Numa
sociedade em que a competição é cada dia mais acirrada, o mercado cada vez mais
exigente e a concorrência cada dia mais inteligente, é preciso saber tudo
de tudo. Se ontem bastava ser bom, hoje é preciso ser ótimo. É preciso se
manter à frente das exigências da sua área de atuação. O básico virou banal. O
complexo de ontem é o basicão de hoje e démodé de amanhã.
Tudo isso
é fato. Temos que buscar formas de sobreviver nesta selva. O lado B de tudo
isso é que esta busca desenfreada pelo sucesso ultrapassa os limites da sanidade. Onde
é que está escrito que precisamos ser bons em tudo?
Tenho
visto pessoas fazendo um esforço sobre-humano para serem bons pais, bons
filhos, bons amantes, excelentes profissionais e ainda levar uma vida saudável.
E ainda correm daqui e dali para estarem em tudo e participarem de tudo.
A
palavra networking subiu à cabeça das pessoas. O que vemos são verdadeiros
show-mans e show- girls. Atitudes premeditadas e comedidas, que não passam
de um plano para chegar ao podium. Até os bons-dias são premeditados! Encontros
e contatos são minuciosamente arquitetados. Elogios são distribuídos como
fichas de entrada em um mundo melhor. Tudo faz parte da conquista do troféu de
bem-sucedido!
Onde
estão as pessoas normais? Aquelas que têm a grandeza de dizerem que não sabem
fazer algo, que perderam alguma coisa ou que se deram mal. Onde está você, ser
em extinção?!
Procura-se
alguém que possa compartilhar verdades e não apenas vantagens. Procura-se por
pessoas que saibam rir e chorar, perder e ganhar. Procura-se por gente que
se machuca, que se esfola, que está na fila, que pede ajuda. Procura-se
pessoas, não um case de sucesso.
Ando
correndo de quem tá pronto, inteiro, formado. Tenho pena dessas feras,
perfeitos, acima de qualquer suspeita. Pessoas impecáveis, super-hiper-mega
organizadas e extremamente bem sucedidas me causam pânico. Tenho medo de pegar
a doença da perfeição e nunca mais ser eu mesma.
Mulheres
perfeitas à base de fluoxetina. Homens bem-sucedidos escravos de um comprimido
azul. E ninguém toca no assunto do que não deu certo. Fazem-se caras e bocas,
sorrisos e poses. Tudo isso para disfarçar que, por trás dos holofotes, somos
todos iguais!
Leila Rodrigues
Publicado no Jornal Agora - Divinópolis MG em 15/11/2011
