Chegou o seu momento, o seu ponto final. Rubem Alves, escritor,
poeta, filósofo, professor, mestre. Um grande mestre! Vá em paz e leve a
certeza de que, aqui, você deixa um jardim imenso de ipês. Suas palavras, como
você bem disse, suas sementes, já estão plantadas em nossos corações.
Nem deu tempo de apertar a sua mão. Nem deu tempo de você me conhecer e eu te dizer o quanto eu te admirava. Meus livros "seus" não são autografados. Também pudera, eu era apenas mais um no meio da multidão de leitores que como eu, queria te abraçar um dia.
Mas eu não queria ser sua fã. Eu queria mesmo era ter sido sua amiga, ter tomado um café com você e juntos apreciarmos a chuva na serra. Algumas vezes invejei a Tomikko e qualquer outra pessoa que lhe fosse próxima, simplesmente por estarem tão perto de você e eu não. Mas não foi nesta existência. Quem sabe nos encontraremos na próxima?
Mestre, ainda com o coração triste por te ver partir, eu quero me despedir de você de outra forma, relembrando aqui algumas vezes que você entrou em minha vida.
Por causa de você, no momento do meu desespero, dependurada na pirambeira dos meus problemas, eu enxerguei morangos e me agarrei a eles até achar a saída.
Por causa de você eu não esperei os sessenta e comprei vestidos vermelhos, floridos, coloridos, enfim eu continuo contrariando o modismo geriátrico do cinza e preto e colorindo-me à minha maneira.
Por causa de você eu vivo quebrando as gaiolas. As que eu invento e as que inventam para mim. E sinto-me alada e feliz. Asas não envelhecem.
Por causa de você eu adoro pimentas e sem incendiar eu as acrescento em tudo que posso. Seja num simples prato de comida ou nos meus pensamentos-pimenta que temperam a minha vida e consequentemente temperam o mundo ao meu redor.
Por causa de você eu não espero a morte todas as manhãs e nem conto menos um a cada anoitecer. Eu quero a surpresa do ponto final e os meus dias cheios de alguma coisa qualquer. Que sejam palavras, que sejam jardins, que sejam meus sonhos meninos empoeirados na gaveta, eu tenho muito a fazer.
Por causa de você eu me dei o direito de não terminar de ler um livro, de repetir a leitura de outro que me agradou, de ler aquilo que eu quiser e sentir prazer. Foi libertador não seguir nenhuma lista, nenhuma orientação catedrática.
Entraste tão sutilmente em minha vida que nem eu imaginei que seria para sempre. Primeiro na estante, esperaste calado e tranquilo o momento certo de eu te buscar. Depois no meu colo onde tantas vezes adormeci marcando alguma página no momento em que o cansaço me venceu. E finalmente no meu pensamento onde nunca mais você saiu. Só agora, vendo-te ir é que eu me dei conta de que, por causa de você eu causei um reboliço em mim.
Adeus mestre, foi um prazer e uma honra tê-lo tão perto.
Nem deu tempo de apertar a sua mão. Nem deu tempo de você me conhecer e eu te dizer o quanto eu te admirava. Meus livros "seus" não são autografados. Também pudera, eu era apenas mais um no meio da multidão de leitores que como eu, queria te abraçar um dia.
Mas eu não queria ser sua fã. Eu queria mesmo era ter sido sua amiga, ter tomado um café com você e juntos apreciarmos a chuva na serra. Algumas vezes invejei a Tomikko e qualquer outra pessoa que lhe fosse próxima, simplesmente por estarem tão perto de você e eu não. Mas não foi nesta existência. Quem sabe nos encontraremos na próxima?
Mestre, ainda com o coração triste por te ver partir, eu quero me despedir de você de outra forma, relembrando aqui algumas vezes que você entrou em minha vida.
Por causa de você, no momento do meu desespero, dependurada na pirambeira dos meus problemas, eu enxerguei morangos e me agarrei a eles até achar a saída.
Por causa de você eu não esperei os sessenta e comprei vestidos vermelhos, floridos, coloridos, enfim eu continuo contrariando o modismo geriátrico do cinza e preto e colorindo-me à minha maneira.
Por causa de você eu vivo quebrando as gaiolas. As que eu invento e as que inventam para mim. E sinto-me alada e feliz. Asas não envelhecem.
Por causa de você eu adoro pimentas e sem incendiar eu as acrescento em tudo que posso. Seja num simples prato de comida ou nos meus pensamentos-pimenta que temperam a minha vida e consequentemente temperam o mundo ao meu redor.
Por causa de você eu não espero a morte todas as manhãs e nem conto menos um a cada anoitecer. Eu quero a surpresa do ponto final e os meus dias cheios de alguma coisa qualquer. Que sejam palavras, que sejam jardins, que sejam meus sonhos meninos empoeirados na gaveta, eu tenho muito a fazer.
Por causa de você eu me dei o direito de não terminar de ler um livro, de repetir a leitura de outro que me agradou, de ler aquilo que eu quiser e sentir prazer. Foi libertador não seguir nenhuma lista, nenhuma orientação catedrática.
Entraste tão sutilmente em minha vida que nem eu imaginei que seria para sempre. Primeiro na estante, esperaste calado e tranquilo o momento certo de eu te buscar. Depois no meu colo onde tantas vezes adormeci marcando alguma página no momento em que o cansaço me venceu. E finalmente no meu pensamento onde nunca mais você saiu. Só agora, vendo-te ir é que eu me dei conta de que, por causa de você eu causei um reboliço em mim.
Adeus mestre, foi um prazer e uma honra tê-lo tão perto.
Leila Rodrigues
Minha homenagem ao grande escritor Rubem Alves
Publicado no Jornal Agora Divinópolis em 05/08/2014
Imagem da Internet
Queridos leitores,
Peço desculpas pela falta de postagem. Estive sem condições de
fazê-lo por alguns dias. As postagens continuam. Obrigada a todos pelo tempo
destinado a esta leitura. Esta semana teremos a FLID – Feira Literária de
Divinópolis (a nossa primeira). Convido a todos para
participarem.
Grande abraço
Leila Rodrigues
