Promete que se eu falar de
amor você não vai rir de mim? Não vai dizer que isso é coisa de adolescente? Nunca fui ligada a datas, mas hoje me deu vontade de falar de amor. Prometo não
ser utópica, nem falar de eternidade. Não confundo amor com paixão. Hoje eu sei separá-los muito bem. Eu já passei da fase de escrever frases no fim
do caderno contornadas de coração. Hoje nem tenho mais caderno e meus desenhos
de coração não seriam mais tão redondos quanto aqueles.
Não que o romance tenha
morrido, ele ainda vive, apenas intimidou-se. O romance mora no olhar que
cruzamos e dispensa palavras, na mão que encontramos debaixo da mesa, no beijo
no elevador, no momento em que você tenta, desajeitadamente, acalmar meus
cabelos esvoaçantes.
O amor que quero falar é
este que faz com que eu queira que o tempo passe logo para te contar como foi
interessante a aula de economia. É quando não consigo planejar uma viagem sem
colocar você ou quando fico orgulhosa dos nossos filhos se parecerem tanto
com você.
Não quero falar de amor
depois que você se for. Não quero chorar pelos cantos declarando ao acaso os
poemas que deixei de dizer para você. Não quero buscar você nas flores ou no
canto dos pássaros sem antes buscar a sua carne e o seu osso nos dias comuns.
Não quero provar da saudade como prato principal, porque eu mesma não
saboreei a ceia da tua presença.
Dizem que o cotidiano é o
devastador do amor. Que de tão comum, vamos decorando o outro e aí o romance se
esvai. Eu acredito nisso, mas insisto em fazer o jogo inverso. Quero que
o cotidiano se alimente de nós dois, de tal forma que é ele quem vai ficar
viciado em nós!
Então falar de amor será
falar a nossa língua, nosso código, nossas besteiras diárias. Apenas isso.
Que
a poesia de Fernando Pessoa se incorpore em nossas vidas e dizer seja
desnecessário para nós dois.
Leila
Rodrigues
Olá pessoal,
Atendendo ao
pedidos dos amigos, vou repostar alguns textos que selecionei.
Falar de amor é algo muito difícil.
O amor é peculiar. O amor é de cada um. O amor no começo é um, no dia-a-dia é
outro e no final é outro completamente diferente. Hoje estou falando do amor
cotidiano, do amor que acorda cedo e não tem tempo para declarar-se. Do amor
rodeado de filhos, livros e afazeres. Apesar das tantas ocupações ele existe e
está presente em cada instante. E foi exatamente isso que eu quis dizer no
texto acima.
Também não
poderia deixar de agradecer a todos que estão compartilhando os textos nas suas
redes sociais e multiplicando o número de leitores do palavras. Muito obrigada
a cada um de vocês. É assim que o Palavras está crescendo. Naturalmente. Como
deve ser.
Grande
abraço
Leila
Rodrigues
