Mostrando postagens com marcador falando de amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador falando de amor. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 12 de junho de 2012

Falando de amor


Promete que se eu falar de amor você não vai rir de mim? Não vai dizer que isso é coisa de adolescente? Nunca fui ligada a datas, mas hoje me deu vontade de falar de amor. Prometo não ser utópica, nem falar de eternidade. Não confundo amor com paixão. Hoje eu sei separá-los muito bem.  Eu já passei da fase de escrever frases no fim do caderno contornadas de coração. Hoje nem tenho mais caderno e meus desenhos de coração não seriam mais tão redondos quanto aqueles. 
Não que o romance tenha morrido, ele ainda vive, apenas intimidou-se. O romance mora no olhar que cruzamos e dispensa palavras, na mão que encontramos debaixo da mesa, no beijo no elevador, no momento em que você tenta, desajeitadamente, acalmar meus cabelos esvoaçantes. 
O amor que quero falar é este que faz com que eu queira que o tempo passe logo para te contar como foi interessante a aula de economia. É quando não consigo planejar uma viagem sem colocar você ou quando fico orgulhosa dos nossos filhos se parecerem tanto com você.
Não quero falar de amor depois que você se for. Não quero chorar pelos cantos declarando ao acaso os poemas que deixei de dizer para você. Não quero buscar você nas flores ou no canto dos pássaros sem antes buscar a sua carne e o seu osso nos dias comuns.  Não quero provar da saudade como prato principal, porque eu mesma não saboreei a ceia da tua presença.
Dizem que o cotidiano é o devastador do amor. Que de tão comum, vamos decorando o outro e aí o romance se esvai. Eu acredito nisso, mas insisto em  fazer o jogo inverso. Quero que o cotidiano se alimente de nós dois, de tal forma que é ele quem vai ficar viciado em nós! 
Então falar de amor será falar a nossa língua, nosso código, nossas besteiras diárias. Apenas isso. 
Que a poesia de Fernando Pessoa se incorpore em nossas vidas e dizer seja desnecessário para nós dois.

Leila Rodrigues




Olá pessoal,

Atendendo ao pedidos dos amigos, vou repostar alguns textos que selecionei.
Falar de amor é algo muito difícil. O amor é peculiar. O amor é de cada um. O amor no começo é um, no dia-a-dia é outro e no final é outro completamente diferente. Hoje estou falando do amor cotidiano, do amor que acorda cedo e não tem tempo para declarar-se. Do amor rodeado de filhos, livros e afazeres. Apesar das tantas ocupações ele existe e está presente em cada instante. E foi exatamente isso que eu quis dizer no texto acima.
Também não poderia deixar de agradecer a todos que estão compartilhando os textos nas suas redes sociais e multiplicando o número de leitores do palavras. Muito obrigada a cada um de vocês. É assim que o Palavras está crescendo. Naturalmente. Como deve ser.

Grande abraço 


Leila Rodrigues