Gosto de aperto de mão. Mas de aperto de mão de verdade! Inteiro,
forte, consistente. Aperto de mão com pegada! Tenho dificuldade quando encontro
alguém que não cumprimenta com vontade. Preferia que ficasse só no oi e não me
estendesse a mão, já que não posso sentir firmeza no toque. Mas isso faz parte
de mim e vai muito além do aperto de mão. Não sei estar em lugar nenhum sem
fazer parte. Não sirvo para ser enfeite. Não me incomodo nem um pouco em ser
figurante, em fazer parte da plateia, mas gosto de participar.
O envolvimento é do ser humano. Acontece e pronto. A pessoa
envolvida não se contenta no seu encanto. A pessoa envolvida quer mais! Na hora
do jogo torce, na hora do gol abraça, na hora do aperto compartilha, na hora do
choro abraça de novo! É assim! Sem explicação, sem que isso signifique que ela
quer algo em troca.
Vivemos neste sábado uma emoção indescritível com o jogo do Brasil.
E ainda que eu entenda muito pouco de futebol, foi impossível não sentir frio
na barriga, não torcer, não suar de expectativa pelos meninos de verde e
amarelo. Tentei não assistir e não ouvir, mas foi impossível porque cada casa
tinha alguém acompanhando, torcendo e tecendo seus comentários. Naquele
momento, fomos todos técnicos, juízes, comentaristas e porque não um jogador a
mais. É quase impossível não se envolver.
O que eu penso é que se conseguimos nos envolver tanto no momento
do jogo, se conseguimos ser um só para torcer, porque não conseguirmos nos
envolver de verdade no momento de escolher nossos representantes? No momento de exigir qualidade, de negar o
“jeitinho”, de abrir mão do benefício próprio em benefício da sua cidade, do
estado e da nação? Sabemos fazer bonito no momento de festa, não podemos fazer
tão bonito quanto pelo nosso país?
Tenho visto turistas estarrecidos com o clima, com o riso
brasileiro, com a festa, com a liberdade de ir e vir, de comemorar; tudo isso
são coisas que eles não têm em seus países e nós temos de sobre porque faz
parte de nós. Em contrapartida somos completamente acomodados nos nossos
direitos mais básicos como saúde e educação.
Tá lindo ver o Brasil cantando o hino junto, mesmo que a orquestra
pare. Provamos que é possível cantar sem
maestro! Busquemos um maestro que realmente nos represente, que represente o
que merecemos de verdade e aí sim poderemos todos cantar novamente que o
gigante está de volta!
Leila Rodrigues
Publicado no Jornal
Agora Divinópolis em 01/07/2014
Imagem da Internet


.png)
.png)

