, mas é preciso cuidar para que esta não se perca nas suas
multiatribuições e termine no fundo do armário como o multiprocessador que só é
usado quando aquela tia de Campinas vem visitar e insiste em fazer o bolo que
só ela sabe a receita.
Leila Rodrigues
