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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Outono




Que as folhas caem, eu sempre soube
Que elas seguem o vento, eu também sabia
Igual meus pensamentos
Talvez o que eu não soubesse ainda
Era que elas se permitiam secar
Perder a seiva, a cor, o viço, a maciez
Até se tornarem áridas, pálidas, completamente secas.
E vejo meu viço se indo
Sinto-me secando aos poucos
A pele, as lágrimas, o corpo, o desejo
Me tornei deserto
Sem seiva, sem viço, sem broto, sem flor
Difícil permitir
Mais difícil ainda lutar contra o curso dessa natureza
No jardim da minha existência, insisto em florescer
Busco água
Água viva, água de reviver
Mergulho na terra da minha história, minha trajetória
Abraço minhas raízes
Fecundo-me de esperanças
E me permito de novo
Florescer

Leila Rodrigues